PORQUE OBAMA (KERRY) VOLTA À RÚSSIA?

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Nos próximos dias, o secretario do Departamento de Estado, o chefe da diplomacia, dos Estados Unidos visitará novamente a Rússia, onde se encontrará com o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, e com o presidente Vladimir Putin.

Agora a discussão será sobre as negociações de paz na Síria. A “oposição” síria ligada à Arábia Saudita, a melhor financiada, concordou em ir à mesa de negociações. Esse era o objetivo dos Estados Unidos (ala Obama), da Rússia e do Irã. A questão da Ucrânia, que também será tratada na visita de Kerry, passa por aparar as arestas em relação ao vencimento da dívida dos US$ 3 bilhões que o governo ucraniano deve à Federação Russa, e que Poroshensko pretende dar um calote com a ajuda do FMI.

A primeira visita de John Kerry à Rússia aconteceu no mês de junho passado, quando foi estabelecido o acordo para que os russos atuassem na Síria. Naquele momento, Obama estabeleceu as bases para a estabilização do Oriente Médio. O problema é que essas bases passavam pela aliança com inimigos tradicionais dos Estados Unidos, passando por cima dos aliados tradicionais, em primeiro lugar, a Arábia Saudita e Israel.

Os russos apertaram os ataques aéreos enquanto o Exército sírio avançava por terra com o apoio do Hizbollah (a poderosa milícia libanesa), as milícias xiitas e as forças especiais iranianas, os Quds.

A pressão do Obama se direcionava contra as “loucuras” dos aliados tradicionais que estavam incendiando o Oriente Médio em cima do apoio a vários dos “grupos rebeldes”, a começar pelo Estado Islâmico.

A posição do governo norte-americano e da União Europeia após a derrubada do SU-24, o bombardeiro russo, por caças turcos confirmou a existência desses acordos. A Turquia é um membro da OTAN. O governo da OTAN tentava atrair a OTAN contra a Rússia com o objetivo de proteger os próprio “rebeldes”, reduzir a influência dos curdos na fronteira e projetar o próprio poder na região por causa da necessidade imperante de manter e ampliar a política da Turquia como intermediária no transporte do gás à Europa.

 

OS SAUDITAS ADEREM À POLÍTICA DE OBAMA NA SÍRIA?

 

Recentemente, os “rebeldes” que se reuniram na Arábia Saudita criaram um Conselho de Negociação para negociar com o governo sírio. Apesar de terem colocado como condição principal que o presidente al-Assad não participe do governo transitório, houve uma mudança em relação às posições anteriores em que os sauditas adiaram de todas as maneiras possíveis o início das negociações. O objetivo era fortalecer os próprios rebeldes e chegar à mesa de negociações em condições mais favoráveis.

Com o fortalecimento das posições do governo al-Assad e o enfraquecimento dos rebeldes, parece que foi atingido o ponto de ir à mesa de negociações. A política exterior também entrou num pântano no Iêmen e começa a avançar nas regiões do sul do país habitadas majoritariamente por xiitas.

Os sauditas representam a ala “cachorro louco” das potências regionais, ligada diretamente à ala de extrema direita dos Estados Unidos. Eles não estão satisfeitos com Obama, da mesma maneira que os sionistas israelenses também não o estão. Mas fazer o que? Obama colocou pontos vermelhos, que não podiam ser ultrapassados, como por exemplo o envio de mísseis TOW, terra ar, que tinham o potencial de criar sérios problemas para a aviação russa.

A política Obama avança também na América Latina, onde conseguiu impor Macri na Argentina e a vitória da direita na Assembleia Nacional venezuelana. Mas se trata de uma política transitória, pois a crise se aprofunda e as contradições tendem a se acirrarem no próximo período.

 

U.S. Secretary of State John Kerry steps out of a plane upon arrival at Le Bourget airport in the outskirts of Paris, France

U.S. Secretary of State John Kerry steps out of a plane upon arrival at Le Bourget airport in the outskirts of Paris, France December 7, 2015. Kerry is due to attend the last phase of the World Climate Change Conference 2015 (COP21). REUTERS/Mandel Ngan/Pool

 

 

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RÚSSIA/ TURQUIA, POR TRÁS DA RETÓRICA,

A POLÍTICA DO “SALVE-SE QUEM PUDER”

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Os ataques da aviação russa na Síria têm como objetivo fortalecer as posições do governo de al-Assad para pressionar no sentido de uma saída negociada. A Rússia não tem condições de controlar a Síria com as próprias forças, pois entraria em rota de coalisão com as demais potências regionais e com o imperialismo. Mas, a partir do enclave criado nas províncias de Latákia e Tartus, as regiões habitadas pela minoria alawita que está no poder, os ataques avançaram sobre as regiões vizinhas.

A aviação russa tem possibilitado o avanço do Exército sírio, apoiado pelas milícias xiitas, controladas pela Guarda Revolucionária Islâmica iraniana, e o Hizbollah, a poderosa milícia libanesa, nas estratégicas províncias de Idlib e Aleppo, e sobre o coração do Califato do Estado Islâmico, Raqqa e Deir el-Zour. Localidade onde os “rebeldes” avançavam foram retomadas. Após dois anos, o Exército conseguiu controlar Sweida e a sitiada base aérea de Kweiris, na região oriental de Aleppo. Na região central da Síria, unidades de artilharia russas teriam ajudado na retomada de Mahin, que se encontrava sob controle do Estado Islâmico e estariam atuando na retomada de outros povoados, como Jabal Zuwayk, em Latákia. A ofensiva sofreu alguns revezes no norte de Hama, mas continua avançando em quase todas as frentes.

