VENEZUELA – GOLPE DE 2002

FRACASSO, RADICALIZAÇÃO E BUROCRATIZAÇÃO

VENEZUELA – GOLPE DE 2002

Após o fracasso do golpe de estado de 2002 e da greve golpista da PDVSA de 2003, Hugo Chávez tomou várias medidas para conter o desenvolvimento das tendências golpistas.

A Frente Francisco de Miranda (ex Frente de Luchadores Sociales) foi formada por jovens que foram enviados a Cuba para formação política e para tomar a frente das Misiones, os programas sociais chavistas. Alguns deles chegaram ao primeiro escalão das Misiones e do governo. Uma parte se integrou à burocracia do PSUV.

O processo de burocratização avançou no aparato do governo, principalmente a partir de 2008 com a consolidação do PSUV. A burocratização e os Coletivos saíram do controle do próprio. Chávez tentou empurrar a militância a trabalhar junto com o povo. Ele chegou a mandar os militantes da Frente para trocar lâmpadas luz para que conheceram como o povo vivia e que fossem os olhos de Chávez. Era uma espécie de caricatura da Revolução Cultural de Mão Tse Tung, aplicada na China na década de 1960.

Um exemplo da “Revolução Cultural chavista” foi o que aconteceu com Acosta Carle, governador de Carabobo, um dirigente do chavismo muito próximo de Chávez. Um grupo de jovens que estava atuando em Carabobo pegou denuncias com o povo e acabou denunciando Acosta Carle por corrupção e desvio de verbas públicas para obras. Havia comida guardada em containers, no porto, que não chegava ao povo. As denúncias eram levadas diretamente a Chávez.

Após a morte de Hugo Chávez, Maduro criou os “porta-vozes presidenciais”, que deviam funcionar como os olhos do Presidente. Mas não funcionam.

 

OS COLETIVOS CHAVISTAS

 

Em abril de 2001, o então chefe do gabinete de Hugo Chávez, Diosdado Cabello, e o então ministro do Interior, Miguel Rodríguez Torres, foram incumbidos de criar os Círculos Bolivarianos, com o objetivo de organizar a base social de suporte ao governo. Os Coletivos de Caracas foram um dos componentes principais dos Círculos. Posteriormente, os Círculos foram complementados pelas Milícias Bolivarianas, estas, de caráter voluntário, tinham como objetivo enfrentar novas tentativas golpistas. A Milícia Nacional Bolivariana foi criada em 2007 e hoje conta com mais de 100 mil reservistas.

Os Círculos Bolivarianos começaram a atuar em escala nacional em 2002. Os coletivos mais ativos de Caracas são os da Parroquia (Bairro) 23 de Enero, o grande reduto chavista, incluindo os La Piedrita, Montaraz, Simon Bolivar, Los Tupamaros, Alexis Vive e o Movimento Carapaica. São conhecidos os vínculos estreitos entre Cabello e o Coletivo La Piedrita, da conhecida militante chavista Lina Ron.

Hoje, os Coletivos são, fundamentalmente, movimentos armados, de choque, sem formação política. Quando Chávez disse que iria armar a população foram criadas as milícias que estão vinculadas as Forças Armadas. O braço social das milícias acabou sendo os Coletivos e os movimentos sociais.

Há alguns coletivos que foram se fortalecendo desde a luta pela resistência. Mas muitos deles acabaram se colocando contra o povo. Inclusive a direita acabou infiltrando parte deles. Muitas vezes, os coletivos da direita estão mais armados que a própria polícia e estão envolvidos com o tráfego de drogas e outros crimes.

Os Coletivos que são sociais, não milícias, no geral, também são mal vistos.

No geral, a direita busca desmontar os coletivos. Mas nos últimos cinco anos, o chavismo também tem tentado desarmar, sem sucesso, os Coletivos que estão armados. É evidente que o chavismo entrou em crise quando a Venezuela foi atingida em cheio pela crise capitalista mundial e que perdeu o controle da economia, da burocratização interna e até do povo que armou.

VENEZUELA – GOLPE DE 2002  2

ELEIÇÕES ARGENTINA – 2O TURNO (4) – CRISE POLÍTICA NA ARGENTINA E NA AMÉRICA LATINA

 

 

A crise política na Argentina deve ser avaliada no contexto da crise política regional e mundial. O aprofundamento da crise capitalista mundial está levando à implosão dos regimes políticos de conjunto principalmente após os preços das matérias primas terem despencado. Ainda há a ameaça do aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, que ainda poderá começar em dezembro, de acordo com as declarações da Reserva Federal norte-americana, e que deverá aumentar a fuga de capitais. Os fundos abutres na Argentina, os crescentes déficits públicos na Venezuela e a perda do “grau de investimento” no Brasil geraram uma situação tão explosiva que esses países poderão ser empurrados a declarar a moratória nos pagamentos dos serviços das respectivas dívidas públicas, nos moldes do que aconteceu na década de 1980. Por esse motivo, a burguesia de conjunto avalia a necessidade de escalar os ataques contra as massas, embora que com diferente intensidade.

