VOLTA LULA?

 

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A PRISÃO DE LULA, A DIREITA GOLPISTA, O GOVERNO DO PT E OS TRABALHADORES

Quais os interesses em jogo e qual é a saída para o aprofundamento da crise capitalista no Brasil?

 

  1. Na última sexta-feira, dia 4 de março de 2016, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva foi preso de forma truculenta pela Polícia Federal, que atuou obedecendo ordens do juiz Sérgio Moro, o homem da direita encarregado de conduzir a Operação Lava Jato. A “condução coercitiva”, seja pela razão do ex-presidente não se negar a depor na polícia ou, mais ainda, por todo o contexto político que envolve o caso, representa uma ação política dos órgãos que estão a serviço da direita golpista – o poder judiciário, os monopólios da imprensa burguesa e do aparato de repressão do Estado.
  2. A prisão do líder petista não se deu por acaso. Uma série de acontecimentos a precederam e indicavam que a Operação Lava Jato caminhava para isso. Dez dias antes da prisão, assistimos às delações premiadas de executivos do primeiro escalão de grandes empreiteiras Odebrecht e OAS) tentando envolver Lula e o Planalto no esquema de corrupção na Petrobrás. Foi seguida da prisão do marqueteiro petista João Santana e de sua mulher, e do vazamento (realizado pela Revista Isto É) do acordo de delação premiada do ex líder do PT no Senado, Delcídio Amaral, embora que não confirmado pelo próprio Delcídio. A campanha da imprensa capitalista acelerou-se após a demissão do ministro da Justiça José Eduardo Cardoso, homem de confiança da direita.
  3. No dia após a prisão de Lula, a sede do PT de Belo Horizonte sofreu um atentado, assim como o Instituto Lula em São Paulo, que amanheceu pichado com palavras de ordem da direita. Diante da prisão de Lula, milhares de militantes petistas e do movimento de massas se manifestaram em todo o Brasil. A ação mostrou a disposição em resistir ao golpismo e à truculência da direita. Entre as manifestações, vimos ações combativas de ativistas e trabalhadores contra grupos da direita.
  4. No entanto, Lula e a direção do PT propõem mais do mesmo cretinismo eleitoral para reagir à escalada desses ataques. Os atos de rua convocados para os dias 8, 13 e 31 de março deverão ter como eixo se contrapor à direita por meio do lançamento da campanha Lula 2018. Os atos em apoio ao governo Dilma, contra o impeachment, foram importante manifestação de força no ano passado. No entanto, mostraram a paralisia do PT e da burocracia sindical para mobilizar, que deverão contratar figurantes em grande número além da paralisia posterior aos atos.
  5. Enquanto chama os militantes à mobilização, a Frente Popular continua negociando acordos nos bastidores na esperança de que a situação se estabilize e que tudo caminhe para o desfecho da candidatura Lula em 2018. Mas essa candidatura pouco tem a oferecer ao povo brasileiro, principalmente no contexto da aceleração da crise capitalista no Brasil.
  6. A oposição à direita requer uma política revolucionária que passa, em primeiro lugar, pelo entendimento da evolução da atual conjuntura política no Brasil, na América Latina, nos Estados Unidos e no mundo.

 

O APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA

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  1. O aprofundamento da crise capitalista tem aumentado os esforços do imperialismo para fazer com que os povos de todo o mundo, em particular a classe trabalhadora, paguem o preço e que os grandes monopólios mantenham os lucros.
  2. No Brasil, os mecanismos de contenção da crise capitalista, que estourou em 2008, começaram a apresentar sérias rachaduras em 2012 e, com maior intensidade, a partir do final de 2014. As mesmas tendências aconteceram em escala mundial, quando os obscenos repasses de recursos públicos para as grandes empresas e a inundação do mercado com crédito público provocaram bolhas gigantescas, o esgotamento do chamado “superciclo” das commodities, com a enorme queda dos preços das matérias primas, e a escalada da recessão. Agora, à queda gigantescas dos preços do minério de ferro e do petróleo, se soma a queda dos preços das matérias primas agrícolas e agropecuárias. O superávit da balança comercial brasileira, no ano passado, teve na base, em primeiro lugar, a queda das importações, das quais a economia ficou dependente de maneira umbilical devido à desaceleração industrial provocada pelo direcionamento do país para a produção e exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas.
  3. Depois de setembro de 2008, o governo da Frente Popular, encabeçado pelo PT, direcionou um grande volume de recursos públicos, para as grandes empresas, por meio de créditos ao consumidor e o Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento), o aumento da especulação com a dívida pública e o aumento da camada parasitária de impostos e juros. Esses recursos públicos e a exportação de matérias primas foram os dois pilares de sustentação da economia nacional que criaram a ilusão de que o Brasil passaria incólume pela crise que atingia em cheio os centros. Como Lula disse, “a crise chegou ao Brasil como uma marolinha”, enquanto o país era devastado pela exploração hiper depredadora em prol das matérias primas. Uma espécie de volta à época colonial, que levou o Brasil a tornar-se o campeão mundial no uso de agrotóxicos, o vice campeão mundial no uso de transgênicos, que trouxe acidentes escandalosos como o recente caso da Samarco em Minas Gerais, que ameaça acabar com o Amazonas e o Pantanal devido à construção desenfreada e especulativa de hidroelétricas, que abriu o país à produção hiper depredadora do xisto etc etc.
  4. Em 2013, o governo Dilma, durante a gestão do então ministro da Fazenda Guido Mantega, abriu um novo período no repasse de recursos públicos, por meio da concessão de diversas isenções aos fabricantes da “linha branca”, e outros, com o objetivo de evitar a bancarrota generalizada devido ao aumento do contágio da crise capitalista mundial.
  5. Todas essas medidas têm entrado em colapso. E tal colapso tem levado o Brasil à linha de frente da crise capitalista. E trata-se apenas do aperitivo. O prato forte virá com o estouro de um novo colapso capitalista mundial, que está colocado para o próximo período nos grandes centros e que deverá ser muito pior que todos os anteriores devido ao brutal parasitismo e ao super endividamento dos estados burgueses. De acordo com os índices oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o PIB caiu 1,7% no terceiro trimestre de 2015, em relação ao trimestre anterior, quando a queda tinha sido a maior das últimas décadas. No ano passado, a contração (oficial) da economia foi de aproximadamente -4% e, para este ano, a expectativa é de nova contração de -6%. As pressões inflacionárias crescem sem parar. De acordo com as estatísticas oficiais, a inflação fechou, no ano passado, acima dos 10%, e a expectativa para este ano é ainda pior. A principal meta imposta sobre o Brasil, pelo imperialismo, o chamado superávit primário (recursos destinado ao pagamento dos juros da dívida pública), está implodida por um déficit primário de R$ 104,4 bilhões, com a subida, em um ano, de 0,48% do PIB para 10,82%.
  6. Para sustentar os lucros dos capitalistas, principalmente o dos monopólios, a dívida pública (oficial) disparou para 67% e continua aumentando de maneira muito acelerada, enquanto os grandes bancos, principalmente internacionais, os chamados “primary dealers” (ou “negociadores primários) continuam obtendo suculentos lucros com taxas de juros muito superiores à oficial. As três principais agências qualificadoras de riscos, que são controladas pelos monopólios, colocaram o Brasil no status lixo, o que implica na disparada das dificuldades para o governo captar recursos e fechar as contas.
  7. No ano passado, o déficit nas contas correntes (a diferença entre tudo o que entra e tudo o que sai do Brasil) foi de US$ 92 bilhões, dos quais somente US$ 66 bilhões foi fechado com os chamados IEDs (Investimentos Estrangeiros Diretos), que já são muito especulativos. O restante foi fechado com capitais ainda mais especulativos, os chamados capitais andorinha.
  8. O Brasil segue nesse momento na linha de frente da crise capitalista internacional e essa situação irá se agravar com o aprofundamento da crise capitalista mundial. O pagamento dos serviços da ultra corrupta dívida pública brasileira, por exemplo, é insustentável manter-se a política ultra entreguista atual, e que já consome mais de 44% do Orçamento Público Federal de acordo com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) enviada para aprovação ao Congresso. As altas taxas de juros brasileiras representam um caso único no mundo, ou o único lugar onde ainda há “perú com farofa”, como a direita brasileira gosta de dizer parafraseando o ex ministro da Fazenda da ditadura militar, Delfim Neto. Um fardo tão grande, que junto com os impostos, inviabilizam qualquer possibilidade de desenvolvimento do Brasil. Nos principais países, foram adotadas taxas de juros negativas, ou seja os monopólios são remunerados por obterem empréstimos, que são aplicados fundamentalmente na especulação financeira, tal o grau de parasitismo. O endividamento se generalizou alcançando níveis estratosféricos em escala mundial, enquanto a economia produtiva entrou em recessão. Hoje, somente os ultra nefastos derivativos financeiros movimentam, segundo a imprensa especializada, nada menos que US$ 700 trilhões, ou dez vezes o PIB mundial, mas, muito provavelmente, o volume seja muito maior.
  9. Em dois ou três anos, esses mecanismos especulativos deverão implodir no Brasil e, de manter-se as amarrações impostas pelo imperialismo, restarão duas opções, a moratória ou a hiperinflação. De acordo com o líder da Revolução Russa, Vladimir I. Lenin, não há nada mais revolucionário que a inflação.