Em paralelo, os Estados Unidos têm atuado estreitamente com o YPG curdo, que passou a fazer parte da frente Forças Democráticas Sírias, que inclui também a Coalisão Árabe Síria, assírios e turcomenos. O governo turco tenta desesperadamente controlar uma faixa fronteiriça do território sírio e colocar os curdos na defensiva.

O envolvimento dos russos e do Irã na Síria, e mais recentemente dos chineses, tem limitações. A resistência dos “rebeldes” apoiados pelas potências regionais e pelo imperialismo tem obrigado a aumentar o envolvimento militar, colocando o risco do fantasma da derrota russa no Afeganistão. Por esse motivo, a política de Putin e dos aiatolás iranianos é conseguir uma saída negociada o mais rápido possível.

 

A QUESTÃO CURDA

 

O grupo “rebelde” preferencial do governo turco agora é o chamado Exército Sírio Livre, onde atuam milicianos de origem turco financiados pelo governo. O principal objetivo está relacionado com a contenção das milícias curdas do YPG e, principalmente, com uma eventual evolução no sentido da formação de um estado curdo. Os curdos turcos do PKK (Partido dos Trabalhadores) controlam a Província da Anatólia Oriental que é um dos componentes centrais do fornecimento de gás para a Europa.

A política da criação de uma zona de controle do espaço aéreo sírio na região foi implodida pela intervenção da aviação russa.

A derrubada do caça russo teve como objetivo criar um fato consumado para a Turquia avançar no controle do norte da Síria contra os curdos que têm se convertido num dos componentes em solo da “guerra contra o Estado Islâmico”. Com esse objetivo, criaram um fato consumado na tentativa de arrastar os Estados Unidos e a OTAN, contra a política da aliança com a Rússia que a Administração Obama colocou em pé.

Se trata de uma política arriscada, pois entra em conflito com a política da Rússia e, em certa medida, com a dos próprios Estados Unidos. Mas, conforme a crise tem se aprofundado, a política do “salve-se quem puder” passa a ocupar a linha de frente do cenário político. Erdogan acabou de sair triunfante da escalada da política militarista contra o PKK (Partido dos Trabalhadores curdos na Turquia), cancelando a trégua, com o objetivo de criar um clima de terror e facilitar a vitória, por maioria, do partido no governo, o AKP, nas novas eleições nacionais, que aconteceram no início de novembro, com este objetivo.

Os curdos iraquianos, os pershmergas, tem atuado com o apoio norte-americano numa grande ofensiva contra o Estado Islâmico a partir de Mosul em direção à fronteira síria. O Curdistão iraquiano mantém relações estreitas com o imperialismo norte-americano, os sionistas israelenses e com a Turquia.

 

O GÁS DO MAR CÁSPIO

 

Perante o acirramento das contradições pelo negócio do fornecimento de gás para a Europa, o gasoduto Trans-Cáspio voltou a ser colocado à ordem do dia para desespero dos russos. Se trata de 300 quilômetros que deverão unir o porto Turkmenbashi (Turcomenistão) e Baku (Azerbaijão). Com capacidade para o transporte de 30 bilhões de metros cúbicos (bmc), o próximo destino seria a Turquia, passando pela Geórgia, de onde chegaria à Europa.

Os interesses russos foram colocados em xeque, pois aos atuais 4,7 bmc que o Azerbaijão já transporta, ainda deverão ser adicionados 10 bmc em 2018, a partir do campo Shah Deniz II.

O fornecimento dos Balcãs e da Europa Oriental com gás do Azerbaijão e do Turcomenistão, por fora do controle da Gazprom, o gigante russo do setor, enfraqueceria o poder russo na região abrindo passo para uma maior escalada da agressividade militar da OTAN por meio desses países.

Por meio do aumento da pressão, mediante vários mecanismos econômicos e militares, o governo russo conseguiu afastar o Turcomenistão dessa política e envolver o países no direcionamento do gás para a Rússia e a China. Além disso, o governo do Irã está alinhado com essa política. Não por acaso, os 26 mísseis de longo alcance que a Marinha russa disparou contra o Estado Islâmico tiveram como origem a Frota do Mar Cáspio e sobrevoaram o Irã, com a permissão do regime dos aiatolás.

O governo turco de Recep Tayyip Erdogan tem tentado se contrapor à política russa no Mar Cáspio. No início de novembro, Erdogan esteve em Ashgabat, a capital do Turcomenistão, com o objetivo de assinar acordo de fornecimento de gás natural, apesar de não ter especificado como o gás seria transportado. Duas semanas depois, o presidente da empresa estatal de petróleo do Azerbaijão declarou, em visita ao Turcomenistão, que o governo estaria preparado para investir no gasoduto Trans-Cáspio.

