O IRÃ PODE ATACAR ISRAEL?

O acordo sobre o programa nuclear do Irã foi viabilizado pela Administração Obama. O objetivo foi colocar em pé uma frente única que permitisse conter a desestabilização do Oriente Médio. O apoio do Irã, por meio das milícias no Iraque, e do Hizbollah na Síria é a condição fundamental para conter o avanço do Estado Islâmico e para conter os demais grupos guerrilheiros, em primeiro lugar a al-Nusra, a al-Qaeda na Síria.

Essa política busca conter a crise no Oriente Médio e manter a política da chamada “contrarrevolução democrática” como uma alternativa perante as eleições que acontecerão nos Estados Unidos no próximo ano, no contexto em que o Partido Republicano já controla ambas câmaras do Congresso impulsionado, em grande medida, pela extrema direita agrupada no Tea Party.

A ala direita do imperialismo não concorda com essa política e busca impor uma saída de força para a crise. No Oriente Médio, os sionistas israelenses e a Arábia Saudita são aliados da direita norte-americana e possuem contradições com a Administração Obama.

Essas contradições ficaram evidentes a partir das últimas eleições eleições presidenciais quando o candidato Republicano derrotado, Mitt Rommey, levantou como solução para a crise com o Irã e a China a guerra, inclusive a guerra nuclear.

NETANYAHU E A AMEAÇA DO IRÃ

O primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem ficado à cabeça da campanha histérica sobre o “perigo” do Irã para a existência do estado do Israel.

Em primeiro lugar, a histeria busca agrupar os setores de extrema direita, com o objetivo de dar sustentabilidade ao governo, e pressionar o governo norte-americano para continuar recebendo a ajuda militar de US$ 3 bilhões anuais, além de se manter como um aliado preferencial do imperialismo norte-americano.

Os próprios generais do Exército israelenses e o Mossad, o serviço de inteligência sionista, descartaram a possibilidade do Irã atacar Israel e alertaram sobre os perigos de Israel atacar o Irã.

A política do Irã no Oriente Médio é fundamentalmente defensiva e busca, em primeiro lugar, garantir a estabilidade perante a agressividade da Arábia Saudita e dos sionistas israelenses. A atuação no Iraque e na Síria tem como objetivo garantir a estabilidade da fronteira ocidental, de onde tiveram origem os ataques com o Irã, o último dos quais foi feito por Saddam Husseim após a Revolução de 1979, apoiado pelo imperialismo norte-americano, a União Soviética, Israel e a Arábia Saudita.

No Líbano, o Hizbollah, que é amplamente apoiado e financiado por Irã, representa o principal instrumento de contenção da agressividade da reação na região e um dos principais aliados dos palestinos. Sendo estes sunitas e o Hizbollah e o regime dos aiotolás iranianos xiitas, esta aliança representa um alerta vermelho para a política imperialista na região que tem na base promover o sectarismo e a divisão dos povos árabes.

IRÃ PODE ATACAR ISRAEL?

A probabilidade é muito remota. A política do regime dos aiatolás é fundamentalmente defensiva. O Líder Supremo tem declarado em várias ocasiões que o Irã não desenvolverá a bomba atômica, que é contra o Islã etc. Mas, mesmo se o Irã conseguisse desenvolver a bomba atômica, dificilmente conseguiria usa-la contra Israel.

Apesar do programa nuclear israelense ser mantido em segredo, os sionistas possuem em torno de 200 mísseis nucleares. O Irã ainda teria que enfrentar a retaliação dos Estados Unidos que conta com a VI Frota, armada até os dentes, estacionada no vizinho Catar.

Na situação política atual, Israel somente pode ser destruído a partir da evolução das contradições internas e não a partir de uma agressão externa.

As agressões genocidas contra os palestinos ainda não conseguiram colocar em movimento as massas israelenses. Grandes protestos aconteceram há dois anos por causa da carestia da vida.

No dia 31 de julho terroristas de extrema direita botaram fogo em duas casas de palestinos em Douma, perto da cidade de Nablus. Uma criança de um ano e meio de idade foi queimada viva e o pai dela faleceu uma semana depois. As agressões contra a população da Faixa de Gaza, que é um presídio a céu aberto, continuam de maneira recorrente. Mas a evolução da situação política poderá converter esses acontecimentos em faíscas altamente desestabilizadoras no próximo período.

