DAVOS TENTA SALVAR O CAPITALISMO – PARTE 2

A CHINA PODE LEVAR O MUNDO A UM NOVO COLAPSO?

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A China é responsável por 12,7% das exportações e 10,4% da importações mundiais, além de consumir mais da metade do mineral de ferro, níquel, carvão mineral e alumínio, e uma boa parte do cobre, do estanho, do zinco, do algodão e da soja.

Como é possível que a crise China tenha um impacto de grandes proporções sobre o mundo?

A exposição da primeira potência mundial, os Estados Unidos, à China é de apenas 0,7% em relação às exportações e de 0,8% em relação aos ativos dos bancos, sendo que somente em relação ao mercado imobiliário norte-americano a exposição era de 39% em 2007.

A crise no mercado acionário também seria irrelevante. Em torno a 80% dos investimentos nesse setor é realizado por pessoas físicas que, supostamente, acabariam realizando compras e vendas por impulso, o que teria levado à “amplificação” das transações e dos medos.

O crescimento chinês se fundamentou em gigantescos repasses de recursos públicos para empresas da construção civil e infraestrutura, estatais. Muitos dos projetos se tornaram casos emblemáticos, como o é o caso da cidade de Ordos, projetada para 1,5 milhões de habitantes e que, na realidade, está habitada por 10% dessa capacidade.

O que a crise das bolsas chinesas revelou, em primeiro lugar, é a crise da política do governo chinês que acabou levando ao crescimento de várias bolhas financeiras. Os ataques especulativos do exterior são inerentes ao sistema e têm como objetivo se apropriar de uma parte maior da riqueza, de avançar para se apropriar das empresas públicas.

As bolhas têm crescido. O endividamento dos governos locais têm provocado a disparada da exposição ao risco dos bancos locais, que dependem umbilicalmente dos bancos nacional estatais. Os bancos são responsáveis por mais da metade do Índice HSI da Bolsa de Hong Kong.

O grande problema da “locomotiva da economia mundial” é que se esgotou o componente principal dessa política, os baixos salários. A tentativa, controlada pelo governo, de desvalorizar o iuane, para facilitar as exportações de produtos industriais, foi um dos fatores relacionados com a crise das bolsas.

O XVIII Congresso do Partido Comunista Chinês, realizado no mês de outubro de 2013, estabeleceu as políticas gerais da “abertura da economia”, que implicava na aceleração das políticas neoliberais e a abertura aos monopólios.

O foco da economia chinesa tem mudado da produção industrial para o setor de serviços, principalmente o consumo e a especulação financeira. O problema é que essa política entrou em crise, da mesma maneira que aconteceu em escala mundial. A demanda caiu e o endividamento disparou. A inflação por enquanto está baixa, mas essa situação somente pode ser provisória.

O endividamento público chinês seria menor que 60% do PIB, mas as dívidas das empresas dispararam de 72% para mais de 120% do PIB nos últimos nove anos. E várias das grandes empresas somente funcionam por causa das ajudas públicas, apesar de serem improdutivas, como acontece principalmente nos setores da mineração e da siderurgia.

 

QUAL É O IMPACTO DA CRISE CHINESA SOBRE O MUNDO?

 

Por que o crescimento anual da China de 7% é um problema para a economia capitalista mundial? Os repasses para as empresas públicas são similares aos repasses feitos pelo BNDES?

A crise na China acelera a queda do consumo e os baixos preços do petróleo e das demais matérias primas.

As enormes reservas em dólares da China não são páreo para enfrentar a crise. Depois de terem crescido de US$ 142 bilhões, em 1997, para US$ 4 trilhões em 2014, caíram em mais de US$ 500 bilhões, no ano passado, e em quase US$ 300 bilhões neste ano. E mais ainda. Os US$ 3,3 trilhões restantes representam pouco mais de 25% da base monetária.

O aprofundamento da crise capitalista tem levado ao aumento do volume de títulos podres das empresas no mercado. Nos Estados Unidos, a significativa queda das taxas de lucros desse mercado trilionário, levou ao abandono do chamado QE (quantitative easing ou alívio quantitativo), a compra pelo valor cheio de títulos podres pelo governo. Por esse motivo, em primeiro lugar, as taxas de juros estão sendo aumentadas. Essa política tem levado à valorização do dólar, levando a reboque o iaune e colocando em alerta vermelho as exportações chinesas.

A bolha creditícia formada a partir de 2009 começou a ser desinflada, no segundo semestre do ano passado, e requeria a desvalorização do iuane. Mas os mercados acionários não deveriam ser desestabilizados por causa das fugas de capitais e dos esforços para internacionalizar o iuane. Aplicar essas políticas no cenário da dependência do mercado internacional, que é controlado pelo imperialismo, é muito delicado e custoso, como efetivamente o foi, a partir do mês de agosto do ano passado, e com uma situação de alta volatilidade em dezembro.