A Turquia, que mantém proximidade nacional sobre esses países, busca se favorecer do aumento das contradições da Rússia com várias das antigas repúblicas soviéticas, enquanto a Rússia tem direcionado o grosso dos negócios para a China.

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POR QUE A TURQUIA DERRUBOU O CAÇA RUSSO?

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No dia 24 de novembro, um caça russo SU-24 foi derrubado perto da fronteira Síria-Turquia por dois caças turcos F-16 que teriam usado mísseis ar-ar. Os dois pilotos russos saltaram e acabaram sendo, provavelmente, mortos por grupos “rebeldes” em território sírio.

De acordo com a versão oficial turca, o caça teria sido avisado dez vezes antes de ser abatido. O governo russo declarou possuir evidências de que se encontra em território sírio a seis mil metros de altura.

Desde o começo das operações da Rússia na Síria, tinham sido feito acordos com a Turquia, os Estados Unidos, Israel, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos com o objetivo de evitar o confronto militar.

O governo turco, ao invés de buscar um entendimento imediato com os russos, chamou uma reunião em caráter de urgência com a OTAN. Até o momento, as retaliações foram preventivas. O governo do presidente Vladimir Putin suspendeu a colaboração militar com a Turquia, foi anunciado que o sistema anti-mísseis S-300 será atualizado para o padrão S-400 na base aérea de Khmeimim e todos os ataques aéreos passarão a contar com cobertura aérea por aviões de combate. Os canais diplomáticos continuam aberto no primeiro escalão dos ministérios das Relações Exteriores.

 

A FRENTE ÚNICA DE OBAMA COM PUTIN

 

A Síria tem um enorme potencial de contágio desestabilizador no Oriente Médio. A presença militar da Federação Russa na Síria data de várias décadas atrás, da época da antiga União Soviética. A Rússia possui no porto de Tartus, localizado ao norte do Líbano, a única base naval no Mar Mediterrâneo. Assim que os “rebeldes”, financiados pelo imperialismo e a reação, conseguiram infiltrar e controlar os protestos de massas que estouraram há quatro anos, os russos e o Irã passaram a atuar na defesa do governo al-Assad. Mas o ponto de virada aconteceu em junho deste ano.

O secretario do Departamento de Estado norte-americano esteve no balneário de Sochi, localizado no sul da Rússia, onde manteve encontros de primeiro nível. O objetivo foi colocar em pé uma frente única com o objetivo de estabilizar a Síria e evitar que se convertesse numa nova Líbia ou Somália. Em contrapartida a Administração Obama desescalou as tensões na Ucrânia, no Mar do Sul da China e na América Latina. Essa política acabou aumentando as tensões com os aliados tradicionais do imperialismo, a começar com Israel e a Arábia Saudita e reflete o grau de crise. Para estabilizar a situação, os Estados Unidos precisaram se aliar com inimigos tradicionais.

Obama encabeça a direita tradicional nos Estados Unidos que disputa com a direita truculenta a política a ser implementada no próximo período, com o objetivo de enfrentar o inevitável aprofundamento da crise capitalista. Os cinco debates dos pré-candidatos do Partido Republicano às eleições presidenciais que acontecerão no próximo ano oferecem uma amostra da política da ala direita do imperialismo. Guerra, inclusive atômica, contra o Irã. Guerra contra a Rússia. Guerra contra a China.

 

AS RELAÇÕES RÚSSIA – TURQUIA

 

As relações entre os governos Putin e Erdogan tem evoluído positivamente no último período. A Turquia, apesar de ser um membro da OTAN, tem mantido uma relação ambivalente com os Estados Unidos e a Europa. A Rússia tem buscado influenciar essas relações desenvolvendo as relações comerciais energéticas, que representam o principal componente da política econômica turca após a crise da indústria têxtil que estourou a partir de 2008. O gasoduto SouthStream foi desviado, no Mar Negro, da Bulgária para a Turquia para driblar as regulamentações da União Europeia relacionadas com o monopólio da Gazprom, o gigante do gás russo, no fornecimento de gás.

A saída da Frota russa do Mar Negro depende do Estreito de Bósforo, que é controlado pela Turquia.

As relações entre a Rússia e a Turquia começaram a entrar em rota de colisão com a escalada da intervenção russa na Síria. A Turquia depende do controle da região para viabilizar a própria política. O lucrativo e disputado fornecimento de gás à Europa, com a perspectiva da Turquia se converter num nó (hub) depende dessa política. Está em jogo não somente o transporte do gás russo, mas também do gás do Catar, Irã, Azerbaijão, Turcomenistão e até do Líbano e Israel.

A Rússia também tem pretensões de potência regional e depende do sucesso da intervenção na Síria para aumentar o mercado de armas no Oriente Médio e no mundo, reduzir as sanções relacionadas à Ucrânia, disputar o mercado de fornecimento de gás e de energia nuclear na região. Além disso, há a questão dos grupos guerrilheiros financiados pelas monarquias do Oriente Médio que podem começar a atuar no Cáucaso, nas repúblicas da Ásia Central e no sul da Rússia (Tchetchênia e Daguestão) no caso do governo sírio colapsar.