De acordo com as pequisas, que, em grande medida, são controladas pela direita, o presidente Maduro deverá perder as eleições do dia 6 de dezembro até por 30% de diferença. Apesar dos, possíveis e prováveis, exageros é evidente que há um sensível aumento da pressão sobre o chavismo. A direita pede o controle da União Europeia contra os mecanismos eleitorais do governo, enquanto este recusa e só aceita a fiscalização da Unasul. A direita não reconhece esses mecanismos com o objetivo de aumentar a pressão contra o governo chavista.

O presidente Maduro declarou, recentemente, que está em marcha um golpe contrarrevolucionário a partir de 6 de dezembro. Essa é uma possibilidade que deverá ser acompanhada. Mas, o mais provável, é que Maduro, também pressionado por um setor do próprio chavismo, avance na direção de um acordo com a direita, da mesma maneira que o kirchnerismo está fazendo com Macri ou o governo do PT com a direita brasileira. Maduro tem buscado um diálogo com Hugo Capriles, o líder da MUD, enquanto a Administração Obama pressiona por um governo de coalisão que inclua a MUD.

Na Venezuela, 40% do orçamento público é destinado aos programas sociais, as Misiones. Esses recursos veem da receita do petróleo, cujo preço despencou no mercado mundial. E esses recursos é o que está no centro da disputa, assim como o controle das maiores reservas de petróleo em escala mundial. Situações militares, embora que com programas sociais muito menores, devido ao grau diferente de desenvolvimento da luta de classe, existe em toda a América do Sul.

O papel do presidente argentino eleito, o direitista Maurício Macri, é pressionar contra o Mercosul para avançar no sentido da incorporação da Argentina na Aliança Trans Pacífico e até na Otan, como aconteceu com a Colômbia. A Unasul, que inviabilizou os golpes de estado contra Evo Morales e Rafael Correia, deverá ser enfraquecida, assim como os demais organismos que, em alguma medida se opõem ao controle imperialista sobre a região.

O governo Maduro deve ser apoiado contra um golpe contrarrevolucionário por meio da mobilização popular. Mas o voto nas próximas eleições deve ser em branco. Além de se tratar de um governo burguês, a linha política de Maduro é a do pacto com a direita, da mesma maneira que acontece com os demais governos nacionalistas que, conforme a crise tem se aprofundado, têm aumentado a capitulação ao imperialismo.

 

CONTRA A DIREITA E A CAPITULAÇÃO DA ESQUERDA

 

Considerar que o kirchnerismo e o macrismo são a mesma coisa, como o faz uma boa parte da esquerda, a começar pela FIT (a frente de esquerda argentina), não é uma política orientada a ganhar a base popular do kirchenismo, mas, no sentido contrário, a entrega à direita. Na realidade, o segundo turno já mostra que há duas alas políticas que representam duas políticas em disputa. A burguesia rachou. Mas a linha do kirchnerismo é ir ao pacto com Macri, da mesma maneira que acontece no Brasil e na Venezuela.

Por outra parte, o segundo turno enfraqueceu ambas alas da burguesia e dificultou a hegemonia no aparato de estado burguês já que nenhuma das duas alas terá hegemonia, maioria própria. A pressão é para que seja estabelecido um governo de pacto social, de unidade social, que com a cumplicidade da burocracia sindical tente impor o ajuste contra a população.

Para lutar contra a direita é precisa lutar contra o kirchnerismo na Argentina e a capitulação do governo do PT ou do chavismo na Venezuela que buscam um acordo com a direita para escalar os ataques contra as massas.

O aprofundamento da crise deverá pressionar o racha da base popular, pela esquerda, do kirchnerismo.

É preciso denunciar Macri e a direita macrista latino-americana que está a serviço do imperialismo. E preciso denunciar os acordos e as capitulações dos governos nacionalistas com essa direita neoliberal. É preciso dizer que a única maneira de combater a escalada dos ataques é por meio da mobilização das massas, nas ruas.

SÉRIE SOBRE AS ELEIÇÕES NA ARGENTINA, 2o. TURNO

1- Macri: Democracia neoliberal a la Obama

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-1-macri-democracia-neoliberal-a-la-obama/

2- Golpe de estado na América Latina

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-2-golpe-de-estado-na-america-latina/

3- O fim do Mercosul?

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-3-o-fim-do-mercosul/

4- Crise política na Argentina e na América Latina

http://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-4-crise-politica-na-argentina-e-na-america-latina/

 

ELEIÇÕES ARGENTINA – 2O TURNO (3) – O FIM DO MERCOSUL?