DO SIONISMO AO GRANDE ISRAEL

O sionismo é uma corrente nacionalista de extrema direita que tem a origem na segunda metade do século XIX, quando onda migratórias de judeus se assentaram na Palestina. Os representantes das origens do sionismo, Ahad Haam (Asher Ginsberg) e Zeev Jabotinsky, este um dos fundadores do Irgun, responsável pelo massacre de palestinos logo após a Segunda Guerra Mundial, buscavam impor um estado de Israel contra os palestinos. Jabotinsky chegou a dizer, em 1923, que era necessário construir um muro de ferro contra os árabes.

Israel representa o principal instrumento do imperialismo norte-americano para controlar o Oriente Médio, um revolver apontado contra os povos árabes. Os tratados de paz com a Jordânia e o Egito garante a estabilidade das fronteiras. O chamado Conselho de Segurança do Golfo Pérsico, liderado pela ultra reacionária monarquia saudita, representa o segundo pilar do controle da região pelo imperialismo. Mas neste caso o controle é mais contraditório e existem interesses próprios que, às vezes, se contrapõem à política imperialista.

O Hizbollah e os grupos guerrilheiros islâmicos têm pouca capacidade de ação contra Israel, mas a evolução política geral da região tende a apertar o cerco contra o estado sionista.

Os sionistas israelenses tentam aplicar o velho sonho de criar o Grande Israel, que passa por ampliar as fronteiras a partir da expulsão dos palestinos. Essa política tem impulsionada o desenvolvimento das tendências revolucionárias na região. A própria existência do Hizbollah, a milícia mais forte que existe em escala mundial, em grande medida, justifica sua existência por causa dessa política. Mas essa política é contraditória e enfrenta crescentes dificuldades para se sustentar por causa da crescente desestabilização da região.

O papel da extrema direita sionista tende a se transformar num fator desestabilizar que pode quebrar a unidade nacional em Israel conforme a crise se desenvolver no próximo período. Rachaduras já começaram a aparecer, apesar de Netanyahu tentar oculta-las. Foi estabelecida uma frente única entre os sionistas israelenses, os golpistas egípcios e o Hamas para combater o Estado Islâmico na Península do Sinai. Membros do governo falam em permitir a criação de um porto em Gaza e aceitar trabalhadores palestinos em Israel em troca de estabilidade durante 10 anos.

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ISRAEL – CRISE DE “IDENTIDADE” NO ORIENTE MÉDIO?

Conforme a crise no Oriente Médio tem avançado, o estado sionista tem se visto cada vez mais pressionado pela desestabilização da situação política. Ao mesmo tempo, a política da Administração Obama busca desenvolver alianças com outras forças com o objetivo de conter a implosão da sua política. Não por acaso, há um esforço por desescalar as contradições na Ucrânia, em primeiro lugar, e na região Pacífico da Ásia, em certa medida, com o objetivo de colocar em pé uma frente única envolvendo a Rússia e o Irã.

Essa política tinha acirrados os “ânimos” e levado à renúncia do General Petraeus, o diretor geral da CIA e ex chefe das forças invasoras no Afeganistão. Vários figurões, inclusive do Partido Republicano, têm se declarado a favor da “diversificação” das relações do imperialismo, em detrimento da “exclusividade” das relações com os sionistas israelenses e a obscurantista monarquia saudita.

A política de força no Oriente Médio, em cima da estreita aliança com os sauditas e os sionistas, impulsionada pela extrema direita norte-americana, tem sido relegada a segundo plano. No lugar, Obama tenta impulsionar uma frente única com a Rússia e os aiatolás iranianos no meio de uma “dança das cadeiras maluca” onde acontecem as coisas mais estapafúrdias possíveis em comparação com a “homogeneidade” da política aplicada até o colapso capitalista de 2008 e o estouro da revoluções árabes em 2011.

