Dilma liga para Macri e o parabeniza pela vitória

 

 

Por Marcos Antº Padilha Ferreira

Um dia após a vitória do candidato a presidência da Argentina, Maurício Macri – representante da direita desse País – a presidente do Brasil, Dilma Rousseff ligou para cumprimentá-lo pelos seus 51,4% de votos. A confirmação do telefonema foi divulgada pela própria Secretaria de Comunicação Social (Secom) do Governo Federal.

De acordo com a Secom, o telefonema também serviu para preparar a viagem que Macri deve fazer nos próximos dias ao Brasil. Como é tradição desde os governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC), sempre o presidente eleito na Argentina, antes de tomar posse – neste ano será no dia 10 de dezembro – viaja ao Brasil.

A mídia brasileira já dá como certa a viagem de Dilma a Buenos Aires para a posse de Macri. Ainda em dezembro, outro encontro deve ocorrer entre Dilma e Macri, porém, dessa vez, será no dia 21, quando os dois participarão da Cúpula do Mercosul, no Paraguai. Macri é a favor de retirar a Venezuela do bloco econômico, já que para ele a Venezuela persegue opositores do governo do presidente Nicolás Maduro.

Em suas palavras, de acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, Macri teria dito que espera dar “nova vitalidade ao Mercosul”. Segundo o presidente eleito, a relação com o Brasil será “dinâmica”. Macri crítica o ‘Kirchnerismo’ de ter enfraquecido o Mercosul com medidas que ele considera protecionistas.

Na Câmara dos Deputados hoje os discursos sobre a eleição na Argentina foram poucos. O represente do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Ivan Valente, em seu discurso na Tribuna, não fez nenhuma referência à vitória de Macri, apenas se reservou a falar sobre o desastre ambiental ocorrido em Mariana (MG).

 

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ELEIÇÕES ARGENTINA – 2O TURNO (4) – CRISE POLÍTICA NA ARGENTINA E NA AMÉRICA LATINA

 

 

A crise política na Argentina deve ser avaliada no contexto da crise política regional e mundial. O aprofundamento da crise capitalista mundial está levando à implosão dos regimes políticos de conjunto principalmente após os preços das matérias primas terem despencado. Ainda há a ameaça do aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, que ainda poderá começar em dezembro, de acordo com as declarações da Reserva Federal norte-americana, e que deverá aumentar a fuga de capitais. Os fundos abutres na Argentina, os crescentes déficits públicos na Venezuela e a perda do “grau de investimento” no Brasil geraram uma situação tão explosiva que esses países poderão ser empurrados a declarar a moratória nos pagamentos dos serviços das respectivas dívidas públicas, nos moldes do que aconteceu na década de 1980. Por esse motivo, a burguesia de conjunto avalia a necessidade de escalar os ataques contra as massas, embora que com diferente intensidade.

De acordo com as pequisas, que, em grande medida, são controladas pela direita, o presidente Maduro deverá perder as eleições do dia 6 de dezembro até por 30% de diferença. Apesar dos, possíveis e prováveis, exageros é evidente que há um sensível aumento da pressão sobre o chavismo. A direita pede o controle da União Europeia contra os mecanismos eleitorais do governo, enquanto este recusa e só aceita a fiscalização da Unasul. A direita não reconhece esses mecanismos com o objetivo de aumentar a pressão contra o governo chavista.

O presidente Maduro declarou, recentemente, que está em marcha um golpe contrarrevolucionário a partir de 6 de dezembro. Essa é uma possibilidade que deverá ser acompanhada. Mas, o mais provável, é que Maduro, também pressionado por um setor do próprio chavismo, avance na direção de um acordo com a direita, da mesma maneira que o kirchnerismo está fazendo com Macri ou o governo do PT com a direita brasileira. Maduro tem buscado um diálogo com Hugo Capriles, o líder da MUD, enquanto a Administração Obama pressiona por um governo de coalisão que inclua a MUD.

Na Venezuela, 40% do orçamento público é destinado aos programas sociais, as Misiones. Esses recursos veem da receita do petróleo, cujo preço despencou no mercado mundial. E esses recursos é o que está no centro da disputa, assim como o controle das maiores reservas de petróleo em escala mundial. Situações militares, embora que com programas sociais muito menores, devido ao grau diferente de desenvolvimento da luta de classe, existe em toda a América do Sul.

