POLÔNIA: A CHAVE do “MILAGRE” ALEMÃO – Parte 4

UCRÂNIA: JOGO de ESCONDE, ESCONDE …
TRANSNÍTRIA? NÃO. O OBJETIVO é CONTROLAR a MOLDÁVIA

4A recente nomeação do ex presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, como governador da província (oblast) de Odessa, pelo presidente ucraniano Petro Poroshensko, teve como objetivo aplicar uma política de estrangulamento contra a Rússia, entregando a Moldávia aos braços abertos dos vampiros da União Europeia e da OTAN.
A nomeação de estrangeiros é uma política normal do atual governo golpista. Há três deles ocupando cargos de ministros. A norte-americana, Natalie Jaresko, ex alta funcionária do Departamento de Estado, é a atual ministra das Finanças. Os outros dois são o ministros de Economia e da Saúde.
Odessa compartilha fronteira com a Transnítria, que é uma faixa de aproximadamente 140 quilômetros por 10 quilômetros de largura, de norte a sul, e que tem mantido um status independente, na prática, após a ter derrotado os exércitos da Moldávia e da România no conflito armado que aconteceu em 1992. Com a exceção da Osétia do Sul, a Abkházia e o Nagorno Karabakh, eles próprios estados “semi-párias”, ninguém reconhece o status de país independente da Transnítria. Nem a própria Rússia.
O objetivo do governo russo é exatamente o mesmo que aplica em relação a todas as demais minorias russas existentes nos países vizinhos, conter a agressividade do imperialismo e evitar a entrada desses países na OTAN, com o objetivo de manter um colchão (buffer) de segurança em torno das fronteiras da Rússia.
Mikheil Saakashvili foi presidente da Geórgia, entre 2003 e 2013, sobre quem o atual governo mantem um processo por corrupção. Mikheil Saakashvili foi o principal impulsionador da entrada da Geórgia na União Europeia e na OTAN. Após ter aberto o país aos monopólios, Saakashvili sofreu um enorme desgaste por causa da derrota militar para a Rússia, após a tentativa de dominar pela força as regiões separatistas da Abkházia e da Osétia do Sul, em 2007. O imperialismo “empantanado” nas guerras do Iraque e do Afeganistão não tinha fôlego para enfrentar a Rússia, uma potência militar que estava renascendo e que era uma potência militar de primeira ordem.
Os golpistas de Kiev buscam apertar o cerco contra a Transnítria, impedindo o fornecimento russo, do território e dos 1.200 soldados russos ali estacionados, que passa pela Ucrânia. Essa política tem na Polônia o principal articulador, que busca aumentar o seu poder como potência regional da Europa Oriental, incorporando a Moldávia, junto com a própria Ucrânia, aos países sobre o seu controle direto.

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Parte 1- POLÔNIA: A CHAVE do “MILAGRE” ALEMÃO

UCRÂNIA: O jogo do ESCONDE, ESCONDE …

Quem está por trás da nova escalada militar?

Alemanha/ França, os Estados Unidos? Não. A Polônia

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Parte 2- O QUE BUSCA a EXTREMA DIREITA na UCRÂNIA?

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Parte 3 – POR QUE a POLÔNIA BUSCA DOMINAR a UCRÂNIA?

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Parte 4 – TRANSNÍTRIA? NÃO. O OBJETIVO é CONTROLAR a MOLDÁVIA

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Parte 5- EXTREMA DIREITA NO PODER?

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Parte 6- O MOTOR da LOCOMOTIVA da EUROPA pode ENGRIPAR?

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Parte 7 – A NOVA ÍNDIA EUROPEIA? OU PARAÍSO das TERCEIRIZAÇÕES

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Parte 8 – A BONANÇA ou a CRISE DEPENDEM DA ALEMANHA

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Parte 9- DIREITOS SOCIAIS de “PRIMEIRO MUNDO”?