 

O PT E A DIREITA: O “AJUSTE” NA BASE DO GOLPISMO

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  1. O aprofundamento da crise capitalista está por trás da pressão do imperialismo para que seja aplicado um Plano de Ajuste que salve os lucros dos monopólios, nos moldes do que está sendo feito na Argentina ou na Grécia. A crise política, deflagrada há algum tempo, tem relação, justamente, com a incapacidade do PT em impor um ajuste contra os trabalhadores à altura do que é exigido. As políticas de Dilma Rousseff, embora tenham afetado muito os trabalhadores, ainda são consideradas insuficientes, erráticas, inconsistentes e incapazes de manter os lucros.
  2. Mesmo capitulando sistematicamente ao imperialismo e adotando diversas medidas anti-povo, o governo petista, devido à base social, não consegue avançar na profundidade requerida. Contando com o apoio de importantes organizações do movimento de massas, como a CUT, o MST e a UNE, mesmo que burocratizadas, o PT encontra extrema dificuldade em aplicar os pilares do ajuste impostos pelo imperialismo, principalmente a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista e o amplo corte nas contas públicas, principalmente nos investimentos produtivos, nos programas sociais e na incorporação da burocracia sindical, política dos movimentos sociais. Se forem adotadas tais medidas pelo governo Dilma, a base petista se desagregaria, com a perda do apoio dos principais sindicatos, pois a própria burocracia sindical enfrentaria o risco de ser ultrapassada pelo descontentamento e o aumento da radicalização dos trabalhadores.
  3. O governo Dilma, na tentativa de “manter a governabilidade”, foi transformado num espantalho que dança na corda bamba, entre a pressão popular e do imperialismo. Vários ministérios e diretorias das empresas públicas são controlados por reconhecidos direitistas. A musa dos latifundiários, o setor mais reacionário da burguesia nacional, Kátia Abreu, foi colocada à frente do Ministério da Agricultura e aparece como amiga íntima da Dilma. A reforma agrária foi paralisada e os recursos públicos direcionados para o nefasto “agronegócio”. Um ex presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) à frente do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio. O próprio Kassab à frente do Ministério das cidades. Mais participação do PMDB. Mil conchavos com os partidos burgueses, os grandes empresários e o imperialismo, mas, mesmo assim, o governo do PT encontrou enormes dificuldades para aplicar o ajuste. Precisou recuar da tentativa de aplicar a Reforma da Previdência. O acordo com o vampiro José Serra, sobre a entrega do Pré-Sal para os monopólios, criou um gigantesco mal estar. A aprovação da lei Anti-terrorista, que representou uma imposição direta do imperialismo norte-americano, também gerou um gigantesco mal estar, apesar da tentativa, sem sucesso, de desvincular da criminalização dos movimentos sociais. A Reforma Trabalhista conta com o entrave da CUT.
  4. A nova onda dos ataques da direita contra o PT aconteceu a partir da substituição do banqueiro Joaquim Levy pelo “desenvolvimentista” Nelson Barbosa. No início do mês de março, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) manteve a Selic (taxa básica de juros) em 14,25%. Na semana anterior, no Programa Roda Viva, da TV Cultura, economistas que hoje assessoram o governo do PT, como o ex ministro da Fazenda Bresser Pereira e Luiz Gonzaga Beluzzo colocaram vários dos eixos dessa política “desenvolvimentista”, que os grandes bancos e os especuladores em geral repudiam. O próprio programa de “salvação da economia” do governo, apresentado recentemente, representou a tentativa de voltar a aplicar as políticas do governo Lula, de maneira requentada.
  5. Os monopólios não querem saber de “desenvolvimentismo”. Eles querem aumentar a espoliação do Brasil para conter a queda dos lucros, provocada pelo aprofundamento da crise mundial, por meio da especulação financeira. O detalhe é como fazer isto mantendo a máxima estabilidade social possível.
  6. Se trata de duas políticas. A do governo do PT, que se vale da criação de um colchão de controle por meio dos programas sociais e da cooptação do movimento sindical e social, e de partidos de esquerda, e da criação da frente popular. A política da direita tem como modelo o governo Macri na Argentina, Peña Nieto no México, Juan Manuel Santos na Colômbia ou até o falido Sebastián Piñeira no Chile. Trata-se de uma direita semi tradicional que busca entrar, aplicar pelo menos uma parte da cartilha neoliberal contra os trabalhadores, ainda não aplicada, sair, abrir espaço para os governos de frente popular acalmar os ânimos e voltar novamente. No Brasil, essa política é representada principalmente pelo Psdb. O problema é que essa política também não terá condições de manter os lucros dos monopólios no contexto do aprofundamento da crise e tenderá a abrir caminho para uma política mais dura e golpista.

 

LULA ESTÁ A SERVIÇO DO POVO BRASILEIRO?

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  1. A prisão de Lula provocou uma enorme indignação entre a base e os simpatizantes do PT. Em Congonhas, na Sede Nacional do PT e na quadra do Sindicato dos Bancários, na cidade de São Paulo, o espírito era de ir para as ruas para enfrentar a direita. O mesmo espírito cresceu nas principais cidades do país. Na Sede Nacional, um jornalista da Globo chegou a ser identificado aos gritos da base petista que chamava para “enche-lo de porrada”. O discurso da FUP (Federação Única dos Petroleiros) foi, como não podia deixar de ser, o mais radical de todos.
  2. A direção do PT manobrou para concentrar os manifestantes nas sedes dos sindicatos e impedir que eles fossem para as ruas. O espírito era ocupar tudo o que fosse preciso. Lula voltou a aplicar a velha e conhecida política burocrática, que ele tinha aplicado com sucesso quando quebrou as greves dos metalúrgicos do ABC, há quase quatro décadas. Na quadra dos Bancários, ele pronunciou um longuíssimo discurso onde o direcionamento foi no sentido de que ele próprio, o Lula, tinha sido o melhor presidente do planeta no início deste século, que ele tinha um ótimo relacionamento com o direitista George W. Bush (sim o mesmo que invadiu o Iraque!), que os grandes empresários tinham ganhando muito dinheiro com ele, e que deviam continuar ganhando, e que os programas sociais e o crescimento do Brasil, nos governos dele, tinham sido os melhores da história do Brasil. Nesse sentido, a solução para os problemas seriam, supostamente, ele ir para as ruas para fazer a campanha para as eleições de 2018 e, por tabela, para as eleições municipais deste ano. Nem uma palavra sobre a direita e a escalada golpista, ou sobre a crise capitalista e, muito menos, sobre qualquer mudança estrutural. Nem uma palavra sobre a auditoria da ultra corrupta dívida pública, vetada por Dilma, ou sobre as mega fraudulentas privatizações. Nem uma única palavra sobre ir às ruas para enfrentar o golpe ou sobre a necessidade de enfrentar o cartel encabeçado pelo punhado de famílias que controlam as concessões da imprensa como se fossem capitanias hereditárias.
  3. Em 2002, Lula subiu ao Planalto por causa da política de conciliação e de submissão ao imperialismo. O principal cabo eleitoral foi o FHC, que tinha ficado com a “língua de fora” por causa da aplicação das políticas neoliberais que entregaram o Brasil numa escala sem precedentes. Os figurões do Psdb até chegaram a acompanhar uma delegação encabeçada pelo próprio Lula aos Estados Unidos para prometer ao próprio Bush que os acordos e o entreguismo seriam mantidos.
  4. O primeiro governo do PT, baseado na política de contenção das massas, começou a entrar em crise em 2005, quando estourou o escândalo do Mensalão. A direita, mesmo sem fôlego eleitoral, queria voltar ao governo “queimando” o PT. A crise voltou a estourar novamente em 2012, com a retomada do processo do Mensalão nas mesmas semanas do primeiro e segundo turno das eleições municipais. Voltou a escalar em 2014 com a campanha contra a Copa, promovida pela direita. E volta escalar agora. Não por acaso, a cotação do dólar caiu e o índice Ibovespa aumentou com a notícia da delação premiada de Delcídio Amaral e com a prisão de Lula.
  5. A sucessão de governos do PT representa uma “anomalia” no controle do estado burguês pelo grande capital e demonstra o colapso eleitoral da direita, atingida em cheio pelo colapso das políticas neoliberais a partir de 2008. A direita busca tirar o governo do PT para aplicar o plano de ajuste que o PT não consegue aplicar.
  6. O canto de sereia do Lula de que conseguirá “retomar o crescimento” não passa de pura demagogia e oculta os gravíssimos problemas que enfrenta o povo brasileiro. O objetivo é usar os trabalhadores brasileiros como massa de manobra eleitoral, ocultando a gravidade da situação.