O governo turco, encabeçado pelo primeiro ministro Erdogan, tem impulsionado os próprios “rebeldes” com o objetivo de conter o avanço dos curdos e de aumentar a própria influência na região. O Estado Islâmico tem sido um dos principais favorecidos por meio da facilitação de rotas logísticas e para a comercialização do petróleo que eles controlam. A mesma política tem sido aplicada pela Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, e, em alguma medida, pelo Catar e o imperialismo.

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SÍRIA – QUEM SÃO OS MEUS “TERRORISTAS” FAVORITOS?

 

-ou- “Guerra Contra o Terror 2.0”

SÍRIA0

Os ataques terroristas que aconteceram em Paris colocaram, novamente, à ordem do dia a histeria da “Guerra Contra o Terror”, no melhor estilo dos “neo-conservadores” da Administração George Bush Jr.

A “Guerra contra o Terror” tem como verdadeiro objetivo criar o clima político favorável para avançar contra os direitos individuais e democráticos que ainda restam, para atacar os direitos trabalhistas e avançar com “planos de austeridade” ainda mais duros , e aumentar a agressividade militar. Essa política representa uma imposição dos monopólios que buscam desesperadamente conter a queda dos lucros. Todos os setores políticos integrados ao regime burguês concordam, em alguma medida, em aplicar essas políticas. Mas, obviamente, o setor que naturalmente teria melhores condições para aplica-las seria a extrema direita que, não por acaso, cresce em todo o mundo.

Os atentados de Paris abriram caminho a uma nova onda da “Guerra Contra o Terror”. O crise capitalista se aprofunda a passos largos na Europa e no mundo. As contradições entre as potências se aceleraram. Na França, a economia apresenta claros sinais de esgotamento. No aliado mais estreito, a Alemanha, a indústria entrou em recessão, os principais bancos enfrentam uma situação muito crítica e a principal empresa industrial do país, a Volkswagen, se encontra em grave crise por causa das denúncias promovidas pelos Estados Unidos a partir da espionagem industrial em cima dos dados da NSA (Agência Nacional de Segurança). A França e a Alemanha não são exceções. O mundo avança rapidamente a um novo colapso capitalista de gigantescas proporções, ainda maior que o de 2008.

Os governos de todos os principais países do mundo estão interessados na “Guerra Contra o Terror”. E participam até os mais ferrenhos apoiadores dos grupos guerrilheiros e terroristas.

 

LUTA CONTRA OS TERRORISTAS?

 

O chamado “Grupo Internacional de Apoio à Síria” acordou, no marco das negociações que aconteceram em Viena (Áustria), a realização de negociações entre o governo sírio e a “oposição”, com o apoio das Nações Unidas.

O principal problema que se colocou é qual dos grupos da “oposição” deveriam participar das negociações. Os Estados Unidos apoiam o chamado Exército Sírio Livre. A Arábia Saudita, o Catar e a Turquia pressionam para também seja incluído o grupo Ahrar al-Sham.

A al-Qaeda na Síria (Jabhat al-Nusra) não foi colocada na lista das organizações terroristas da União Europeia e dos Estados Unidos. Ahrar al-Sham e o próprio Exército Sírio Livre, assim como vários outros grupos, têm atuado em conjunto com a al-Nusra. Os ataques aéreos da aviação russa contra esses grupos levantou os alarmes das potências que os patrocinam.

O Estado Islâmico tem sido apoiado de várias maneiras por setores do imperialismo norte-americano, a Turquia, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, principalmente, apesar de se enfrentar a praticamente todas as centenas de grupos guerrilheiros que atuam na Síria.

Além do Estado Islâmico e da al-Nusra, há vários outros grupos que dificilmente aceitarão o cessar fogo, como Jabhat Ansar al-Din e Jund al-Aqsa.

Ainda resta a questão curda. O YPG, a milícias curdas sírias, dominam o nordeste do país e têm atuado contra o Estado Islâmico com o apoio da aviação norte-americana. O governo turco é contra o YPG, que mantém estreita aliança com o PKK (Partido dos Trabalhadores), as milícias curdas que atuam na Província Oriental, na Turquia. Por essa província, passam os gasodutos que transportam gás para a Europa e que representam o grande triunfo da burguesia turca para conter a crise gerada, em grande medida, pelo colapso da indústria têxtil a partir de 2008.

A Federação Russa busca manter e ampliar as posições no Oriente Médio, assim como minimizar as sanções impostas a partir da crise da Ucrânia. O governo dos aiatolás iranianos busca manter a influência sobre a Síria, que tem sido um aliado próximo, e facilitar a logística de apoio à milícia libanesa, o Hizbollah, que representa um dos principais instrumentos de contenção contra as potências ocidentais e a reação do Oriente Médio, principalmente os sionistas israelenses. Vários locais sagrados para os xiitas, como a Mesquita de Sayyidah Zaynab, estão localizados na Síria. Um governo sunita, hostil ao Irã, seria inaceitável para o governo iraniano que é um dos principais apoiadores, no campo de guerra, do Exército Sírio por meio das milícias xiitas e da Guarda Revolucionária Islâmica, principalmente a força de elite, os Quds, dirigida pessoalmente pelo “pop star”, o Brigadeiro General Soulemani.

VIVE LA GUERE AU TERROUR!!