A crise nas bolsas reflete os problemas na produção industrial e no consumo.

A China, assim como acontece com o capitalismo em escala mundial, não consegue colocar em pé uma política alternativa ao neoliberalismo. Por esse motivo, deverá avançar na aplicação de mais políticas neoliberais. A política da burguesia chinesa ligada às empresas públicas enfrenta a forte queda de recursos. A livre mobilidade dos trabalhadores, que hoje é restrita, o “hukou”, seria uma delas, mas é muito difícil de aplica-la, pois hoje as pessoas se registram nas prefeituras e recebem delas os serviços sociais. Uma migração em massa do campo para as cidades poderia leva-los ao colapso. Portanto, se tratam dos mesmos problemas que acontecem em escala mundial. Na Europa, esses problemas se expressam no aumento do nacionalismo. Na China, deverão se expressar, cada vez mais, no aumento das contradições entre as regiões e as províncias.

Veja também

Parte 1 – UM NOVO COLAPSO ECONÔMICO PODE SER EVITADO?

http://alejandroacosta.net/2016/01/30/davos-tenta-salvar-o-capitalismo-parte-1/

 

Parte 3 – ITALIA – UM “PESO PESADO” EUROPEU DOENTE

http://alejandroacosta.net/2016/01/30/davos-tenta-salvar-o-capitalismo-parte-3/

 

 

 

CRISE NAS BOLSAS DA CHINA, TEMPESTADE NO BRASIL

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No dia 4 de janeiro de 2016, a Bolsa de Xangai foi fechada após ter acontecido um “circuit breaker”, a queda nas negociações em quase 7%. Na Bolsa de Shenzhen, a queda foi de mais de 8%. O resultado do dia foi relativamente tranquilo. Uma leve queda das principais bolsas asiáticas após uma intervenção maciça do governo chinês. O Índice Composto de Xangai caiu apenas 0,3% e o de Shenzhen em 1,9%.

O Banco do Povo da China (banco central) injetou mais de US$ 20 bilhões em fundos. O governo aumentou a pressão sobre as “operações vendidas”, aquelas compras que são canceladas com o objetivo de pressionar, de maneira artificial, os preços de determinadas ações.

Os “observatórios” da especulação financeira falam que a situação teria voltado “à normalidade”, mas fica cada vez mais claro que a crise nas bolsas chinesas têm se repetido com maior frequência desde setembro de 2015. O iuane (Renminbi) acelerou a desvalorização o que obrigou o governo a atuar colocando à venda importantes volumes das reservas internacionais. Os “observatórios” relacionam a operação com a entrada do iuane na cesta do FMI (Fundo Monetário Internacional) e o relaxamento dos controles de cambio. Mas o buraco é muito mais profundo que apenas medidas meramente monetaristas.

 

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA CRISE DAS BOLSAS NA CHINA?

 

Na década de 1980, a China foi transformada na locomotiva mundial de produtos manufaturados de baixo custo, que estiveram na base da implementação das políticas neoliberais. Na década passada, com o esgotamento dessas políticas, a China passou a acelerar o papel de absorção de matérias primas dos países atrasados e de produtos de alta tecnologia dos países desenvolvidos. Com o colapso de 2008, as exportações despencaram e os chineses saíram com a política de aumentar o consumo interno. Mais de US$ 700 bilhões foram injetados, em 2009, no sistema financeiro, o que gerou as enormes bolhas que estão penduradas sobre as cabeças dos chineses.

O XVIII Congresso do Partido Comunista Chinês, que aconteceu no final de 2013, acelerou o processo de abertura da economia e do ritmo da implementação das políticas neoliberais, principalmente a partir de Xangai. A receita foi maior crédito público e maior especulação financeira; mais controle sobre as fontes de matérias primas no exterior e aceleração do comercio com a Europa por meio do Novo Caminho da Seda; aceleração da política defensiva contra a agressividade militar e econômica norte-americana.

A crise atual é muito mais que uma crise financeira. Trata-se de uma crise de superprodução. Especificamente, da crise aberta em 2008 e que longe de ter sido fechada continua aberta com a ameaça de um novo colapso de ainda maiores proporções que o de 2008. A burguesia mundial não conseguiu colocar uma política alternativa ao “neoliberalismo”, da mesma maneira que o tinha feito em relação ao “keynesianismo”, na década de 1980, dado o brutal parasitismo. Por esse motivo, as políticas de contenção da crise no sistema capitalista mundial passam pelo aumento do “neoliberalismo”, dos ataques contra as condições de vida dos trabalhadores.