 

O LULA E A POLÍTICA DO IMPERIALISMO

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  1. Hoje, a política de colaboração de classes do PT tem se tornado um entrave aos planos do imperialismo por causa das dificuldades para aplicar o plano de ajuste contra os trabalhadores na intensidade necessária para salvar os lucros dos monopólios. O ideal para o imperialismo seria que a direita assumisse a frente do governo e que o PT se mantivesse na linha auxiliar, em segundo plano, no papel de segurar os trabalhadores. O problema é que as contradições internas do PT, acentuadas pelas políticas de capitulação da direção e impulsionadas pela crise, tendem a provocar o desenvolvimento de uma ala esquerda, o que acaba acentuando a necessidade da direção manobrar, tal como pode ser visto na ação do próprio Lula.
  2. Em razão da crise do regime político, impulsionada pela crise capitalista, a direita tem enfrentado enormes dificuldades para derrotar o PT em termos eleitorais, mesmo contando com o apoio de uma imprensa cartelizada. Mas, se bem os governos do PT garantiram obscenos lucros para as grandes empresas, em primeiro lugar para os grandes bancos, hoje não conseguem aplicar o ajuste que os monopólios demandam.
  3. Os enormes volumes de recursos repassados por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) e as obras do PAC (Plano Acelerado de Crescimento), que marcaram os governos do PT, devem ser redirecionados para os grandes bancos e a especulação financeira.
  4. O imperialismo necessita, no atual momento, não apenas paralisar e “adormecer” os sindicatos, mas impor derrotas profundas aos trabalhadores e quebrar a resistência até conseguir um rebaixamento considerável do preço da força de trabalho e das condições de vida da esmagadora maioria da população.
  5. Derrotar o PT e os sindicatos, embora não seja exatamente a mesma coisa, tem um importante ponto em comum, uma vez que é esse partido que controla a CUT, os principais sindicatos nacionais e os movimentos sociais. No momento atual, as direções sociais e sindicais estão burocratizadas devido à paralisia da classe operária. Mas, conforme já foi visto no Brasil no final da década de 1970 e na década de 1980, com a mobilização da classe operária, rapidamente, podem surgir oposições classistas com condições de derrubar rapidamente a burocracia sindical.

 

DEMOCRACIA, GOLPISMO E “LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO”

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  1. As crescentes dificuldades eleitorais da direita têm acelerado a adoção de métodos extra-parlamentares, ou, dito de outra forma, a se comportar de forma mais golpista.
  2. Hoje, no contexto regional, dominado pelo imperialismo, encabeçado pela Administração Obama, ficaria muito difícil impor um golpe de estado por meio de um golpe de estado pinochetista. As políticas de golpe de estado branco têm sido diminuídas por causa das eleições presidenciais que acontecerão nos Estados Unidos neste ano. O mesmo aconteceu no Oriente Médio, na Ucrânia e no Mar do Sul da China.
  3. O grosso das movimentações no Brasil têm como objetivo continuar acuando o PT, na tentativa de que sejam aceleradas as políticas de ajuste e de que seja possível garantir uma vitória da direita nas eleições municipais deste ano e nas eleições nacionais do próximo ano. A perspectiva do golpe de estado branco não foi descartada, continua em andamento, embora que com menos intensidade. Se for possível aplica-lo de uma maneira indolor, seria “maravilhoso” para a direita. Mas a prisão do Lula voltou a mostrar que as movimentações golpistas podem conduzir a uma gigantesca desestabilização com consequências imprevisíveis. O Brasil representa a principal potência regional latino-americana. Esse cenário poderá mudar dependendo do resultado das eleições nos Estados Unidos, do aprofundamento da crise capitalista e da evolução da situação política nacional, e principalmente internacional.
  4. A suposta “luta contra a corrupção” não passa de uma farsa e de uma campanha com objetivos específicos. O Trensalão (corrupção no Metrô de São Paulo) ou o chamado Mensalão Mineiro nunca foram investigados. A corrupção é generalizada em todas as empresas públicas, em todas as esferas públicas, inclusive porque se trata do principal mecanismo para as grandes empresas continuarem garantindo o assalto aos cofres públicos, sem os quais não há lucros. E, por outro lado, há a “corrupção legalizada”, como as escandalosas privatizações feitas nos governos FHC ou a ultra corrupta dívida pública.
  5. As ações extra-parlamentares não são direcionadas somente contra o PT. Elas se dirigem, em primeiro lugar, contra o PT, mas, o alvo principal se direciona contra o conjunto da classe trabalhadora, suas lutas e, principalmente, suas organizações. A ofensiva, embora atinja hoje os dirigentes do PT, sempre terá como alvo principal o direito de organização, e de fazer greves e manifestações, entre outros. Não por acaso, assistimos tanto a prisão de dirigentes petistas como ao recrudescimento da repressão contra greves, passeatas, manifestações populares. O crescente endurecimento do regime político reflete o aprofundamento da crise e a perspectiva do acirramento do confronto de classes que é o que está colocado para o próximo período.
  6. Aqui temos uma importante conclusão política. Embora o PT e a direita representem as duas alas principais do regime burguês, a forma de dominação de classe exercida por meio delas entrou em contradição e conflito devido ao aprofundamento da crise econômica e política. Enquanto o PT governa por meio da conciliação de classes, paralisando organizações como a CUT, a UNE (dirigida pelo PcdoB), o MST e os demais movimentos sociais, a direita busca estabelecer o domínio com base na liquidação dos elementos da democracia operária. Essa diferença é fundamental hoje e muito importante na perspectiva da evolução da luta da classe operária no próximo período. Nenhum grupo revolucionário sério pode atuar na situação política sem entender essa questão. Falar que todos são a mesma coisa, ou Fora Todos! (como o faz o PSTU) é muito fácil. Mas qual é o sentido e objetivo? No que contribui para separar os trabalhadores da frente popular? O mesmo resultado provoca a capitulação à frente popular.

 

O GOVERNO DILMA E A FRENTE POPULAR DEVEM SER DEFENDIDOS?

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  1. Em benefício de quem está colocada a tal da “governabilidade”?
  2. A esquerda revolucionária deve se opor, de maneira enérgica, aos ataques antidemocráticos promovidos pela direita contra o PT, tais como a prisão dos dirigentes pela Operação Lava Jato, o pedido de impeachment no Congresso Nacional, a prisão truculenta de Lula, os ataques fascistas às sedes do PT e ao Instituto Lula etc. Os revolucionários NUNCA podem se colocar no mesmo campo da direita, como é feito, de maneira inescrupulosa e recorrente, pela esquerda pequeno-burguesa.
  3. Ao mesmo tempo, os revolucionários NÃO devem se colocar a reboque da frente popular liderada pelo PT. O governo do PT representa um instrumento para aplicar, de maneira parcial, o ajuste contra os trabalhadores e para impedir a organização independente da classe operária. A candidatura Lula não tem nada para oferecer aos trabalhadores, a não ser a tentativa de manter algumas migalhas repassadas pelos programas sociais, num cenário em que os recursos tendem a se tornar muito mais escassos, enquanto o grosso dos recursos continuam sendo direcionados para o grande capital. Enquanto o programa Bolsa Família, por exemplo, consome pouco mais de R$ 22 bilhões, somente no ano passado, foram repassados aos banqueiros, como juros da ultra corrupta dívida pública, nada menos que R$ 350 bilhões. Na tentativa, semi frustrada de conter a disparada do dólar, foram gastos quase US$ 100 bilhões. E o mais grave é que a política da frente popular, representa um importante entrave para a luta independente dos trabalhadores contra o capital.
  4. A esquerda burguesa e pequeno burguesa “esqueceu” os princípios fundamentais da luta da classe operária e da independência de classe. É preciso levantar as bandeiras do governo operário e camponês. A única maneira de enfrentar o golpismo é por meio do armamento da população. As direções das empresas públicas devem ser eleitas pelos trabalhadores. Os ministros capitalistas não podem participar de um governo dos trabalhadores. A dívida pública deve ser cancelada. O sistema financeiro deve ser estatizado sobre o controle dos trabalhadores. As (ultra corruptas) privatizações devem ser revertidas sobre o controle dos trabalhadores etc.
  5. A suposta política anti-golpe, a reboque da frente popular, repete a política hiper oportunista do VII Congresso da III Internacional Comunista (1935), da frente única antifascista de Dimitrov/ Stalin, que hoje até a maioria dos “estalinistas” repudiam. O governo do PT está apodrecendo e ele próprio se transformou numa das principais engrenagens que abre caminho ao golpe: mil capitulações, ministros da direita (em prol da governabilidade), o ajuste contra os trabalhadores (mesmo que parcial), a Lei Anti-terrorista, a entrega do Pré-Sal etc