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Parte 10 – “ESCAPE” da CRISE: A LIVRE MIGRAÇÃO à UNIÃO EUROPEIA

https://www.facebook.com/alejandro.acosta.7547031/posts/863618140371285

Parte 11- As GREVES de 1980: REMIX!

https://www.facebook.com/alejandro.acosta.7547031/posts/864033113663121

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EUROPA: VELHO CONTINENTE, VELHA CRISE – PARTE 2

POR QUE a UCRÂNIA não INGRESSA na UNIÃO EUROPEIA?

Exportações alemãs

Exportações alemãs

A desestabilização da UE (União Europeia) continua avançando a passos largos. A propaganda sobre a prosperidade europeia está afundado. Os fundos repassados pela UE para a maioria dos países periféricos têm sofrido forte queda. O colapso da produção industrial, das empresas públicas e o endividamento e o saque dos recursos nacionais têm disparado.
O governo do presidente deposto da Ucrânia, Ianokúvich, tinha calculado que a integração lhe custaria em torno de US$ 100 bilhões, somente por causa da adequação às novas regulamentações. Quando ele colocou como condição ao ingresso à UE o repasse de 23 bilhões de euros, com o objetivo de cobrir o rombo das contas públicas, o imperialismo respondeu com o Maidan, a mobilização das organizações nazi fascista em Kiev, com o objetivo de depor o governo.
A possibilidade iminente da entrada da Ucrânia na OTAN escalou os alertas do governo russo que passou a apoiar a reação das minorias russas no país. Isso não significa, de maneira alguma, que a Rússia apoie a revolução ou a democracia. O governo russo apoia vários grupos da extrema direita europeia, que se colocam contra a União Europeia, como a Frente Nacional francesa e o UKIP inglês. O governo Putin também tem blindado a fronteira do Donbass com a Rússia por meio de cercas e outros mecanismos de controle. O controle da entrada e saída de combatentes é estrita. O poder da FSB (nova versão da KGB) e da inteligência do Exército Russo é quase absoluto. Após o caos da década de 1990, os governos liderados por Vladimir Putin têm sido usado esses órgãos como instrumentos fundamentais para controlar as tendências segregacionistas, que têm existido desde a época dos czares. A falta de colchões de contenção contra a agressividade do imperialismo coloca a própria existência do estado russo em questão.
O temor aumenta ainda mais em relação ao contágio das tendências revolucionárias em direção à própria Rússia, principalmente com a retomada da desestabilização do sul, da Tchetchênia e do Daguestão, que estiveram na base das duas guerras da década de 1990, e no Cáucaso.
A Rússia atual representa apenas a sombra do poderio da União Soviética. A economia não passa de 8% do PIB dos Estados Unidos, sendo que a União Soviética ultrapassava os 60%. A política da Rússia é estritamente defensiva, mas é usada pelo imperialismo como base da campanha para justificar a escalada dos gastos militares na região.

Exportações alemãs

Exportações alemãs

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Veja também:
1-
EUROPA: VELHO CONTINENTE, VELHA CRISE
PARTE 1 – POR QUE a ALEMANHA PRECISA do EURO?
https://www.facebook.com/alejandro.acosta.7547031/posts/858368807562885
Em elaboração:
PARTE 2- POR QUE a UCRÂNIA não ENTRA na UNIÃO EUROPEIA?
PARTE 2- A QUEM BENEFICIA o TURK STREAM (gasoduto turco)?
PARTE 4- FRANÇA e RÚSSIA: NOVO IMPULSO à POLÍTICA MILITARISTA?

