PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (6)

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A CRISE DO MERCOSUL

 

O aprofundamento da crise dos dois principais países do bloco, o Brasil e a Argentina, aumentará as rachaduras que têm se acentuado com a eleição de Maurício Macri na Argentina.

A América Latina foi atingida em cheio pelo aprofundamento da crise capitalista mundial. O imperialismo norte-americano impõe o aumento da espoliação dos recursos da região na tentativa de salvar os lucros dos monopólios. Os déficits públicos aumentaram de maneira acelerada. Os ataques contra os trabalhadores têm crescido e desgastado todos os governos. Esta é a base principal das derrotas eleitorais do kirchnerismo na Argentina.

O nacionalismo burguês tem buscado acordos com o imperialismo na tentativa de conter a crise. E o imperialismo tem tentado impulsionar a saída neoliberal. Mas se trata de um “neoliberalismo” de crise que nem sequer conseguiu colocar em pé a frente única que foi típica dos anos de 1990. A burguesia está dividida.

Manter os programas sociais nos níveis atuais é inviável por causa da queda dos recursos para sustenta-los. A aplicação das políticas neoliberais deve ser dosada por causa do período da aceleração do descontentamento social. Da mesma maneira, o Mercosul se encontra entre a espada e a parede. Como bloco tenta aumentar os acordos comerciais internos, mas, por causa da crise, precisa amplia-los para as demais potências. O problema é que os novos acordos abrem flancos e implicarão na entrega de setores estratégicos. Mas para onde correr? As alternativas são cada vez menores?

A tendência é ao aumento das tendências corrosivas no Mercosul a partir dos acordos com a União Europeia, os Estados Unidos e a Aliança Trans Pacífico. Mas essa tendência só poderá avançar de maneira contraditória, por meio de crises políticas e pelo surgimento de novos setores nacionalistas a partir do rompimento dos blocos atuais.

Na Argentina, as políticas neoliberais aplicadas pelo governo Macri tendem a entrar em crise rapidamente e a colocar o governo contra a parede conforme a crise continuar se aprofundando e deteriorando as condições de vida dos trabalhadores.

À já concedida isenção de impostos ao “agronegócio” e à entrega das reservas petrolíferas de Vaca Muerta aos monopólios norte-americanos, se somará o repasse de recursos para os fundos abutres, credores da dívida pública. O problema é que para viabilizar esses recursos o governo será obrigado a aumentar os ataques contra as massas.

A redução do gasto público será traduzido na redução dos gastos sociais e dos investimentos públicos.

O peso argentino continuará sendo desvalorizado, o que impulsionará a inflação a partir das importações. Por esse motivo, várias taxações aos produtos importados não poderão ser removidas.

Macri conseguirá manter, neste ano, o apoio da ala direita do kirchnerismo, principalmente dos governadores, e de outros setores do peronismo, como o liderado pelo ex candidato presidencial Sergio Massa, além de parte da burocracia sindical, como o ligado à central liderada por Moyano. Mas conforme a crise continuar avançando, principalmente, por causa da pressão internacional, a base de apoio ao governo deverá rachar.

Neste ano, a crise deverá criar o fermento para que se repita um novo Argentinazo no próximo ano.

Macri tentará avançar no sentido da aproximação com os Estados Unidos e a União Europeia em muito maior velocidade que os demais países do Mercosul. Mas devido à profundidade da crise e aos acordos já estabelecidos, a virada acontecerá de maneira gradual.

No Brasil, a nova equipe econômica, encabeçada por Barbosa, manterá a essência das políticas anteriores, do banqueiro Joaquim Levy. Essas políticas anti-povo, que buscam manter os lucros das grandes empresas, mantendo a estabilidade social, passam também pela maior aproximação com os Estados Unidos e a União Europeia. Mas o governo Dilma manterá a política geral em relação ao Mercosul que continua como destino importante das exportações brasileiras, mesmo apesar da crise na Argentina. A existência do Mercosul facilita os acordos de conjunto com outros blocos e instrumentos locais, como a União Euroasiática, a OCX (Organização de Cooperação de Xangai) e os bancos regionais.