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Uma das políticas que Macri deverá aplicar no terreno internacional passa pela tentativa de desmontar os blocos que, em alguma medida, se opõem aos interesses do imperialismo. Macri declarou que, na reunião cume do Mercosul, que acontecerá no dia 21 de dezembro, pressionará para que seja aplicada a “cláusula democrática” contra o governo venezuelano “pelos abusos na perseguição aos opositores e à liberdade de expressão”. Macri se refere ao conhecido elemento da extrema direita venezuelana Leopoldo López, que se encontra preso devido à participação em tentativas de promover um golpe de estado no país. O governo de Nicolás Maduro não seria compatível “com o compromisso democrático que assumimos os argentinos”.

O verdadeiro objetivo de Macri será desmontar o Mercosul para promover acordos comerciais direitos com a Europa e os Estados Unidos. O primeiro passo será acelerar esses acordos por meio do bloco. O governo Kirchner tinha sido o principal acordo para avançar nesse sentido devido à ameaça de desmantelar, ainda mais, a produção local.

O governo de Cristina Kichner foi colocado contra as cordas por causa do aprofundamento da crise capitalista e a incapacidade de romper com o aperto da espoliação imposta pelo imperialismo norte-americano, em primeiro lugar.

Com Macri a política do governo argentino tenderá a um alinhamento maior com as políticas neoliberais que os monopólios buscam impor, principalmente em relação ao ajuste e contra o “bolivarianismo”, a China, a Rússia e o Brasil.

 

A CRISE CAPITALISTA A POLÍTICA DO “SALVE-SE QUEM PUDER”

 

A Argentina foi um dos países que saiu à frente no processo de aprofundamento da crise capitalista mundial, impactada pela crise no Brasil e a queda dos preços das matérias primas no mercado mundial por causa da crise na China. A queda do comercio com o Brasil no ano passado foi de mais de 25%, à que deverá se somar um percentual ainda maior neste ano. Esse é o motivo do desespero da burguesia argentina que busca desesperadamente outros mercados. Por causa do sucateamento da produção manufatureira, o foco dos “novos parceiros” será, inevitavelmente, o aumento do modelo de produção de matérias primas e da importação de produtos manufaturados. No médio prazo, essa política deverá levar ao aumento do desemprego, por causa do fechamento das indústrias, e à inflação por causa da crescente dependência das importações.

A pressão da especulação financeira foi muito além dos “fundos abutres”. Há uma grande fuga de capitais, um alto déficit público, o crescente aumento do endividamento público e privado, a queda das exportações e a forte queda das reservas soberanas, que hoje somam apenas US$ 26 bilhões.

A pressão dos fundos abutres colocou uma pressão sobre o governo argentino de US$ 9 bilhões. A inflação semi oficial na Argentina se encontra em aproximadamente 30% ao ano. Só uma desvalorização do peso dos atuais 9,50 por dólar para 14 elevaria a inflação para 40%.

Macri aumentou a tarifa do Metrô de Buenos Aires a partir de 2012, de 1,10 pesos para 4,50 hoje. Se calcula que hoje deixem o país em torno de US$ 700 milhões por mês.

O governo Macri buscará relaxar as restrições contra as importações e a liberalização do câmbio, o que provocará uma mega desvalorização. Essa política, junto com o fim dos subsídios sobre os serviços públicos, como o transporte público, a energia elétrica, o gás e a água encanada, e a redução dos programas sociais, levará, inicialmente, a um enorme repasse da crise sobre os trabalhadores. A seguir as políticas recessivas deverão provocar o sensível aumento da pauperização dos trabalhadores argentinos, fazendo relembrar a situação que levou ao Argentinazo em 2001.

Até 2017 o Congresso estará dividido. A coalisão direitista terá 201 vagas, 109 do Frente Por La Victoria e 92 de Cambiemos, o que obrigará a ampliar a aliança com setores da direita do peronismo e da centro esquerda, tal como o tem feito na cidade de Buenos Aires e nas Províncias. Em 2017, no ano seguinte às eleições nos Estados Unidos, acontecerão as eleições legislativas na Argentina, onde a pressão do imperialismo deverá aumentar muito mais. Estarão em jogo 257 vagas na Câmara dos Deputados.

SÉRIE SOBRE AS ELEIÇÕES NA ARGENTINA, 2o. TURNO

1- Macri: Democracia neoliberal a la Obama

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2- Golpe de estado na América Latina

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3- O fim do Mercosul?

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4- Crise política na Argentina e na América Latina

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ELEIÇÕES ARGENTINA – 2O TURNO (2) – GOLPE DE ESTADO NA AMÉRICA LATINA?

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Com a vitória de Maurício Macri, a estratégia da Administração Obama para a América Latina conseguiu ser imposta na Argentina, a segunda maior potência da América do Sul, atrás do Brasil. A política neoliberal de alta intensidade pela via “democrática” ganhou um novo fôlego. Essa política segue o modelo do México, onde a Administração Obama impôs uma direita reciclada, encabeçada por Peña Nieto, do PRI (Partido Revolucionário Institucional), com o objetivo de privatizar Petróleos Mexicanos, Pemex, (o que já foi feito), o setor elétrico (o que está sendo encaminhado), a educação pública (o que tem enfrentado enorme pressão contrária por parte da população) e a reforma trabalhista (que já foi feita).