2-
ALEMANHA E RÚSSIA: AMOR E ÓDIO?
PARTE 1 – Quais são os fatores que fortalecem aliança que pode alavancar um novo centro de poder hegemônico mundial, contra os Estados Unidos? E quais os levam à implosão?
https://www.facebook.com/alejandro.acosta.7547031/posts/843376359062130
PARTE 2 – Sanções e contra sanções. Tudo conduz ao Novo Caminho da Seda ..
https://www.facebook.com/alejandro.acosta.7547031/posts/843889429010823

Rússia: imperialista ou potência regional?
Gigante Militar, Nanico Econômico
https://www.facebook.com/alejandro.acosta.7547031/posts/841213895945043
Rússia: Me digas com quem tu andas …
O que está por trás do aumento das contradições entre a Rússia e o imperialismo norte-americano?
https://www.facebook.com/alejandro.acosta.7547031/posts/838348509564915

Ucrânia: A guerra continua? Qual é o significado da recente escalada dos conflitos no Donbass, as ex províncias do leste da Ucrânia?

Nós últimos dias, as tropas dos golpistas de Kiev bombardearam um hospital da cidade de Donetsk, enviaram tanques ao aeroporto da cidade, onde os confrontos continuam, e promoveram ataques contra o povoado de Shirokino, localizado na costa do Mar de Avov, apenas a alguns quilômetros do importante porto de Mariupol. Movimentações militares também foram reportadas em algumas regiões ocupadas de Lugansk, como em Papasnaya e em Lisitchansk. Nesta última cidade, assim como acontece em Slavyansk, onde começou a resistência armada contra os golpistas do Maidan, a presença militar é ostensiva já que essas cidades, habitadas majoritariamente por russos, abrem caminho à capital da Ucrânia, Kiev.
O acordo de Minsk 2, assinado no passado mês de fevereiro, nunca foi implementado de maneira integral. Se bem a artilharia pesada foi retirada, conforme previsto, os conflitos com armas leves continuaram em vários locais.
No Donbass, nas autoproclamadas repúblicas populares de Lugansk e Donetsk, ninguém acredita que o cessar fogo é definitivo. As provocações dos golpistas têm sido constantes. A humilhante derrota do exército ucraniano em Debaltsevo, onde tinha sido concentrado em torno a 40% do total do efetivo, revelou o extremo grau de desmoralização. Tropas em número vinte vezes maior foram derrotadas, e abandonaram a região deixando todo o armamento. O governo golpista tenta repor o armamento perdido por meio da “ajuda” dos Estados Unidos e reativando a produção a partir das fábricas, principalmente as localizadas em Kharkov, ao nordeste do país.
Os batalhões das repúblicas do Donbass continuam se fortalecendo e os governos locais tentam enquadrar as milícias num exército regular. A artilharia possui alto poder de fogo, fundamentalmente por meio dos chamados grads, que possuem um alcance de 25 quilômetros, e que poderiam ser recolocados em posição de combate em menos de 12 horas. A moral dos combatentes é alta. Muitos deles combatem para libertar as cidades vizinhas, que se encontram sobre o controle dos golpistas, e onde, em muitos casos, moram as suas famílias.
A crise capitalista na Ucrânia se desenvolve a todo vapor. Após o golpe do ano passado, a perda da Crimeia e a guerra civil no leste, o país entrou em gigantesca crise.
A crise capitalista na Ucrânia se desenvolve a todo vapor, ameaçando se transformar numa nova Grécia. De fato, após o golpe do ano passado, e a perda da Crimeia e a guerra civil no leste, o país entrou em gigantesca crise. Está em andamento um golpe dentro do golpe. Os grupos de extrema direita, como o Pravy Sektor (Setor de Direita), o Azov, o Partido Svoboda (Liberdade), que contam com ampla influência no executivo, têm aumentado as críticas contra o governo. No geral, os grupos fascistas não entram em combate, mas são usados como polícias militarizadas com o objetivo de semear o terror. Recentemente, o governador indicado da província de Dmitripetrovsk (sul da Ucrânia), provocou um levante contra o governo central, e chegou a ameaçar com enviar 2.000 mercenários a Kiev. Ele faz parte dos chamados oligarcas, que controlam o país sob a tutela do imperialismo. A província de Kharkov, localizada ao norte de Lugansk, de maioria russa, vive uma situação similar.
Os batalhões das repúblicas do Donbass continuam se fortalecendo. A artilharia possui alto poder de fogo, fundamentalmente por meio dos grads, que possuem um alcance de 25 quilômetros. A moral dos combatentes é alta. Muitos deles combatem para libertar as cidades vizinhas, que se encontram sobre o controle dos golpistas, e, em muitos casos, onde moram as suas famílias.

