PREVISÕES PARA 2016 – Parte 8

O JAPÃO

 REUNIÃO ENTRE OS PRIMEIROS MINISTROS DA CHINA

A crise capitalista continuará avançando a passos largos no Japão. A dívida pública, que hoje representa mais de 240% do PIB, continuará aumentando por causa da paralisia da economia e a recessão industrial. O funcionamento dos monopólios japoneses continuará turbinado por enormes volumes de recursos públicos. Em 2015, a versão nipônica do Quantitative Easing (ou alívio quantitativo) destinou mais de US$ 700 bilhões, no equivalente em ienes, para a compra de títulos podres das empresas pelo valor cheio. Essa política ainda conseguirá ser mantida em 2016, mas, em 2017, deverá entrar em colapso da mesma maneira que aconteceu nos Estados Unidos.

O aprofundamento da crise capitalista aumentará o desgaste do governo direitista liderado pelo primeiro ministro Shinzo Abe. Os ataques contra as condições de vida da população continuarão inevitavelmente, principalmente com o aumento dos impostos sobre o consumo. O governo anunciou que o aumento dos impostos seriam adiados para 2017, mas a crise das contas públicas e, principalmente, a disparada da dívida pública por causa da paralisia industrial obrigará o governo a repassar o peso da crise para as massas. A migração de um número importante de plantas industrias para países da região, onde o custo da mão de obra é muito mais barato (Filipinas, Indonésia, Malásia), tem favorecido os lucros, mas a queda do consumo interno tem acentuado a crise de superprodução no Japão.

Como política de contenção, o governo de Abe tentará aumentar o investimento público, mas a disparada do endividamento deverá colocar essa política contra a parede em 2016. Se a política for mantida, empurrando a crise para a frente, ela ira estourar em 2017 ou 2018 como uma crise muito mais forte, que ainda será potencializada por um novo colapso capitalista mundial.

A TTP (Aliança Trans Pacífico) e os acordos com a China e a Coreia poderão ampliar o mercado regional para os monopólios japoneses, mas as contradições, principalmente com a China e os Estados Unidos, acelerarão no próximo período.

As alianças militares do Japão com alguns países da região, como as Filipinas, Taiwan, o Vietnam e a Índia, deverão continuar crescendo. Mas o governo Abe evitará o aumento das contradições com a China e a Coreia do Sul. O papel de “ajudante” do Pentágono no Mar do Sul da China será mantida, mas com cautela e, conforme a crise continuar aumentando, as contradições com os Estados Unidos, inevitavelmente, também aumentarão.

A política militarista deverá acelerar, principalmente, a partir da migração das forças de autodefesa para um exército e a produção de armas, recolocando o Japão como um competidor de primeira ordem no mercado mundial de armas. Em paralelo, o regime político deverá endurecer. A extrema direita deverá continuar se fortalecendo e empurrando o direitista PDL, que encabeça o governo, à direita.

VEJA TAMBÉM:

PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/

PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-2/

PARTE 3 – A EUROPA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/

PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-4/

PARTE 5 – A RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/02/previsoes-para-2016-parte-5/

PARTE 6 – A CHINA

http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-6/

PARTE 7 – A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-7/

PREVISÕES PARA 2016 – Parte 7

A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA

16

A China continuará aumentando o aperto sobre os países da ASEAN (Associação dos Países do Sudeste da Ásia), tanto em termos econômicos, como militares e políticos. Os países da região mais dependentes do imperialismo ficarão expostos pelo aumento das taxas de juros estabelecidos pela Reserva Federal norte-americana e, por esse motivo, mais frágeis. Na linha de frente estarão a Malásia, a Indonésia e as Filipinas para onde, nos últimos dois anos, tem migrado um importante número de plantas industriais janponesas. Em parte, o aprofundamento da crise poderá ser amortizado pelo aumento da produção dos monopólios, principalmente japoneses, ou mesmo pela ampliação da produção. Mas essa possibilidade enfrentará a queda das vendas, provocada pelo aprofundamento da crise capitalista, inclusive no Japão. Ao mesmo tempo, o aprofundamento da crise na China também aumentará a pressão sobre os países vizinhos. O governo chinês tentará desenvolver acordos com concessões especiais, seguindo o modelo estabelecido com a Coreia do Sul que, em 2016, deverá gerar um comercio bilateral superior aos US$ 300 bilhões.