FRENTE ÚNICA PARA LUTAR

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  1. O conjunto dos principais grupos da esquerda se encontra dividido, fundamentalmente, em duas alas. Por um lado, a esquerda pequena-burguesa (PSTU, Psol, PCB e outros grupos), que a pretexto de negarem a Frente Popular se colocam no campo da direita, apoiando, direta ou disfarçadamente, as ações da direita como, por exemplo, a prisão de Lula ou as campanhas da direita do Não Vai Ter Copa, do Lavajato ou do Mensalão. Por outro lado, a Frente Popular, encabeçada pelo PT, se coloca contra o golpismo da direita, mas a favor da política de conciliação de classes e da manutenção dos acordos com o imperialismo promovidos pelas direções petistas.
  2. Na atual conjuntura, aparece, de maneira cada vez mais urgente, a necessidade da formação de uma FRENTE ÚNICA para impulsionar a luta dos trabalhadores. A luta contra o golpismo deve ser vinculada à luta contra a tentativa de descarregar o peso da crise sobre os trabalhadores, contra o ajuste. Sem a luta contra o ajuste (contra os trabalhadores) e as (vergonhosas) capitulações do governo do PT é impossível lutar contra o golpismo.
  3. A FRENTE ÚNICA da esquerda, dos sindicatos e das organizações de massa do proletariado deve ter como objetivo unificar a classe operária e suas diferentes frações por meio de ações comuns, o que deve ser feito com o auxílio de suas organizações de massa. O golpismo da direita deve ser combatido nas ruas, mas as políticas ajustadoras e a capitulação do governo Dilma devem ser denunciadas como engrenagens fundamentais que abrem passo ao golpismo. Uma defesa cega do governo do PT, um cheque em branco para a candidatura Lula, além de se encontrarem longe de resolver o problema da gravíssima crise no Brasil, representa uma enorme traição aos trabalhadores.
  4. A FRENTE ÚNICA deve aplicar a antiga divisa “caminhar separados, golpear juntos” e não abre mão, de jeito nenhum, da independência de classe do proletariado. É preciso explicar aos trabalhadores que se defende o PT contra a direita no interesse dos trabalhadores, mas jamais se defende o PT apoiando sua política, que representa um ataque aos trabalhadores. A FRENTE ÚNICA não exclui a luta contra o governo petista ajustador e capitulador. O governo do PT, apesar de ser vítima da ofensiva da direita, deve ser denunciado como instrumento que alimenta essa ofensiva.
  5. Para o próximo período, está colocado o inevitável aprofundamento da crise capitalista e, em cima desta base, a entrada em movimento, novamente, da classe operária, no Brasil e no mundo. Será a retomada, numa escala ainda superior, do movimento grevista da década de 1980, que, no Brasil, atingiu o pico com a formação da CUT em 1983 e as 15 mil greves de 1985, mas que foi sufocado pelas políticas neoliberais. O novo período de ascensão operária colocará, também de maneira inevitável, à ordem do dia a criação de um partido operário, revolucionário e de massas, independente de todos os setores da burguesia e de todos os partidos integrados ao regime burguês. Isso não tem nada a ver com a “eleição de deputados”, que é a principal pauta, na prática, de boa parte da esquerda pequeno burguesa, e muito menos com a eleição de Lula em 2018 ou a defesa das capitulações do PT. Esses agrupamentos deverão ser varridos do mapa pela nova ascensão das massas e uma nova esquerda revolucionária deverá ser formada. Rachas no PT, e até nos demais partidos, deverão ser colocados à ordem do dia, separando as alas direita dos elementos revolucionários que deverão se fortalecer conforme a ascensão dos trabalhadores acontecer. A história mundial está cheia de exemplos neste sentido. A análise profunda da história e das revoluções tornou-se uma tarefa fundamental para compreender a realidade atual.
  6. O que está colocado é levantar as bandeiras operárias e a luta pelas questões que podem tirar o Brasil, e os demais países, da crise, as medidas que passam pela luta contra o grande capital (o chamado 1% que governa o mundo) e a sobrevivência dos trabalhadores, que, cada vez mais, ficarão encurralados pelos capitalistas. Essas bandeiras foram abandonas pela esquerda oportunista. Sem uma avaliação profunda da realidade e, sobre esta base, o estabelecimento de uma política correta, esta luta fica inviabilizada ou, pelo menos, errática. Esta luta passa pelo rompimento com a frente popular e a política pequeno burguesa da frente de esquerda eleitoralista ou de posicionar-se no mesmo campo da direita.
  7. No presente momento, a tarefa colocada é a formação de um grupo de agitação e propaganda que aglutine os revolucionários em torno de um jornal político revolucionário, para todo o Brasil, que seja usado como instrumento de organização real dos próprios revolucionários e da classe operária que começa a dar sinais, cada vez mais claros, de que começou a acordar do longo sono neoliberal.

 

Que a crise seja paga pelos capitalistas!

Não ao golpismo!

Pelas liberdades democráticas e os direitos dos trabalhadores!

Não ao ajuste!

Pela organização independente dos trabalhadores!

 

PREVISÕES PARA 2016 – Parte 12

O INEVITÁVEL APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA NO BRASIL

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O ano de 2016 será ainda pior que o de 2015 para a economia brasileira. Todos os indicadores econômicos deverão piorar. Aqueles que não piorarem de maneira direta, serão um reflexo da piora geral da economia. Um eventual novo superávit da balança comercial não está descartado por causa de que a queda dos preços das matérias primas agropecuárias ainda acontecerá num ritmo mais lento que a os dos minerais e, principalmente, os da energia. O volume total das exportações tende a ser menor que em 2015 por causa da contração dos mercados consumidores, principalmente na China. Ao mesmo tempo, o fator que determinará um eventual superávit comercial será a queda das importações que refletirá a queda da produção industrial em todos os elos da cadeia produtiva, inclusive nos setores extrativistas.

O “agronegócio” continuará a ser um dos grandes beneficiados pelo governo em ainda maior escala já que a soja, o algodão, a cana de açúcar, o suco de laranja e a pecuária têm se tornado os principais componentes das exportações brasileiras.

A indústria continuará o processo de contração por causa da queda do consumo de produtos manufaturados, tanto no Brasil como nos principais mercados que tem como destino, em primeiro lugar a Argentina. Produtos relacionados com tecnologia de ponta, como automóveis e aviões, deverão continuar sofrendo forte retração. Produtos com baixo valor agregado, como o óleo de soja, ainda conseguirá manter o mercado, em boa medida.

A previsão oficial de contração da economia para 2016 já beira os -3%. Mas a contração industrial deverá ser muito maior.

O crescente endividamento do setor público obrigará o governo a emitir títulos públicos para enfrentar os vencimentos. O aumento das taxas de juros, nos Estados Unidos, provocará o aumento da fuga de capitais e as dificuldades para captar divisas, que será acentuada com a manutenção da perda do “grau de investimento” pelas agências qualificadoras de risco. A taxa Selic continuará aumentando e poderá passar dos atuais mais de 14% para um índice próximo aos 20%. Os juros aplicados para os consumidores finais irão às nuvens, o que provocará a contração do consumo e aumentará a recessão industrial e do comercio. Trata-se de uma política intencional, recessiva, que tem como objetivo controlar as tendências inflacionárias e direcionar o grosso dos recursos para a especulação financeira, seguindo a cartilha das pressões do imperialismo. A inadimplência, inevitavelmente, deverá crescer.

O Programa Minha Casa, Minha Vida deverá se paralisar, mas a bolha imobiliária não explodirá ainda. Os lucros das incorporadoras e empreiteiras serão mantidos com os mais de R$ 130 bilhões em recursos públicos que serão repassados para o setor. Mas a queda dos preços dos imóveis aumentará a paralisia e o desemprego no setor que emprega mais de quatro milhões de trabalhadores. A bolha imobiliária ficará por um fio e, inevitavelmente deverá estourar em um ou dois anos, impactando os lucros dos bancos. O grosso do rombo ficará com os bancos públicos e será coberto com o aumento da dívida pública. A emissão de maiores volumes de títulos públicos conduzirá ao aumento das pressões inflacionárias. Uma vez tendo atingido um certo limite, o governo será obrigado a recorrer a um ajuste em maior escala, contra a população, o que implicará na intervenção dos mecanismos controlados diretamente pelo imperialismo, como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.

O aumento das remessas pelos monopólios provocará um aumento maior do déficit nas contas correntes que poderá atingir cifras próximas aos R$ 100 bilhões. A pressão dos monopólios está direcionada ao aumento da espoliação das riquezas nacionais. No centro, está a privatização da Petrobras. O governo do PT acelerará a entrega de setores chaves da cadeia petrolífera, como o setor de serviços, a produção de petróleo e gás a partir do xisto e, provavelmente, um maior sucateamento do marco regulatório do Pré-Sal. O governo do PT anunciou recentemente um programa para o setor do petróleo que implicará na priorização do uso de peças e insumos de fabricação nacional, mas dificilmente sairá do papel. O LavaJato continuará cumprindo o seu papel a serviço do imperialismo, colocando o governo do PT ainda mais na defensiva.

Os salários continuarão no centro dos ataques do governo contra os trabalhadores, que continuará manipulando os índices estatísticos com o objetivo de salvar os lucros dos capitalistas.

