Fora Temer: Greve Geral e boicote às eleições! — Gazeta Operária

O governo encabeçado por Michel Temer impôs o início do impeachment contra a presidenta Dilma a mando do imperialismo, principalmente o norte-americano. O racha da base eleitoral do governo do PT se intensificou desde 2014 devido ao aprofundamento da crise capitalista em escala mundial que atingiu em cheio o Brasil e a América Latina. O […]

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Contra o impeachment, Lula 2018? — Gazeta Operária

O processo de impeachment contra o governo do PT avança a todo vapor. A direita tenta viabilizar um governo para impor a escalada do ajuste contra os trabalhadores sobre o espólio da figura do hiper enfraquecido Michel Temer. A direita mais ligada ao imperialismo, como, por exemplo, o chamado PIG (Partido da Imprensa Golpista), […]

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A esquerda sobreviverá?

Crise do regime burguês e crise da esquerda pequeno-burguesa

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A crise capitalista, aberta em 2008, tem escalado com muita velocidade. A baixa nas taxas de lucros dos monopólios tem levado o imperialismo, principalmente o norte-americano, à aprofundar os ataques à classe operária em escala mundial, especialmente nos países atrasados, como os da América Latina.

Uma das políticas colocadas em pé com o objetivo de conter a crise foi a inundação do mercado mundial com crédito oriundo de recursos públicos. Mas a crise do regime político avança. Em 2011, estouraram as revoluções árabes que representavam o elo mais fraco do sistema capitalista mundial. A política adotada pela Administração Obama, a chamada “contrarrevolução democrática”, começava a entrar em colapso na periferia do capitalismo.

Na tentativa de conter a crise, o imperialismo norte-americano tentou colocar em pé regimes de força, como aconteceu com os golpes pinochetistas no Egito e na Tailândia e o promovido em cima de grupos fascistas, na Ucrânia em 2012. Mas as contradições, longe de terem sido superadas ou diminuídas, se acirraram ainda mais.

Essa política de força tende a se intensificar no próximo período devido ao recrudescimento do regime político, que deverão acontecer após as eleições presidenciais nos Estados Unidos, deste ano. No páreo, estão de um lado Hilary Clinton, do Partido Democrata, uma representante da direita tradicional super testada. Ela participou dos governos de seu marido, Bill Clinton, que deram continuidade ao governo de Bush pai e também foi secretária do Departamento de Estado da Administração Obama, onde aplicou em grande medida a política dos “neoconservadores”. Do outro lado, está Donald Trump, um elemento da extrema-direita, que corre por fora do aparato dos partidos tradicionais, nesse caso o Tea Party, que se agrupa no Partido Republicano, o que representa uma tremenda desestabilização do regime.

A direita tradicional se agrupa por detrás de Clinton, na tentativa de se contrapor à extrema-direita que se organiza por detrás de Trump. Independentemente do resultado das eleições, o regime político irá sofrer um recrudescimento e uma política mais agressiva será colocada em prática.

Isso refletirá no recrudescimento do regime político na América Latina e no aumento da pressão imperialista contra os governos dos países da região. Essa pressão tem refletido nos ziguezagues da política da esquerda pequeno-burguesa brasileira, e também latino-americana, que é intrinsecamente centrista e que se encontra integrada ao regime político. Entendemos por esquerda pequeno-burguesa os agrupamentos políticos que representam os interesses das camadas médias da população.

A tendência dos grupos centristas é serem cada vez mais empurrados no sentido da integração ao regime burguês defendendo abertamente o golpe em andamento e o impeachment da presidente Dilma Rousseff, como é o caso do PSTU e de setores do PSOL, ou se mudando de “mala e cuia” para a “frente popular”, encabeçada pelo governo do PT, e adotando a política da conciliação de classes, como aconteceu, como exemplo mais recente, com o PCO.

A implosão do “terceiro campo”

O PSTU, que apoia fielmente o golpismo, já tinha dado amostras de sua política direitista e pró-imperialista muito antes dos primeiros elementos do golpe de Estado no Brasil estarem claros como a luz do dia. O PSTU apoiou, deliberadamente, os Estados Unidos e a administração Obama, durante o golpe militar no Egito e o golpe de características fascistóides na Ucrânia, e pouco antes o golpe branco no Paraguai. Promoveu o imperialismo norte-americano a defensor número um da “democracia” contra a “ditadura” dos governos árabes. Sua oposição ao chavismo na Venezuela e sua defesa ao RCTV, a rede de televisão que apoiou abertamente o golpe contra Hugo Chávez em 2002, são outras evidências de que o PSTU se atirou nos braços da direita.

Hoje no Brasil, a palavra de ordem do PSTU, sobre o “Fora Todos!” e “Eleições Gerais Já!” representam uma política muito oportunista disfarçada de “ultraesquerdismo” que coincide com os interesses da direita. Para tentar camuflar o apoio à direita, a esquerda pequeno-burguesa busca criar um suposto “terceiro campo” a partir da constituição do movimento “Espaço de Unidade de Ação” (o EUA, qualquer semelhança com Estados Unidos da América – EUA não é mera coincidência). Os interesses da classe operária são substituídos pela injúria: “governistas!”.

Quando não expressa uma adesão completa aos ideais da direita, o “terceiro campo” mostra uma passividade mascarada de intransigência verbal diante das capitulações da direção do PT. O “terceiro campo” representa, na prática, uma “saída pela tangente” de quem achou um lugar confortável de onde não necessitará enfrentar a política conciliadora que a “frente popular” impõe ao movimento de massas. Dotar o movimento de uma política capaz de derrotar a ofensiva da direita e do imperialismo significa romper o cerco imposto a esse movimento pelo PT e seus aliados. Ao invés de uma política nesse campo, prefere-se atos separados onde fica cada direção política com seu quintal.

O fato é que o “terceiro campo” se coloca, na prática, no campo da direita. A consequência dessa política é chegar a participar dos atos convocados pela direita. Isso seria repetir o que fizeram em 2014 quando marcharam ao lado da direita e da extrema-direita nas manifestações do “Não Vai Ter Copa”, quando a direita levantava a bandeira da corrupção, tentando impulsionar uma manifestação anti-Dilma. Essa política criava uma cortina de fumaça e não expressava de forma tão acabada, como agora, as bandeiras de extrema-direita. Nessa manifestação as palavras de ordem “Fora Dilma” e “Intervenção Militar Já!” apareceram de forma mais tímida e quando o movimento tinha perdido fôlego. O ponto chave era a presença do MTST no “Não Vai Ter Copa”, o que imprimia à manifestação uma “maquiagem” popular, embora seu conteúdo continuasse sendo direitista.

Nas atuais manifestações da direita, não há nenhum Guilherme Boulos discursando em cima dos carros do MBL (Movimento Brasil Livre) ou do “Revoltados Online!”, ambos movimentos de extrema-direita. Não existe mais essa “maquiagem” popular e a extrema-direita vem atuando de forma muito mais aberta e truculenta. As manifestações se converteram na apologia da volta à ditadura militar, do apoio a Bolsonaro e aos elementos mais direitistas. Figurões da direita tradicional, tais como Alckmin, Dória Jr e até o próprio Aécio Neves, entre outros, chegaram a ser expulsos por esses manifestantes de extrema-direita. Nesse cenário, ficou quase impossível para o PSTU e os demais setores do “Espaço de Unidade de Ação” aderirem às manifestações da direita. Mesmo que o MNN (Movimento Negação da Negação), que participa do “EUA”, o tenha feito.

A política do “terceiro campo” gira em torno do chamado “anti-governismo”. A política oficial do PSTU é levada até as últimas consequências pelo MNN. Ela consiste em depositar a confiança na direita e acreditar que poderá levar a cabo a derrubada do governo do PT que irá se implodir. Com a implosão do PT, a esquerda pequeno-burguesa cooptaria seu espólio, tal como aconteceu na Grécia com o Syriza, abrindo a possibilidade do fim da polarização do regime político entre PT e PSDB. O caminho ficaria livre para que essa esquerda chegasse ao governo. O denominador comum da política do “terceiro campo” é na verdade o oportunismo eleitoreiro.

Os atos realizados pela CSP-Conlutas/ PSTU em São José dos Campos, nas portas das fábricas da GM e da Cherry, representam um exemplo da crise dessa esquerda. Os ônibus que conduziam os trabalhadores da GM foram detidos pelo Sindicato dos Metalúrgicos de SJC a três quilômetros da porta da fábrica. Os trabalhadores foram obrigados a marchar até a portaria atrás de uma enorme faixa onde estava escrito “Fora Todos! Eleições Gerais Já”. A “coincidência” foi que a Rede Globo local estava lá para filmar e noticiar. Na Cherry, houve até boneco de Dilma e de Lula no melhor estilo direitista.