O imperialismo norte-americano buscar conter a política da China por meio da Aliança Trans Pacífico que impõe condições ultradepredadora, contra os países membros, em benefício dos monopólios. Para manter ou aumentar os negócios, esses países serão obrigados a fazer concessões adicionais em relação à soberania.

O aprofundamento da crise capitalista levará a medidas “excepcionais”, “sui generis”, para salvar os lucros. O acordo de comércio trilateral entre a China, o Japão e a Coreia do Sul continuará avançando. Ao mesmo tempo, a crise, deverá provocar o aumento das contradições, conforme os mercados ficarem mais reduzidos. O impacto também será notório no interior da ASEAN e em toda a região Pacífico da Ásia.

A crise econômica continuará acelerando a crise política. No Japão, a extrema direita continuará pressionando o governo direitista de Shinzo Abe para avançar ainda mais à direita. Na Malásia, o governo de Najib razak, do UMNO, foi atingido em cheio por denúncias de corrupção que envolviam capitais especulativos do Catar, e deverá cair. Na Coreia do Sul, o governo da primeiro ministro Park Geun-hye continuará sendo pressionado pela extrema direita, conforme a crise aumentar, e pelo imperialismo norte-americano na tentativa de afasta-lo da política da China. A crise também deverá aumentar na Indonésia, no Taiwan e nas Filipinas.

As disputas territoriais no Mar do Sul da China continuarão exacerbadas, em primeiro lugar, pelos Estados Unidos com o objetivo de manter a justificativa do deslocamento da metade do orçamento do Pentágono para a região. A tentativa de incluir o Japão, a Austrália e a Coreia do Sul no patrulhamento do Mar do Sul da China avançará, mas com dificuldades, principalmente no caso da Coreia do Sul que evitará enfraquecer os gigantescos acordos comerciais com a China. O Japão aumentará o poderio naval devagar, em boa medida, sobre o controle dos Estados Unidos, mas, conforme a crise aumentar e os lucros dos monopólios japoneses forem colocados em xeque, as contradições com os Estados Unidos acelerarão rapidamente. As eleições ao Senado nipônico, que acontecerão na segunda metade deste ano, deverão fortalecer a ala direita do regime. Mas mesmo assim, o envolvimento nas patrulhas do Mar do Sul da China continuará limitada.

As relações entre a China e os Estados Unidos, apesar de tensas, continuarão mantendo os pontos de contato. A China participará do Rimpac, os enormes exercícios multinacionais liderados pelos Estados Unidos, e ainda deverá aumentar as concessões ao governo da Coreia do Sul para usa-lo como mecanismos de descompressão na região e de contenção à agressividade do imperialismo.

As relações da China com Taiwan tendem a piorar. Nas eleições que acontecerão neste mês, janeiro, o governo do Kuomintang, que é próximo ao governo chinês, deverá ser derrotado pela direita do Partido Democrático Progressista, próximo aos Estados Unidos e que busca a independência para Taiwan. Isso acontecerá apesar dos esforços, até desesperados, do governo chinês.

Em maio, acontecerão eleições nas Filipinas. Da mesma maneira que aconteceu em relação a Taiwan, o governo chinês tentará influência-las desescalando as tensões no Mar do Sul da China. Na Malásia, também deverão acontecer eleições para substituir o primeiro ministro Najib Razak do Partido Organização Nacional Malaia Unida e Barisan. Najib, encurralado, tentará fazer acordos com a minoria chinesa que mantém proximidade com a China.

Em abril, acontecerão as eleições parlamentares na Coreia do Sul. O governo de Park tentará manter e melhorar as relações com a China com parte da política direcionada para a carestia da vida e o desemprego que têm dado lugar a protestos.

As relações com a Coreia do Norte continuarão tensas, em grande medida por causa das provocações do imperialismo norte-americano que se vale de provocações com o objetivo de pressionar o Congresso para manter o gigantesco orçamento militar na região. O novo Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte deverá consolidar a política defensiva contra as agressões, o que implicará no aumento dos testes nucleares.

Na Birmânia, os militares tentarão manter os privilégios no governo que assumirá neste ano após terem sido derrotados nas eleições do final do ano passado pelo partido pró-imperialista da Liga Nacional pela Democracia.