 

CRISE NA CHINA, TEMPESTADE NO BRASIL

 

O Brasil tem se focado na produção e exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas. A desaceleração industrial tem deixado o país muito mais dependente dos produtos importados. A desvalorização do dólar possibilitou o único resultado econômico positivo de 2015, o superávit da balança comercial de US$ 20 bilhões. Em contrapartida, as contas correntes (a diferença entre tudo o que entra e sai do país) continuam sangrando por causa do aperto da espoliação pelos monopólios. A inflação oficial disparou para os dois dígitos. A dívida pública se transformou num câncer que direciona o grosso dos recursos públicos para os bancos. A indústria languidesce com o aprofundamento da crise na Argentina, o único cliente importante para a indústria automotriz.

Enquanto a economia brasileira lidera a corrida mundial em direção ao buraco, a burguesia tenta acelerar a aplicação do ajuste contra os trabalhadores, a redução das condições de vida e a entrega dos recursos nacionais para os estrangeiros, tanto por meio da ultra corrupta dívida pública, como por meio das expatriações realizadas pelos monopólios, a entrega da Petrobras, a manutenção da entrega da Vale, das Telecomunicações, do Nóbio.

O grande “triunfo” do Brasil para enfrentar as “obrigações” impostas pelo imperialismo, a exportação de matérias primas, se encontra colocada em xeque por causa do aprofundamento da crise no principal país comprador, a China. A crise atual no Brasil é apenas o aperitivo da crise que virá no próximo período. Os sintomas de um novo colapso aparecem não somente na China, mas também na Alemanha, no Japão e nos Estados Unidos.

 

 

PREVISÕES PARA 2016 – Parte 7

A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA

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A China continuará aumentando o aperto sobre os países da ASEAN (Associação dos Países do Sudeste da Ásia), tanto em termos econômicos, como militares e políticos. Os países da região mais dependentes do imperialismo ficarão expostos pelo aumento das taxas de juros estabelecidos pela Reserva Federal norte-americana e, por esse motivo, mais frágeis. Na linha de frente estarão a Malásia, a Indonésia e as Filipinas para onde, nos últimos dois anos, tem migrado um importante número de plantas industriais janponesas. Em parte, o aprofundamento da crise poderá ser amortizado pelo aumento da produção dos monopólios, principalmente japoneses, ou mesmo pela ampliação da produção. Mas essa possibilidade enfrentará a queda das vendas, provocada pelo aprofundamento da crise capitalista, inclusive no Japão. Ao mesmo tempo, o aprofundamento da crise na China também aumentará a pressão sobre os países vizinhos. O governo chinês tentará desenvolver acordos com concessões especiais, seguindo o modelo estabelecido com a Coreia do Sul que, em 2016, deverá gerar um comercio bilateral superior aos US$ 300 bilhões.

O imperialismo norte-americano buscar conter a política da China por meio da Aliança Trans Pacífico que impõe condições ultradepredadora, contra os países membros, em benefício dos monopólios. Para manter ou aumentar os negócios, esses países serão obrigados a fazer concessões adicionais em relação à soberania.

O aprofundamento da crise capitalista levará a medidas “excepcionais”, “sui generis”, para salvar os lucros. O acordo de comércio trilateral entre a China, o Japão e a Coreia do Sul continuará avançando. Ao mesmo tempo, a crise, deverá provocar o aumento das contradições, conforme os mercados ficarem mais reduzidos. O impacto também será notório no interior da ASEAN e em toda a região Pacífico da Ásia.

A crise econômica continuará acelerando a crise política. No Japão, a extrema direita continuará pressionando o governo direitista de Shinzo Abe para avançar ainda mais à direita. Na Malásia, o governo de Najib razak, do UMNO, foi atingido em cheio por denúncias de corrupção que envolviam capitais especulativos do Catar, e deverá cair. Na Coreia do Sul, o governo da primeiro ministro Park Geun-hye continuará sendo pressionado pela extrema direita, conforme a crise aumentar, e pelo imperialismo norte-americano na tentativa de afasta-lo da política da China. A crise também deverá aumentar na Indonésia, no Taiwan e nas Filipinas.

As disputas territoriais no Mar do Sul da China continuarão exacerbadas, em primeiro lugar, pelos Estados Unidos com o objetivo de manter a justificativa do deslocamento da metade do orçamento do Pentágono para a região. A tentativa de incluir o Japão, a Austrália e a Coreia do Sul no patrulhamento do Mar do Sul da China avançará, mas com dificuldades, principalmente no caso da Coreia do Sul que evitará enfraquecer os gigantescos acordos comerciais com a China. O Japão aumentará o poderio naval devagar, em boa medida, sobre o controle dos Estados Unidos, mas, conforme a crise aumentar e os lucros dos monopólios japoneses forem colocados em xeque, as contradições com os Estados Unidos acelerarão rapidamente. As eleições ao Senado nipônico, que acontecerão na segunda metade deste ano, deverão fortalecer a ala direita do regime. Mas mesmo assim, o envolvimento nas patrulhas do Mar do Sul da China continuará limitada.