Quem está por trás da retomada dos conflitos?

Os Estados Unidos continuam armando o governo golpista de Kiev. Por meio dos Emirados Árabes Unidos fornecerão bilhões em armas. Ao mesmo tempo, começaram a chegar na Ucrânia blindados, diretamente, sem intermediários. Foi agendado um treinamento da Guarda Nacional da Ucrânia pela 173 Brigada do Exército Norte-americano, atualmente estacionada na Itália, prevista para começar no dia 20 de abril. Chama a atenção que pouca atenção tem sido dada para esse fato pela imprensa mundial, incluída a imprensa russa, enquanto a campanha da imprensa anglo norte-americana e os comunicados da OTAN (Organização do Atlântico Norte) têm reforçado a propaganda da suposta iminente invasão da Ucrânia pela Rússia.
No próximo ano, acontecerão novos eleições gerais nos Estados Unidos. A ala direita do imperialismo, que já possui maioria nas duas câmaras do Congresso, com altíssima probabilidade, deverá controlar também o executivo. A direitização do regime político se expressa também no lançamento da candidatura de Hillary Clinton pelo Partido Democrata, que se apresenta como a sucessora do governo de Bill Clinton, cujos governos, na década de 1990, representaram a continuidade das políticas neoliberais da Administração de Ronald Reagan. A burguesia imperialista norte-americana, e a reação mundial, tenta conter a escalada da crise por meio do fortalecimento da extrema direita e da agressividade militar.
O governo da Federação Russa segue uma política integralmente defensiva, tentando evitar novas sanções econômicas, que têm o potencial de provocar a deterioração da situação econômica e a desestabilização do regime político. O Donbass tem sido usado como moeda de negociação com Kiev e as potências imperialistas, e como mecanismo para evitar que a Ucrânia ingresse na OTAN. Se o ingresso se concretizar, cresce o potencial do aperto ao cerco sobre a Rússia e o ataque contra a Crimeia.
A Alemanha e a França buscam a aproximação com a Rússia, tão desesperadamente como a própria Rússia, de olho no mercado da União Euroasiática, o que inclui o acesso às fartas riquezas minerais e a dependência energética. Essa política é boicotada pelos Estados Unidos. A cúpula dos governos dos dois países já se pronunciaram no sentido de que a Rússia não está se preparando para invadir a Ucrânia. O general francês Christophe Gomar, o chefe da inteligência militar, o fez no dia 25 de março no Parlamento, e o ministro alemão de Assuntos Exteriores, Frank-Walter Steimeier, o fez no dia 13 de abril.
O aumento das contradições interimperialistas entre o bloco anglo-norte-americano, por um lado, e da Alemanha e a França, pelo outro, se expressa em que estes últimos têm reduzido os gastos militares nos últimos anos. Somente os países da Europa Oriental têm aumentado o orçamento militar, principalmente os países Bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), a Polônia e a România. O aperto de cerco da OTAN sobre a Rússia tem enfrentado dificuldades devido a essas contradições, o que tem levado à alternativa do fortalecimento de negociações, que mais são pressões, bilaterais.
A evolução dessas contradições tem como base o aprofundamento da crise capitalista mundial. A burguesia imperialista norte-americana lidera a pressão no sentido de uma saída de força para a crise. O crescimento da extrema direita e da política golpista tende a se generalizar.