As alternativas com que o PSTU, e os setores do “Espaço de Unidade de Ação”, contam hoje seriam a de se implodir nesse “terceiro campo”, ou a de irem direto para as manifestações da direita, o que, na prática, também representam uma implosão. Isso explica porque alguns agrupamentos do “EUA”, como o MRT, estão desertando e passaram a chamar a participação nos atos do 1° de maio unificado da Frente Brasil Popular.

Qual deve ser a política dos revolucionários?

A esquerda burguesa e pequeno-burguesa, integrada ao regime burguês, tanto por meio da “frente popular”, ou por meio de outras políticas oportunistas, enfrenta gigantesca burocratização.

A “frente Popular”, encabeçada pelo governo do PT, se apoia nos acordos com a direita no Congresso, para manter a “governabilidade” do regime. Colocar as massas a reboque da “frente popular” representa uma traição aos interesses dos trabalhadores. A única maneira de combater o golpe, de maneira efetiva, passa pela organização independente de todos os setores da burguesia.

Os revolucionários devem repudiar a esquerda pequeno-burguesa que se agrupa em torno do chamado “terceiro campo”.

Os revolucionários devem atuar em uma frente única contra o golpe, mas devem sempre manter sua independência em relação às direções oportunistas e a cada capitulação denunciar essas ações que são contra o desenvolvimento da luta. A própria “frente popular”, por sua política de capitulação, ao mesmo tempo, tem se transformado em uma das engrenagens golpistas na medida que impede uma ação efetiva dos trabalhadores contra a direita, como pode ser visto no ato do dia 17 de abril que foi transformado em uma “torcida organizada” na contagem de votos enquanto a cúpula do PT tentava fazer os maiores conchavos com elementos de setores da direita. Como resultado “colheu” uma vergonhosa derrota, enquanto nos manifestantes sobrava o sentimento generalizado de desmoralização. A diferença desse ato, com o do dia 31 de março foi que este começou a ultrapassar os controles burocráticos impostos pela direção da “frente popular”. Muitos grupos (como o MST, o MTST e vários outros) levantaram as bandeiras históricas dos trabalhadores e as democráticas.

Os revolucionários devem atuar junto com a Frente Brasil Popular com objetivo de impulsionar os setores mais dinâmicos, principalmente nos Comitês anti-golpe e nas manifestações contra a direita. O objetivo não deve ser blindar a “frente popular”, mas IMPLODI-LA por meio das denúncias às recorrentes capitulações que devem ser expostas às massas e se mostrar como alternativa revolucionária de direção. “Golpear juntos, mas marchar separados”.

É preciso participar do 1° de maio unificado, impulsionado pelos setores da Frente Brasil Popular, principalmente a CUT, com objetivo de denunciar o golpe parlamentar e também as capitulações da “frente popular” à direita que fazem parte das engrenagens golpistas.

 

NÃO AO GOLPISMO!

Todos ao 1° de maio unificado da Frente Brasil Popular!

Abaixo da política de preservar a “governabilidade”!

Não ao acordão do PT com a direita!

Fora os ministros golpistas do Governo!

Não ao Ajuste, pelos Direitos dos Trabalhadores!

Que a crise seja paga pelos capitalistas!

 

 

 

Quem luta contra o golpe?

 


Resposta Pública à Nota do PCO “Eleitores de Aécio e apoiadores do golpe fascista ‘rompem’ com o PCO acusando o partido de ‘não lutar contra o golpe’”

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  1. Nós, ex-militantes, filiados e simpatizantes do PCO que assinamos o documento “Nota Pública de Rompimento com o PCO” (https://alejandroacosta.net/2016/04/20/nota-publica-de-rompimento-com-o-partido-da-causa-operaria-pco), vimos a público, novamente, para responder às acusações contidas na Nota desse partido intitulada “Eleitores de Aécio e apoiadores do golpe fascista ‘rompem’ com o PCO acusando o partido de ‘não lutar contra o golpe’” (http://causaoperaria.org.br/eleitores-de-aecio-e-apoiadores-do-golpe-fascista-rompem-com-o-pco-acusando-o-partido-de-nao-lutar-contra-o-golpe).
  2. Os aderentes à “Nota Pública de Rompimento com o PCO” repudiamos publicamente a política do PCO e rompemos com ela em termos políticos.
  3. A Nota mencionada e publicada no Diário Causa Operária Online, no dia 22 de abril de 2016, pretende ser uma resposta ao nosso documento “Nota Pública de Rompimento com o PCO” que aborda as divergências políticas com o PCO e com a “frente popular” de conjunto, liderada pela ala majoritária do PT, a Articulação. No entanto, a “resposta” do PCO não contém absolutamente nenhuma discussão política; não há nenhum posicionamento sobre as críticas políticas que fizemos. Não que isso nos cause estranhamento, afinal, tem sido essa a postura do PCO em relação às críticas feitas por suas posições em relação a ficar a reboque da política oportunista do PT, em particular nas manifestações contra o impeachment de Dilma Rousseff, e de ter abandonado todas as bandeiras operárias e, inclusive, democráticas, em prol dessa política.
  4. Antes de entrar no mérito político da questão, gostaríamos de ressaltar uma questão fundamental. As divergências com o PCO, ao contrário do que escrevem os dirigentes, dizem respeito a qual deve ser a política dos trabalhadores para a atual conjuntura e, de forma mais ampla, um desacordo com a política adotada por esse partido. Há, antes de tudo, duas políticas sobre a atuação do movimento de massas: a do PCO é a da capitulação aberta à “frente popular”; a nossa busca implodir a “frente popular” por meio das denúncias mediante suas capitulações e estabelecer uma alternativa revolucionária de direção às massas.
  5. A direção do PCO tenta transformar as posições políticas numa disputa pequeno-burguesa, direcionada a acusações pessoais, sem fundamento político e, essas sim, mentirosas. O objetivo é fugir do debate político “que nem diabo foge da cruz”.
  6. O PCO usa a tática das acusações sem fundamento, no estilo PSTU, na tentativa de desqualificar os críticos como “caluniadores”, e que o PCO adotou como alvo preferencial das críticas. Qual seria exatamente a diferença de método das acusações corriqueiras do PSTU de “machismo”, “homofobia”, “racismo” e as do PCO: “policialescos”, “agentes provocadores”, “aliados da direita”?
  7. Para que não fique dúvida, vamos elencar novamente, de forma resumida, as críticas e considerações que fizemos na “Nota Pública de Rompimento com o PCO”: 1 – Deve-se lutar contra o golpe parlamentar organizado pela direita e o imperialismo. O golpismo não se resume ao impeachment; vai além dele; 2 – Nessa luta a classe trabalhadora deve atuar em uma Frente Única com as organizações de massas dirigidas majoritariamente pelo PT e seu aliado, o PCdoB; 3 – Nessa atuação, os trabalhadores devem ser totalmente independentes em relação à Frente Popular (não confundir com a Frente Brasil Popular) e, assim, necessitam levantar, e bem alto, suas bandeiras de luta, em primeiro lugar a luta contra o “Ajuste Fiscal”, e as bandeiras democráticas, que também foram abandonadas pelo PCO, tais como a luta pela Reforma Agrária, a luta pelo petróleo nacional e uma Petrobrás 100% estatal, sob controle dos trabalhadores, e contra a política de rapina dos monopólios estrangeiros, entre outras; 4 – Divergimos do PCO, pois atua de forma integrada ao PT, abandonando as bandeiras operárias e, mais, se abstendo de criticar as capitulações do PT à direita; 5 – As capitulações do PT à direita (tentativa sistemática de acordo em nome da “governabilidade”, depositar ilusões no parlamento burguês etc.) têm se convertido em engrenagens golpistas à medida que impedem a ação independente dos trabalhadores, único meio para derrotar os golpistas; 6 – Nesse caso, o PT se torna vítima do golpe e, ao mesmo tempo, engrenagem do golpe por causa de sua política oportunista.
  8. Vale ressaltar que as nossas críticas não têm nada de estranho ao movimento operário em geral, nem mesmo à luta anti-golpista que se trava nesse momento no Brasil. Várias organizações que compõem os atos anti-golpe têm feito críticas abertas em relação à aplicação do plano de ajuste contra os trabalhadores, aplicada pelo governo do PT e até mesmo aos rumos da luta citada. Isso ficou muito claro, principalmente, nos atos do dia 31 de março de 2016, quando várias organizações se posicionaram nesse sentido, dentre elas, o MST (Movimento dos Sem Terras) e o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).
  9. O PCO tem se dedicado a caluniar o companheiro Alejandro Acosta por causa das posições políticas, mas sem enfrentar, em qualquer momento, o debate político. Nos últimos artigos, ele tem levantado a palavra de ordem de “Abaixo os Ministros Golpistas”, que foi incluída na “Nota Pública de Rompimento com o PCO”. Agora, vejamos um trecho de um recente artigo publicado no site da Frente Brasil Popular sob o título de “A Luta Contra o Golpe Continua”:   Demandamos à presidenta da República que prontamente reorganize seu ministério, com representantes das forças partidárias e sociais que conformam a resistência democrática. Este novo governo está chamado a adotar medidas emergenciais que protejam a renda e o emprego dos trabalhadores” (frentebrasilpopular.com.br, 20/4/2016).   Como pode se ver, o antigo crítico da conciliação de classes do PT, hoje tem se tornado mais dócil à cúpula desse partido do que muitas das correntes internas petistas. Na prática, a política PCO repete abertamente as posições da Articulação, a ala majoritária do PT.
  10. Segundo o PCO, ou você adere integralmente à política da direção do PT ou está no campo da direita. As acusações do PCO não representam nenhuma novidade. Essa política coincide com a velha política estalinista adotada no VII Congresso da Internacional Comunista, de 1935, que transformou em política permanente a capitulação às ‘frente populares”. Com o argumento de que eram contrarrevolucionários, os trotskistas (bolcheviques-leninistas) foram perseguidos e caluniados de maneira grotesca. A nossa política é a favor da Frente Única contra o golpe, mas mantendo a independência de classe e repudiando a capitulação à “frente popular”. Somos a favor da luta pela organização da classe operária, e dos trabalhadores em geral, de maneira independente de todos os setores da burguesia.
  11. A política do PCO adere abertamente à tese dos “dois campos”, adotada, por exemplo, pelos revisionistas que se reivindicavam trotskistas no pós-guerra. Para o PCO, haveria o “campo democrático” e o “campo golpista”. No “campo democrático”, estariam as forças progressistas, o que inclui uma aliança com os, supostos, setores democráticos da burguesia, onde os “revolucionários” deveriam se diluir (não criticar implica em diluição) nos interesses da “burguesia progressista”. Nós, pelo contrário, afirmamos que a “luta contra o golpe”, mesmo com a adesão parcial à Frente Única, jamais representa uma luta da democracia contra a ditadura em abstrato. Qualquer luta, antes de tudo, é uma luta de classes. A tática de unificação do movimento operário corresponde à necessidade da luta defensiva e unitária contra um inimigo comum, sem que isso represente a diluição dos revolucionários na política oportunista das direções das organizações de massas. A Frente Única representa apenas uma política temporária, não permanente.
  12. Essas são as questões centrais que toda a resposta caluniosa do PCO tenta esconder. O PCO foge do debate político simplesmente devido à incapacidade de conciliar as posições adotadas anteriormente, mesmo que tenha sido feito de maneira demagógica, com as defendidas no momento atual. Vejamos uma resolução adotada pelo PCO em seu VII Congresso, realizado em 2014:

“A conclusão inevitável desses fatos é que se
torna necessário construir um partido, na medida em que o PT
não cumpre efetivamente esse papel e é, claramente, O PRINCIPAL
RESPONSÁVEL, com a sua política de conciliação de classes,
pela ofensiva da direita
e pelo enfraquecimento das organizações
operárias e democráticas.” (Ponto 15.3 do documento: Informe da Situação Política, do VII Congresso do Partido da Causa Operária, de 2014).

E ainda no ponto 7.1.3 do Informe Político do mesmo Congresso:

“O compromisso com os limites impostos pela própria burguesia e o imperialismo fez do PT um disciplinado cumpridor da política de “austeridade fiscal” (as metas de “superávit primário”), restringindo o uso do dinheiro público e o crescimento da máquina estatal. O mesmo pode-se verificar quanto ao pagamento dos juros exorbitantes das dívidas públicas interna e externa, que renderam elogios e solidariedade das lideranças dos países imperialistas”

Ora, se o PT representa o principal responsável pelo “enfraquecimento das organizações operárias e democráticas” e “pelo avanço da direita”, a política do PCO de se abster de criticar as capitulações do PT são oportunistas e contrárias ao que foi aprovado no Congresso. Ainda temos a lamentável “coincidência” (!) do banco de matérias do site do PCO não estar mais no ar, há várias semanas, que permitiria apontar com ainda mais detalhes essas “contradições”. Ou será que se trata de uma “feliz coincidência” para os interesses da direção do PCO a reboque da Articulação?

Vale lembrar que o pagamento dos serviços da dívida pública é responsável pela sangria de mais de 44% dos recursos do Orçamento Público Federal e que o imperialismo pressiona para esses repasses sejam aumentados. O PT subiu ao governo, em 2003, beijando a mão do hiper direitista George Bush Jr e tendo como principal cabo eleitoral o próprio FHC. Tudo isso é jogado para baixo do tapete pela política do PT que não reconhece que a capitulação do PT à direita acelera o golpismo.

  1. Com o objetivo de fugir da discussão política, a direção do PCO afirma que o trabalhador dos Correios Marlos Caio, também conhecido pelo apelido de “Zóio”, é um eleitor de Aécio Neves e exibe alguns prints as e democro das organizaçimoeu las defendidas no momento atual. PCO se ausenta do debate pols-leninistas) eram contrarrevolude sua página nas redes sociais. O “detalhe” esquecido pelo PCO, nesse caso, é que durante a campanha para as eleições presidenciais de 2014, única oportunidade em que “Zóio” poderia ter votado em Aécio Neves, ele ainda se encontrava nos quadros do PCO e, ali permaneceu por mais um tempo, chegando a participar da célula de Uberlândia-MG até romper com o PCO junto com aqueles que formariam a Liga Popular e Sindical (LPS), em 2015. Nesse caso, portanto, não caberia a nós explicarmos isso, mas à direção do PCO. No entanto, não estamos aqui para julgar o carteiro Marlos Caio. Ele foi um dos 38 assinantes da “Nota Pública de Rompimento com o PCO” porque concordou com as políticas ali colocadas e por se tratar de um ex militante do PCO. E vale também salientar que as posições do “Zoio” não são exclusividade dele. Outros militantes do PCO, como o também carteiro Adenir, de Brasília, conhecido como Boiadeiro, para citar apenas um exemplo muito similar, tem mantido posições muito parecidas e ainda “mais confusas” sobre muitas questões. E essas “posições confusas”, criticadas de maneira demagógica pelo PCO, estão longe de serem exclusivas destes dois companheiros trabalhadores dos Correios. O PCO teria sido infiltrado por Aécio Neves? Na realidade, a política de recrutamento “menchevique” de militantes é generalizada na esquerda, o que, obviamente, tem reflexos sobre o nível dos militantes, a estrutura da organização etc. E quando se trata de filiações, o “menchevismo” vai às alturas. Em várias ocasiões o PCO tem filiado inclusive elementos da direita para atender as imposições do TRE e também para “fazer volume”, tendo dado lugar a várias crises.
  2. Sobre as questões políticas relacionadas com os ex militantes de Minas Gerais, deveria ser dito que as críticas apresentadas pela direção do PCO têm, em grande medida, um caráter demagógico e o objetivo continua sendo de fugir da discussão das questões políticas. Afinal, é evidente que para o PCO é praticamente impossível explicar o “batom na cueca”, a capitulação vergonhosa à “frente popular”.

Quando o grupo (a atual Luta Popular e Sindical, a LPS) se encontrava em formação, em meados do ano passado, é evidente que apresentava importantes limitações. Mas também é fato que essas limitações foram, no fundamental, responsabilidade da própria direção do PCO, principalmente sobre a formação dos militantes e ao próprio caráter oportunista dessa relação. E a LPS, a diferença da direção do PCO, apresentou avanços, como pode ser constatado posteriormente. Nos atos de 18 de março deste ano, os militantes da LPS foram dos pouquíssimos que, em Belo Horizonte, levantaram as bandeiras operárias como base da luta contra o golpe. No ato do dia 31 de março, repetiram a mesma política em Brasília e em Belo Horizonte junto com outros movimentos sociais, como o MST e o MTST, e outros agrupamentos políticos.

Sobre os erros apontados, que o PCO os apresentou como um verdadeiro escândalo, vale reforçar que a própria LPS os considera como erros. Mas o “esclarecido” PCO tem escrito matérias com erros ainda muito mais graves e nunca disse uma única palavra sobre eles. Isso sem contar os erros graves nas frentes de atuação. Por exemplo, na matéria publicada no dia 23 de julho de 2011 no site do PCO, sobre os atentados na Noruega, executados por um nazista, que deixaram um saldo de dezenas de mortos e feridos, a “análise” dizia: “Em primeiro lugar, é evidente que se trata de um ataque ao governo, uma vez que os dois atentados se dirigiram contra organizações ligadas a ele. Por isso, o ataque é parte das ações das massas europeias que estão enfrentando o regime político de seus países como resposta à crise [negrito nosso], principalmente nos países onde os capitalistas estão impondo seus planos de austeridade contra a classe operária”. Ou seja, segundo o PCO, o ataque da extrema direita seria “parte das ações das massas europeias”. Isso não seria mil vezes (ou até um milhão de vezes) mais contrarrevolucionário que o que o PCO lhe critica à LPS?!