As relações entre a China e os Estados Unidos, apesar de tensas, continuarão mantendo os pontos de contato. A China participará do Rimpac, os enormes exercícios multinacionais liderados pelos Estados Unidos, e ainda deverá aumentar as concessões ao governo da Coreia do Sul para usa-lo como mecanismos de descompressão na região e de contenção à agressividade do imperialismo.

As relações da China com Taiwan tendem a piorar. Nas eleições que acontecerão neste mês, janeiro, o governo do Kuomintang, que é próximo ao governo chinês, deverá ser derrotado pela direita do Partido Democrático Progressista, próximo aos Estados Unidos e que busca a independência para Taiwan. Isso acontecerá apesar dos esforços, até desesperados, do governo chinês.

Em maio, acontecerão eleições nas Filipinas. Da mesma maneira que aconteceu em relação a Taiwan, o governo chinês tentará influência-las desescalando as tensões no Mar do Sul da China. Na Malásia, também deverão acontecer eleições para substituir o primeiro ministro Najib Razak do Partido Organização Nacional Malaia Unida e Barisan. Najib, encurralado, tentará fazer acordos com a minoria chinesa que mantém proximidade com a China.

Em abril, acontecerão as eleições parlamentares na Coreia do Sul. O governo de Park tentará manter e melhorar as relações com a China com parte da política direcionada para a carestia da vida e o desemprego que têm dado lugar a protestos.

As relações com a Coreia do Norte continuarão tensas, em grande medida por causa das provocações do imperialismo norte-americano que se vale de provocações com o objetivo de pressionar o Congresso para manter o gigantesco orçamento militar na região. O novo Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte deverá consolidar a política defensiva contra as agressões, o que implicará no aumento dos testes nucleares.

Na Birmânia, os militares tentarão manter os privilégios no governo que assumirá neste ano após terem sido derrotados nas eleições do final do ano passado pelo partido pró-imperialista da Liga Nacional pela Democracia.

VEJA TAMBÉM:

PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/

PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-2/

PARTE 3 – A EUROPA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/

PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-4/

PARTE 5 – A RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/02/previsoes-para-2016-parte-5/

PARTE 6 – A CHINA

http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-6/

PREVISÕES PARA 2016 – Parte 6

A CHINA

REUNIÃO ENTRE OS PRIMEIROS MINISTROS DA CHINA

Em 2016, o aprofundamento da crise capitalista continuará avançando na China, no Japão e na região Pacífico da Ásia.

O governo chinês continuará avançando na abertura da economia por meio de políticas “neoliberais”. Os investimentos nas obras de infraestrutura e na indústria diminuirão. O endividamento dos governos locais aumentará e o governo central será obrigado a aumentar os repasses de recursos. A inflação aumentará pressionando os preços e os salários. Sobre esta base, as exportações de produtos baratos continuarão a ser despriorizadas pelas políticas públicas.

O movimento grevista crescerá, mas somente no setor privado. As políticas repressivas colocadas em pé para “blindar” as empresas públicas ainda conseguirão conter o movimento operário no setor.

As reformas do mercado financeiro aplicadas em Xangai, a principal cidade do país, continuarão avançando, assim como a liberalização da taxa de câmbio do iuane. Mas, conforme a especulação financeira avança, a Bolsa de Xangai ficará submetida a novos “solavancos”, como os que a atingiram em cheio no ano passado.

Alguns setores estratégicos da economia, até agora controlados pelas empresas públicas, como o setor de refino do petróleo, deverá ser aberto às empresas estrangeiras.

A capacidade de absorção de matérias primas continuará reduzida. Às cidades fantasmas e à dificuldade para financiar as obras de infraestrutura e para escoar os imóveis novos, se somará o crescente esgotamento da especulação financeira em cima das matérias primas. Até o ano passado, grande parte das fianças para os empréstimos eram realizadas por meio de matérias primas, que eram simplesmente estocadas durante longos períodos, ou por meio de títulos financeiros, como os ETFs, das bolsas futuro de mercadorias, com o objetivo de aplica-los na especulação financeira. Agora, o aumento da recessão industrial colocará um freio sobre este tipo de operações.

Os países atrasados, exportadores de matérias primas, continuarão experimentando déficits fiscais por conta da piora da balança comercial, em grande medida, impactados pela queda dos preços das matérias primas.

As grandes empresas chinesas deverão aumentar o endividamento, o que aumentará o risco da implosão financeira. As “saídas” para a crise continuarão sendo as políticas “neoliberais”, a abertura aos capitais especulativos, a internacionalização do iuane, o aumento do crédito interno. O desenvolvimento do Novo Caminho da Seda chinês facilitará o acesso às matérias primas, a facilidade do suprimento à Europa e a abertura de novas rotas de comercio. Mas o problema central continuará sendo o fato da crise atual ser uma crise de superprodução. Os governos locais continuarão super endividados, dependentes da especulação imobiliária e financeira. O governo central implementará uma reforma fiscal que estará calcada em medidas neoliberais.