O papel do presidente argentino eleito, o direitista Maurício Macri, é pressionar contra o Mercosul para avançar no sentido da incorporação da Argentina na Aliança Trans Pacífico e até na Otan, como aconteceu com a Colômbia. A Unasul, que inviabilizou os golpes de estado contra Evo Morales e Rafael Correia, deverá ser enfraquecida, assim como os demais organismos que, em alguma medida se opõem ao controle imperialista sobre a região.

O governo Maduro deve ser apoiado contra um golpe contrarrevolucionário por meio da mobilização popular. Mas o voto nas próximas eleições deve ser em branco. Além de se tratar de um governo burguês, a linha política de Maduro é a do pacto com a direita, da mesma maneira que acontece com os demais governos nacionalistas que, conforme a crise tem se aprofundado, têm aumentado a capitulação ao imperialismo.

 

CONTRA A DIREITA E A CAPITULAÇÃO DA ESQUERDA

 

Considerar que o kirchnerismo e o macrismo são a mesma coisa, como o faz uma boa parte da esquerda, a começar pela FIT (a frente de esquerda argentina), não é uma política orientada a ganhar a base popular do kirchenismo, mas, no sentido contrário, a entrega à direita. Na realidade, o segundo turno já mostra que há duas alas políticas que representam duas políticas em disputa. A burguesia rachou. Mas a linha do kirchnerismo é ir ao pacto com Macri, da mesma maneira que acontece no Brasil e na Venezuela.

Por outra parte, o segundo turno enfraqueceu ambas alas da burguesia e dificultou a hegemonia no aparato de estado burguês já que nenhuma das duas alas terá hegemonia, maioria própria. A pressão é para que seja estabelecido um governo de pacto social, de unidade social, que com a cumplicidade da burocracia sindical tente impor o ajuste contra a população.

Para lutar contra a direita é precisa lutar contra o kirchnerismo na Argentina e a capitulação do governo do PT ou do chavismo na Venezuela que buscam um acordo com a direita para escalar os ataques contra as massas.

O aprofundamento da crise deverá pressionar o racha da base popular, pela esquerda, do kirchnerismo.

É preciso denunciar Macri e a direita macrista latino-americana que está a serviço do imperialismo. E preciso denunciar os acordos e as capitulações dos governos nacionalistas com essa direita neoliberal. É preciso dizer que a única maneira de combater a escalada dos ataques é por meio da mobilização das massas, nas ruas.

SÉRIE SOBRE AS ELEIÇÕES NA ARGENTINA, 2o. TURNO

1- Macri: Democracia neoliberal a la Obama

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-1-macri-democracia-neoliberal-a-la-obama/

2- Golpe de estado na América Latina

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-2-golpe-de-estado-na-america-latina/

3- O fim do Mercosul?

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-3-o-fim-do-mercosul/

4- Crise política na Argentina e na América Latina

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-4-crise-politica-na-argentina-e-na-america-latina/

 

ELEIÇÕES ARGENTINA – 2O TURNO (3) – O FIM DO MERCOSUL?

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Uma das políticas que Macri deverá aplicar no terreno internacional passa pela tentativa de desmontar os blocos que, em alguma medida, se opõem aos interesses do imperialismo. Macri declarou que, na reunião cume do Mercosul, que acontecerá no dia 21 de dezembro, pressionará para que seja aplicada a “cláusula democrática” contra o governo venezuelano “pelos abusos na perseguição aos opositores e à liberdade de expressão”. Macri se refere ao conhecido elemento da extrema direita venezuelana Leopoldo López, que se encontra preso devido à participação em tentativas de promover um golpe de estado no país. O governo de Nicolás Maduro não seria compatível “com o compromisso democrático que assumimos os argentinos”.

O verdadeiro objetivo de Macri será desmontar o Mercosul para promover acordos comerciais direitos com a Europa e os Estados Unidos. O primeiro passo será acelerar esses acordos por meio do bloco. O governo Kirchner tinha sido o principal acordo para avançar nesse sentido devido à ameaça de desmantelar, ainda mais, a produção local.

O governo de Cristina Kichner foi colocado contra as cordas por causa do aprofundamento da crise capitalista e a incapacidade de romper com o aperto da espoliação imposta pelo imperialismo norte-americano, em primeiro lugar.

Com Macri a política do governo argentino tenderá a um alinhamento maior com as políticas neoliberais que os monopólios buscam impor, principalmente em relação ao ajuste e contra o “bolivarianismo”, a China, a Rússia e o Brasil.