O aumento das contradições do imperialismo com a Rússia

As contradições com o governo da Rússia têm se exacerbado de maneira acelerada. O imperialismo norte-americano tenta impedir o avanço da Rússia na região cercando o país com bases da OTAN nos países vizinhos. A crise escalou quando os Estados Unidos derrubaram o governo nacionalista de Ianukóvich por meio de grupos nazifascistas, no mês de fevereiro ano passado, num país que, junto com a Bielorússia e a Armênia, são considerados “amortecedores” da agressão imperialista.
Para a Federação Russa se trata de um componente político vital impedir a entrada da Ucrânia na OTAN. A manutenção da atual situação no Donbass (Lugansk e Donetsk) impede o ingresso da Ucrânia na OTAN e o fortalecimento da direita pró-imperialista no interior da Rússia.
Neste momento, o apoio ao governo Putin bate recordes de aprovação. O parlamento é composto por apenas quatro partidos, encabeçados pela Rússia Unida. Todos eles estão alinhados, em alguma medida, com o governo.
O imperialismo está de olho no petróleo e no gás russo, além da produção de armas. A Rússia é o segundo maior exportador mundial de armas. O investimento público tem sido direcionado neste sentido. Recentemente, o ministro da Defesa declarou que a Rússia poderá instalar armas nucleares na Crimeia, o embaixador na Dinamarca ameaçou tornar o país alvo de ataques nucleares caso participar o chamado escudo nuclear da OTAN, foi anunciada a construção de um avião, em substituição ao Antonov, até 2026, de alta capacidade de carga, capaz de atingir qualquer lugar no globo em menos de 10 horas, e foi liberada a venda da versão melhorada dos mísseis S300 ao Irã.
O calcanhar de Aquiles do governo nacionalista russo é exatamente o mesmo de todos os governos nacionalistas, a fragilidade econômica e a dependência do imperialismo. A economia russa é muito unilateral e depende, em grande medida, da importação de produtos manufaturados.

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Ucrânia Guerra ou paz? Por que o acordo de Minsk está com os dias contados?

O último acordo de Minsk foi assinado sobre a pressão do avanço das forças populares do Donbass contra o exército ucraniano. O governo de Kiev tinha concentrado 40% da força militar em Debaltsevo, onde poucos dias após o acordo sofreu uma humilhante derrota. Foram capturados quase 100 tanques e grandes volumes de material militar. A contraofensiva no norte da República Popular de Lugansk, em direção à cidade de Lisitchansk, poderia abrir caminho em direção a Kiev. A derrota dos golpistas na Ucrânia tem o potencial de tornar-se um fator de contágio, de grande envergadura, em relação aos países vizinhos.
A crise capitalista se aprofunda no mundo inteiro, e principalmente na Europa. A recente medida do BCE (Banco Central Europeu), de repassar para os grandes bancos mais de 80 bilhões de euros mensais, a taxas de juros negativas, mostra o grau de descalabro e falta de alternativas do capitalismo mundial para sair da crise. Essa operação, denominada pelos economistas burgueses como alívio quantitativo (quantitative easing) acabou de ser abandonada nos Estados Unidos, por causa do grau de podridão da economia capitalista, que é dominada pela especulação financeira.
O economista norte-americano Nouriel Roubini, que, em 2006, previu a crise da subprime nos Estados Unidos e na Europa, previu, recentemente, um novo colapso da economia capitalista mundial para o próximo ano, detalhando os mecanismos do processo. Desta vez, a campanha contra essa previsão não somente é quase nula, mas vários economistas burgueses aderem a essa previsão.
A crise capitalista é o principal combustível que coloca em movimento as massas, pois enfraquece os mecanismos da estabilidade do sistema. Com o objetivo de conter a revolta das massas, o imperialismo tem fortalecido a extrema direita em todo o mundo. Na Ucrânia, a derrota dos golpistas colocaria em xeque a política do imperialismo norte-americano na Europa, principalmente na Europa Oriental, e em relação à Rússia.

Por que os golpistas de Kiev não podem manter a paz?