Na Síria, os Estados Unidos apoiam a al-Qaeda. A al-Nusra nem sequer faz parte da lista das “organizações terroristas”, da qual faz parte a milícia do Hizbollah libanês. A situação já muda no Iêmen, onde os Estados Unidos e os sauditas combatem a al-Qaeda. No Iraque, o imperialismo depende das milícias xiitas, controladas pelo Irã, para conter o avanço do Estado Islâmico.

A crise capitalista tem levado à implosão dos mecanismos tradicionais de controle do Oriente Médio e do mundo. A volatilidade e a crescente fraqueza desses controles tendem a se acelerar conforme a crise se aprofunda.

A “DANÇA DAS CADEIRAS” DOS SIONISTAS ISRAELENSES

As contradições dos sionistas israelenses com o Irã representam apenas a ponta do iceberg do mar de contradições em que o Oriente Médio se encontra.

A pressão das milícias veem, em primeiro lugar, a partir do Hizbollah libanês, a milícia mais organizada do mundo, do Estado Islâmico e de outros grupos muçulmanos.

A aliança com os sauditas tem se fortalecido com o objetivo de manter os privilégios das relações com o imperialismo norte-americano. Uma parte da histeria sobre o perigo nuclear do Irã tem como objetivo justificar os US$ 3 bilhões de ajuda militar que os Estados Unidos fornecem anualmente.

Para conter a desestabilização na Síria, os sionistas desescalaram, na prática, as tensões com o Hizbollah, apesar de que apoiam a al-Nusra no sul da Síria, e entraram em alianças com a Turquia, com a Rússia e com as facções das minorias curdas e druzas.

A derrota de Israel no Líbano na década de 1990 e, principalmente, em 2006, pelo Hizbollah, acabou desenvolvendo uma força militar muito poderosa, capaz de enfrentar os sionistas numa guerra irregular e de atingir Telaviv por meio de foguetes disparados a partir do Líbano. Esse é o potencial perigo. Mas o avanço do Hizbollah e de outros grupos muçulmanos, como a al-Qaeda, somente representa um perigo para os sionistas israelenses no médio prazo.

Com o objetivo de conter a desestabilização proveniente do sul, os sionistas estão promovendo a aliança com os militares golpistas egípcios e o Hamas para conter o fortalecimento do Estado Islâmico na Península do Sinai.

O desenvolvimento das tendências revolucionárias na Palestina representa um obstáculo para a política da direita israelense que busca criar o Grande Israel, expulsando os palestinos. Mas essa política abre caminho para a entrada de grupos como o Estado Islâmico que já estão atuando na Faixa de Gaza e que tem se tornado inimigos mortais do Hamas.

ISRAEL: UM REVOLVER NORTE-AMERICANO APONTADO NA CABEÇA DOS POVOS ÁRABES

Apesar do aumento das contradições de Israel com os Estados Unidos, principalmente a partir da frente única com os aiatolás iranianos, Israel representa um dos pilares norte-americanos para o controle do Oriente Médio.

O que mudou então? Que agora o controle é muito mais frágil e requer de inúmeras e contraditórias alianças, apesar de continuar mantendo Israel armado até os dentes.

A Turquia é um país poderoso, membro da OTAN, mas com pretensões de potência regional que, muitas vezes, coloca em xeque os interesses do imperialismo. O controle do Mar de Mármara, que permite a passagem e e para o Mar Negro e de uma parte fundamental do Mar Mediterrâneo é contra restado com o contrapeso de Israel. O expansionismo turco para o sul, na busca pela reconstituição do Império Otomano, é contido por Israel. Ao mesmo tempo, a aliança entre a Turquia e Israel impede a expansão do Irã. Este aliança, que é muito contraditória, ficou paralisada após o assassinato de várias pessoas, pelo Exército israelense, que viajavam num navio turco levando ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Mas agora, perante a escalada da crise voltou a ser reativada em vários aspectos.

Na Síria, Israel atua de maneira, cada vez mais, estreita com os sauditas. A aproximação com a Rússia tenta buscar uma saída que coloque em pé um governo fraco na Síria, mas sem o potencial de tornar-se um inimigo aberto de Israel.

A evolução de Israel depende tanto da evolução política específica do Oriente Médio como da evolução da situação política mundial, principalmente do resultado das eleições nos Estados Unidos, que acontecerão no próximo ano.

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