VEJA TAMBÉM:

PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/

PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO

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PARTE 3 – A EUROPA

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PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA

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PARTE 5 – A RÚSSIA

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PARTE 6 – A CHINA

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 6

A CHINA

REUNIÃO ENTRE OS PRIMEIROS MINISTROS DA CHINA

Em 2016, o aprofundamento da crise capitalista continuará avançando na China, no Japão e na região Pacífico da Ásia.

O governo chinês continuará avançando na abertura da economia por meio de políticas “neoliberais”. Os investimentos nas obras de infraestrutura e na indústria diminuirão. O endividamento dos governos locais aumentará e o governo central será obrigado a aumentar os repasses de recursos. A inflação aumentará pressionando os preços e os salários. Sobre esta base, as exportações de produtos baratos continuarão a ser despriorizadas pelas políticas públicas.

O movimento grevista crescerá, mas somente no setor privado. As políticas repressivas colocadas em pé para “blindar” as empresas públicas ainda conseguirão conter o movimento operário no setor.

As reformas do mercado financeiro aplicadas em Xangai, a principal cidade do país, continuarão avançando, assim como a liberalização da taxa de câmbio do iuane. Mas, conforme a especulação financeira avança, a Bolsa de Xangai ficará submetida a novos “solavancos”, como os que a atingiram em cheio no ano passado.

Alguns setores estratégicos da economia, até agora controlados pelas empresas públicas, como o setor de refino do petróleo, deverá ser aberto às empresas estrangeiras.

A capacidade de absorção de matérias primas continuará reduzida. Às cidades fantasmas e à dificuldade para financiar as obras de infraestrutura e para escoar os imóveis novos, se somará o crescente esgotamento da especulação financeira em cima das matérias primas. Até o ano passado, grande parte das fianças para os empréstimos eram realizadas por meio de matérias primas, que eram simplesmente estocadas durante longos períodos, ou por meio de títulos financeiros, como os ETFs, das bolsas futuro de mercadorias, com o objetivo de aplica-los na especulação financeira. Agora, o aumento da recessão industrial colocará um freio sobre este tipo de operações.

Os países atrasados, exportadores de matérias primas, continuarão experimentando déficits fiscais por conta da piora da balança comercial, em grande medida, impactados pela queda dos preços das matérias primas.

As grandes empresas chinesas deverão aumentar o endividamento, o que aumentará o risco da implosão financeira. As “saídas” para a crise continuarão sendo as políticas “neoliberais”, a abertura aos capitais especulativos, a internacionalização do iuane, o aumento do crédito interno. O desenvolvimento do Novo Caminho da Seda chinês facilitará o acesso às matérias primas, a facilidade do suprimento à Europa e a abertura de novas rotas de comercio. Mas o problema central continuará sendo o fato da crise atual ser uma crise de superprodução. Os governos locais continuarão super endividados, dependentes da especulação imobiliária e financeira. O governo central implementará uma reforma fiscal que estará calcada em medidas neoliberais.

O Presidente Xi Jinping avançará na consolidação do próprio grupo dentro dos aparatos da burocracia, fundamentalmente, por meio da campanha contra a corrupção visando o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês que acontecerá em 2017.

As reformas militares em curso reduzirão o número de soldados em 300 mil que, junto com as medidas modernizantes, terão como objetivo conter a pressão do imperialismo e aumentar o potencial da China no mercado de armas.

O aperto do imperialismo norte-americano contra a China continuará, apesar de desescalado pela política da Administração Obama de concentrar os esforços no Oriente Médio. A China continuará a ampliar a nova política militar que pressupõe a possibilidade de atacar antes de ser atacada.

 

VEJA TAMBÉM:
PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL
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PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA
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PARTE 5 – A RÚSSIA
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JAPÃO, CHINA, COREIA DO SUL – AMIGOS OU INIMIGOS?