O governo de Kiev é controlado diretamente pelo imperialismo norte-americano. Três dos ministros, incluindo a ministra da Economia, moravam nos Estados Unidos e obtiveram a nacionalidade ucraniana dias antes da posse do atual governo de Poroshensko. Outros 11 ministros estão vinculados diretamente a organizações de extrema direita. Várias delas tentam derrubar o governo por meio de um golpe ainda mais alinhado com a política da extrema direita norte-americana. Esse setor do imperialismo norte-americano controla a política exterior do Departamento de Estado.
A economia da Ucrânia representa um dos pontos mais fracos da crise na Europa. De acordo com a própria imprensa imperialista, a situação se encontra à beira do colapso. O jornal direitista The Washington Post publicou recentemente uma matéria titulada “Ucrânia não oficialmente tem uma inflação de 272%”

http://www.washingtonpost.com/…/ukraine-unofficially-has-2…/.

 

Pervomaysk (Primeiro de Maio), em Luganks. A apenas 10 quilômetros do front de guerra.

Pervomaysk (Primeiro de Maio), em Luganks. A apenas 10 quilômetros do front de guerra.

A produção industrial caiu drasticamente. O desemprego e os preços dos produtos de consumo popular dispararam. As reservas caíram para pouco mais de US$ 6 bilhões, o que representa apenas um mês de importações. A inflação, no último mês, teria superado os 60%, o que implica numa situação hiperinflacionária.
O FMI (Fundo Monetário Internacional) anunciou um resgate por US$ 17,5 bilhões, mas impõe como principais condições um fortíssimo ajuste econômico, com a eliminação dos subsídios de energia para a população, e a “pacificação” do Donbass. Ao mesmo tempo, os monopólios que dominam a agricultura mundial, como a Monsanto, a Syngenta, a Bayer e a Basf, começaram as movimentações para se apropriar das ricas terras do ocidente do país que representam um dos grandes campos de plantio de trigo no mundo. O objetivo é impor o controle, em cima dos transgênicos, também para esse grão que está na base alimentícia da população mundial.
A população do Donbass se armou e resistiu logo após o Maidan e as primeiras medidas do governo de Poroshenko e os grupos nazifascistas. O idioma russo, falado em toda a Ucrânia, além das províncias de maioria russa, foi proibido inicialmente, apesar dos golpistas terem rapidamente voltado atrás. Os ônibus que foram enviados da Crimeia para protestar em Kiev, logo após o golpe, foram detidos pelos fascistas do Setor de Direita, que bateram violentamente nas pessoas, chegando a assassinar algumas delas. Em Odessa, na Casa dos Sindicatos, 43 pessoas morreram carbonizadas após hordas fascistas terem incendiado o prédio. Na cidade de Kharkov, a artilharia do exército ucraniano provocou o terror e dezenas de mortos.
A população do Donbass se organizou e enfrentou os golpistas por meio da luta armada. Hoje as repúblicas populares de Lugansk e de Donetsk são uma realidade, constituídas a partir de um referendo e consolidadas por meio da luta.
A situação do governo de Poroshensko é muito instável. O imperialismo norte-americano mantem a carta de um novo golpe dentro do golpe, conforme a situação se deteriorar.

Qual é o papel da Europa no conflito?