O Presidente Xi Jinping avançará na consolidação do próprio grupo dentro dos aparatos da burocracia, fundamentalmente, por meio da campanha contra a corrupção visando o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês que acontecerá em 2017.

As reformas militares em curso reduzirão o número de soldados em 300 mil que, junto com as medidas modernizantes, terão como objetivo conter a pressão do imperialismo e aumentar o potencial da China no mercado de armas.

O aperto do imperialismo norte-americano contra a China continuará, apesar de desescalado pela política da Administração Obama de concentrar os esforços no Oriente Médio. A China continuará a ampliar a nova política militar que pressupõe a possibilidade de atacar antes de ser atacada.

 

VEJA TAMBÉM:
PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL
http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/
PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO
http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-2/
PARTE 3 – A EUROPA
http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/
PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-4/
PARTE 5 – A RÚSSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/02/previsoes-para-2016-parte-5/

CHINA – XI JINPING EM TAIWAN?

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Os presidentes da China, Xi Jinping, e de Taiwan, Ma Ying-jeou, se reunirão em Singapura no próximo sábado 7 de novembro. Será o primeiro encontro de primeiro nível desde o triunfo da Revolução Chinesa, em 1949.

Ma lidera o Kuomintang, o partido nacionalista que tem buscado a aproximação com a China, desde a vitória eleitoral de 2008, e, principalmente, desde o amplo acordo de cooperação econômica de 2010. No próximo dia 16 de janeiro, acontecerão eleições na Ilha e o Kuomintang está ameaçado de sofrer uma humilhante vitória para a direita pró-norte-americana.

Por trás da tentativa de “consolidar a paz entre ambos os lados do Estreito e manter o status quo”, se encontra a política chinesa de contenção do cerco imposto pelos Estados Unidos. Na reunião, não está prevista a assinatura de acordos nem a emissão de comunicados conjuntos.

Em maio, Xi já tinha se reunido, em Pequim, com o presidente do Kuomintang, Eric Chu, que acabou substituindo o candidato eleito para disputar as eleições.

Xi se transformou no grande impulsionador do Novo Caminho da Seda chinês, a política de contenção da crise por meio de facilidades logísticas para aumentar o comercio com a Europa, integrando vários países do Oriente Médio, da Ásia Central e do sul da Ásia.

Xi, além de ter visita os Estados Unidos, esteve, recentemente, na Inglaterra, e encabeçou as reuniões com os mandatários do Japão e da Coreia do Sul, os três aliados de primeira ordem dos Estados Unidos.

A visita de Xi a Taiwan acontecerá a continuação da visita de Xi ao Vietnam na tentativa de desescalar as tensões no Mar do Sul da China e aumentar as relações comerciais. Vietnam participa da TPP (Parceria do Trans Pacífico) impulsionada pelos Estados Unidos com o objetivo de conter o expansionismo econômico chinês. Mas dois dos principais parceiros econômicos do Vietnam, a Rússia e a Coreia do Sul, têm se transformado em parceiros muito próximos da China.

Ao mesmo tempo, a Administração Obama também busca reduzir as tensões na região. A visita antecede a próxima reunião do Partido dos Trabalhadores do Vietnam que deverá escolher o próximo líder do país.

XI JINPING: UM POLÍTICO “INOVADOR”?

O presidente Xi tem “inovado” em relação aos antecessores. A movimentação que significa a reunião com o presidente de Taiwan é arriscada, pois implica num certo reconhecimento e legitimação do governo. Implica num certo afastamento da política de “Uma China com várias políticas”. Taiwan é considerada como uma “província rebelde”, que deverá voltar a fazer parte da China, mesmo que se para isso for necessário usar a força.

O problema colocado é que a vitória da oposição de direita, do Partido Democrático Progressista, liderado por Tsai Ing-wen, fortaleceria a pressão imperialista contra a China diretamente no Mar da China. A movimentação do governo chinês, além de fortalecer o Kuomintang, busca também forçar a Tsai a colocar às claras as relações bilaterais. Desta maneira, abriria o flanco para o aumento das pressões.

O Pentágono direcionou para a região Pacífico da Ásia nada menos que a metade do orçamento, em grande medida alocando bases militares e porta-aviões em pontos estratégicos para os chineses, como o Mar do Sul da China e o Estreito de Malaca, uma faixa de 30 quilômetros, entre a Malásia e a Indonésia, que é controlado pela Marinha norte-americana, e por onde circula mais de 80% do petróleo consumido na China.