REUNIÃO ENTRE OS PRIMEIROS MINISTROS DA CHINA

As recentes reuniões que aconteceram entre os primeiros ministros da China, Li Keqiang, do Japão, Shinzo Abe, e da Coreia do Sul, Park Geun-hye, têm enorme importância para o entendimento das contradições e do aprofundamento da crise na região Ásia Pacífico, que representa um dos três pontos de conflito em escala mundial com o potencial de evoluir para um confronto militar em larga escala

O encontro aconteceu na cidade de Seul, a capital da Coreia do Sul. Foi o primeiro nesse nível desde 2012, quando foram suspensos por causa da escalada dos conflitos territoriais entre a China e o Japão. A histeria tinha tomado conta da situação política por causa das eleições nacionais japonesas cuja pauta foi estabelecida pela extrema direita. Da mesma maneira, aconteceu o primeiro encontro bilateral entre a Coreia do Sul e o Japão em três anos, desde que o governo direitista de Shinzo Abe assumiu o governo, no final de 2012.

Entre os assuntos tratados teve destaque o acordo comercial que estava paralisado. O entendimento foi de que os problemas históricos e territoriais não devem dificultar o comercio. A aproximação tem por trás o aprofundamento da crise capitalista mundial. A economia chinesa enfrenta enormes dificuldades não somente para manter as exportações, mas também para manter o consumo interno. As exportações sul-coreanas enfrentam a pior contração dos últimos seis anos. A economia do Japão foi atingida em cheio após o desastre de Fucuxima e agora somente se mantem turbinada por gigantescos repasses de recursos públicos para os monopólios.

Outro dos assuntos centrais foi a criação de uma Zona de Livre Comercio (FTZ na sigla em inglês) entre os três países e o estabelecimento da Parceria Econômica Regional Compreensiva (RCEP na sigla em inglês). A discussão sobre a TFZ começou em novembro de 2012, incluindo o comercio de matérias primas, serviços e investimentos. A próxima rodada de negociações, que deverá acontecer no final deste ano, deverá incluir ainda a redução das tarifas das matérias primas e o acesso ao setor de serviços.

O aprofundamento da crise capitalista acelera a política do “salve-se quem puder”. As alianças e os inimigos se tornam mais fluídos enquanto os monopólios e as grandes empresas das potências regionais buscam salvar os lucros a qualquer custo.

QUAL É A MINHA COREIA FAVORITA?

O grande aliado da China não é a Coreia do Norte, mas a Coreia do Sul. O desenvolvimento das relações segue a direção de Seul e não a de Pyon-Yang.

A diferença do que poderia se pensar, o governo chinês considera a política do governo norte coreano como sendo um problema, um inconveniente para os próprios interesses. O programa nuclear e o enfrentamento da agressividade do imperialismo norte-americano facilitaria a justificativa da agressividade contra o verdadeiro alvo, a própria China. O Pentágono deslocou para a região Pacífico da Ásia nada menos que a metade do orçamento com o objetivo de conter o expansionismo chinês.

Sobre a questão da Coreia do Norte, houve coincidência, entre os primeiros ministros dos três países, no sentido da retomada das negociações com o objetivo de por um ponto final no programa nuclear. O grupo que participa das negociações inclui também os Estados Unidos e a Federação Russa.

Os 17 acordos bilaterais assinados entre a China e a Coreia do Sul contemplam vários setores, desde inovação, comercio, economia, ciência, tecnologia, proteção do meio ambiente, intercambio de pessoas e manufatura.

A China apoia o desenvolvimento de negociações entre as duas Coreias e até poderia aceitar a reunificação. Esse processo tem sido implodido, em primeiro lugar, pelo imperialismo norte-americano, que busca impedir o desenvolvimento de blocos que possam vir a se tornarem poderosos o suficientes como para ameaçar a hegemonia na região.

Os governos chinês e sul-coreano buscam o alinhamento das estratégias de desenvolvimento com o objetivo de favorecer uma maior aproximação entre os dois países. O chineses querem integrar a Coreia da Sul ao Novo Caminho da Seda chinês, que representa a “saída chinesa” para a crise capitalista por meio da criação de facilidades para o intercambio comercial com a Europa.

A China representa o maior parceiro comercial da Coreia do Sul. A Coreia do Sul representa o terceiro maior parceiro comercial da China. Os volumes esperados para este ano poderão superar os US$ 300 bilhões, 60 vezes mais que há 20 anos. Os intercâmbios de pessoas totalizaram nada menos que 10 milhões no ano passado.