A recessão industrial, o aumento do desemprego e da inflação acelerarão a política do “salve-se quem puder”. O Mercosul deverá se enfraquecer neste ano, mas ainda não morrerá.

No Uruguai, a crise continuará acelerando, com o crescente aumento da carestia de vida. O governo da ala direita da Frente Ampla, encabeçada pelo Dr. Tabaré Vázquez, tentará acelerar a aproximação com os Estados Unidos e a Europa. Sem conseguir romper com o Mercosul, procurará avançar em todos os sentidos possíveis, inclusive aderindo à nova política norte-americana da Aliança Trans Atlântica.

O certo sucesso da economia promovido em cima da depredação do país por meio do cultivo de soja transgênica e de eucaliptos, para alimentar as duas mega plantas industriais de celulose, continuará no centro da política econômica.

Todos os representantes do Mercosul concordaram na necessidade de avançar as relações com a China e a Rússia. Ao mesmo tempo, todos concordaram sobre a necessidade de ampliar os acordos comerciais com o maior número de países ou blocos.

A pressão da ala direita do bloco passa pela aproximação com a União Europeia, os Estados Unidos e a Aliança Trans Pacífico. Desta aliança participam o Chile, a Colômbia, o México e o Peru, enquanto a Costa Rica e o Panamá solicitaram a adesão. A Argentina e o Uruguai encabeçam a pressão nesse sentido, mas os demais integrantes do Mercosul passaram a flexibilizar as posições.

VEJA TAMBÉM:

PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL

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PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO

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PARTE 3 – A EUROPA

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PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA

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PARTE 5 – A RÚSSIA

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PARTE 6 – A CHINA

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PARTE 7 – A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA

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PARTE 8 – O JAPÃO

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PARTE 9 – OS ESTADOS UNIDOS

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (1)

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (2)

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (3)

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (4)

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (5)

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (5)

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O AVANÇO DA TTP (ALIANÇA TRANS PACÍFICO)

No Peru, da mesma maneira que acontecerá com o Chile, a queda dos preços do cobre, impactará em cheio a economia, mas conseguirá ser assimilada sem desestabilizar o regime. Nas eleições que acontecerão no mês de abril, a direitista Keiko Fujimori enfrentará os candidatos Alan García, Alejandro Toledo e Pedro Pablo Kuczynski. O imperialismo pressionará pela vitória de Fujimori, mas a vitória de nenhum desses candidatos impactará o papel do Peru como instrumento da TPP (Aliança Trans Pacífico) e a crescente aproximação com os Estados Unidos.

O Chile é um instrumento da TPP, junto com o Peru, a Colômbia e o México. Impactado em cheio pela queda dos preços do cobre, o governo da Concertación tende a entrar em crise neste ano ou no próximo. As medidas tomadas para conter os protestos estudantis implicam no repasse de recursos para os vampiros da educação, por meio de vários tipos de bolsas e subsídios, e, com a queda dos recursos públicos, será difícil de ser sustentado. A agressividade do “agronegócio” e das madeireiras aumentará, o que deverá provocar a retomada da crise com os indígenas, principalmente os Mapuches.

A TPP deverá provocar o aumento do comercio, o que permitirá controlar os protestos dos trabalhadores portuários, pelo menos durante um período. As políticas neoliberais, que fazem parte do estado chileno e que foram implantadas durante a ditadura do General Pinochet, serão aprofundadas. No médio prazo, provocarão uma perda ainda maior da soberania nacional e a deterioração das condições de vida da população.

A direita chilena não conseguirá se reorganizar, em vista a substituir a Concertación, neste ano.

A pressão do imperialismo avançará no sentido de reduzir os controles e a soberania dos países da região por meio da TPP e de outros mecanismos. O ingresso dos países da América Central da TPP já está sendo tramitado.

A TPP também será utilizada como um mecanismo para reduzir a crescente influência da China na América Latina.