A política encabeçada por Obama agora conta com o México, a Colômbia e a Argentina para servirem como ponta de lança contra os governos nacionalistas da América do Sul, a começar pelo Brasil.

A política do golpe aberto continua desescalada, embora não eliminada, e em velocidade cruzeiro. No Equador, foi enviado o Papa há três meses para conter a histeria direitista. Na Venezuela, a direita histérica está relativamente “tranquila”, na comparação do que tem acontecido nos últimos anos, a apenas duas semanas das eleições que acontecerão no dia 6 de dezembro. A Administração Obama pressiona pela incorporação da direita ao governo. O governo Maduro, apesar da retórica, tem buscado uma saída negociada com o líder da MUD, que agrupa a direita, Hugo Capriles. A pressão sobre o governo Maduro tem aumentado pela ameaça da direita de desconhecer as eleições caso “haja fraude”, o que equivale a dizer caso os resultados não lhe sejam favoráveis.

A direita tradicional norte-americana, encabeçada por Obama, disputa contra a direita truculenta do Tea Party, agrupada no Partido Republicano, o fortalecimento da dita “contrarrevolução democrática” no contexto das eleições presidenciais que acontecerão em 2016. A prioridade se tornou a estabilização do Oriente Médio, o principal ponto de conflito em escala mundial. Por esse motivo, o conflito na Ucrânia, da mesma maneira que aconteceu com as tensões no Mar do Sul da China e na América Latina, foi desescalado.

O desenvolvimento da situação política depende do aprofundamento da crise capitalista mundial, que tende a avançar de maneira acelerada sobre os países centrais no próximo período arrastando o mundo inteiro para um colapso de proporções gigantescas. A burguesia imperialista continua fortalecendo a carta da extrema direita para usa-la no momento em que as outras alternativas se esgotarem. Um ponto chave da evolução política mundial serão as eleições do próximo ano nos Estados Unidos.

 

OS GOVERNOS NACIONALISTAS BURGUESES, ENGRENAGENS DA DIREITA

 

O principal responsável pela vitória de Macri foi o governo Kirchner com a política de capitulação ao imperialismo. A base eleitoral do kirchnerismo foi rachada pela pressão dos monopólios. Uma ala direita, encabeçada por Daniel Scioli, Sergio Berni (um elemento ligado à ditadura militar e que tem ocupado vários cargos no primeiro escalão dos governos kirchneristas), Granados e vários governadores kirchneristas, acabou se aproximando das políticas da direita e ficando à cabeça do kirchnerismo. O governo acompanhou essa virada, ele mesmo criando as bases para os ataques contra os trabalhadores, o ajuste.

Com o objetivo de evitar explosões sociais, o governo de Cristina tem mantido subsídios sobre os serviços públicos que consomem 4% do PIB e que a burguesia considera como os vilões do esvaziamento das reservas internacionais. O déficit público esperado para este ano é de 8% do PIB. A direita, e inclusive a direita do kirchnerismo, busca reduzir sensivelmente esses subsídios e aumentar o direcionamento dos recursos públicos para o pagamento da ultra corrupta dívida pública e outros mecanismos especulativos.

O programa de Macri representa “mais do mesmo” neoliberalismo a la Menen. Uma maior desvalorização do peso, o aumento do direcionamento dos recursos públicos para a especulação financeira e o corte dos subsídios com aumentos brutais das tarifas dos serviços públicos. A recessão industrial deverá acelerar, assim como também aumentará a entrega dos recursos naturais para os monopólios, principalmente o petróleo, o gás e a agropecuária. A diferença entre Macri e Scioli é a intensidade, a velocidade, com que essa política seria aplicada.

O racha e a direitização do kirchnerismo estão na base do fortalecimento do macrismo, que venceu as eleições logo após de quase ter perdido o controle da Prefeitura da cidade de Buenos Aires. A capitulação dos governos nacionalistas burgueses ao imperialismo representam, na situação política atual, um dos principais componentes do avanço da direita que cria as condições para o fortalecimento do golpismo. Por esse motivo, é preciso denunciar essa capitulação e mobilizar os trabalhadores contra a escalada dos ataques.

SÉRIE SOBRE AS ELEIÇÕES NA ARGENTINA, 2o. TURNO

1- Macri: Democracia neoliberal a la Obama

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2- Golpe de estado na América Latina

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3- O fim do Mercosul?

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4- Crise política na Argentina e na América Latina

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GOLPISMO NA AMÉRICA LATINA (E NO BRASIL)?