 

A CRISE CAPITALISTA A POLÍTICA DO “SALVE-SE QUEM PUDER”

 

A Argentina foi um dos países que saiu à frente no processo de aprofundamento da crise capitalista mundial, impactada pela crise no Brasil e a queda dos preços das matérias primas no mercado mundial por causa da crise na China. A queda do comercio com o Brasil no ano passado foi de mais de 25%, à que deverá se somar um percentual ainda maior neste ano. Esse é o motivo do desespero da burguesia argentina que busca desesperadamente outros mercados. Por causa do sucateamento da produção manufatureira, o foco dos “novos parceiros” será, inevitavelmente, o aumento do modelo de produção de matérias primas e da importação de produtos manufaturados. No médio prazo, essa política deverá levar ao aumento do desemprego, por causa do fechamento das indústrias, e à inflação por causa da crescente dependência das importações.

A pressão da especulação financeira foi muito além dos “fundos abutres”. Há uma grande fuga de capitais, um alto déficit público, o crescente aumento do endividamento público e privado, a queda das exportações e a forte queda das reservas soberanas, que hoje somam apenas US$ 26 bilhões.

A pressão dos fundos abutres colocou uma pressão sobre o governo argentino de US$ 9 bilhões. A inflação semi oficial na Argentina se encontra em aproximadamente 30% ao ano. Só uma desvalorização do peso dos atuais 9,50 por dólar para 14 elevaria a inflação para 40%.

Macri aumentou a tarifa do Metrô de Buenos Aires a partir de 2012, de 1,10 pesos para 4,50 hoje. Se calcula que hoje deixem o país em torno de US$ 700 milhões por mês.

O governo Macri buscará relaxar as restrições contra as importações e a liberalização do câmbio, o que provocará uma mega desvalorização. Essa política, junto com o fim dos subsídios sobre os serviços públicos, como o transporte público, a energia elétrica, o gás e a água encanada, e a redução dos programas sociais, levará, inicialmente, a um enorme repasse da crise sobre os trabalhadores. A seguir as políticas recessivas deverão provocar o sensível aumento da pauperização dos trabalhadores argentinos, fazendo relembrar a situação que levou ao Argentinazo em 2001.

Até 2017 o Congresso estará dividido. A coalisão direitista terá 201 vagas, 109 do Frente Por La Victoria e 92 de Cambiemos, o que obrigará a ampliar a aliança com setores da direita do peronismo e da centro esquerda, tal como o tem feito na cidade de Buenos Aires e nas Províncias. Em 2017, no ano seguinte às eleições nos Estados Unidos, acontecerão as eleições legislativas na Argentina, onde a pressão do imperialismo deverá aumentar muito mais. Estarão em jogo 257 vagas na Câmara dos Deputados.

SÉRIE SOBRE AS ELEIÇÕES NA ARGENTINA, 2o. TURNO

1- Macri: Democracia neoliberal a la Obama

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-1-macri-democracia-neoliberal-a-la-obama/

2- Golpe de estado na América Latina

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-2-golpe-de-estado-na-america-latina/

3- O fim do Mercosul?

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-3-o-fim-do-mercosul/

4- Crise política na Argentina e na América Latina

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-4-crise-politica-na-argentina-e-na-america-latina/

 

ELEIÇÕES ARGENTINA – 2O TURNO (2) – GOLPE DE ESTADO NA AMÉRICA LATINA?

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Com a vitória de Maurício Macri, a estratégia da Administração Obama para a América Latina conseguiu ser imposta na Argentina, a segunda maior potência da América do Sul, atrás do Brasil. A política neoliberal de alta intensidade pela via “democrática” ganhou um novo fôlego. Essa política segue o modelo do México, onde a Administração Obama impôs uma direita reciclada, encabeçada por Peña Nieto, do PRI (Partido Revolucionário Institucional), com o objetivo de privatizar Petróleos Mexicanos, Pemex, (o que já foi feito), o setor elétrico (o que está sendo encaminhado), a educação pública (o que tem enfrentado enorme pressão contrária por parte da população) e a reforma trabalhista (que já foi feita).

A política encabeçada por Obama agora conta com o México, a Colômbia e a Argentina para servirem como ponta de lança contra os governos nacionalistas da América do Sul, a começar pelo Brasil.