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QUAL É O PAPEL DO MERCADO DE ARMAS?

Um dos mais importantes objetivos da intervenção da Rússia, das demais potências regionais e do imperialismo na Síria é a venda de armas.

O governo do Irã anunciou recentemente a compra de 100 aviões Sukhoi. A China comprará mais 20. Ambos compraram os sistemas anti-mísseis, o S300 e o S400 respectivamente.

A França, que também enfrenta o brutal aprofundamento da crise capitalista mundial (como todos os demais países), e que tem a Alemanha por trás, se apressou a criar um fato com o objetivo de entrar rapidamente no mercado. Uma das principais empresas fabricantes de aviões de guerra franceses, que tentou de entrar no mercado brasileiro com Lula, tem enfrentado crescente crise.

O mercado de armas é a bola da vez do momento devido ao aprofundamento da crise capitalista mundial. Devido ao estágio ultra parasitário do capitalismo, a paralisia industrial e ao crescente esgotamento da especulação financeira, umas das “saídas” para a crise é o mercado de armas. Esse mercado, como todo mercado, precisa ser “desenvolvido”, ou seja, é preciso de criar situações que gerem a necessidade das compras. Nada melhor que a escalada da ameaça terrorista e o “desenvolvimento” de guerras.

Mas o mercado de armas está ficando cada vez mais saturado, o que implica em que a escalada das guerras, por causa da disputa dos mercados, ficará, cada vez mais, colocada à ordem do dia.

A Turquia está desenvolvendo um sistema anti-mísseis próprio com a ajuda dos chineses.

Os sionistas israelenses, além das vendas de produtos de segurança, tentam vender o sistema anti-mísseis (semicaseiros), o Iron Dome, testado contra os mísseis do Hamas e da Jihad Islâmica principalmente.

Os Estados Unidos têm um mercado “cativo” por meio “ajudas”, pressões e os mecanismos que compõem a dominação imperialista em geral. Mas a concorrência está aumentando rapidamente. Há os russos, os europeus e as potências regionais. O Japão está começando a entrar no mercado e, embora que neste momento seja um aliado próximo dos Estados Unidos, a “necessidade faz o ladrão”. Os chineses também têm aumentado consideravelmente a participação neste mercado.

O grande comprador é a ultra obscurantista monarquia da Arábia Saudita. O feirão está ficando quente.

 

A CORRIDA ARMAMENTISTA NOS PAÍSES ATRASADOS

 

Nos últimos anos, Os principais compradores de armamentos têm sido os países atrasados.

O imperialismo usa vários mecanismos para impulsionar a venda de armas e manter o dinamismo do complexo industrial-militar. Os principais deles são o monopólio tecnológico, a chantagem diplomática, o incitamento de guerras e as agressões militares. Os Estados Unidos, além de possuírem o maior orçamento militar do mundo, detém o monopólio da tecnologia militar de ponta, seguidos pelos demais países imperialistas europeus, muito à frente dos países atrasados produtores de armas. Embora que, por causa da crise, os russos e os chineses, principalmente, tem conseguidos aumentar o mercado por meio de armamentos mais baratos.

O acirramento dos conflitos regionais e das políticas nacionalistas, provocados pelo enfraquecimento econômico, político e militar do imperialismo, principalmente, após as derrotas no Afeganistão e no Iraque, também têm sido, em parte, impulsionados pelas multinacionais imperialistas com o objetivo de desovar a produção devido ao aprofundamento da crise capitalista nos países centrais. Verdadeiras corridas armamentistas podem ser observadas na região Ásia Pacífico, envolvendo a China, Índia, Coreia do Sul e, agora, o Japão; no Oriente Médio, com Israel, Arábia Saudita, Qatar, os Emirados Árabes Unidos e o Irã; e, na América Latina, com a Venezuela, Colômbia, Brasil e Argentina.

O Departamento de Defesa norte-americano tem um departamento cuja função é promover a venda de armas. Muitos dos créditos e empréstimos internacionais, mascarados como ajuda para o desenvolvimento, assim como os subsídios para monopólios, são concedidos sob a condição de que sejam destinados à compra de armas. Segundo estimativas do próprio Departamento de Comércio, a metade das “luvas” (que, em verdade, é corrupção direta), nas transações comerciais no mercado mundial, está relacionada com a venda de material bélico. No Reino Unido, essas “luvas” possibilitavam descontos no pagamento de impostos até o ano 2001.

Nunca o mundo vivenciou um número tão alto de guerras como nos últimos trinta anos. De acordo com o Instituto Sipri, entre 1940 e 1996, os Estados Unidos gastaram pelo menos US$ 5,5 trilhões no programa de armas nucleares, além de US$ 320 bilhões em custos de armazenamentos e logística e US$ 20 bilhões no desmantelamento de armas obsoletas. Isto representou quase 30% do orçamento militar do período estimado em US$ 18,7 trilhões. O custo da Segunda Guerra Mundial foi de US$ 3,2 trilhões em dólares de 2007. O da Guerra do Vietnam US$ 670 bilhões, da Primeira Guerra Mundial US$ 364 bilhões, a Guerra de Coréia US$ 295 bilhões, a Guerra do Golfo US$ 94 bilhões, e as guerras do Iraque e Afeganistão têm consumido mais de US$ 3 trilhões, até o presente momento, e têm se transformado numa das principais causas da crise do imperialismo. O custo das guerras na África desde 1990 ultrapassa os US$ 350 bilhões, o equivalente a toda a ajuda destinada ao desenvolvimento do continente no mesmo período.