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A esquerda latino-americana se divide em dois blocos principais, aquele que considera que o golpe de estado é iminente e o que considera que o golpe de estado não existe. O primeiro tende a se aproximar do nacionalismo burguês devido à iminência do golpe. O segundo tende a se aproximar da direita na espera de que a queda dos governos nacionalistas abram a possibilidade da entrada em cena de grupos ao estilo do Syriza grego.

A avaliação do problema deve considerar a questão da crise aberta em 2008, mas também a política que a Administração Obama colocou em pé, neste ano, em escala mundial.

A crise capitalista mundial de 1974, mais conhecida como crise mundial do petróleo, acabou com os chamados “Anos Dourados” do capitalismo e também quebrou todas as ditaduras de cunho fascistoide com as quais o imperialismo norte-americano tinha infectado o mundo. O chamado keynesianismo colapsou. Por causa da crise, não havia mais dinheiro para grandes investimentos públicos direcionados a infraestrutura e programas sociais. O chamado Consenso de Washington impôs uma política altamente depredadora em benefício dos monopólios em cima da especulação financeira.

O chamado “neoliberalismo” entrou em colapso em 2008, mas a burguesia foi incapaz de estruturar uma política alternativa.

Uma das políticas colocadas em pé com o objetivo de conter a crise foi a inundação do mercado mundial com crédito. Mas a crise do regime político não se fez esperar. Em 2011, estouraram as revoluções árabes que representavam o elo mais fraco do sistema capitalista mundial. A política preferencial do imperialismo, a chamada “contrarrevolução democrática”, começava a engasgar em regiões de primeira importância em escala mundial.

Aos golpes brancos de Honduras (2009) e do Paraguai (2011), se sucederam os golpes pinochetistas no Egito e na Tailândia e o golpe, promovido em cima de grupos fascistas, na Ucrânia.

ESTABILIZAÇÃO DO ORIENTE MÉDIO A QUALQUER CUSTO

A desestabilização do Oriente Médio demonstrou a incapacidade do imperialismo em controlar a região após as derrotas militares sofridas no Iraque e no Afeganistão. Em 2007, o governo Bush promoveu um acordo com o Irã para estabilizar o Iraque. A história se repetiu neste ano.

Um dos principais pontos de virada para entender a “nova” política impulsionada pela Administração Obama foi a visita realizada por John Kerry, o chefe do Departamento de Estado norte-americano, a Sochi, no sul da Rússia, onde se encontrou com Vladimir Putin, o presidente russo, e Seguei Lavrov, o ministro das Relações Exteriores russo. O objetivo era conseguir a adesão da Federação Russa à estabilização da Síria. Em contrapartida, o governo norte-americano promoveu os acordos nucleares com o Irã, a estabilização da Ucrânia e a redução da agressividade no Mar da China, para onde o Pentágono direcionou nada menos que a metade do orçamento. Esses três pontos representam possíveis pontos de partida para enfrentamentos militares em maior escala.

O presidente sírio, al-Assad, declarou, recentemente, estar pronto para novas eleições, onde ele deixaria o poder. Aconteceram negociações em Viena para negociar uma saída para a crise na Síria, com a participação da Arábia Saudita, a Turquia, a Rússia e os Estados Unidos. Aconteceram negociações em Sochi entre o presidente russo, Vladimir Putin, e membros do primeiro escalão da Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, estes ligados diretamente à ala direita do imperialismo norte-americano. O primeiro ministro de Israel, Netanyahu, esteve em Moscou na tentativa de chegar a acordos com os russos em relação ao controle do Hizbollah, a poderosa milícia libanesa.

Agora, o verdadeiro objetivo dos bombardeios russos ficou claro. Em primeiro lugar, estabilizar a situação do governo al-Assad para facilitar uma saída negociada imediata. Conter a ascensão dos “rebeldes”, que recebem o apoio, direto e indireto, da reação do Oriente Médio e mundial. Forçar negociações, sobre as quais as monarquias do Golfo estavam relutantes devido à pretensão de avançar sobre uma posição de força contra as demais potências regionais, em primeiro lugar, o Irã.

DUAS POLÍTICAS DO IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO

A Administração Obama busca conter o fortalecimento da ala direita do imperialismo, perante as eleições presidenciais do próximo ano, e apresentar a política da direita tradicional como viável para conter o aprofundamento da crise e garantir o lucro dos monopólios. Essa divisão ficou evidente durante as últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos. Mitt Rommey representou a ala direita do imperialismo, fortemente pressionada pela ala de extrema direita, agrupada no Tea Party, no interior do Partido Republicano. Na época já ecoava o mesmo discurso que pode ser visto no recente debate entre os pré-candidatos do Partido Republicano. Guerra contra o Irã, inclusive atômica. Guerra contra a China. Aperto maior do cerco contra a Rússia. Tropas no Oriente Médio. Golpismo generalizado. Uma parte da burguesia olhou para esses “cachorros loucos” e recuou. Mesmo figurões do Partido Republicano acabaram apoiando Obama.