A política do golpe aberto continua desescalada, embora não eliminada, e em velocidade cruzeiro. No Equador, foi enviado o Papa há três meses para conter a histeria direitista. Na Venezuela, a direita histérica está relativamente “tranquila”, na comparação do que tem acontecido nos últimos anos, a apenas duas semanas das eleições que acontecerão no dia 6 de dezembro. A Administração Obama pressiona pela incorporação da direita ao governo. O governo Maduro, apesar da retórica, tem buscado uma saída negociada com o líder da MUD, que agrupa a direita, Hugo Capriles. A pressão sobre o governo Maduro tem aumentado pela ameaça da direita de desconhecer as eleições caso “haja fraude”, o que equivale a dizer caso os resultados não lhe sejam favoráveis.

A direita tradicional norte-americana, encabeçada por Obama, disputa contra a direita truculenta do Tea Party, agrupada no Partido Republicano, o fortalecimento da dita “contrarrevolução democrática” no contexto das eleições presidenciais que acontecerão em 2016. A prioridade se tornou a estabilização do Oriente Médio, o principal ponto de conflito em escala mundial. Por esse motivo, o conflito na Ucrânia, da mesma maneira que aconteceu com as tensões no Mar do Sul da China e na América Latina, foi desescalado.

O desenvolvimento da situação política depende do aprofundamento da crise capitalista mundial, que tende a avançar de maneira acelerada sobre os países centrais no próximo período arrastando o mundo inteiro para um colapso de proporções gigantescas. A burguesia imperialista continua fortalecendo a carta da extrema direita para usa-la no momento em que as outras alternativas se esgotarem. Um ponto chave da evolução política mundial serão as eleições do próximo ano nos Estados Unidos.

 

OS GOVERNOS NACIONALISTAS BURGUESES, ENGRENAGENS DA DIREITA

 

O principal responsável pela vitória de Macri foi o governo Kirchner com a política de capitulação ao imperialismo. A base eleitoral do kirchnerismo foi rachada pela pressão dos monopólios. Uma ala direita, encabeçada por Daniel Scioli, Sergio Berni (um elemento ligado à ditadura militar e que tem ocupado vários cargos no primeiro escalão dos governos kirchneristas), Granados e vários governadores kirchneristas, acabou se aproximando das políticas da direita e ficando à cabeça do kirchnerismo. O governo acompanhou essa virada, ele mesmo criando as bases para os ataques contra os trabalhadores, o ajuste.

Com o objetivo de evitar explosões sociais, o governo de Cristina tem mantido subsídios sobre os serviços públicos que consomem 4% do PIB e que a burguesia considera como os vilões do esvaziamento das reservas internacionais. O déficit público esperado para este ano é de 8% do PIB. A direita, e inclusive a direita do kirchnerismo, busca reduzir sensivelmente esses subsídios e aumentar o direcionamento dos recursos públicos para o pagamento da ultra corrupta dívida pública e outros mecanismos especulativos.

O programa de Macri representa “mais do mesmo” neoliberalismo a la Menen. Uma maior desvalorização do peso, o aumento do direcionamento dos recursos públicos para a especulação financeira e o corte dos subsídios com aumentos brutais das tarifas dos serviços públicos. A recessão industrial deverá acelerar, assim como também aumentará a entrega dos recursos naturais para os monopólios, principalmente o petróleo, o gás e a agropecuária. A diferença entre Macri e Scioli é a intensidade, a velocidade, com que essa política seria aplicada.

O racha e a direitização do kirchnerismo estão na base do fortalecimento do macrismo, que venceu as eleições logo após de quase ter perdido o controle da Prefeitura da cidade de Buenos Aires. A capitulação dos governos nacionalistas burgueses ao imperialismo representam, na situação política atual, um dos principais componentes do avanço da direita que cria as condições para o fortalecimento do golpismo. Por esse motivo, é preciso denunciar essa capitulação e mobilizar os trabalhadores contra a escalada dos ataques.

SÉRIE SOBRE AS ELEIÇÕES NA ARGENTINA, 2o. TURNO

1- Macri: Democracia neoliberal a la Obama

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-1-macri-democracia-neoliberal-a-la-obama/

2- Golpe de estado na América Latina

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-2-golpe-de-estado-na-america-latina/

3- O fim do Mercosul?

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-3-o-fim-do-mercosul/

4- Crise política na Argentina e na América Latina

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-4-crise-politica-na-argentina-e-na-america-latina/