O imperialismo norte-americano tem provocado o acirramento das contradições na região em cima das disputas territoriais. Enquanto as tensões com o Vietnam, as Filipinas, Brunei e outros têm escalado, para a política chinesa, acalmar as tensões com Taiwan desempenha um papel central. Essas questões também foram tratadas na recente visita de Xi aos Estados Unidos.

A Obama também lhe interessa a estabilização da região. Obama lidera a ala da direita tradicional do imperialismo que busca fortalecer essa alternativa perante o fortalecimento da extrema direita às vésperas das eleições nacionais que acontecerão nos Estados Unidos no próximo ano.

Durante os oito anos em que o Partido Democrático Progressista, entre 2000 a 2008, as relações atingiram um nível muito baixo e as tensões escalaram. Um ano após a reeleição do Partido Democrata Progressista em 2004, a China aprovou uma lei que tornou ilegal a declaração de independência por Taiwan autorizando inclusive o uso das armas.

O governo dos Estados Unidos só deixou de reconhecer Taiwan como o legítimo governo chinês em 1979.

O aprofundamento da crise capitalista está por trás da escalada do descontentamento em Taiwan. No ano passado, estouraram grandes manifestações estudantis que, durante três anos, tomaram vários prédios públicos. O Kuomintang sofreu uma importante derrota nas eleições locais que aconteceram no mês de novembro. A direita colocou no eixo da política as relações com a China.

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Protesters hold marked images of Chinese President Xi Jinping during a protest ahead of his visit to Vietnam, on the street in Hanoi November 3, 2015.  REUTERS/Kham

Protesters hold marked images of Chinese President Xi Jinping during a protest ahead of his visit to Vietnam, on the street in Hanoi November 3, 2015. REUTERS/Kham

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Europa, China, Rússia: QUEM É O CONQUISTADOR?

Da preparação da Conferência Climática (Paris, em dezembro) ao Novo Caminho da Seda chinês, aumentam as movimentações para salvar os lucros dos grandes capitalistas

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A chanceler alemã, Angela Merkel, esteve de visita na China durante os dias 29 e 30 de outubro. Nos dias 2 e 3 de novembro, foi a vez do presidente francês François Hollande.

As visitas tiveram como objetivo principal a discussão das emissões de gás carbônico às vésperas da conferência climática que acontecerá no mês de dezembro em Paris.

A pressão social tem aumentado no sentido da redução das emissões de substancias poluentes por causa do aumento exacerbado da depredação impulsionada pela tentativa de salvar os lucros dos capitalistas a qualquer custo. A resposta do imperialismo europeu passa pela criação da “Federação do Clima de Paris”. Mas não é só isso.

O mercado da especulação financeira com os títulos do carbono tem se mostrado muito lucrativo, como o pode testemunhar Al Gore, o ex vice presidente de Bill Clinton nos Estados Unidos, e também quase presidente se não tivesse sido o “roubo” descarado de George Bush Jr. na Flórida no ano 1999. Al Gore galgou na política por meio de bandeiras ecologistas burguesas, mas acabou se transformando num pioneiro, num especulador, bem sucedido com os títulos do carbono.

Perante o acelerado aprofundamento da crise capitalista na Europa junto com os sucessivos escândalos, que incluem o recente caso da Volkswagen, o imperialismo europeu busca apresentar um show pirotécnico, principalmente para o consumo local. Ao mesmo tempo, haverá o tiro de largada para as negociações dos títulos de carbono.

A China tenta reduzir o consumo de carvão nos principais setores industriais, como ferro, elétrico, engenharia química, materiais de construção, papel celulose e metais não ferrosos. Agora, com a queda dos custos do petróleo, a redução do uso do ultra poluente carvão mineral fica mais viável em termos dos lucros, mas sempre resta a alternativa de simplesmente comprar os títulos do carbono, que deverão ser lançados, no mercado doméstico, em 2017, sem precisar reduzir as emissões poluentes.

O CAMINHO DA SEDA: TÁBUA DE SALVAÇÃO PARA O CAPITALISMO?

Além das questões ambientais, outras fizeram parte das negociações em Pequim, como o turismo, a aviação e a agricultura. Conforme a crise capitalista mundial continua se aprofundando, os lucros começam a ficar em xeque e a busca por “saídas” tem se acelerado. A aproximação entre a França e a Alemanha, com a China faz parte do chamado Novo Caminho da Seda chinês.

A Alemanha e a França fazem parte dos fundadores do AIIB, o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, com um percentual conjunto de 8% representam um dos principais pesos. A Inglaterra, um aliado tradicional dos Estados Unidos foi o primeiro país ocidental a aderir ao AIIB. A Arábia Saudita, pilar dos petrodólares que possibilitam a inundação do mercado mundial com o dólar, se transformou no segundo maior fornecedor de petróleo da China e o comercio é feito em moedas locais. Tudo indica que a política do “salve-se quem puder” se acelera a cada dia, tornando as alianças e rivalidades muito mais fluídas.