Devido ao esgotamento do capitalismo, e a tendência à queda das taxas de lucro, que tem na sua origem o chamado aumento da composição orgânica do capital (aumento do capital constante frente à mão de obra impulsionado pela concorrência, conforme foi explicado detalhadamente por Karl Marx no seu livro O Capital), a burguesia imperialista busca manter altas taxas de lucro através da especulação financeira, a venda de armas e as atividades ilícitas, tais como o tráfego de drogas e outros “crimes”, que, conforme tem sido revelado nos últimos anos, é controlado, principalmente, pelas agências de espionagem e os principais bancos.

O aumento dos gastos militares nos países atrasados, em cima a campanha do chamado “combate ao terror”, é uma política orquestrada pelo imperialismo que tem provocado o aumento considerável da miséria, a fome, assim como o reaparecimento de doenças que já tinham desaparecido; as Nações Unidas calculam que mais de 800 milhões de pessoas vivem com menos de US$ 1 dólar por dia. Os verdadeiros objetivos dessa política são a tentativa de repassar o custo da crise dos países centrais para os países atrasados, e, ao mesmo tempo, tentar conter o movimento de massas revolucionário que continua crescendo perante o aprofundamento da crise capitalista. Os altos preços do petróleo e dos alimentos, provocados principalmente pela especulação nos mercados futuros, andam em paralelo com o aumento da repressão contra as massas das cidades e do campo. A classe operária mundial está no centro do alvo do imperialismo em um período em que se aprofunda a luta aberta entre a burguesia e o proletariado mundial.

Os atentados terroristas do 11 de setembro de 2001, assim como os recentes atentados de Paris, têm como objetivo real servirem a essa política imperialista.

 

O COMPLEXO INDUSTRIAL MILITAR NORTE-AMERICANO

 

Nos Estados Unidos, o número de empresas fornecedoras do Departamento de Defesa passou de 22.000 em 1961 para aproximadamente 135.000. Considerando que o chamado orçamento de “defesa” se encontra dividido entre vários departamentos ou ministérios, o valor ultrapassa os U$ 1,5 trilhões, o que corresponde a quase 50% do orçamento federal e a 30% dos impostos federais arrecadados; teve uma taxa de crescimento anual de aproximadamente 9% desde o ano 2000, o que representa mais de três vezes a taxa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Considerando ainda as verbas secretas, o valor pode ultrapassar os U$ 2 trilhões, apesar dos números oficiais falarem em US$ 700 bilhões, o que já seria um número gigantesco.

Os monopólios do setor armamentista estão estreitamente ligados aos grandes bancos imperialistas e a outras monopólios “civis” que obtêm grandes contratos vinculados aos orçamentos militares. Calcula-se que o chamado complexo militar industrial dos Estados Unidos seja responsável por mais de 50% da economia do país. A maioria das vagas de trabalho abertas nos últimos anos foram no setor militar. O exército dos Estados Unidos possui aproximadamente 1,5 milhões de soldados, além de milhões de contratistas (mercenários terceirizados).

Nos Estados Unidos, a indústria armamentista encontra-se dominada pela Lockheed Martin, a Northrop Grumman, a Boeing, a Raytheon, a United Technologies, a Aerojet, a Rocketdyne, a Honeywell, a MiltonCAT e a GE. Estas empresas empregam mais de um milhão e meio de trabalhadores e monopolizam os principais contratos. O contrato assinado pelo governo com a Lockheed Martin, em outubro de 2001, o F-35 Joint Strike Fighter, representou um orçamento estimado de U$ 9 bilhões para o desenvolvimento, e o compromisso de compra pelo governo de 2.443 unidades dessas aeronaves, o que, considerando um custo de U$156 milhões por unidade, representa quase U$ 400 bilhões. Outros contratos, como os programas de Defesa contra Mísseis Balísticos (Aegis, THAAD, PAC-3) e o Submarino Classe Virgínia ultrapassam, respectivamente, os U$ 5 bilhões em custos de desenvolvimento. Cada submarino custará em torno de U$ 2 bilhões, e o governo passou a comprar dois por ano a partir de 2012. A Northrop Grumman é o maior construtor naval do mundo, e também fabrica caça-bombardeiros e sistemas eletrônicos.

Na Europa, o setor militar é dominado pela EADS, BAE Systems, Thales, Dassault,Saab e a Finmeccanica. A aliança do imperialismo inglês com o imperialismo norte-americano se fortaleceu com a adoção da BAE Systems como uma das principais fornecedoras de material bélico para o governo dos Estados Unidos, a aliança na indústria petrolífera, com a BP-Amoco, e a rejeição do governo inglês de integrar a zona do euro.