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PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL

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PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO

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PARTE 3 – A EUROPA

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PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA

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PARTE 5 – A RÚSSIA

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PARTE 6 – A CHINA

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PARTE 7 – A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA

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PARTE 8 – O JAPÃO

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PARTE 9 – OS ESTADOS UNIDOS

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O MÉXICO: A CRISE DA “NOVA DIREITA RECICLADA”

 

No México, a crise continuará avançando em cima da queda dos preços do petróleo e da crise das “maquiladoras”, as manufaturas orientadas às exportações com destino aos Estados Unidos. A crise do governo Peña Nieto não será superada. O governo continuará semi paralisado e não conseguirá aprovar a entrega do setor elétrico aos monopólios nem a privatização da educação pública, apesar de que as próximas eleições acontecerão somente em 2018.

Após o desgaste da direita agrupada no PAN (Partido de Ação Nacional), que deu lugar a uma direita reciclada a partir do PRI (Partido Revolucionário Institucional), encabeçada por Peña Nieto, imposta de maneira fraudulenta a partir dos Estados Unidos, é bem provável que o se abra espaço para a esquerda burguesa encabeçada pelo novo partido do eterno candidato fraudado, López Obrador, e pelo antigo partido de López Obrador, o PRD.

A enorme crise levará à ascensão do movimento operário, mas a categoria dos professores, que foi o setor que, em 2014 e 2015, esteve à frente da luta contra as políticas neoliberais de Peña Nieto, perderá fôlego em 2016 devido à redução dos novos ataques diretos pelo governo.

A violência promovida pelos carteis mexicanos, já muito fragmentados, continuará muito forte, principalmente nas regiões próximas à fronteira com os Estados Unidos, no nordeste do país, como nos estados de Tamaulipas, Nuevo León, Sinaloa e Baja California Sul, além de Veracruz, Michoacan, Guerrero e Jalisco, localizados nas regiões centrais. Os abusos do governo, além do chamado estado de direito, continuarão no centro da atuação policial.

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (3)

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A COLÔMBIA: PONTA DE LANÇA DA DIREITA NA AMÉRICA DO SUL

 

Na Colômbia, o governo de Juan Manuel Santos, conseguirá manter a estabilização nos principais centros urbanos a partir dos recursos provenientes da abertura de novos centros de exploração para a mineração e do “agronegócio” por meio dos acordos de paz com as guerrilhas. O acordo com as FARC-EP será assinado em março. As negociações com o ELN já começaram e mesmo não chegando a serem concluídas deixarão o governo com muito mais poder de manobra para concentrar as operações militares nas regiões onde o ELN atua, que são muito reduzidas na comparação com as que as FARC-EP controlam.

No campo, haverá uma certa bonança parcial, em algumas regiões, pelo menos neste e no próximo ano, a partir dos novos investimentos que serão realizados pelas grandes empresas. As novas matérias primas produzidas ajudarão a compensar a queda dos preços do petróleo e das demais matérias primas das quais a Colômbia depende. O turismo, que tem crescido em ritmos muito superiores aos da região, acelerará ainda mais.

A estabilização do país tende a entrar em crise em 2017 e 2018 devido à escassez de recursos para aplicar as reformas sociais acordadas com as guerrilhas, principalmente a reforma agrária. A paz significará o fim da guerra civil, mas haverá a tendência ao surgimento de novos grupos ligados ao crime a partir da desmobilização das bases desses grupos guerrilheiros. As direções terão dificuldades para controla-las e o governo para enquadra-las aos acordos, enquanto os cartéis e as bandas criminais tenderão a coopta-las.

O cartéis colombianos, ligados ao narcotráfico, continuarão com o baixo perfil que os têm caraterizados desde a década de 1990, com a fragmentação dos carteis de Cali e Medellín, principalmente, e diretamente ligados a grandes capitalistas e aos principais partidos políticos, principalmente à U do ex presidente e atual senador Álvaro Uribe.

A direção das FARC-EP e, posteriormente, a do ELN deverão seguir um caminho parecido com as anteriores desmobilizações que deram lugar ao Polo Democrático, uma frente de esquerda de cunho socialdemocrata. O Polo chegou a controlar a prefeitura de Bogotá, a capital do país, durante duas gestões; foi derrotado nas eleições do ano passado. Em contrapartida, os movimentos sociais tenderão a entrar em movimento, principalmente no campo. Da mesma maneira, o movimento sindical deverá entrar em movimento, principalmente, no setor do petróleo e do transporte.