 

CRISE ECONÔMICA E CRISE POLÍTICA = AJUSTE CONTRA A POPULAÇÃO

 

O Brasil saiu na linha de frente no aprofundamento da crise capitalista, sofrendo o impacto direto do aprofundamento da crise na China, na Argentina e nos principais mercados consumidores, a Europa e os Estados Unidos.

A crise atual representa apenas o aperitivo da escalada da crise que virá com um novo colapso capitalista mundial, do qual o Brasil representa um elo fraco.

Com o objetivo de garantir os lucros dos monopólios o imperialismo pressiona pela implementação de um ajuste, em grande escala, contra os trabalhadores. O governo de Dilma Rousseff tem aplicado parte do ajuste. O governo do PT conta com reconhecidos direitistas encabeçando vários ministérios. Agora, mesmo com o novo ministro da economia, o “desenvolvimentista” Nelson Barbosa, a prioridade será a aplicação da reforma da previdência e da reforma trabalhista contra os trabalhadores. Mas a direita atacará os “gastos excessivos” que Nelson Barbosa colocou contra o ex ministro Joaquim Levy. A direita atacará, principalmente, os gastos com o aumento do salário mínimo, que gerarão um gasto de R$ 3 bilhões além da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), a mudança do indexador da dívida dos estados e municípios com o governo Federal, que terá um impacto de R$ 3 bilhões, e o aumento do percentual do Finame pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), que aumentou o crédito subsidiado para os investimentos em capital e para o agronegócio, com um impacto no orçamento federal que poderá superar os R$ 10 bilhões.

Os monopólios querem avançar ainda mais na aplicação do ajuste, além do que o governo do PT consegue sem implodir o apoio da CUT e dos movimentos sociais, como o MST e a UNE. Mas o fortalecimento do golpismo, mesmo por meio de um golpe branco, num país de primeira ordem como o Brasil implica numa operação de alto risco. Por esse motivo, a Administração Obama tem apostado o grosso das fichas em saídas a la Maurício Macri, por meio de uma direita reciclada encabeçando frentes únicas com setores da esquerda burguesa e da burocracia sindical. Dependendo do enfraquecimento da resistência das massas, o avanço na direção do golpe branco poderá ser acelerada. A “cautela” da Administração Obama poderá sofrer uma mudança dependendo do grau de aprofundamento da crise capitalista e do resultado das eleições presidenciais que acontecerão nos Estados Unidos no final deste ano.

VEJA TAMBÉM:
PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL
http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/
PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO
http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-2/
PARTE 3 – A EUROPA
http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/
PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-4/
PARTE 5 – A RÚSSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/02/previsoes-para-2016-parte-5/
PARTE 6 – A CHINA
http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-6/
PARTE 7 – A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-7/
PARTE 8 – O JAPÃO
http://alejandroacosta.net/2016/01/11/previsoes-para-2016-parte-8/
PARTE 9 – OS ESTADOS UNIDOS
http://alejandroacosta.net/2016/01/13/previsoes-para-2016-parte-9/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (1)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-1/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (2)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-2/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (3)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-3/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (4)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-4/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (5)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-5/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (6)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-6/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 11 – O INEVITÁVEL APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL
http://alejandroacosta.net/2016/01/20/previsoes-para-2016-parte-11/

 

PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (6)

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A CRISE DO MERCOSUL

 

O aprofundamento da crise dos dois principais países do bloco, o Brasil e a Argentina, aumentará as rachaduras que têm se acentuado com a eleição de Maurício Macri na Argentina.

A América Latina foi atingida em cheio pelo aprofundamento da crise capitalista mundial. O imperialismo norte-americano impõe o aumento da espoliação dos recursos da região na tentativa de salvar os lucros dos monopólios. Os déficits públicos aumentaram de maneira acelerada. Os ataques contra os trabalhadores têm crescido e desgastado todos os governos. Esta é a base principal das derrotas eleitorais do kirchnerismo na Argentina.

O nacionalismo burguês tem buscado acordos com o imperialismo na tentativa de conter a crise. E o imperialismo tem tentado impulsionar a saída neoliberal. Mas se trata de um “neoliberalismo” de crise que nem sequer conseguiu colocar em pé a frente única que foi típica dos anos de 1990. A burguesia está dividida.

Manter os programas sociais nos níveis atuais é inviável por causa da queda dos recursos para sustenta-los. A aplicação das políticas neoliberais deve ser dosada por causa do período da aceleração do descontentamento social. Da mesma maneira, o Mercosul se encontra entre a espada e a parede. Como bloco tenta aumentar os acordos comerciais internos, mas, por causa da crise, precisa amplia-los para as demais potências. O problema é que os novos acordos abrem flancos e implicarão na entrega de setores estratégicos. Mas para onde correr? As alternativas são cada vez menores?

A tendência é ao aumento das tendências corrosivas no Mercosul a partir dos acordos com a União Europeia, os Estados Unidos e a Aliança Trans Pacífico. Mas essa tendência só poderá avançar de maneira contraditória, por meio de crises políticas e pelo surgimento de novos setores nacionalistas a partir do rompimento dos blocos atuais.

Na Argentina, as políticas neoliberais aplicadas pelo governo Macri tendem a entrar em crise rapidamente e a colocar o governo contra a parede conforme a crise continuar se aprofundando e deteriorando as condições de vida dos trabalhadores.

À já concedida isenção de impostos ao “agronegócio” e à entrega das reservas petrolíferas de Vaca Muerta aos monopólios norte-americanos, se somará o repasse de recursos para os fundos abutres, credores da dívida pública. O problema é que para viabilizar esses recursos o governo será obrigado a aumentar os ataques contra as massas.

A redução do gasto público será traduzido na redução dos gastos sociais e dos investimentos públicos.

O peso argentino continuará sendo desvalorizado, o que impulsionará a inflação a partir das importações. Por esse motivo, várias taxações aos produtos importados não poderão ser removidas.

Macri conseguirá manter, neste ano, o apoio da ala direita do kirchnerismo, principalmente dos governadores, e de outros setores do peronismo, como o liderado pelo ex candidato presidencial Sergio Massa, além de parte da burocracia sindical, como o ligado à central liderada por Moyano. Mas conforme a crise continuar avançando, principalmente, por causa da pressão internacional, a base de apoio ao governo deverá rachar.

Neste ano, a crise deverá criar o fermento para que se repita um novo Argentinazo no próximo ano.

Macri tentará avançar no sentido da aproximação com os Estados Unidos e a União Europeia em muito maior velocidade que os demais países do Mercosul. Mas devido à profundidade da crise e aos acordos já estabelecidos, a virada acontecerá de maneira gradual.

No Brasil, a nova equipe econômica, encabeçada por Barbosa, manterá a essência das políticas anteriores, do banqueiro Joaquim Levy. Essas políticas anti-povo, que buscam manter os lucros das grandes empresas, mantendo a estabilidade social, passam também pela maior aproximação com os Estados Unidos e a União Europeia. Mas o governo Dilma manterá a política geral em relação ao Mercosul que continua como destino importante das exportações brasileiras, mesmo apesar da crise na Argentina. A existência do Mercosul facilita os acordos de conjunto com outros blocos e instrumentos locais, como a União Euroasiática, a OCX (Organização de Cooperação de Xangai) e os bancos regionais.

A recessão industrial, o aumento do desemprego e da inflação acelerarão a política do “salve-se quem puder”. O Mercosul deverá se enfraquecer neste ano, mas ainda não morrerá.

No Uruguai, a crise continuará acelerando, com o crescente aumento da carestia de vida. O governo da ala direita da Frente Ampla, encabeçada pelo Dr. Tabaré Vázquez, tentará acelerar a aproximação com os Estados Unidos e a Europa. Sem conseguir romper com o Mercosul, procurará avançar em todos os sentidos possíveis, inclusive aderindo à nova política norte-americana da Aliança Trans Atlântica.

O certo sucesso da economia promovido em cima da depredação do país por meio do cultivo de soja transgênica e de eucaliptos, para alimentar as duas mega plantas industriais de celulose, continuará no centro da política econômica.

Todos os representantes do Mercosul concordaram na necessidade de avançar as relações com a China e a Rússia. Ao mesmo tempo, todos concordaram sobre a necessidade de ampliar os acordos comerciais com o maior número de países ou blocos.

A pressão da ala direita do bloco passa pela aproximação com a União Europeia, os Estados Unidos e a Aliança Trans Pacífico. Desta aliança participam o Chile, a Colômbia, o México e o Peru, enquanto a Costa Rica e o Panamá solicitaram a adesão. A Argentina e o Uruguai encabeçam a pressão nesse sentido, mas os demais integrantes do Mercosul passaram a flexibilizar as posições.

VEJA TAMBÉM:

PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL

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PARTE 3 – A EUROPA

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PARTE 9 – OS ESTADOS UNIDOS

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (1)

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (2)

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (3)

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (4)

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (5)

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CRISE NAS BOLSAS DA CHINA, TEMPESTADE NO BRASIL

CHINA7

 

No dia 4 de janeiro de 2016, a Bolsa de Xangai foi fechada após ter acontecido um “circuit breaker”, a queda nas negociações em quase 7%. Na Bolsa de Shenzhen, a queda foi de mais de 8%. O resultado do dia foi relativamente tranquilo. Uma leve queda das principais bolsas asiáticas após uma intervenção maciça do governo chinês. O Índice Composto de Xangai caiu apenas 0,3% e o de Shenzhen em 1,9%.