A dependência da economia norte-americana da produção de armas tem aumentado consideravelmente desde os anos 30. Fortemente enfraquecida devido à depressão que se seguiu à crise que estourou em 1929, o sistema capitalista passou a se manter, e até a passar por um período de relativa “bonança” entre 1948 e 1967, mediante mecanismos artificiais. O principal deles foi o aumento exponencial dos investimentos estatais na produção de armas, o que levou à estruturação do chamado complexo industrial militar. Nos países imperialistas europeus, o processo de militarização da economia e da sociedade apresenta uma evolução similar.

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ARÁBIA SAUDITA E RÚSSIA – AMOR, ÓDIO OU INCESTO?

Sauditas e Russia2

Qual é o verdadeiro significado da aproximação diplomática entre a Rússia e a Arábia Saudita?

No último período, uma verdadeira procissão de figurões da obscurantista Arábia Saudita tem aparecido na Rússia em encontros com o primeiro escalão do governo. O Príncipe Mohammed bin Salman, Ministro da Defesa saudita, se encontrou, em outubro, com Vladimir Putin, o presidente da Federação Russa. A visita do rei Salman a Moscou está prevista para acontecer neste ano.

A monarquia tenta conter o aprofundamento da crise no Oriente Médio que avança, a passos largos, em direção à própria Arábia Saudita. Os sauditas têm entrado em fortes contradições com a Administração Obama que, na tentativa de estabilizar o Oriente Médio tem deixado de lado os aliados tradicionais, os próprios sauditas e satélites, como os Emirados Árabes Unidos e a Jordânia, os sionistas israelenses, o Catar e, até certo ponto, a Turquia. O pior para esses governos, que são aliados tradicionais da direita, e inclusive da extrema direita do imperialismo, é que Obama se aliou aos aliados “poucos confiáveis, como a Rússia e a China, e aos “inimigos”, como o Irã, a milícia libanesa Hizbollah e os curdos.

Os sauditas oferecem uma isca para os russos não “exagerarem” na dose dos ataques aos “rebeldes” que recebem dinheiro dos petrodólares, como o Estado Islâmico, Jabhat al-Nusra, Ahrar al-Sham e Jaysh al-Islam. Essa isca tem três componentes principais, a promessa de uma compra considerável de armas russas, a tomada de medidas que permitam a subida o preço do petróleo e o investimento de US$ 10 bilhões na economia. O russos precisam desesperadamente desses recursos para conter a desestabilização interna. A economia se encontra em recessão há quatro anos. Nas discussões sobre o orçamento público do próximo ano aparecem vários buracos, principalmente nos repasses de recursos para as províncias.

QUEM É O MEU ALIADO?

Os russos têm acolhido com muita desconfiança a proposta da monarquia saudita. Propostas similares já foram feitas em várias ocasiões, mas nunca foram cumpridas. O governo russo aderiu, em 2010, às sanções contra o Irã com esse objetivo, mas quase nada obtiveram dos sauditas. Na última feira de São Petersburgo, que aconteceu há alguns meses, os sauditas assinaram vários contratos com empresas russas, mas ainda longe dos volumes prometidos em 2013 e 2014 quando o então chefe dos serviços de inteligência, o príncipe Bandar il Sultan, queria que os russos retirassem o apoio ao governo sírio do presidente al-Assad.

O afastamento da Rússia do Irã não está colocado para este momento. Apesar do acordo nuclear, o Irã precisaria de quase US$ 200 bilhões em investimentos, e vários anos, para viabilizar a infraestrutura necessária para promover as exportações de gás à Europa numa escala que poderiam torna-lo um competidor à altura da Gazprom, o gigante russo do gás. Até lá, a própria Gazprom poderá controlar uma fatia importante do negócio, contra os interesses do Catar que também busca fornecer gás, por meio da Turquia, mas depende da estabilização da Síria.

O fortalecimento da aliança da Federação Russa com o Irã, e ainda com a inclusão da China, apavora os sauditas. Os regimes da Síria e do Iraque e os Houthis, no Iêmen, são apoiados pelo regime dos aiatolás e, por esse motivo, tentam implodi-la. O Iêmen está se transformando no Vietnam saudita. Os bombardeios e assassinatos da população civil, que acontecem há 260 deixaram um saldo de sete mil mortos. A invasão que deveria ter sido um passeio se transformou num pesadelo quando os sauditas tentaram avançar para as regiões montanhosas, próximas à capital do país, Sanã, reduto tradicional dos Houthis.

Em relação à Turquia, a vitória do partido do primeiro ministro Erdogan favoreceu os russos, pois, apesar das contradições, viabiliza a construção do gasoduto, o Turk Stream, que direcionará gás à Europa. Erdogan também visitará Moscou neste ano.

O esforço saudita de contenção da Rússia se tornou mais complexo e mais difícil de ser negociado. O Oriente Médio é o ponto onde as contradições entre as potências regionais e imperialistas é mais acirrado. No próximo período, conforme a crise capitalista se aprofundar e a desestabilizar se generalizar, poderá dar lugar a confrontos militares em larga escala.

Sauditas e Russia

SÍRIA: O AFEGANISTÃO DA RÚSSIA?

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Após os sucessos dos bombardeios promovidos pela aviação russa, apareceram as dificuldades militares em solo.