Agora, a história também se repete, mas de maneira ainda mais dramática por causa do ulterior aprofundamento da crise capitalista. A direita já controla as duas câmaras do Congresso. Se vencer as eleições presidenciais e mantiver o controle do Congresso, uma política muito mais agressiva será colocada em prática. Obama representa a reação da ala que se opõe a essa política, enfrentando, ou deixando de lado, inclusive aliados tradicionais como pode ser visto de maneira muito clara no Oriente Médio com a Arábia Saudi,ta, o Catar e Israel. Até que ponto essa política será a escolhida pelos monopólios depende do aprofundamento da crise capitalista mundial. Mas, neste momento, e a partir do segundo semestre deste ano, representa a política hegemônica.

OS GOLPES DE ESTADO SÃO IMINENTES NA AMÉRICA LATINA?

Na América Latina, a onda golpista também foi desescalada nos países mais importantes. Há três meses, o Papa foi enviado ao Equador, no meio de importantes manifestações da direita contra o governo de Rafael Correia. Na Venezuela, nem o próprio Capriles, o líder da direita unificada na MUD (Mesa Unificada de Diálogo) apoia a extrema direita, que tem como principal expoente o “cachorro louco”, que se encontra preso, Leopoldo López. A conhecida histeria da direita desapareceu das ruas a apenas um mês e meio das eleições nacionais que acontecerão no dia 6 de dezembro. Na Colômbia, o “uribismo”, ligado ao ex presidente Álvaro Uribe, um aliado de carteirinha da ala direita do imperialismo norte-americano e dos latifundiários, foi derrotado nas recentes eleições municipais. Ao mesmo tempo, também foi derrotada a esquerda burguesa e pequeno-burguesa agrupada no Polo Democrático, que perdeu a prefeitura da capital do país, Bogotá. Os acordos com as FARC-EP, agora, são iminentes, e beneficiarão, em primeiro lugar, os monopólios do chamado agronegócio e as mineradoras.

Na Argentina, o imperialismo está conseguindo avançar em cima de uma direita “renovada”, com Maurício Macri à cabeça, que segue os moldes de Peña Nieto no México e de Juan Manuel Santos na Colômbia.

No Brasil, o governo do PT tem sido encurralado pelo imperialismo que, como resposta, tem conseguido o aumento do grau da capitulação do governo Dilma. A ala Obama tem muito temor da reação das massas e, por esse motivo, tenta impulsionar uma política de menor intensidade golpista. O próprio Barak Obama e Angela Merkel (chanceler alemã) declararam o apoio à presidente Dilma.

As engrenagens golpistas continuam se movimentando, mas em “velocidade cruzeiro”, em menor escala que no período anterior, inclusive sem a histeria golpista que a caracterizava.

Em cima dessa caraterização, as capitulações do nacionalismo burguês adquirem uma importância ainda maior para o desenvolvimento do próprio golpe. As capitulações do governo Dilma, por exemplo, assim como as de todos os demais governos nacionalistas, tendem a favorecer a preparação golpista. Neste momento, elas abrem caminho a governos mais ligados ao imperialismo, como é o caso do que está acontecendo na Argentina. Esses novos governos direitistas somente podem representar um passo intermediário para governos mais duros conforme a crise capitalista se aprofundar.

Sem denunciar e enfrentar essas capitulações com energia, é impossível avançar no sentido da organização independente dos trabalhadores. Nem mesmo no sentido de enfrentar o desenvolvimento das engrenagens golpistas.

CAMPANHA CONTRA A CORRUPÇÃO?

No Equador, na Venezuela, na Argentina, no Brasil …
1-
Se trata de uma política única, regional, aplicada pelo imperialismo norte-americano.
2-
O objetivo é derrubar os governos nacionalistas, apesar dos acordos e da maior ou menor proximidade.
3-
Perante o aprofundamento da crise capitalista e do esperado novo colapso capitalista mundial, existe a necessidade de salvar “a economia”, isto é o lucro dos monopólios, a qualquer custo.
4-
E como não há mágica, ou como o “neoliberal” George Friedman falava, “não há almoço gratis”, perante a falta de alternativas para o capitalismo, os trabalhadores devem pagar pela crise.
5-
A derrubada dos governos nacionalistas devem dar lugar a governos muito mais duros, direitistas.
6-
Se bem neste momento não estão colocados à ordem do dia golpes pinochetistas na América Latina, se estão colocados golpes de estado “brancos” como os que aconteceram em Honduras e no Paraguai.
7-
Esses golpes de estado “brancos” podem evoluir facilmente para golpes de estado “cinzas” ou “negros”.
O problema não é moral, mas uma necessidade material concreta: salvar os lucros do punhado de parasitas que domina o mundo.
8-
A campanha contra a CORRUPÇÃO é uma constante de TODOS os golpes de estado, isto é, a tomada do governo por meio de mecanismos extra parlamentares.
– 1964 e AI 5 (1968) no Brasil
– 1973 no Uruguai e no Chile
– 1976 na Argentina
– 2013 no Egito
– 2013 na Tailândia
– 1933 na Alemanha
– O fascismo italiano
– Stroessner (Paraguai), Salazar (Portugal), Franco (Espanha), Sukarno (Indonésia), Zha Reza Palevi (Irã)
– Etc, etc
9-
A única maneira de parar o golpe militar é com a população nas ruas.
É preciso denunciar todas as movimentações golpistas, pois o fascismo é a última carta que a burguesia joga quando as demais fracassaram. A ideia de que ela entrega o poder e os privilégios “de maneira democrática” é absoluto infantilismo ( = cretinismo parlamentar), e profundo oportunismo.