A adesão ao Novo Caminho da Seda por aliados tradicionais dos Estados Unidos mostra as crescentes dificuldades para o imperialismo conter a aceleração das tendências desagregadoras. Com o colapso do chamado “neoliberalismo”, as contradições entre as potências imperialistas e regionais têm aumentado. Para o próximo período, está colocado o acirramento das contradições entre as potências imperialistas.

A política chinesa tem como objetivo facilitar as trocas comerciais com a Europa por meio da construção de um trem bala, Pequim-Berlim, a abertura de novas rotas comerciais, como a Rota do Ártico, a incorporação das repúblicas da Ásia Central e de alguns países do Oriente Médio, e a “libertação” da armadilha do Estreito de Malaca, por onde circula o grosso do consumo energético chinês, que é controlado pela Marinha norte-americana. A Rússia, e a sua União Euroasiática, atua como pivô dessa aproximação.

O Novo Caminho da Seda chinês não poderá salvar o capitalismo da crise. O aumento da eficiência da circulação de mercadorias pode favorecer os lucros durante um certo período. Mas a crise atual é uma crise de superprodução. O aumento das mercadorias disponibilizadas no mercado mundial somente pode conduzir a novas bolhas e a novas crises ainda maiores.

RÚSSIA: PIVÔ DO CAMINHO DA SEDA CHINÊS

A política do imperialismo europeu passa pelo fortalecimento das relações com a China, e vice versa. O pivô dessa aproximação, por meio do chamado Novo Caminho da Seda, é a Rússia que lidera a chamada União Euroasiática e tem um peso fundamental nas repúblicas da Ásia Central.

Recentemente, o vice chanceler alemão, o socialdemocrata Sigmar Gabriel, se encontrou com o presidente Vladimir Putin em Moscou com o objetivo de discutir o comercio bilateral. Evidentemente, a Alemanha está buscando levantar as sanções contra a Rússia. Os industriais alemães pressionam neste sentido há algum tempo, mas existe a contrapressão do imperialismo norte-americano e de vários dos países da Europa Central, principalmente de aqueles que compõem a ala direita da OTAN e da União Europeia, como a Polônia e a Lituânia.

De acordo com dados publicados pelo Ministério da Economia alemão, as exportações à Rússia sofreram contração de 31,5% no primeiro semestre deste ano. Vários projetos na Rússia, como nos setores de transporte ferroviário e da indústria química, foram paralisados por causa das sanções. Apesar da Rússia representar apenas o décimo terceiro destino das exportações alemãs, os mais importantes, como a China e os Estados Unidos, passam por sérias dificuldades. Em termos vulgares, poderíamos dizer que os alemães “estão matando cachorro a grito”.

A visita de Gabriel acontece a três meses da próxima reunião da União Europeia que deverá definir o que será feito com as sanções contra a Rússia. A estabilização da Ucrânia, promovida pela própria Administração Obama com o objetivo de colocar em pé uma frente única para estabilizar o Oriente Médio, pode ser o pivô para facilitar o levantamento das sanções.

Ao mesmo tempo, os vínculos Alemanha-Rússia, no setor de energia, continuam crescendo. A Gazpron está discutindo com as autoridades alemãs a ampliação do Gasoduto do Norte, o Nord Stream, que leva gás da Sibéria até a Alemanha através do Mar Báltico. Os interesses alemães passam pela garantia do amplo fornecimento aos melhores preços e pela contenção da Rússia na Europa Oriental e Central que usa a energia como instrumento de pressão política.

Apesar de não participar em ações militares na Síria, a Alemanha apoia a campanha da Rússia, pois tende a estabilizar a enorme desestabilização provocada pelas migrações maciças de refugiados.

Pelo lado da Federação Russa, existe a tentativa de suavizar as sanções para conter o cenário recessivo. A economia russa deverá sofrer contração de 4% neste ano, após ter enfrentado a recessão nos últimos quatro anos.

As movimentações do imperialismo franco alemão também incluíram, a visita do ex presidente francês, e presidenciável em 2017, Nicolas Sarkozy a Moscou no dia 29 de outubro.

O levantamento das sanções contra a Rússia poderá aumentar as contradições entre a Alemanha e os Estados Unidos, caso a política da ala direita conseguir se impor. Uma eventual consequência poderia ser o aumento da pressão da OTAN, que é controlada pelo imperialismo norte-americano, sobre a Rússia nos países da Europa Oriental e Central. A recente vitória do Partido Lei e Justiça, da extrema direita, na Polônia, já deverá aumentar a pressão sobre a Rússia, ao mesmo tempo que aumentarão as contradições com a própria Alemanha. A política alemã em relação às quotas para os refugiados abriu uma crise enorme.