A Colômbia continuará representando a ponta de lança da direita na América do Sul. A paz social e o Plano Colômbia, com sete bases norte-americanas no território, continuarão como elementos chaves de pressão, em primeiro lugar, contra os governos nacionalistas.

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PARTE 8 – O JAPÃO

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PARTE 9 – OS ESTADOS UNIDOS

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (2)

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (2)

 

VENEZUELA ELEICOES7

A CRISE DO “BOLIVARIANISMO”

 

A Venezuela conseguirá pagar os US$ 16 bilhões da dívida pública que vencerão em 2016, mas os problemas econômicos, sociais e políticos se agravarão. O governo chavista, liderado pelo presidente Nicolás Maduro, continuará manobrando para evitar a implosão do chavismo, ao mesmo tempo que tenderá pontes de entendimento com a direita, tal como aconteceu no último pronunciamento de Maduro na Assembleia Nacional, dominada pela direita, com a nomeação de Aristóbulo como vice-presidente da República, com a nomeação de elementos vinculados diretamente à direita na última reforma ministerial e com a redução do poder do ex presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello.

A direita, unificada na MUD (Mesa da Unidade Democrática), liderada pelo Partido Justiça, de Hugo Capriles, continuará evitando o confronto direto com o chavismo devido ao temor das massas, dos movimentos sociais, que, em grande medida, estão armados, e da ala esquerda do chavismo. A tendência é ao acordo entre a direita e a ala direita do chavismo.

A queda dos preços do petróleo colocou em xeque o orçamento público e a viabilidade de conter a inflação galopante sem atacar em cheio à população por meio de um ajuste. Conforme a economia continuar saindo de controle e o desabastecimento não conseguir ser resolvido, o chavismo deverá rachar, com a ala esquerda se radicalizando. O movimento operário também deverá entrar em movimento, principalmente no setor petrolífero, impulsionado pela pressão dos movimentos sociais, conforme os ataques contra os direitos trabalhistas e à piora das condições de vida acelerarem.

A direita evitará chamar o referendo revocatório, priorizando o entendimento com o governo. Mas, se o plano emergencial por 60 dias, implementado pelo governo, fracassar, o que é o mais provável, o referendo poderá ser chamado. Se Maduro for derrotado e forem chamadas novas eleições, ainda no primeiro trimestre, a direita ficará com o “pepino na mão” de aplicar o plano de ajuste com um chavismo ainda relativamente forte. Uma alternativa mais “suave”, a la Obama, seria esperar as eleições para governadores que acontecerão neste ano e, dependendo dos resultados das eleições presidenciais nos Estados Unidos e do aprofundamento da crise, o estado de espera e do desgaste do chavismo poderia ser estendido até as eleições presidenciais de 2018. Até lá, a direita buscaria se fortalecer no interior do governo e principalmente controlar os mecanismos colocados em pé, em boa medida com o apoio dos assessores cubanos, como a GNB (Guarda Nacional Bolivariana), o Exército, que foi, em grande medida, expurgado de elementos golpistas, os Coletivos e as milícias.

Alguns programas por meio dos quais o chavismo estendia a influência sobre a região serão ainda mais reduzidos. Este é o caso da PetroCaribe e da Alba. A redução do petróleo subsidiado aumentará as dificuldades na Nicarágua e em Cuba. Este último poderá também perder um importante número de médicos e assessores que atuam no país. Por este motivo, tentará avançar, ainda mais de presa, nos acordos com os Estados Unidos e em projetos com os chineses e o Brasil, como o Porto Mariel.

O Equador seguirá na linha de frente da crise na América Latina por causa da queda dos preços do petróleo, que representa mais de 40% da economia. O partido do presidente Rafael Correa, Alianza País, continuará controlando o cenário político. Apesar de Correa não poder se candidatar para as eleições nacionais de 2017, ele continuará como o homem forte do país e indicará o sucessor, podendo retornar em 2021. A direita neoliberal, encabeçada pelo banqueiro Guillermo Lasso, terá dificuldades para manter a unidade e deverá ser derrotada em 2017, mas manterá o peso político por meio do controle das prefeituras das principais cidades, que aconteceu nas eleições municipais de 2014, e por meio do avanço na representação legislativa. A esquerda socialdemocrática e indigenista continuará como um componente intermediário enquanto a situação política tenderá a se polarizar entre Alianza País e a direita.