Os “rebeldes” do chamado Exército Sírio Livre, recentemente, conseguiram conter uma ofensiva do Exército sírio, apoiado pela Rússia e o Irã, na província de Hama. E ainda pior, esses “rebeldes” empreenderam a contraofensiva e passaram a controlar territórios importantes no norte da Província, em torno da cidade de Morek. Dificuldades similares apareceram nos confrontos com a al-Nusra, a al-Qaeda na Síria, e com outros grupos.

A política russa da criação de um enclave alawita na Síria, nas regiões mediterrâneas, localizadas ao norte do Líbano, e nas regiões em torno da capital, Damasco, avançaram com sucesso. Mas avançar sobre as demais regiões apresenta muitos entraves, em primeiro lugar, o apoio da reação local e do imperialismo a vários dos grupos “rebeldes”.

Perante a resistência, os russos já duplicaram o número de soldados para 4.000, além de três base militares a mais. O Irã ajudou a colocar em pé as Forças de Defesa Nacional com a participação da Guarda Islâmica Revolucionária e das milícias xiitas. O avanço aconteceu com mais facilidade nas regiões localizadas ao sul de Aleppo, a província cuja capital é a segunda maior cidade do país, mas em Homs e Hama já não aparece mais o “passeio” inicial.

O objetivo da frente única, que a Administração Obama colocou em pé, passa pela saída negociada à crise. Enquanto isso, a guerra se torna “pantanosa”. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, aliados à extrema direita imperialista, o Catar e até a Turquia buscam fortalecer as posições, por meio dos próprios rebeldes antes de viabilizar a saída negociada.

O Oriente Médio se tornou o grande ponto das contradições entre as várias potências, regionais e imperialistas. Obama tenta a saída negociada, mas essas contradições são muito profundas e poderão vir a se acirrarem ainda mais. Os resultados das eleições presidenciais nos Estados Unidos, que acontecerão no próximo ano, a crise política na Alemanha, a desestabilização da Arábia Saudita por causa da guerra no Iêmen e, no geral, o aprofundamento da crise capitalista que deverá se refletir na crise dos regimes políticos.

FRENTE ÚNICA OU GUERRA NO ORIENTE MÉDIO?

A Administração Obama está tentando colocar em pé uma frente única no Oriente Médio com o objetivo de conter a enorme desestabilização da região. Mas essa política, ao mesmo tempo, entra em conflito com o pântano das contradições entre as alas do imperialismo, e as potências regionais, que disputam a influência. A disputa entre as potências regionais têm se exacerbado.

A obscurantista monarquia da Arábia Saudita, ligada estreitamente à ala direita do imperialismo, financia vários grupos guerrilheiros que atuam principalmente na fronteira sul da Síria. No norte, predominam os grupos financiados pela Turquia que, às vezes, coincidem com os que são financiados pela Arábia Saudita ou pelo Catar.

Os curdos iraquianos mantêm proximidade com o imperialismo norte-americano e europeu, e os sionistas israelenses, e uma proximidade menor com o governo turco. Mas os curdos sírios são ligados aos curdos turcos do PKK (o Partido dos Trabalhadores) e, portanto, considerados como inimigos pelo governo turco apesar de terem contado com o apoio da avião norte-americana nos combates contra o Estado Islâmico.

O Irã atua em frente única com a Rússia em apoio ao regime de al-Assad. O papel principal de apoio ao Exército Sírio cabe ao Hizbollah, a poderosa milícia libanesa, e às milícias xiitas. Obviamente, os assessores russos e os Quds iranianos, a força de operações especiais da Guarda da Revolução Islâmica, se encontram em plena atividade.

A tentativa do governo russo de criar um enclave alawita na Síria disparou os alarmes da reação no Oriente Médio.

O primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, viajou a Moscou, para se encontrar com o presidente Putin, devido à preocupação do fortalecimento do Hizbollah no caso de que armas de última geração caíssem nas suas mãos.

Além dos sionistas israelenses, também os turcos, os sauditas, o Catar, o imperialismo norte-americano e europeu.

A criação de uma nova Transnítria, Ossétia do Sul, Donbass ou Karabakh, na Síria, enfrentará muito maiores dificuldades.

A ala dominante do imperialismo europeu apoia essa política. Não por acaso, o presidente francês, François Hollande, ordenou a retomada dos bombardeios contra o Estado Islâmico. Os governos da França e da Alemanha também buscam o fim das sanções contra a Rússia, o que poderá acontecer no próximo mês de janeiro. Mas há a forte pressão da direita na Europa e do imperialismo norte-americano.

A ala direita do imperialismo europeu e norte-americano é impulsionada pelos monopólios com o objetivo de conter o aprofundamento da crise. Para o próximo período, está previsto um colapso capitalista de gigantescas proporções.

O acirramento das contradições na Síria poderá levar a Rússia a se meter num pântano parecido como o que a antiga União Soviética enfrentou no Afeganistão. O acirramento do confronto militar entre os grupos guerrilheiros deverá levar ao envolvimento cada vez maior do Exército russo na Síria. Ao mesmo tempo, o aprofundamento da crise capitalista pode levar a ala direita do imperialismo aos governos de países centrais. Uma eventual retomada dos conflitos na Ucrânia obrigará a Rússia a lutar em duas frentes simultaneamente.

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