O “namoro” entre a China e a Coreia do Sul começou no ano passado, após negociações com o novo governo da presidente Park que assumiu no início de 2013. O governo chinês agora busca ir além, resolvendo os conflitos territoriais com o objetivo de deslocar a Coreia do Sul da aliança anti-China liderada pelo imperialismo norte-americano.

REUNIÃO ENTRE OS PRIMEIROS MINISTROS DA CHINA2

JAPÃO: PRÓ ESTADOS UNIDOS, PRÓ CHINA OU PRÓ JAPÃO?

O governos do Japão e da China se comprometeram a retomar as visitas mútuas dos ministros das Relações Exteriores e os comerciais de alto nível no início do próximo ano. Ao mesmo tempo, serão definidos mecanismos de comunicação entre os exércitos de ambos países.

A escalada dos conflitos no Mar do Sul da China aconteceu há três anos, no contexto das últimas eleições nacionais, que foram pautadas pela extrema direita. Os últimos encontros que aconteceram entre Shinzo Abe e o presidente chinês, Xi Jinping, desde o mês de novembro do último ano, relaxaram as tensões.

Ao mesmo tempo, os crimes de guerra cometidos pelo Império Japonês na China representam outro dos aspectos graves das tensões, principalmente porque a extrema direita japonesa, com figurões como o Prefeito de Tóquio tem realizado atos abertamente provocativos.

O encontro bilateral entre Park e Abe aconteceu um dia após a reunião cume trilateral. O grande “abacaxi” existente entre a Coreia do Sul e o Japão é a recusa do governo direitista nipônico em reconhecer e apresentar desculpas oficiais, e indenizações por causa da escravização sexual de mulheres sul-coreanas durante a Segunda Guerra Mundial, além de outros crimes cometidos durante a ocupação da Península da Coreia pelo Império Japonês entre 1910 e 1945. O comercio entre os dois países tem caído desde 2011.

O Japão tem sido impulsionado pela Administração Obama para que assuma um papel de liderança militar na região, sob a tutela do imperialismo norte-americano. Trata-se de uma política de crise, por conta das crescentes dificuldades para enfrentar os altos custos, mas que está alinhada com a política impulsionada pela direita japonesa. O Artigo 9 da Constituição de 1947, que impedia a formação de um exército, já foi emendada. O problema colocado é que, conforme a crise continuar se aprofundando, o imperialismo japonês, que representa uma das duas maiores potências industriais, deverá acelerar os mecanismos para garantir os lucros dos próprios monopólios. Dentre eles, está o ingresso no disputado mercado de armas, no qual passaria a concorrer com os Estados Unidos, o aumento da espoliação dos países vizinhos e outros, o aumento da disputa da especulação financeira e a escalada de um regime de cunho fascista no país.

REUNIÃO ENTRE OS PRIMEIROS MINISTROS DA CHINA3

COMO FICA A ALIANÇA TRANS PACÍFICO?

A Aliança Trans Pacífico (TPP, na sigla em inglês) representa um dos mecanismos que o imperialismo norte-americano está tentando colocar em pé com o objetivo de conter o expansionismo chinês e os novos organismos que correm por corra do controle do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial, que ele próprio controla.

Da TPP não faz parte a China, mas se o fazem a Coreia do Sul e o Japão.

Os acordos entre os três países mostram a crescente dificuldade para os Estados Unidos manterem a hegemonia imposta após a Segunda Guerra Mundial.

Da mesma maneira, está acontecendo com outros aliados próximos dos Estados Unidos. A Arábia Saudita se tornou o segundo maior fornecedor de petróleo da China, agora somente atrás da Rússia, e o comercio bilateral está sendo realizado em moedas locais, o que representa um verdadeiro veneno para os petrodólares, a base da inundação do mercado mundial com o dólar. A Inglaterra se tornou o primeiro país ocidental em aderir ao novo Banco de Infraestrutura Asiático. Já a Alemanha e a França fazem parte, como componentes fundamentais, do Novo Caminho da Seda chinês.

As tendências desagregadoras, centrípetas, têm aparecido, principalmente, no surgimento e fortalecimento das potências regionais e dos regimes nacionalistas burgueses. No próximo período, a tendência será ao enfraquecimento do imperialismo e à formação de blocos que deverão se contrapor ao imperialismo norte-americano. O aumento das contradições e das guerras será inevitável, e faz parte do acelerado processo de putrefacção do sistema capitalista.