Outra das várias pérolas do PCO, aconteceu quando durante um bom tempo ficou dizendo que os grupos guerrilheiros muçulmanos sunitas no Oriente Médio eram um fator ainda mais revolucionário que a onda anterior encabeçada pelos xiitas a partir da Revolução Iraniana. Vale lembrar que esses grupos mantinham, e ainda mantêm, fortes ligações com os serviços de inteligência de várias potências. As revoluções nos países árabes foram rapidamente infiltradas.

Os exemplos dos “deslizes” são inúmeros. Mas “lamentavelmente”, e para deleite do “companheiro Wagner Freitas” (o presidente da CUT) e seus amigos da Articulação do PT, o histórico público do site do PCO desapareceu. Essa é apenas mais uma manobra oportunista.

Mas, nós deveríamos avaliar a atuação do PCO em cima desses “deslizes”? Ou deveríamos avaliar a política atual de total capitulação à “frente popular” que representa uma traição aberta contra os trabalhadores?

  1. Nós reivindicamos os métodos “bolcheviques” de recrutamento de militantes, conforme os ensinamentos de Lenin. O partido operário revolucionário deve ser formado por quadros e não por militantes, ou filiados, que não estejam dispostos a assimilar de maneira consciente o marxismo e a lutar, de maneira consciente, pela revolução proletária. Repudiamos os métodos do PCO sobre os “militantes idiotas” e os “militantes iluminados”. Também repudiamos a aplicação da chamada “tática 2” (uso de sexo, drogas e relacionamentos pessoais para o recrutamento) recorrentes em vários grupos de esquerda. Da mesma maneira repudiamos, quaisquer outros métodos estranhos aos interesses da classe operária. Nós consideramos que a aplicação do centralismo democrático, a elaboração coletiva da política por quadros ideológica e politicamente comprometidos com a luta está na base da formação de uma organização revolucionária.
  2. Para tratar de mais uma contradição (de mais um dos inúmeros “batons na cueca”) e da acusação de que alguns de nós termos rompido sem alegar divergências políticas no momento da ruptura, podemos recorrer a um exemplo que diz respeito ao próprio PCO. Afinal, foi esse partido que após um relacionamento estreito de mais de três décadas com o Partido Obrero (PO), da Argentina, e seguir a política de seu principal dirigente, Jorge Altamira, que o PCO rompeu com o PO sem nenhum rompimento político feito de forma pública. Assim permaneceu a relação do PCO com o PO por anos! Esse “rompimento” aconteceu em 2008, (mais uma das inúmeras felizes “coincidências”) o mesmo ano em que a direção do PCO estabilizou o recebimento do Fundo Partidário. Mas para a direção do PCO, o que vale para si próprio não vale para os demais! Isso, os ex militantes do PCO e os poucos que ainda sobraram no partido conhecem muito bem.
  3. A “resposta” do PCO à “Nota Pública de Rompimento com o PCO” reforça a total falência do PCO na luta pela construção de um partido operário revolucionário, além da completa incapacidade para responder em termos políticos às nossas críticas políticas sem expor a total capitulação à “frente popular”. Ainda voltamos a alertar publicamente que a campanha para nos identificar como “agentes da direita”, caluniadores”, “farsantes” “policialescos” tem como objetivo, além de fugir do debate político, amedrontar quem aderiu à Nota de Ruptura com o PCO, por meio da truculência e o assédio mediante vários mecanismos e métodos. As mais recentes ações do PCO, que refletem a crise e o desespero da direção, mantém a nossa preocupação pública em relação à integridade física dos assinantes, que já foi denunciada publicamente (https://alejandroacosta.net/2016/04/12/nota-publica-sobre-a-integridade-fisica-de-alejandro-acosta/). Afinal, como já dissemos, o que deveriam esperar pessoas qualificadas dessa maneira (embora não passe de uma farsa)?
    Rejeitamos esse tipo de calúnias e se fazemos essas críticas é porque elas fazem parte da polêmica política de militantes, simpatizantes, filiados que, após uma experiência com o PCO, rejeitamos essa organização, por considerar que se “mudou”, com “mala e cuia”, à “frente popular”, e atua com outra política, a da traição aberta aos interesses históricos da classe operária.

Manobras ou luta?

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Dilma na ONU e impeachment no Senado  

Mesmo depois de aprovado, a abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma, pela Câmara dos Deputados (por 367 contra 134), as ilusões da direção do PT no Congresso, dominado pela direita, aceleraram ainda mais. Na Câmara, o PT sofreu uma derrota expressiva. Isso porque toda sua “base aliada” direitista passou para o outro lado, traindo a presidenta Dilma e aprovando a abertura do impeachment.

A cúpula do PT, seus deputados e senadores, como classicamente faz toda “frente popular” (não confundir com a Frente Brasil Popular), apostam agora todas suas fichas nas ilusões “democráticas” do Estado burguês e acreditam na saída parlamentar, negociada com a direita. Para a cúpula do PT é possível que o golpe parlamentar seja barrado dentro do Senado Federal. Isso porque para eles o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB) seria diferente do presidente da Câmara dos Deputados, o ultra-reacionário e evangélico, Eduardo Cunha.

Os senadores petistas reconhecem que a situação da presidenta, em suas próprias palavras, é muito difícil, mas não “irreversível”. A avaliação geral da cúpula do PT é de que, apesar do momento adverso, o governo tem chances de impedir o afastamento de Dilma no Senado, por meio de um conchavo com a direita. Ou seja, Renan Calheiros poderia levar a discussão do impeachment no sentido de garantir um processo mais longo e que possa dar tempo para que o governo Dilma e o PT “armem suas defesas”.

Segundo os petistas, Renan Calheiros seria um adversário histórico de Michel Temer dentro do PMDB e, por isso, conduziria as votações de forma “diferente”. Ou seja, novamente temos “mais do mesmo” do ultra-cretinismo parlamentar. A saída continua sendo os acordos com a direita que “dispensariam” uma forte mobilização das massas, o que implica no risco da perda do controle social.

Escala o cretinismo parlamentar da “frente popular”

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Outro elemento levantado pela cúpula do PT é de que a oposição, na Câmara dos Deputados, não teve a esperada votação acachapante e que, no Senado, a discussão, supostamente, recomeçará. As ilusões na “democracia” tupiniquim equivalem a acreditar em contos de fada. Nos últimos meses, o PT alegava que teria condições de vencer na Câmara dos Deputados e dava como favas contadas que no Senado a derrota era inevitável. Como, após a derrota do governo, que, supostamente, deveria ter sido uma vitória, houve a mudança em cima das mesmas premissas falidas?

O Senador do PT do Rio Grande do Sul, Paulo Paim, chegou a fazer declarações públicas no sentido de não acreditar no avanço do impeachment no Senado. Isso porque para ele ninguém conseguirá atingir os dois terços necessários para aprovar a proposta contra a presidenta, a não ser por acordo. No entanto, o Senador reforça que “quem fizer acordo oportunista dançará”. Acredite quem quiser.

Para reunir os votos necessários, entre as apostas, está a de conquistar apoios de partidos que já foram da base aliada do governo e que votaram, na Câmara, majoritariamente contra Dilma, como foi o caso do PP (Partido Progressista), de Paulo Maluf, e do PSB (Partido Socialista Brasileiro).

Em caso de uma nova derrota no Senado, as ilusões da cúpula do PT não acabarão. Já sonham que o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, poderá considerar o impeachment improcedente e por isso haveria mais uma chance de ser barrado pelas vias institucionais. E mesmo sendo derrotados, a direção do PT discute a possibilidade de encurtar o mandato da presidenta Dilma e chamar novas eleições presidenciais em outubro junto com as eleições municipais. Uns verdadeiros “mestres” dos malabarismos da “democracia” burguesa.

Mais uma vez, a política assumida por Dilma e toda a direção petista é a de minar a luta aberta contra o golpe e o avanço da direita e reforçar a campanha de “pressão aos parlamentares”, retirando a luta do campo do enfrentamento, se necessário direto, com a direita nas ruas, e atuando exclusivamente no campo parlamentar. Essa é mais uma amostra do cretinismo parlamentar, o amor incondicional pela “democracia” burguesa tupiniquim, ultra-limitada, típico das “frentes populares”. Não se pode combater o golpe utilizando as engrenagens do próprio golpe, como o parlamento.

Dilma chegou a recuar em seus pronunciamentos contra o desenvolvimento do golpismo no país. Durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que aconteceu em Nova York, na sexta-feira dia 22 de abril, declarou que o Brasil vive um momento grave e que os brasileiros saberão impedir “um retrocesso”. Dilma encerrou seu pronunciamento sem citar o golpe parlamentar, sem defender seu governo e sem denunciar as arbitrariedades da direita contra o PT. Com essa postura, ganhou elogios até do vice-presidente Michel Temer, uma das principais lideranças golpistas, que disse que o discurso de Dilma foi “adequado”. Ou seja, defensivo e mais uma vez marcado pela capitulação.