A Bolívia enfrentará a queda dos preços do estanho e do gás que deverão enfraquecer os mecanismos de controle que permitiram que o governo de Evo Morales controlasse a COB (Central Obrera Boliviana) e as organizações camponesas dissidentes, nos últimos três anos, após terem escapado do controle em 2009 como consequência do colapso capitalista de 2008. O governo sairá vitorioso no referendo para aprovar a eleição indeterminada aos órgãos executivos, a partir de 2019, que acontecerá neste ano. A direita não conseguirá se estruturar para promover uma ação coordenada, como as de 2008, que levaram a fortes movimentos separatistas em vários departamentos.

 

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (1)

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (1)

 

Estados Unidos

Obama

A recessão continuará avançando na América Latina, em 2016, a passos largos, devido à forte queda dos preços das matérias primas no mercado mundial e à queda do consumo nos países desenvolvidos.

Os governos de cunho nacionalistas enfrentarão crescentes dificuldades para manter os programas sociais e o investimento público. A mesma dificuldade será enfrentada pelos governos direitistas, como o México, a Colômbia e a Argentina.

O endividamento público continuará acelerando por causa do aumento do aperto dos monopólios, principalmente dos monopólios norte-americanos. O aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, o fortalecimento do dólar e os ataques promovidos por meio das agências qualificadoras de riscos dificultará a captação de divisas para pagar os vencimentos. Os governos serão obrigados a acelerar as emissões de títulos públicos, o que gerará um alto impacto inflacionário, e até a retomar os empréstimos dos órgãos controlados pelo imperialismo, como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.

O endividamento privado gerará altos níveis de inadimplência como efeito da política de inundação de crédito que foi aplicada a partir de 2009 na tentativa de conter o impacto do colapso capitalista de 2008. As grandes empresas privadas serão impactadas em cheio devido à necessidade de pagar as dívidas que contraíram, em dólares, no contexto da desvalorização das moedas locais.

Setores chaves da economia serão entregues para o controle direto dos monopólios.

A pressão imposta pela Administração Obama fortalecerá a nova direita neoliberal reciclada, a la Macri, em detrimento dos setores de cunho nacionalista que perderão fôlego devido à perda de recursos para colocar em pé os programas de controle social. Essa direita começará a entrar em crise na Argentina e no México, da mesma maneira que aconteceu com o governo de Sebastián Piñeira no Chile, mas ainda conseguirá manter uma certa estabilidade na Colômbia. Um novo colapso capitalista, ainda pior que o de 2008, que poderá acontecer em 2017 ou 2018, deverá levar à crise dessa nova direita e dos governos nacionalistas atuais. A classe operária deverá entrar em movimento e uma nova onda nacionalista, ainda mais radical, deverá aparecer, com o objetivo, em última instância, de conter essa ascensão.

Os resultados das eleições norte-americanas, que acontecerão no final deste ano, impactarão em cheio o desenvolvimento da situação política na América Latina. Se a direita “cachorro louco” vencer, a direita latino-americana abertamente golpista ganhará um novo fôlego. Se a direita tradicional, a la Hillary Clinton, vencer, as manobras continuarão no centro da política imperialista, pelo menos até quando o desenvolvimento da crise capitalista e o grau de resistência das massas o permitirem.

A Aliança Trans Pacífico (TPP) continuará como uma política prioritária dos Estados Unidos para a região. O objetivo continuará sendo facilitar o controle das riquezas da região pelos monopólios e debilitar os mecanismos de controle, embora fracos, reduzindo a já convalidada soberania dos países da região.

VEJA TAMBÉM:

PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/

PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-2/

PARTE 3 – A EUROPA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/

PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-4/

PARTE 5 – A RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/02/previsoes-para-2016-parte-5/

PARTE 6 – A CHINA

http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-6/

PARTE 7 – A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-7/

PARTE 8 – O JAPÃO

http://alejandroacosta.net/2016/01/11/previsoes-para-2016-parte-8/

PARTE 9 – OS ESTADOS UNIDOS

http://alejandroacosta.net/2016/01/13/previsoes-para-2016-parte-9/

CRISE NA AMÉRICA LATINA: MAIS NEOLIBERALISMO?