O Banco do Povo da China (banco central) injetou mais de US$ 20 bilhões em fundos. O governo aumentou a pressão sobre as “operações vendidas”, aquelas compras que são canceladas com o objetivo de pressionar, de maneira artificial, os preços de determinadas ações.

Os “observatórios” da especulação financeira falam que a situação teria voltado “à normalidade”, mas fica cada vez mais claro que a crise nas bolsas chinesas têm se repetido com maior frequência desde setembro de 2015. O iuane (Renminbi) acelerou a desvalorização o que obrigou o governo a atuar colocando à venda importantes volumes das reservas internacionais. Os “observatórios” relacionam a operação com a entrada do iuane na cesta do FMI (Fundo Monetário Internacional) e o relaxamento dos controles de cambio. Mas o buraco é muito mais profundo que apenas medidas meramente monetaristas.

 

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA CRISE DAS BOLSAS NA CHINA?

 

Na década de 1980, a China foi transformada na locomotiva mundial de produtos manufaturados de baixo custo, que estiveram na base da implementação das políticas neoliberais. Na década passada, com o esgotamento dessas políticas, a China passou a acelerar o papel de absorção de matérias primas dos países atrasados e de produtos de alta tecnologia dos países desenvolvidos. Com o colapso de 2008, as exportações despencaram e os chineses saíram com a política de aumentar o consumo interno. Mais de US$ 700 bilhões foram injetados, em 2009, no sistema financeiro, o que gerou as enormes bolhas que estão penduradas sobre as cabeças dos chineses.

O XVIII Congresso do Partido Comunista Chinês, que aconteceu no final de 2013, acelerou o processo de abertura da economia e do ritmo da implementação das políticas neoliberais, principalmente a partir de Xangai. A receita foi maior crédito público e maior especulação financeira; mais controle sobre as fontes de matérias primas no exterior e aceleração do comercio com a Europa por meio do Novo Caminho da Seda; aceleração da política defensiva contra a agressividade militar e econômica norte-americana.

A crise atual é muito mais que uma crise financeira. Trata-se de uma crise de superprodução. Especificamente, da crise aberta em 2008 e que longe de ter sido fechada continua aberta com a ameaça de um novo colapso de ainda maiores proporções que o de 2008. A burguesia mundial não conseguiu colocar uma política alternativa ao “neoliberalismo”, da mesma maneira que o tinha feito em relação ao “keynesianismo”, na década de 1980, dado o brutal parasitismo. Por esse motivo, as políticas de contenção da crise no sistema capitalista mundial passam pelo aumento do “neoliberalismo”, dos ataques contra as condições de vida dos trabalhadores.

 

CRISE NA CHINA, TEMPESTADE NO BRASIL

 

O Brasil tem se focado na produção e exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas. A desaceleração industrial tem deixado o país muito mais dependente dos produtos importados. A desvalorização do dólar possibilitou o único resultado econômico positivo de 2015, o superávit da balança comercial de US$ 20 bilhões. Em contrapartida, as contas correntes (a diferença entre tudo o que entra e sai do país) continuam sangrando por causa do aperto da espoliação pelos monopólios. A inflação oficial disparou para os dois dígitos. A dívida pública se transformou num câncer que direciona o grosso dos recursos públicos para os bancos. A indústria languidesce com o aprofundamento da crise na Argentina, o único cliente importante para a indústria automotriz.

Enquanto a economia brasileira lidera a corrida mundial em direção ao buraco, a burguesia tenta acelerar a aplicação do ajuste contra os trabalhadores, a redução das condições de vida e a entrega dos recursos nacionais para os estrangeiros, tanto por meio da ultra corrupta dívida pública, como por meio das expatriações realizadas pelos monopólios, a entrega da Petrobras, a manutenção da entrega da Vale, das Telecomunicações, do Nóbio.

O grande “triunfo” do Brasil para enfrentar as “obrigações” impostas pelo imperialismo, a exportação de matérias primas, se encontra colocada em xeque por causa do aprofundamento da crise no principal país comprador, a China. A crise atual no Brasil é apenas o aperitivo da crise que virá no próximo período. Os sintomas de um novo colapso aparecem não somente na China, mas também na Alemanha, no Japão e nos Estados Unidos.

 

 

DELCÍDIO E CUNHA: GOLPISMO OU DEMOCRACIA?

A PRISÃO DO SENADOR DELCÍDIO AMARAL, O “FORA CUNHA!” E O PAPEL DA CAPITULAÇÃO DO GOVERNO DO PT NO FORTALECIMENTO DA DIREITA

FORA CUNHA

 

Nos últimos dias, o Brasil assistiu estarrecido à prisão do líder do governo no Senado, o senador pelo Mato Grosso do Sul, Delcídio Amaral. A primeira questão que saltou à vista é que essa prisão aconteceu sobre um parlamentar que tem imunidade e que somente poderia ter sido preso em flagrante delito. Delcídio caiu numa armadilha montada pela Operação LavaJato, a partir da “República do Paraná”, com o objetivo imediato de livrar o ex diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, por meio da chamada “delação premiada”, mas também para dificultar as negociações do governo sobre o orçamento que estava sendo liderada por Delcídio. A “prova” apresentada pelo juiz Sérgio Moro, que é um agente da direita contra o governo do PT, foi uma conversa gravada pelo filho de Cerveró. O STF (Supremo Tribunal Federal), por meio do ministro relator da chamada Operação Lavajato, Teori Zavascki, aprovou a prisão de Delcídio pela Polícia Federal a pedido do Procurador Geral da Justiça. O Senado também a aprovou, por ampla maioria e até com o voto favorável de dois senadores do PT. A cúpula do PT também foi favorável, junto com o apoio de setores de esquerda do Partido, como a Articulação de Esquerda.

A prisão de Delcídio aconteceu no contexto do acuamento progressivo do governo do PT com o objetivo de coloca-lo ainda mais contra as cordas e obriga-lo a aplicar com mais intensidade o plano de ajuste contra os trabalhadores, transforma-lo numa rainha da Inglaterra, com a direita controlando e aumentando a intensidade do ajuste, ou com a própria direita assumindo as rédeas do governo a partir do impeachment da presidente Dilma.

 

POR QUE A DIREITA LEVA PARA A CADEIA A DIREITA DO PT?

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Delcídio Amaral é um elemento da direita do PT, um ex tucano que agora se somou aos chefões da esquerda do PT que foram incriminados, como José Dirceu, José Genoíno e João Vacari. Um dia antes tinha sido preso um grande empresário do “agronegócio” ligado a Lula. A corrente da “corrupção” vai longe e muito além da Petrobras. Isso sem contar a “corrupção legalizada”, como, por exemplo, as obscenas “privatizações” de FHC.

Junto com Delcídio foi preso André Esteves, sócio do Banco Pactual, que também mantém fortes ligações com os tucanos, e que inclusive é padrinho de casamento de Aécio Neves. Esteves é sócio de Pérsio Arida, o figurão tucano, no Banco Pactual, que, por sua vez, é sócio de Daniel Dantas no Banco Opportunity. Pérsio, além de ter sido diretor do Banco Central no governo FHC, é marido de Elena Landau, responsável pelas privatizações de FHC e pelo BNDES. Em 1997, e com dinheiro do BNDES, o Banco Opportunity “comprou” a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). A Cemig foi uma das fontes do chamado, e nunca investigado, “mensalão tucano”, que teve como operador o “famoso” Marcos Valério. Um dos beneficiários foi Delcídio Amaral.

Delcídio foi diretor de Gás e Energia, na Petrobras, na década de 1990, durante o governo de FHC. O subdiretor era Nestor Cerveró.

O objetivo dos ataques contra esses elementos de direita tem como objetivo apertar ainda mais o cerco sobre o PT, implodindo as alianças com os setores de direita, dando continuidade aos ataques que já foram aplicados contra os donos das grandes empreiteiras. É a mesma política que foi aplicada na Argentina e que levou à vitória do direitista Maurício Macri nas recentes eleições presidenciais.

 

OBJETIVO DO LAVAJATO: MAIOR ENTREGA DO BRASIL E O “AJUSTE”

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Na América Latina e no Brasil, o imperialismo busca descarregar o peso da crise sobre a região conforme a crise capitalista mundial se aprofunda e as derrotas militares no resto do mundo têm levado a concentração da espoliação no próprio “quintal traseiro”. Não por acaso a Operação Lavajato foi deflagrada contra a Petrobras, que está no olho dos abutres capitalistas.