A política da cúpula do PT consiste em recuar na denúncia contra o golpe e centra-la na confiança nos acordos com os setores parlamentares direitistas e usar os trabalhadores e a população explorada como instrumento de pressão parlamentar, colocando-os, em definitivo, a reboque de elementos que são muito mais aliados dos golpistas do que do próprio PT.

Qual deve ser a política dos revolucionários contra o golpe?

A “frente Popular”, encabeçada pelo governo do PT, se apoia nos acordos com a direita no Congresso, para manter a “governabilidade” do regime. Colocar as massas a reboque da “frente popular” representa uma traição aos interesses dos trabalhadores a única maneira de combater o golpe, de maneira efetiva, passa pela organização independente de todos os setores da burguesia.

Os revolucionários devem atuar em uma frente única contra o golpe, mas devem sempre manter sua independência em relação às direções oportunistas e a cada capitulação denunciar essas ações que são contra o desenvolvimento da luta. A própria “frente popular”, por sua política de capitulação é, ao mesmo tempo, tem se transformado em uma das engrenagens golpistas à medida que impede uma ação efetiva dos trabalhadores contra a direita, como pode ser visto no ato do dia 17 de abril que foi transformado em uma “torcida organizada” na contagem de votos enquanto a cúpula do PT tentava fazer os maiores conchavos com elementos de setores da direita. Como resultado “colheu” uma vergonhosa derrota, enquanto nos manifestantes sobrava o sentimento generalizado de desmoralização. A diferença desse ato, o do dia 31 de março começou a ultrapassar os controles burocráticos impostos pela direção da “frente popular”. Muitos grupos (como o MST, MTST e vários outros) levantaram as bandeiras históricas dos trabalhadores e democráticas.

Os revolucionários devem atuar dentro da Frente Brasil Popular com objetivo de impulsionar os setores mais dinâmicos, principalmente nos Comitês anti-golpe e nas manifestações contra a direita. O objetivo não deve ser blindar a “frente popular”, mas IMPLODI-LA por meio das denúncias às recorrentes capitulações que devem ser expostas às massas.

 

NÃO AO GOLPISMO!

Abaixo da política de preservar a “governabilidade”!

Não ao acordão do PT com a direita!

Fora os ministros golpistas do Governo!

Não ao Ajuste, pelos Direitos dos Trabalhadores!

Que a crise seja paga pelos capitalistas!

 

NOTA PÚBLICA DE ROMPIMENTO COM O PARTIDO DA CAUSA OPERÁRIA (PCO)

 

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Nós, que abaixo assinamos este documento, declaramos publicamente nosso total rompimento político com o Partido da Causa Operária (PCO).

As políticas aplicadas pelo PCO representam o abandono dos interesses históricos da classe operária e do conjunto dos revolucionários.

A partir de uma avaliação da conjuntura política atual, que coincide totalmente com a avaliação da cúpula do Partido dos Trabalhadores, a direção do PCO passou a se integrar totalmente à “frente popular”, liderada pelo governo do PT (não confundir com a Frente Brasil Popular).

O PCO direcionou todos os esforços para blindar o governo do PT e, a reboque dessa política, tem contribuído com a ilusão às massas e para que a luta contra o impeachment ficasse nos marcos do parlamentarismo burguês. A luta contra o impeachment faz parte da luta geral da classe operária porque ele representa um golpe de tipo parlamentar. Mas, o verdadeiro golpe que o imperialismo busca impor vai muito além do impeachment.

Nós, de acordo com os interesses da classe operária, entendemos que o golpe de estado está constituído por um conjunto de engrenagens em desenvolvimento. Essas engrenagens se desenvolvem em escala regional e mundial. O governo do PT também é uma vítima do golpismo. No entanto, por causa das capitulações à direita, ao aplicar o plano de “ajustes” contra os trabalhadores em prol da “governabilidade”, em benefício do grande capital, e dificultar a organização independente dos trabalhadores, tem se convertido numa dessas principais engrenagens que abrem caminho para a implantação de um regime de força contra as massas.

A direção do PCO, seguindo a melhor tradição do revisionismo e do oportunismo na história do trotskismo mundial, tem propagandeado que “nesse momento, tem dois campos no Brasil. O campo do golpe e o campo dos que são contra o golpe”. A luta contra o golpe não é a luta da “democracia” contra a “ditadura” em abstrato, como afirma a direção do PT e referenda o PCO, às vezes de forma passiva, às vezes de forma ativa. A luta contra o golpe faz parte da luta de classes, onde os interesses dos trabalhadores (inclusive as bandeiras democráticas) devem ser colocadas sobre essa perspectiva. Para o PCO, as bandeiras da classe operária deveriam ser abandonadas até que o golpe seja derrotado. Nós rejeitamos essa política e entendemos que não há nenhuma contradição entre lutar contra o golpe e levantar as reivindicações dos trabalhadores, uma vez que ataques de grande proporção (Reforma Trabalhista, Previdenciária etc) estão no centro da política golpista.

De acordo com o marxismo, nós consideramos que a luta de classes acontece entre a burguesia e o proletariado, as principais classes sociais da sociedade capitalista. Em cima dessa luta entre a burguesia e o proletariado é que se estabelecem os campos. Não entre a democracia burguesa (que no Brasil é ultra limitada) e os golpistas. Os setores pequeno-burgueses, e os limitados setores burgueses, CONTRÁRIOS ao golpe, são vacilantes e se tornaram engrenagens do golpe por causa das capitulações. Por esse motivo, basear a luta contra o golpismo em abrir mão das bandeiras operárias e democráticas, para atender os interesses da Articulação, o setor que controla o PT, e as organizações que lideram os atos anti-golpistas, é considerado por nós como uma traição à classe operária e uma capitulação à “frente popular”, encabeçada pelo PT. Contra a política do “partido anti-golpe”, com classes antagônicas diluídas em um bloco comum, nós levantamos a bandeira do partido operário revolucionário.

A política do PCO não é nova. Segue a velha “Teoria dos Dois Campos burgueses progressivos”. O PCO se encontraria num “campo progressista”, democrático, contra o campo da direita golpista. A direção do PCO separa a luta contra o golpismo da luta contra o conjunto do regime burguês. A Teoria dos Dois Campos representa uma política própria da etapa do imperialismo que teve como maior representante, inicialmente, os Mencheviques, no Governo Provisório de 1917, na Rússia. Também foi aplicada reiteradas vezes por Josef Stalin na linha política do jornal do Partido Bolchevique, o Pravda (após março de 1917). Posteriormente, também a aplicou com a política do “Socialismo Num Só País” e, fundamentalmente, com as “frentes populares” na Espanha e França após a subida de Hitler ao poder, na Alemanha, em 1933. Hitler acabou liquidando o fortíssimo PCA (Partido Comunista Alemão), que contava com um milhão de membros e desabou igual a um castelo de cartas.

Nas fileiras do trotskismo, Michel Pablo ficou “famoso” quando, em 1952, defendeu abertamente essa política. Mas foi em 1935, no VII Congresso da Internacional Comunista estalinista, com a “frente única antifascista”, que a política da “frente popular” adquiriu caráter oficial e permanente, tendo como base a frente popular da França. As traições se avolumaram e elas próprias estiveram na base do XX Congresso do PCUS (1955) e como um dos fatores que levaram à implosão da União Soviética.

Sobre o “Ajuste Fiscal” contra os trabalhadores, o PCO considera que se trata de “uma política de equilíbrio orçamentário do estado” e que não seria uma política proletária “nem o ajuste nem a falta de ajuste”, ou seja, que não caberia aos trabalhadores se insurgirem contra esses ataques. Além disso, ainda nas palavras do PCO, “esse negócio de que lutar só contra o golpe é errado é de gente que não vive a política na realidade”. E complementam: “tem uns malucos que querem ir ao ato [de 31 de março de 2016] para protestar contra a política da Dilma. Nós, da Frente Popular, temos que dizer que é um ato contra o golpe. Quem não quiser lutar contra o golpe que fique em casa”. Ou seja, o PCO passou de uma organização que se propunha lutar pela revolução proletária para “bate-pau” da cúpula do PT. Essa política conduz, inevitavelmente, à derrota da luta contra o golpe.