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Golpismo no Equador

Golpismo no Equador

Ucrânia: A guerra continua? Qual é o significado da recente escalada dos conflitos no Donbass, as ex províncias do leste da Ucrânia?

Nós últimos dias, as tropas dos golpistas de Kiev bombardearam um hospital da cidade de Donetsk, enviaram tanques ao aeroporto da cidade, onde os confrontos continuam, e promoveram ataques contra o povoado de Shirokino, localizado na costa do Mar de Avov, apenas a alguns quilômetros do importante porto de Mariupol. Movimentações militares também foram reportadas em algumas regiões ocupadas de Lugansk, como em Papasnaya e em Lisitchansk. Nesta última cidade, assim como acontece em Slavyansk, onde começou a resistência armada contra os golpistas do Maidan, a presença militar é ostensiva já que essas cidades, habitadas majoritariamente por russos, abrem caminho à capital da Ucrânia, Kiev.
O acordo de Minsk 2, assinado no passado mês de fevereiro, nunca foi implementado de maneira integral. Se bem a artilharia pesada foi retirada, conforme previsto, os conflitos com armas leves continuaram em vários locais.
No Donbass, nas autoproclamadas repúblicas populares de Lugansk e Donetsk, ninguém acredita que o cessar fogo é definitivo. As provocações dos golpistas têm sido constantes. A humilhante derrota do exército ucraniano em Debaltsevo, onde tinha sido concentrado em torno a 40% do total do efetivo, revelou o extremo grau de desmoralização. Tropas em número vinte vezes maior foram derrotadas, e abandonaram a região deixando todo o armamento. O governo golpista tenta repor o armamento perdido por meio da “ajuda” dos Estados Unidos e reativando a produção a partir das fábricas, principalmente as localizadas em Kharkov, ao nordeste do país.
Os batalhões das repúblicas do Donbass continuam se fortalecendo e os governos locais tentam enquadrar as milícias num exército regular. A artilharia possui alto poder de fogo, fundamentalmente por meio dos chamados grads, que possuem um alcance de 25 quilômetros, e que poderiam ser recolocados em posição de combate em menos de 12 horas. A moral dos combatentes é alta. Muitos deles combatem para libertar as cidades vizinhas, que se encontram sobre o controle dos golpistas, e onde, em muitos casos, moram as suas famílias.
A crise capitalista na Ucrânia se desenvolve a todo vapor. Após o golpe do ano passado, a perda da Crimeia e a guerra civil no leste, o país entrou em gigantesca crise.
A crise capitalista na Ucrânia se desenvolve a todo vapor, ameaçando se transformar numa nova Grécia. De fato, após o golpe do ano passado, e a perda da Crimeia e a guerra civil no leste, o país entrou em gigantesca crise. Está em andamento um golpe dentro do golpe. Os grupos de extrema direita, como o Pravy Sektor (Setor de Direita), o Azov, o Partido Svoboda (Liberdade), que contam com ampla influência no executivo, têm aumentado as críticas contra o governo. No geral, os grupos fascistas não entram em combate, mas são usados como polícias militarizadas com o objetivo de semear o terror. Recentemente, o governador indicado da província de Dmitripetrovsk (sul da Ucrânia), provocou um levante contra o governo central, e chegou a ameaçar com enviar 2.000 mercenários a Kiev. Ele faz parte dos chamados oligarcas, que controlam o país sob a tutela do imperialismo. A província de Kharkov, localizada ao norte de Lugansk, de maioria russa, vive uma situação similar.
Os batalhões das repúblicas do Donbass continuam se fortalecendo. A artilharia possui alto poder de fogo, fundamentalmente por meio dos grads, que possuem um alcance de 25 quilômetros. A moral dos combatentes é alta. Muitos deles combatem para libertar as cidades vizinhas, que se encontram sobre o controle dos golpistas, e, em muitos casos, onde moram as suas famílias.

Quem está por trás da retomada dos conflitos?