O “ajuste” passa pela redução dos salários, dos direitos trabalhistas e das condições de vida dos trabalhadores, com o aumento do repasse parasitário de recursos para os grandes bancos. O governo federal destina mais de 45% do orçamento para sustentar os serviços da ultra parasitária e corrupta dívida pública. Mas os monopólios querem mais. Para isso, a pressão aumenta para que todos os recursos sejam concentrados nessa política. Setores da burguesia nacional que dependem do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), da especulação imobiliária ou dos repasses de recursos públicos por meio de outros mecanismos são afetados. Mas o aprofundamento da crise ameaça levar o Brasil ao colapso, como um dos elos fracos do sistema capitalista mundial.

O imperialismo tenta impulsionar uma nova frente única em cima de um novo choque neoliberal. Na Argentina, essa política está sendo imposta por Maurício Macri em aliança com a direita do kirchnerismo e com os setores majoritários da burocracia sindical. A mesma política está tentando ser imposta na Venezuela, nas eleições legislativas que acontecerão no dia 6 de dezembro; está em jogo 40% do orçamento público que hoje é destinado aos programas sociais.

 

DUAS VELOCIDADES PARA O AJUSTE

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A Administração Obama tenta impor o ajuste por meio da direita reciclada a la Maurício Macri, a la Peña Nieto (o presidente imposto no México) ou a la Psdb. A ala mais à direita do imperialismo norte-americano tenta impor o ajuste por meio de uma política de força, conforme tem ficado claro nos últimos debates do Partido Republicano. Obama desescalou as tensões na Ucrânia, no Mar do Sul da China e na América Latina para estabilizar o Oriente Médio, em aliança com inimigos tradicionais, a Rússia, o Irã, a China, o Hizbollah e os curdos.

Neste momento, Obama tenta evitar o acirramento das contradições que possam conduzir a explosões sociais, o que inclui evitar golpes de estado como os do Egito, da Ucrânia ou da Tailândia. A política da chamada “contrarrevolução democrática” ficou evidente na América Latina por meio dos acordos com Cuba, o processo de paz com as FARC-EP, na Colômbia, o envio do Papa ao Equador, há quatro meses, em plena histeria direitista contra o presidente Rafael Correia, nas declarações de Obama em favor da presidente Dilma, e na contenção da tradicional histeria da direita venezuelana.

Essa é uma política frágil aplicada em cima de uma direita neoliberal que ficou muito fragilizada após o colapso capitalista de 2008. A frente única para a aplicação dessa política inclui setores da burguesia nacional que temem a ascensão dos trabalhadores por causa do novo colapso capitalista que aparece no horizonte. Mas ao mesmo tempo, esses setores também temem a resposta popular ao ajuste, a ascensão dos protestos sociais e do movimento grevista. No centro do problema, está a velocidade com que o ajuste pode ser aplicado. A vitória do Macri na Argentina foi apertada e somente aconteceu no segundo turno, o que revela as dificuldades para formar a frente única hegemônica com o objetivo de impor o novo choque neoliberal. No Brasil, o impeachment contra a presidente Dilma avança com muitas dificuldades e tem sido priorizada a política de “comer pelas bordas”, desgastar o governo do PT.

A velocidade do ajuste e a priorização de uma determinada política para impo-lo depende do aprofundamento da crise e do grau de resistência das massas.

 

A CAPITULAÇÃO DO GOVERNO DO PT: UMA ENGRENAGEM GOLPISTA

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Enquanto a CUT, o MST e a UNE têm chamado a várias manifestações em defesa do governo do PT, contra o Fora Dilma e a favor do Fora Cunha, o governo do PT tem realizado negociações com a direita que têm entregado ministérios chaves até para Kátia Abreu e buscado dar uma sobrevida para o ultra reacionário Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados. Capitulando à direita, o PT considera que poderá salvar o governo. Mas enquanto as tramoias parlamentares avançam, também avança a política antipovo imposta pelo imperialismo e aplicada pelo governo do PT, que, cada vez mais, não passa de um espantalho para disfarçar o núcleo direitista que controla o governo.

A inflação continua aumentando enquanto os aumentos dos salários não conseguem acompanhar a carestia da vida. Novos ataques aconteceram contra as aposentadorias, o seguro desemprego, os servidores públicos federais. Novas privatizações são disfarçadas como concessões. A capitulação em relação a Lei Antiterrorista é total e é muito grave, pois se trata de uma lei, imposta pelo imperialismo, que renova, em certa medida, o famigerado AI5 da ditadura militar. A dívida pública que consome o grosso dos recursos públicos nem sequer é mencionada pelo PT; ela simplesmente é paga sem questiona-la.

Todos os esforços são direcionados para “manter a governabilidade”, o que recebe um reforço da política da defesa cega do governo devido à iminência de um golpe de estado. O governo do PT, na realidade, é cada vez mais o governo da direita do PMDB. Qual é o sentido dos partidos e agrupamentos de esquerda apoiarem de maneira cega o governo do PT? Há grupos que chegam a dizer que o “ajuste” faz parte dos ataques da direita.

A capitulação do governo do PT, e do próprio Partido, às pressões da direita tem se convertido numa das principais engrenagens para o fortalecimento da direita, para a aplicação do ajuste contra os trabalhadores.

O reacionário Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara dos Deputados, está sendo fritado pela direita devido à incapacidade de levar adiante o impeachment do governo Dilma. A direção do PT tem manobrado para dar sobrevida a Cunha, pois enfraquecido representaria um perigo menor e, ao mesmo tempo, possibilita a mudança dos holofotes dos ataques contra os trabalhadores que estão em curso. As políticas do governo têm se transformado num dos componentes principais que permitem o avanço da direita. Trata-se da mesma capitulação vergonhosa que levou à vitória de Macri sobre o kirchnerismo na Argentina e que, provavelmente, levará ao fortalecimento da truculenta direita venezuelana nas próximas eleições legislativas do dia 6 de dezembro. Enquanto a política da “contrarrevolução democrática” vai se impondo na América Latina, impulsionada pela Administração Obama, continua se fortalecendo a direita, e a extrema direita, abrindo passo a uma política ainda mais dura contra as massas. Essa política conta com a ajuda objetiva, e pela esquerda, da capitulação dos governos nacionalistas e pseudo nacionalistas,

 

GOLPE DE ESTADO IMINENTE?

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A direita encontra dificuldades para deslindar os parlamentares direitistas da corrupção generalizada da Petrobras e das demais empresas públicas apesar da obscena propaganda do PIG, da imprensa golpista. A fragilidade do impeachment contra o governo Dilma tem levado figuras do primeiro escalão golpista, como o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, a declarar que seria necessário “aguentar três anos sem golpe institucional”. “Com toda a franqueza, devemos esperar mais um ano para as eleições municipais. Ganhe quem ganhe as eleições de 2016, nós teremos uma nova distribuição de poder. Temos de ter a paciência de aguentar mais três anos sem nenhum golpe institucional… Estes três anos [após o ‘golpe institucional’] poderiam cobrar o preço de uma volta ao passado tenebroso de trinta anos. Devemos ir devagar com o andor, no sentido que as instituições estão reagindo bem e não se deixando contaminar por esta cortina de fumaça que está sendo lançada nos olhos de muitos brasileiros”.

A direita teria bastante facilidade, em termos jurídicos, em aplicar o impeachment contra a presidente Dilma em cima das “pedaladas” contra a Lei da Responsabilidade Fiscal, a principal política de todo governo, imposta a partir do chamado Consenso de Washington. O chamado superávit primário (recursos públicos priorizados para o pagamento da dívida pública), que deveria ter fechado em R$ 168 bilhões no ano passado, por meio de uma série de manobras, fechou em menos de R$ 10 bilhões para desespero dos grandes banqueiros. O problema colocado reside em como espoliar ao máximo os trabalhadores sem provocar uma explosão social. E o PT cumpre um papel muito importante na contenção das massas. O problema é que a política assistencialista do PT, a necessidade de dar alguma resposta para os movimentos sociais e sindical representa um entrave para o aumento da velocidade dos ataques contra as massas.

A defesa cega do governo do PT, sem denunciar o ajuste contra os trabalhadores que está em marcha, faz parte da política de conciliação de classes, da capitulação à frente popular. A “defesa da governabilidade”, a “defesa da democracia”, que no Brasil não passa de um arremedo de democracia, sem lutar contra a política do ajuste imposta pelo imperialismo tem como objetivo encobrir o brutal ataque contra os trabalhadores que já está em marcha. O governo do PT pode não conseguir imprimir a velocidade que os monopólios precisam, mas desbrava o caminho para ataques em maior escala. O movimento operário e social não pode ser despertado sem denunciar os ataques, simplesmente fazendo conchavos com a burocracia sindical. É preciso defender a independência de classes, a necessidade dos trabalhadores se organizar, de maneira independente, contra os ataques da burguesia.

O fantasma do golpe militar, neste momento, é usado com o objetivo de encobrir a capitulação da frente popular à direita, o que representa uma traição aos interesses da classe operária.

Dizer que o ajuste é uma manobra da direita desarma a luta dos trabalhadores. A crise deve ser enfrentada por meio da luta nas ruas. A crise deve ser paga pelos capitalistas e não pelos trabalhadores. O governo Dilma é uma das engrenagens do ajuste e, conforme capitula à direita, se converte numa das principais engrenagens golpistas. Nada muito diferente do que tem acontecido em todos os golpes de estados, no Brasil e no mundo.