Nós consideramos que a política do “Ajuste Fiscal” contra os trabalhadores está na base do desenvolvimento do golpismo e não é apenas uma “teoria argentina maluca”, como o PCO considera. Trata-se da tentativa do imperialismo de aumentar o peso da crise sobre os trabalhadores. Como o governo do PT não consegue aplicar integralmente o ajuste contra os trabalhadores, o imperialismo impõe a entrada em cena da direita. Mas a direita não consegue aplica-lo sem recorrer a crescentes medidas de força. Ficar a reboque da política petista é extremamente pernicioso, para os interesses dos trabalhadores, porque o desenvolvimento golpista conduz a enfrentamentos de grandes proporções com o imperialismo e seus agentes nacionais. Hoje não está colocado um golpe militar por causa da situação regional e mundial, principalmente devido ao aprofundamento das contradições entre as alas do imperialismo norte-americano perante as eleições presidenciais que acontecerão neste ano nos Estados Unidos. Mas o desenvolvimento golpista avança, inevitavelmente, em direção ao endurecimento do regime. Conforme as contradições entre a burguesia e o proletariado escalarem, por causa do aprofundamento da crise capitalista, a burguesia e o imperialismo colocarão a alternativa da extrema-direita à ordem do dia.

Os revolucionários devem lutar, de forma independente de todas as alas da burguesia, contra o golpismo, em primeiro lugar, sem “rabo preso” com a “frente popular”. A política de independência de classe prepara os trabalhadores para enfrentamentos maiores, seja contra um recrudescimento do golpismo ou em lutas contra a escalada dos ataques contra seus direitos e condições de vida.

Hoje, essa luta contra o ajuste está sendo levantada em cima da pressão das bases por causa do brutal aprofundamento da crise. O que vemos hoje, representa apenas o aperitivo do que virá no próximo período, para quando estará colocado um novo colapso capitalista mundial. O governo do PT mantém o equilíbrio relativo das contas públicas, garantindo os repasses para os especuladores financeiros, emitindo títulos da dívida pública. O imperialismo, representado pela direita, tem medo do Brasil não conseguir manter esses mecanismos funcionando e o país quebrar. Essa é a base da política do ajuste, que implica no aumento dos ataques contra os trabalhadores.

O PCO em nenhum momento criticou a política da cúpula do PT para conter o golpe parlamentar, que era a “saída negociada”, a “REPACTUAÇÃO” para incluir a direita num governo de “unidade nacional contra os trabalhadores, caso o impeachment tivesse sido derrotado.

Nós consideramos que a política imposta pela ala hegemônica do imperialismo norte-americano para a América Latina, NESTE MOMENTO, passa por governos que tenham como modelo o governo Macri, da Argentina. Por meio de maioria parlamentar, mesmo frágil, esses governos têm como política um forte ajuste, uma nova onda neoliberal, contra os trabalhadores.

Precisamos acompanhar de perto o desenvolvimento da situação regional e mundial e, principalmente, avaliarmos com muito cuidado a evolução e os resultados das eleições presidenciais que acontecerão neste ano nos Estados Unidos. Essas eleições implicarão em mudanças da política do imperialismo para nossa região no próximo período.

Consideramos que a capitulação à “frente popular” pelo PCO tem como base material o aprofundamento das contradições entre os setores da burguesia que adquiriram um alto nível de acirramento tendo aumentado a pressão sobre os revolucionários e a esquerda em geral.

O PCO requenta a política do VII Congresso da Internacional Comunista, de 1935. Na Espanha, os estalinistas orientaram a abandonar as reivindicações operárias para direcionar todos os esforços à derrota do general Francisco Franco, durante a guerra civil da década de 1930. Na França, houve o acordo entre a direita e a esquerda do regime burguês para conter a crise por meio do parlamentarismo. Ou seja, todas as tentativas de conciliação de classes fracassaram miseravelmente e levaram a grandes derrotas da classe operária e à ascensão do fascismo.

Hoje, no Brasil, está colocado o aumento da pressão da direita sobre os trabalhadores e sobre o regime político. O PCO, assim como a esquerda como um todo, tem sofrido o aumento da pressão da direita. O PCO sofre a ameaça iminente da perda do Fundo Partidário e da própria legenda. Há também a dificuldade para se vincular ao movimento de massas por causa do próprio burocratismo e das políticas oportunistas.

A capitulação à “frente popular”, e mesmo a quase impossível saída da “frente popular”, não depende do desejo de “gênios” individuais, mesmo que o sejam, mas da pressão das condições materiais. Se trata de um caminho sem volta. Essa capitulação envolve a aliança com o “bloco democrático” burguês contra os golpistas e a abstenção de críticas ao “bloco democrático”. O abandono das palavras de ordem históricas da classe operária, em primeiro lugar, a luta pelo governo operário e camponês, ditadura do proletariado e a construção do partido revolucionário. O PCO até abandonou as bandeiras democráticas, como a luta contra a aprovação da Lei Antiterrorista, a luta contra a entrega do Pré-Sal, o veto da presidenta Dilma sobre a auditoria da dívida pública, entre outros.

O PCO “esquece” que a questão central é a luta pelo poder e que, para isso, é preciso organizar os trabalhadores, independentemente de todos os setores da burguesia. Como todo revisionismo, sofreu uma virada oportunista, apesar do verniz esquerdista para encobrir a traição. O PCO diz: “lutar contra o golpe da direita em curso. Não há apoio às políticas do governo. Não tem um programa em comum nem nada. É uma frente pra derrotar o golpe da direita.”

Ao contrário da política aplicada pelo PCO, os revolucionários devem se posicionar contra os golpistas, mas os acordos devem ser práticos, limitados à luta e sem abrir mão em absolutamente nada que se relacione com a independência de classe. Esses acordos devem ser concretos e nunca subordinados à “frente popular”. A essência de classe do regime burguês continua a mesma no governo da “frente popular”. E, por esse motivo, ela deve ser denunciada perante as massas e combatida como uma engrenagem do golpe. Mentir às massas sobre o caráter da “frente popular” representa uma traição à classe operária. A aliança com os partidos da “frente popular” não deve ter como objetivo BLINDA-LA, mas IMPLODI-LA a partir da mobilização das massas, independente de todos os setores da burguesia. Essa é a essência política da Frente Única, conforme explicada por Lenin e por Trotsky e que nós reivindicamos. É preciso uma política de explicação “paciente” aos trabalhadores, conforme Lenin orientou. A Frente Única não é um fim em si mesma. Ela serve para desenvolver a luta em um dado período político. Quando o PCO se abstém de criticar as capitulações da “frente popular”, subverte essa política, ao invés de efetivamente lutar contra o golpe, encobrindo o governo de colaboração de classes.

É preciso participar da luta contra o golpe atuando na Frente Brasil Popular, participando dos Comitês anti-golpe, mas acima de tudo mantendo a independência política e não abrindo mão de nenhuma bandeira de luta.

Essa política começou a se fortalecer, como o mostraram os atos do dia 18 de março de 2016 e de 31 de março de 2016, com a política levantada principalmente pelo MST que se posicionou contra o golpe, mas ao mesmo tempo levantou a bandeira da reforma agrária e do socialismo. O mesmo fizeram o MTST e vários outros agrupamentos, como a Luta Popular e Sindical (LPS), que já em 18.3.2016 levantava essa política, mostrando que a pressão das massas tende a entrar em ebulição.

Segundo a direção do PCO, o partido, supostamente, estaria “fazendo exatamente o que Lenin, Trotsky e Marx sempre ensinaram”. Nós levantamos a política da Frente Única, que tem como objetivo concreto: a) não romper com as bases dos partidos reformistas ignorando as direções que elas reconhecem e assim possibilitar a unificação da classe operária contra o inimigo comum; b) promover a pressão das bases sobre as direções para obriga-las a aceitar a frente única e, fundamentalmente, c) esgotar a experiência das bases com as direções reformistas, desmascarando suas vacilações e traições perante as tarefas da frente única e os interesses dos trabalhadores, e disputar a direção, como alternativa revolucionária.

 

NÃO AO GOLPISMO!

Abaixo a política de “preservar a governabilidade”!

Não ao acordão do PT com a direita!

Fora os ministros golpistas do Governo!

Não ao Ajuste, pelos Direitos dos Trabalhadores!

Que a crise seja paga pelos capitalistas!

Fora imperialismo!