Os Estados Unidos continuam armando o governo golpista de Kiev. Por meio dos Emirados Árabes Unidos fornecerão bilhões em armas. Ao mesmo tempo, começaram a chegar na Ucrânia blindados, diretamente, sem intermediários. Foi agendado um treinamento da Guarda Nacional da Ucrânia pela 173 Brigada do Exército Norte-americano, atualmente estacionada na Itália, prevista para começar no dia 20 de abril. Chama a atenção que pouca atenção tem sido dada para esse fato pela imprensa mundial, incluída a imprensa russa, enquanto a campanha da imprensa anglo norte-americana e os comunicados da OTAN (Organização do Atlântico Norte) têm reforçado a propaganda da suposta iminente invasão da Ucrânia pela Rússia.
No próximo ano, acontecerão novos eleições gerais nos Estados Unidos. A ala direita do imperialismo, que já possui maioria nas duas câmaras do Congresso, com altíssima probabilidade, deverá controlar também o executivo. A direitização do regime político se expressa também no lançamento da candidatura de Hillary Clinton pelo Partido Democrata, que se apresenta como a sucessora do governo de Bill Clinton, cujos governos, na década de 1990, representaram a continuidade das políticas neoliberais da Administração de Ronald Reagan. A burguesia imperialista norte-americana, e a reação mundial, tenta conter a escalada da crise por meio do fortalecimento da extrema direita e da agressividade militar.
O governo da Federação Russa segue uma política integralmente defensiva, tentando evitar novas sanções econômicas, que têm o potencial de provocar a deterioração da situação econômica e a desestabilização do regime político. O Donbass tem sido usado como moeda de negociação com Kiev e as potências imperialistas, e como mecanismo para evitar que a Ucrânia ingresse na OTAN. Se o ingresso se concretizar, cresce o potencial do aperto ao cerco sobre a Rússia e o ataque contra a Crimeia.
A Alemanha e a França buscam a aproximação com a Rússia, tão desesperadamente como a própria Rússia, de olho no mercado da União Euroasiática, o que inclui o acesso às fartas riquezas minerais e a dependência energética. Essa política é boicotada pelos Estados Unidos. A cúpula dos governos dos dois países já se pronunciaram no sentido de que a Rússia não está se preparando para invadir a Ucrânia. O general francês Christophe Gomar, o chefe da inteligência militar, o fez no dia 25 de março no Parlamento, e o ministro alemão de Assuntos Exteriores, Frank-Walter Steimeier, o fez no dia 13 de abril.
O aumento das contradições interimperialistas entre o bloco anglo-norte-americano, por um lado, e da Alemanha e a França, pelo outro, se expressa em que estes últimos têm reduzido os gastos militares nos últimos anos. Somente os países da Europa Oriental têm aumentado o orçamento militar, principalmente os países Bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), a Polônia e a România. O aperto de cerco da OTAN sobre a Rússia tem enfrentado dificuldades devido a essas contradições, o que tem levado à alternativa do fortalecimento de negociações, que mais são pressões, bilaterais.
A evolução dessas contradições tem como base o aprofundamento da crise capitalista mundial. A burguesia imperialista norte-americana lidera a pressão no sentido de uma saída de força para a crise. O crescimento da extrema direita e da política golpista tende a se generalizar.

O aumento das contradições do imperialismo com a Rússia

As contradições com o governo da Rússia têm se exacerbado de maneira acelerada. O imperialismo norte-americano tenta impedir o avanço da Rússia na região cercando o país com bases da OTAN nos países vizinhos. A crise escalou quando os Estados Unidos derrubaram o governo nacionalista de Ianukóvich por meio de grupos nazifascistas, no mês de fevereiro ano passado, num país que, junto com a Bielorússia e a Armênia, são considerados “amortecedores” da agressão imperialista.
Para a Federação Russa se trata de um componente político vital impedir a entrada da Ucrânia na OTAN. A manutenção da atual situação no Donbass (Lugansk e Donetsk) impede o ingresso da Ucrânia na OTAN e o fortalecimento da direita pró-imperialista no interior da Rússia.
Neste momento, o apoio ao governo Putin bate recordes de aprovação. O parlamento é composto por apenas quatro partidos, encabeçados pela Rússia Unida. Todos eles estão alinhados, em alguma medida, com o governo.
O imperialismo está de olho no petróleo e no gás russo, além da produção de armas. A Rússia é o segundo maior exportador mundial de armas. O investimento público tem sido direcionado neste sentido. Recentemente, o ministro da Defesa declarou que a Rússia poderá instalar armas nucleares na Crimeia, o embaixador na Dinamarca ameaçou tornar o país alvo de ataques nucleares caso participar o chamado escudo nuclear da OTAN, foi anunciada a construção de um avião, em substituição ao Antonov, até 2026, de alta capacidade de carga, capaz de atingir qualquer lugar no globo em menos de 10 horas, e foi liberada a venda da versão melhorada dos mísseis S300 ao Irã.
O calcanhar de Aquiles do governo nacionalista russo é exatamente o mesmo de todos os governos nacionalistas, a fragilidade econômica e a dependência do imperialismo. A economia russa é muito unilateral e depende, em grande medida, da importação de produtos manufaturados.

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