 

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Maurício Macri, o presidente argentino eleito, tem feito vários chamados à presidente Dilma para avançar nas reformas. Deixando de lado certo exageros de lado, como os ataques muito abertos contra os trabalhadores ou a exclusão da Venezuela do Mercosul, ambos concordam na necessidade de realizar reformas.

Os governos latino-americanos de conjunto enfrentam o acelerado aprofundamento da crise capitalista. E a única “saída” possível, dentro dos marcos do aperto da espoliação imperialista, é mais do mesmo velho “neoliberalismo”. Por que?

O capitalismo não conseguiu colocar em pé uma nova política, alternativa ao neoliberalismo, após o colapso de 2008, da mesma maneira que o tinha feito na década de 1980, após o colapso do chamado “keynesianismo” (gastos públicos em larga escala), que tinha levado os cofres públicos à exaustão. O keynesianismo tinha promovido enormes gastos públicos com o objetivo de conter o desenvolvimento das tendências revolucionárias que tinham crescido com a Segunda Guerra Mundial. A “saída” para a crise foi uma espécie de keynesianismo invertido, só para beneficiar os grandes capitalistas, implodindo o chamado “estado de bem estar social”.

Com o aprofundamento da crise capitalista, já na década de 1990, as tendências nacionalistas se desenvolveram nos países atrasados. Mas também os governos nacionalistas (ou semi nacionalistas) não conseguem colocar em pé outra política devido a que dependem do controle do sistema capitalista mundial pelos monopólios.

 

AS DUAS POLÍTICAS DA BURGUESIA NA AMÉRICA LATINA

 

Maurício Macri e Dilma/ Kirchner têm contradições em relação à intensidade da implantação das “reformas”. Mas ambos setores da burguesia concordam em que as “reformas”, que equivalem a mais “neoliberalismo”, são necessárias.
Por esse motivo, é bem provável que o Mercosul avance rumo à implosão. O primeiro passo, será o acordo de livre comercio com a União Europeia. O segundo passo, um acordo similar com os Estados Unidos. A seguir, um acordo com a Parceria Trans Pacífico, controlada pelos Estados Unidos. Depois, ou em paralelo, a imposição de um novo governo neoliberal no Brasil. Por último, a implosão do Mercosul e dos demais organismos regionais que, em alguma medida, fogem ao controle imperialista direto.

Conforme a crise avança, as tendências nacionalistas se desenvolvem impulsionadas pela radicalização das massas. Para o próximo período, os governos semi nacionalistas, que governam diretamente com setores da direita, como acontece no Brasil ou na Argentina, não conseguirão conter a ascensão dos trabalhadores.

O chavismo é uma amostra das concessões que a burguesia nacional foi obrigada a fazer para conter o processo revolucionário. Nada menos que 40% do orçamento público é destinado aos programas sociais. Agora o imperialismo impulsiona a derrubada do chavismo, ou, pelo menos, a formação de um governo onde a direita passe a deter um controle maior do estado. Mas em que medida esse novo governo conseguirá controla as massas?

A política Obama, da contrarrevolução democrática, não será suficiente para controlar as massas, pois as políticas neoliberais tendem a aprofundar a crise, como o mostram as experiências direitistas do Chile (Sebastián Piñeira) e do México (Peña Nieto).

A evolução para uma política de força seria o natural do imperialismo. Mas sem uma base econômica as contradições sociais tendem a se acirrarem. Por esse motivo, é possível a política golpista do imperialismo acabe impulsionando uma nova onda de nacionalismo burguês a la Chávez que, nas condições de crise enfrentará enorme dificuldades para manter o colchão de controle social.

Aparece no horizonte um novo colapso capitalista de gigantescas dimensões nos países centrais. Esta é a base que acordará a classe operária mundial do longo sono neoliberal. A revolução ficará colocada à ordem do dia não mais em países atrasados, mas nos países mais desenvolvidos. Esta é a base que possibilitará a expropriação do punhado de parasitas que domina o mundo.