 

 

ASSINAM ESTE DOCUMENTO:

Pedro Paulo de Abreu Pinheiro, ex-vice Presidente Nacional do PCO, ex-membro do CCN (Comitê Central Nacional), do CE (Comitê Executivo do CCN) e ex-presidente do PCO em Minas Gerais

Alejandro Acosta, ex- militante do PCO, ex-membro do CCN (Comitê Central Nacional), ex-membro do CE (Comitê Executivo do CCN), do CESP (Comitê Estadual de São Paulo), da coordenação do CSN (Comitê Sindical Nacional) e da Senapro (Secretaria Nacional de Agitação e Propaganda)

Robson Gomes Silva, ex-membro do CCN (Comitê Central Nacional) do PCO, candidato a deputado federal pelo PCO / MG, em 2014, e Presidente do Sintect – MG (Sindicato dos Trabalhadores da ECT)

Rogério de Lucena, ex-militante do PCO / SP, ex- membro da AJR (Aliança da Juventude Revolucionária), da coordenação do CJN (Comitê da Juventude Nacional), do CRTI (Comitê de Rádio, TV e Internet) e da Secretaria Nacional de Agitação e Propaganda

Rafael Cunha, ex-militante do PCO, ex-membro do CESP (Comitê Estadual de São Paulo), da Senapro (Secretaria Nacional de Agitação e Propaganda) e do CRTI (Comitê de Rádio, TV e Internet)

Cleide Donária, ex-militante do PCO, ex-membro suplente do CCN (Comitê Central Nacional) do PCO, candidata a Governadora pelo PCO / MG, em 2014, e Diretora do Sindibel / Belo Horizonte

Adilson Rosa dos Santos, ex-militante do PCO e ex-presidente do PCO em Belo Horizonte

Rosane Maria Cordeiro, ex-militante do PCO, ex-membro do diretório do PCO de Belo Horizonte e Diretora Executiva do Sindados/MG (Sindicato de Processamento de Dados)

Alexandre Leão Mariano Alves, ex-militante do PCO, ex-membro da AJR, do CESP (Comitê Estadual de São Paulo) e da Secretaria Nacional de Agitação e Propaganda

Roberto Francisco Pereira, fundador do diretório do PCO de Matozinhos / MG

Marília Araújo, ex-militante do PCO/ MG e Diretora do Sindibel (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais) / Belo Horizonte

Florisvaldo Lopes, ex-militante do PCO e candidato a deputado federal / SP, em 2014

Raimundo Sena de Jesús, ex-militante do PCO, suplente do CESP (Comitê Estadual de São Paulo), candidato a governador / SP, em 2014

Alex Agostinho da Silva, ex-militante do PCO e Diretor do Sintect / MG

Cláudia Andreia Alves do Amaral, ex-militante do PCO e membro da diretoria do Sintect/MG

Lauana Neves, ex-militante do PCO / Governador Valadares, MG e membro da Corrente Ecetistas em Luta

Caroline Zundt, ex-militante do PCO / SP e ex-membro da Corrente Educadores em Luta

Josmar Mendes Pedroso, ex-militante do PCO em Belo Horizonte

José Eustáquio Gomes de Faria, ex-militante do PCO e ex-membro do diretório do PCO / MG

Gilson José Cunha, ex-membro do diretório do PCO / MG

Acides Carvalho da Cruz, ex-membro da direção do PCO / MG

João Evangelista do Nascimento, ex-militante do PCO / MG e Diretor do Sintect / MG

Dejair Gomes Daniel, ex-militante do PCO e Diretor do Sintect / MG

Otto Weremchuck, ex- militante do PCO / RS e candidato a deputado estadual, em 2014

Luis Delvair, ex-militante do PCO / RS

Maurício Araújo, ex-militante do PCO / AP e ex-membro da Corrente Educadores em Luta

Antônio Fernando Silva, ex-militante do PCO / SP, ex-membro da Corrente Ecetistas em Luta e do CSN (Comitê Sindical Nacional)

Maria José de Souza Almeida, ex-militante do PCO / Uberlândia,MG e ex-membro da Corrente Ecetistas em Luta

Marcel Caritá Portela, ex-militante do PCO / SP

Irineu Nery Barbosa, ex-militante do PCO / SP, ex-membro da Corrente Ecetistas em Luta

Marlos Caio (“Zoio”), ex-militante do PCO / MG, ex-membro da Corrente Ecetistas em Luta

Cristiani Zandoná, ex-filiada ativa do PCO e ex-candidata a deputada estadual em MS, em 2014

Diana Maffei, ex-filiado ativo do PCO/ RS

Volmar Carvalho, ex-filiado ativo do PCO/ RS

Ana Barros Nogueira, ex-filiada do PCO / SP

Francimara de Sousa Queiroz, ex-simpatizante do PCO / AP

Macqueyd de Souza Queiroz, ex-simpatizante do PCO / AP

Mauro Araújo da Costa, ex-simpatizante do PCO / AP

 

O impeachment venceu. E agora?

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No domingo 17 de abril, foi aprovada na Câmara dos Deputados a abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. O processo seguirá para o Senado onde, se for aprovado por maioria simples dos senadores, abre definitivamente o processo de impeachment.

A direita contou com uma larga vitória sobre o governo (367 votos contra 137). Da base aliada, apenas o PT e o PCdoB não registraram votos a favor do impeachment, já os demais não se incomodaram em trair a presidenta.

O golpe parlamentar da direita venceu. Com o impeachment, que é uma das engrenagens do golpe de Estado em andamento no país, a política golpista escalou.

A debilidade do governo Dilma em aplicar o plano de “ajustes fiscais” exigido pelo imperialismo sempre esteve na base da política dos golpistas. Por mais que o governo e toda a cúpula do PT, especialmente o ex-presidente Lula, buscassem desesperadamente um acordão com a direita afim de garantir a “governabilidade” em troca de aprofundar os ataques contra os trabalhadores e recrudescer o regime político (com a aprovação da lei anti-terrorista), sua política foi errática. O PT não conseguiu escalar a aplicação do plano de “ajustes” contra os trabalhadores.

A derrota de Dilma deve-se, além da própria ação da direita, que há meses vem pressionando o governo, à capitulação do PT. O movimento contra o impeachment e o golpismo que estava em ascendência desde a tentativa da prisão do ex-presidente Lula pela Polícia Federal foi golpeado pela própria cúpula do PT que para esfriar a combatividade de suas bases alegou que a luta não deveria se dar no campo do enfrentamento, se necessário direto, com a direita, mas no campo dos conchavos parlamentares e na candidatura de Lula em 2018.

As mobilizações que aconteceram, principalmente as dos dias 18 e 31 de março, marcaram o aumento das ações anti-golpistas e a radicalização das massas perante suas direções vacilantes e capituladoras. No dia 31, por exemplo, o MST (Movimento Sem Terra), no ato em Brasília, chegou a dizer que a luta contra o golpe estaria acompanhada da luta pela defesa de bandeiras históricas dos operários e camponeses, como a luta contra os “ajustes fiscais”, a reforma agrária e o socialismo, bandeiras que tinham sido abandonadas pela “frente popular” (não confundir com a Frente Brasil Popular), encabeçada pelo PT. O mesmo foi dito pelo MTST e outros setores que, pressionados por suas bases, deram uma “guinada à esquerda”. Esses atos foram imprescindíveis para “abafar” o avanço da direita que, por meio da imprensa golpista, a Rede Globo, a Folha de S. Paulo entre outros, chegou a dizer que a oposição não teria votos suficientes para aprovar o impeachment.

A Assembleia Sindical e Popular que estava marcada para o dia 09 de abril chegou a ser cancelada pela Frente Brasil Popular. O verdadeiro objetivo foi conter o calendário de manifestações que aconteciam contra o golpe e que estava em ascenso. O cancelamento foi extremamente grave e prejudicial para a luta anti-golpista por diversos fatores, principalmente pelo fato de que a data da Assembleia marcava a entrada na semana decisiva da luta contra o impeachment. Para esse ato eram esperados, de acordo com os organizadores, cerca de 100 mil manifestantes, uma previsão que, conforme viu-se no ato do dia 31 de abril, era bastante realista.

O ato do dia 17 de abril, que aconteceu em várias capitais e no Distrito Federal, deixou ainda mais evidente como a cúpula do PT e dos movimentos sociais retrocederam e manipularam as massas para que acreditassem que o acordo parlamentar com deputados direitistas estava garantido e que o governo conseguiria os votos necessários para barrar o golpe parlamentar. Esse ato foi evidentemente menor que os anteriores e a presença de setores populares não foi marcante. O PT desarmou o movimento anti-golpista chamando todos a acreditarem na luta contra o impeachment se baseando nos acordos com a direita.

No ato em Brasília, nenhuma liderança das organizações de massas da população, dos trabalhadores e da juventude (CUT, MST e UNE), discursou. As bases não foram mobilizadas para o ato. A sensação que se tinha era de que os votos dos deputados em plenário seriam o suficiente.

Até mesmo os comitês de luta anti-golpista não têm funcionado na realidade. Aqueles que foram organizados pela Apeoesp (o sindicato dos Professores de São Paulo), que é controlado pela Articulação/PT, em suas subsedes, não têm exercido nenhum trabalho efetivo de mobilização. O mesmo acontece com quase todos os demais comitês, a não ser por uma meia-dúzia que tem funcionado de forma bastante burocrática nas universidades.

Se não bastasse a confiança da cúpula do PT nos setores golpistas que aprovaram o impeachment no Congresso, agora a nova ilusão propagandeada acontece em relação ao presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, do PMDB. A cúpula do PT tem feito declarações no sentido de que deposita esperanças em que Calheiros levará a discussão do impeachment dentro do Senado no sentido de dar tempo para que Dilma “arme” sua defesa. Esse é o canto de sereia do PT para confundir as massas e paralisa-las na luta real contra o impeachment e a direita.