Sem uma política clara contra as capitulações da frente popular à direita não é possível nem sequer enfrentar o sucateamento da educação no Estado de São Paulo, onde mais de 200 escolas estariam ocupadas.

 

 

FUGA DE CAPITAIS NA CHINA E NO BRASIL

Marolinha e blindagem ou no olho do furacão?

CHINA FUGA DE CAPITAIS

De acordo com os últimos cálculos do Tesouro norte-americano, publicados no dia 19 de outubro, a fuga de capitais da China, neste ano, superou os US$ 500 bilhões apenas nos oito primeiros meses deste ano. Somente durante o turbilhão que fez a Bolsa de Xangai despencar em agosto, a fuga de capitais foi de US$ 200 bilhões.

A campanha imperialista sobre a subdevaluação do iuane foi deixada de lado devido aos próprios perigos que implicaria para a economia dos Estados Unidos uma desvalorização acentuada do iuane.

Para onde foram esses capitais?

Para a especulação financeira aberta, protegida diretamente pelos estados imperialistas. Ou para o “porto seguro” das dívidas públicas dos países imperialistas.

Por que?

Por causa do aumento da aversão ao risco às “vésperas” (*) de um gigantesco novo colapso capitalista mundial

(*) vésperas não significa amanhã, pois ninguém o sabe quando uma crise exatamente ocorrerá. Dois dias antes da quebra da AIG, a maior asseguradora do mundo, em 2008, ela detinha a nota máxima das agências de risco e tudo andava às mil maravilhas, supostamente.

NO QUE IMPLICA A FUGA DE CAPITAIS EN RELAÇÃO AO BRASIL?

  1. A crescente fuga de capitais da China implica, para o Brasil, que, como elo mais fraco dessa corrente, no futuro próximo, o país se encontrará ainda mais mergulhado na crise capitalista mundial.
  2. Assim que as taxas de juros aumentarem nos Estados Unidos, acontecerá uma brutal fuga de capitais do Brasil e dos demais países atrasados.
  3. A cotação do dólar irá disparar. A retirada do chamado “grau de investimento” pelas agências de risco levará a que os “fundos de investimentos” se retirem da especulação financeira no Brasil ou que passem a exigir taxas de lucro muito maiores.
  4. Os juros da dívida pública e a Selic deverão disparar.
  5. O aumento dos custos com as importações também irão disparar.
  6. O “modelo de desenvolvimento” baseado na exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas colapsou. A recessão industrial levará a crescentes déficits da balança comercial.
  7. A inflação caminhará rapidamente em direção à hiperinflação, junto com o desemprego.
  8. O imperialismo tentará impor novos planos de austeridade, ainda mais duros.

Neste momento, existe uma desescalação da agressividade imperialista devido à política da Administração Obama de apresentar a “direita tradicional” como uma alternativa para o regime político. Isto pode ser visto na Ucrânia e no Mar da China. Na América Latina, há uma desaceleração no ritmo golpista, que ficou evidente com as visitas do Papa, inclusive ao Equador em plena histeria golpista, e a desaceleração da direita golpista na Venezuela perante as eleições do dia 6 de dezembro. Na Colômbia os acordos com as FARC-EP foram acelerados.

Mas a política da “contrarrevolução democrática” de Obama somente se sustenta se apresentar resultados, em termos dos lucros dos monopólios. Com o aprofundamento da crise, a tendência é a de se impor uma política mais dura.

POR QUE ANGELA MERKEL ESTEVE NO BRASIL?

-ou-

O BRASIL A LEILÃO

0Recentemente, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, esteve em visita oficial e inesperada no Brasil. Em reiteradas ocasiões, Merkel declarou que a presidente Dilma Rousseff “é uma presidente reeleita legitimada pelas urnas”. Da comitiva, participaram ministros e secretários de estado. Qual foi o objetivo, portanto, da visita?

O imperialismo, por meio da direita que atua no Brasil, tem tentado impulsionar o impeachment do governo do PT perante a crescente dificuldade de vencer as eleições por meio dos mecanismos eleitorais tradicionais. As engrenagens golpistas são variadas e continuam em movimento, principalmente a partir da “República do Paraná”, a partir de onde a direita controla de perto as ações da Polícia Federal.

A reação do governo do PT está impregnada do cretinismo parlamentar, do crédito pio na “democracia burguesa” tupiniquim que o tem caraterizado e que passa, fundamentalmente, pela busca de reforçar os acordos com o imperialismo. A capitulação se deve ao medo a aprofundar o apoio nas massas, que seria a única maneira para se contrapor aos interesses do imperialismo.

A direita golpista tem reduzido a marcha golpista. O golpe militar não é uma ação linear, mas um processo com idas e vindas, onde a temperatura da situação política e a capacidade de reação das massas é avaliada a cada momento. A “situação ideal”, conforme o têm demonstrado os últimos golpes de estado sangrentos no Egito, na Ucrânia e na Tailândia, acontece quando os golpistas conseguem encenar o conhecido teatro das “massas nas ruas”, que chamam os golpistas a tomar o poder e que pegam todo mundo de calça curta com um golpe contra os “corruptos”. Mas o preço do fracasso de um golpe de estado para a burguesia é alto, conforme pode foi visto na Venezuela, onde, o fracasso do golpe militar contra Hugo Chávez, no início do ano passado, acelerou as tendências revolucionárias e a pressão das massas contra o regime. Não por acaso, os governos chavistas têm destinado em torno de 40% do orçamento público para programas sociais.

CAPITULAÇÃO E LEILÃO

A política do governo do PT, colocado contra as cordas pela pressão do imperialismo, tem se focado na tentativa de garantir novas concessões, embora que não na profundidade que a burguesia imperialista gostaria. Mesmo assim, o leilão do Brasil está em aberto.

Recentemente, a Administração Obama buscou estabelecer uma série de novos acordos, a partir da visita da presidente Dilma aos Estados Unidos, na tentativa de pôr em pé uma “nova era” de acordos econômicos com o Brasil, que passam pelo maior enfraquecimento do Mercosul e dos demais organismos nacionalistas na América Latina.

O imperialismo alemã tem buscado expandir a penetração além das fronteiras da Europa por causa da crescente queda dos lucros na região. Foram assinados em torno de 15 acordos com o governo brasileiro, nos setores de ciência, tecnologia e meio ambiente, que aumentaram a entrega de setores estratégicos brasileiros.

A Alemanha passará a participar da exploração de “terras raras”, que são um conjunto de 17 elementos químicos metálicos utilizados na indústria de ponta, como a produção de telefones celulares, catalizadores, super-imãs, painéis solares, supercondutores, aviação etc. Acordos similares foram estabelecidos com o Cazaquistão e a Mongólia.

Hoje, a produção ligada às terras raras é monopolizada pela China, que tem sido pressionada pela OMC (Organização Mundial de Comercio). No Brasil, a maior parte das terras raras se encontra na Amazônia. Isso explica que parte dos acordos tenham sido assinados sobre a retórica da “preservação da Amazônia”.

Em troca pela “ajuda” para explorar as terras raras, os alemães impuseram o fornecimento de petróleo a preços reduzidos. O objetivo é diminuir a dependência energética da Rússia.

PARCERIA MILITAR?

Um dos aspectos dos acordos que chama a atenção é a “cooperação” para a manutenção de equipamentos militares, tais como submarinos e blindados, e para participar de “missões de paz promovidas pelas Nações Unidas, assim como para desenvolver o trabalho na área de defesa cibernética e na troca de qualificação militar entre as respectivas forças armadas.

Este acordo representa um aumento das contradições da Alemanha com os Estados Unidos, principalmente quando levamos em conta a espionagem generalizada realizada pela NSA (Agência Nacional de Segurança), dos Estados Unidos, e o controle militar da região pelos norte-americanos.

Conforme a crise capitalista continua se aprofundando, aparecem novas e mais profundas rachaduras nos mecanismos de controle do sistema capitalista mundial. A partir do colapso capitalista de 2008, a contradição entre as potências imperialistas e as potências regionais disparou e levou até à formação de novos blocos que deixaram para trás contradições antigas. O caso mais emblemático e a aproximação entre a Rússia e a China, que controlam vários órgãos que representam ameaças para o domínio mundial pelo imperialismo.

Para o próximo período está colocado um novo colapso capitalista de proporções ainda maiores que os anteriores. Sobre esta base as contradições deverão continuar se desenvolvendo e colocando-se a política do “salve-se quem puder”.

A frente única colocada em pé a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, por meio da qual o imperialismo norte-americano impôs a sua hegemonia em escala mundial está com os dias contados.

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FILE - A handout picture dated 19 June 2013 shows US President Barack Obama talking to German Chancellor Angela Merkel (CDU) on the roof of the Federal Chancellery inBerlin, Germany. Merkel turns 60 on 17 July 2014. Photo: Steffen Kugler/Bundespresseamt/dpa