O imperialismo europeu, liderado pela Alemanha e a França, mantem contradições com o imperialismo norte-americano, que conta como principal aliado a Grã Bretanha. Essas contradições têm aumentado conforme a crise capitalista tem se aprofundado.
A indústria alemã, que é a locomotiva da Europa e uma das duas principais potências industriais junto com o Japão, tem entrado em recessão. A política dos alemães tem sido diversificar os negócios para além da Europa. Nos últimos cinco anos, o volume das exportações alemãs para a União Europeia, que representam a metade do PIB, foram reduzidas de mais de 50% para 40%. A tentativa de contenção da crise passa pelo aumento dos negócios com a Rússia e a Ásia, principalmente a China e a Índia. Como plataforma de produção é usada a mão de obra barata da Europa Oriental, sendo a Polônia a ponta de lança. O imperialismo norte-americano tem aumentado a pressão para que esse eixo não se fortaleça.
A Alemanha e a Europa buscam desesperadamente reduzir as tensões com a Rússia para aumentar os negócios, apesar das amarrações existentes com os norte-americanos. A imprensa burguesa tem noticiado com fartura as pressões dos industriais alemães neste sentido, no que tem sido denominado o novo “Caminho da Seda”.
A economia russa tem sido atingida em cheio pelas sanções, o que tem levado o País a direcionar um volume importante dos negócios para a China. O governo Putin tenta manter a estabilidade na região para favorecer esse acordo, mas, ao mesmo tempo, aplica uma política direcionada a conter a pressão dos norte-americanos. A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) criou um cordão de isolamento nuclear da Rússia, que inclui o aumento do número de mísseis balísticos nos países Bálticos e na Polônia.
A vitória dos golpistas de Kiev sobre o Donbass implica na inevitabilidade do ataque contra a Península da Crimeia e na entrada da Ucrânia na OTAN, o que elevaria, exponencialmente, a pressão sobre a Rússia. Na Crimeia, está localizada a base naval russa do Mar Negro, a partir da qual parte o abastecimento do governo da Síria, onde, no porto de Tartus, está localizada a base russa do Mar Mediterrâneo. Para a reação mundial, que também busca uma saída de força no Oriente Médio, a contenção política da crise passa pela derrubada do governo de al-Assad e o enfraquecimento, e também derrubada, dos governos nacionalistas. A escalada das movimentações golpistas em todo o mundo e os sangrentos golpes de estado no Egito e na Ucrânia deixa claro que dias da chamada “contrarrevolução democrática” chegaram ao fim.
Os acontecimentos no Donbass têm provocado o crescimento das tendências revolucionárias. Tanto a vitória como a derrota, no estágio atual de desenvolvimento da situação política, têm o potencial de acelerar a mobilização das massas, em primeiro lugar, nas demais províncias de maioria russa na Ucrânia, mas também nos países da região, incluindo a própria Rússia. A crise continua se desenvolvendo em direção ao coração da Europa. A crise nos países centrais aumenta conforme aumenta a desestabilização nos países periféricos.

Quais devem ser o eixos do programa dos revolucionários, no próximo período, em relação à Ucrânia?

A luta do povo de Donbass contra os golpistas de Kiev e o imperialismo norte-americano deve ser apoiada de maneira incondicional e por meio de todas as formas possíveis, inclusive o apoio militar, o que já está acontecendo por meio da Brigada Internacionalista Ernesto Che Guevara.
É preciso fortalecer a propaganda no sentido de que a luta deve ir além do reconhecimento da independência do Donbass. As demais províncias de maioria russa (Odesa, Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia, e Kharkov ao norte) devem ser envolvidas na luta. Para libertar essas províncias dos golpistas é preciso derrubar o governo de Kiev. Para levar a cabo essa tarefa é preciso lutar contra o imperialismo, principalmente o imperialismo norte-americano que controla esse governo.
O próximo governo que surgir da derrubada dos golpistas de Kiev deveria ir além da proposta de reconhecimento da independência do Donbass ou de meras eleições para constituir uma república federativa. É preciso aproveitar o fortalecimento da luta para desconhecer o endividamento público, imposto pelo imperialismo, o que somente poderia ser conseguido por meio da estatização do sistema financeiro. A terra deve ser nacionalizada. Os monopólios e as empresas de todos os que tiveram ligações com os golpistas devem ser expropriados. Essas medidas somente podem ser aplicadas por meio do fortalecimento da participação popular, o que passa pela criação de conselhos populares.
É preciso avançar no sentido do fortalecimento da imprensa independente que, além de noticiar as questões militares e os problemas decorrentes, estabeleça uma posição clara e firme, sobre o desenvolvimento da situação política