Se o impeachment passar também no Senado, as ilusões da cúpula do PT recairão sobre o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, que poderá considerar o impeachment improcedente e por isso teria uma última chance de ser barrado pelas vias institucionais.

A capitulação da cúpula do PT desarma os trabalhadores em todos os aspectos.

Representa uma traição aos interesses dos trabalhadores centrar a política na confiança nos acordos com os setores parlamentares direitistas, que como tem mostrado a aliança PT – PMDB, são muito mais aliados dos golpistas do que do próprio PT.

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Qual a base econômica do impeachment?

 

Dilma poderá ser derrubada pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que foi imposta ao Brasil pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pelo Consenso de Washington, em 1989, para atender os interesses do imperialismo. A política econômica nacional é dominada pelas determinações do imperialismo, por meio das conhecidas receitas “neoliberais” (metas inflacionárias, superávit primário, câmbio flutuante, pagamento dos serviços da dívida etc).

A escalada da crise econômica se deu com a bancarrota do capitalismo em 2008. A partir de então, os Estados Unidos, avassaladoramente atingidos pela crise, decidiram, como política de contenção, inundar o mercado mundial com dinheiro podre, ou seja, sem lastro produtivo. O objetivo foi, por meio de taxas de juros em torno a 0%, possibilitar obscenos repasses de recursos públicos para os monopólios.

As consequências para os países atrasados, onde se inclui o Brasil e toda América Latina, foi a disparada da especulação financeira com o objetivo de absorver os enormes volumes de capitais fictícios que encontravam crescentes dificuldades para serem alocados nos países desenvolvidos que tinham sido atingidos em cheio pela crise.

No Brasil, assim como em toda América Latina, o chamado “super ciclo” das commodities (matérias-primas) permitiu durante um certo período uma relativa “bonança financeira” por meio da qual, principalmente, os governos Lula, fundamentalmente o segundo, conseguiram criar um colchão de contenção social, a partir da “compra” das lideranças sindicais e dos movimentos sociais e estudantil, além do fortalecimento dos programas sociais. O imperialismo e a direita toleravam essas políticas, pois junto com a “paz social”, a especulação financeira ganhava mais dinheiro do que nunca na história do Brasil. A política de conter a crise, por meio da inundação de crédito sustentado a partir dos recursos públicos começou a engasgar em 2012. No Brasil, em 2013, o governo Dilma adotou, a partir de novembro, uma série de medidas para manter a economia funcionando. Conforme a crise capitalista continuou se desenvolvendo, essas políticas se mostraram “insustentáveis”. A partir de 2014 , o ano em que Dilma elegeu-se para o segundo mandato, o governo não conseguiu mais manter a especulação funcionando. A saída foi encontrada nas crescentes emissões de títulos públicos que, apesar de garantirem ganhos enormes para os bancos imperialistas, colocam a relativa estabilidade do país, mantendo os acordos com o imperialismo, em cheque. De manter-se as políticas do governo do PT, o mais provável é que o país seja obrigado a declarar a suspenção do pagamento da dívida pública nos próximos dois ou três anos.

A prioridade fundamental da política econômica no país é pagar os juros dos serviços da dívida pública, enquanto corta-se dos gastos sociais e econômicos, como saúde, educação, infraestrutura, segurança etc. Tudo isso tornou quase que impossível o equilíbrio orçamentário interno em um contexto em que quase a metade do Orçamento Geral da União (OGU) de R$ 2,8 trilhões, de 2015, está destinado para o pagamento da dívida pública, cerca de 45% desse valor.

O governo do PT pagou, no ano passado, R$ 350 bilhões de juros da dívida pública. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo deveria ter destinado, a partir de cortes e realocação de verbas no orçamento público, R$ 168 bilhões que deveriam ter como origem os recursos do orçamento do Estado. Ou seja, os recursos deveriam ter sido retirados dos ministérios e, principalmente, dos gastos sociais, previstos na Lei de Diretrizes Orçamentarias (LDO). Desse montante, o PT apenas tirou menos de R$ 10 bilhões.

Adiar pagamentos, fazer todo tipo de ginástica financeira, tirando daqui para cobrir ali, virou prática comum e eis aí a origem das pedaladas fiscais violadoras da Lei de Responsabilidade Fiscal, impostas pelo imperialismo. Por trás existe a fragilidade do governo do PT de sustentar-se sem manter a base dos movimentos sociais e da CUT.

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Para que vem o governo Temer?

 

O próximo passo que a direita busca colocar em prática passa por viabilizar um governo Michel Temer com o objetivo de apertar o cerco contra os trabalhadores, aprofundar o plano de “ajustes fiscais” e avançar nos ataques por meio das reformas da previdência e trabalhista, e aumentar a entrega dos recursos nacionais ao imperialismo. Por trás dessa politica estão os representantes do grande capital, como Armínio Fraga (sócio do mega-especulador norte-americano George Soros que, entre outras coisas, esteve envolvido no golpe de Estado na Ucrânia, em 2013), o candidato número um de Aécio Neves para o Ministério da Fazenda, caso tivesse vencido as eleições presidenciais em 2014.

Michel Temer, que já atua como se fosse o novo presidente do Brasil, deixou claro que adotará a política de cortes de gastos públicos, a partir de seu programa “Ponte Para o Futuro”, que requer a revisão da Constituição de 1988. O número de ministérios será diminuído de 31 para algo abaixo de 20, o que implicará em amplas demissões no funcionalismo público. Essa política já estava em andamento com Dilma por meio da PLC 257, que perdoa 40% da dívida dos estados e municípios em troca de um profundo programa de demissões.

O plano de “ajustes fiscais” será intensificado na medida em que exige o imperialismo. A partir da privatização da previdência social, abrindo-a aos grupos internacionais, privatizando a educação. Essa política já está em curso nos Estados governados pelo PSDB, principalmente em Goiás, aprofundando as terceirizações e a “flexibilização” da CLT, de modo a diminuir os custos de contratação de mão de obra. O objetivo é garantir as taxas de lucro, entregar a Petrobras integralmente.

Será que o governo de Michel Temer terá fôlego para aplicar o programa neoliberal? Esse governo se sustentará?

Para Luís Nassif (http://jornalggn.com.br/noticia/hangout-do-dia-seguinte), que é um profundo conhecedor dos meandros da política governamental, esse governo já sobe ao poder sendo fraco e em crise. Isso porque a Operação Lava-Jato, que foi a engrenagem fundamental para a derrota de Dilma, tirou uma presidente para colocar um vice-presidente que se encontra investigado. Isso para não mencionar o presidente da Câmara dos Deputados, o ultra-reacionário e evangélico Eduardo Cunha, fator que levaria o governo Temer a tornar-se ainda mais frágil. Caso a Operação Lava-Jato seja encerrada, como quer Sérgio Moro, ou o Procurador Geral da República não avance contra Temer e Cunha, abafando suas investigações, isso pode causar uma crise institucional muito grande e que poderá levar centenas de milhares de pessoas, que eram contra o impeachment de Dilma, às ruas.

O governo Temer seria fundamentalmente um governo de crise ou um governo estável? Devido a escalada das pressões, Temer chamaria eleições gerais? O PT poderia participar com seu nome mais forte: o ex-presidente Lula?

 

Qual a tarefa colocada para os revolucionários?

 

Os revolucionários devem atuar em uma frente única contra o avanço do golpe, mas devem sempre manter sua independência em relação às direções oportunistas e às capitulações da cúpula do PT, denunciando às traições que são contra o desenvolvimento do movimento de luta contra o golpismo.

A própria “frente popular”, com sua política de capitulação de classes constitui, ao mesmo tempo, uma das engrenagens golpistas na medida que impede uma ação efetiva dos trabalhadores contra a direita. A ação da direção do PT visa, entre outras coisas, frear o desenvolvimento político independente que a unidade dos trabalhadores contra a direita está proporcionando. As traições dessas direções devem ser denunciadas com vigor. Por outro lado, os revolucionários sempre devem impulsionar a luta contra a direita e levantar as bandeiras da classe operária. A “frente popular” atua como um espantalho da direita.

É preciso impulsionar verdadeiros comitês de luta contra o golpe, que mobilizem os setores de ponta do operariado e do conjunto da população. Esses comitês não devem ser usados como QGs para as campanhas eleitorais municipais do final do ano, mas devem ser constituídos a partir dos comitês que já existem por meio da Frente Brasil Popular.

O que há de concreto para esse novo período é a luta contra o avanço da direita e do golpe, contra o programa “Ponte para o Futuro” de Temer que tem como objetivo aprofundar os ataques contra os trabalhadores e atender os interesses do imperialismo.

NÃO AO GOLPISMO!

Abaixo da política de preservar a “governabilidade”!

Não ao acordão do PT com a direita!

Fora os ministros golpistas do Governo!

Não ao Ajuste, pelos Direitos dos Trabalhadores!

Que a crise seja paga pelos capitalistas!