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JAPÃO, CHINA, COREIA DO SUL – AMIGOS OU INIMIGOS?

REUNIÃO ENTRE OS PRIMEIROS MINISTROS DA CHINA

As recentes reuniões que aconteceram entre os primeiros ministros da China, Li Keqiang, do Japão, Shinzo Abe, e da Coreia do Sul, Park Geun-hye, têm enorme importância para o entendimento das contradições e do aprofundamento da crise na região Ásia Pacífico, que representa um dos três pontos de conflito em escala mundial com o potencial de evoluir para um confronto militar em larga escala

O encontro aconteceu na cidade de Seul, a capital da Coreia do Sul. Foi o primeiro nesse nível desde 2012, quando foram suspensos por causa da escalada dos conflitos territoriais entre a China e o Japão. A histeria tinha tomado conta da situação política por causa das eleições nacionais japonesas cuja pauta foi estabelecida pela extrema direita. Da mesma maneira, aconteceu o primeiro encontro bilateral entre a Coreia do Sul e o Japão em três anos, desde que o governo direitista de Shinzo Abe assumiu o governo, no final de 2012.

Entre os assuntos tratados teve destaque o acordo comercial que estava paralisado. O entendimento foi de que os problemas históricos e territoriais não devem dificultar o comercio. A aproximação tem por trás o aprofundamento da crise capitalista mundial. A economia chinesa enfrenta enormes dificuldades não somente para manter as exportações, mas também para manter o consumo interno. As exportações sul-coreanas enfrentam a pior contração dos últimos seis anos. A economia do Japão foi atingida em cheio após o desastre de Fucuxima e agora somente se mantem turbinada por gigantescos repasses de recursos públicos para os monopólios.

Outro dos assuntos centrais foi a criação de uma Zona de Livre Comercio (FTZ na sigla em inglês) entre os três países e o estabelecimento da Parceria Econômica Regional Compreensiva (RCEP na sigla em inglês). A discussão sobre a TFZ começou em novembro de 2012, incluindo o comercio de matérias primas, serviços e investimentos. A próxima rodada de negociações, que deverá acontecer no final deste ano, deverá incluir ainda a redução das tarifas das matérias primas e o acesso ao setor de serviços.

O aprofundamento da crise capitalista acelera a política do “salve-se quem puder”. As alianças e os inimigos se tornam mais fluídos enquanto os monopólios e as grandes empresas das potências regionais buscam salvar os lucros a qualquer custo.

QUAL É A MINHA COREIA FAVORITA?

O grande aliado da China não é a Coreia do Norte, mas a Coreia do Sul. O desenvolvimento das relações segue a direção de Seul e não a de Pyon-Yang.

A diferença do que poderia se pensar, o governo chinês considera a política do governo norte coreano como sendo um problema, um inconveniente para os próprios interesses. O programa nuclear e o enfrentamento da agressividade do imperialismo norte-americano facilitaria a justificativa da agressividade contra o verdadeiro alvo, a própria China. O Pentágono deslocou para a região Pacífico da Ásia nada menos que a metade do orçamento com o objetivo de conter o expansionismo chinês.

Sobre a questão da Coreia do Norte, houve coincidência, entre os primeiros ministros dos três países, no sentido da retomada das negociações com o objetivo de por um ponto final no programa nuclear. O grupo que participa das negociações inclui também os Estados Unidos e a Federação Russa.

Os 17 acordos bilaterais assinados entre a China e a Coreia do Sul contemplam vários setores, desde inovação, comercio, economia, ciência, tecnologia, proteção do meio ambiente, intercambio de pessoas e manufatura.

A China apoia o desenvolvimento de negociações entre as duas Coreias e até poderia aceitar a reunificação. Esse processo tem sido implodido, em primeiro lugar, pelo imperialismo norte-americano, que busca impedir o desenvolvimento de blocos que possam vir a se tornarem poderosos o suficientes como para ameaçar a hegemonia na região.

Os governos chinês e sul-coreano buscam o alinhamento das estratégias de desenvolvimento com o objetivo de favorecer uma maior aproximação entre os dois países. O chineses querem integrar a Coreia da Sul ao Novo Caminho da Seda chinês, que representa a “saída chinesa” para a crise capitalista por meio da criação de facilidades para o intercambio comercial com a Europa.

A China representa o maior parceiro comercial da Coreia do Sul. A Coreia do Sul representa o terceiro maior parceiro comercial da China. Os volumes esperados para este ano poderão superar os US$ 300 bilhões, 60 vezes mais que há 20 anos. Os intercâmbios de pessoas totalizaram nada menos que 10 milhões no ano passado.

O “namoro” entre a China e a Coreia do Sul começou no ano passado, após negociações com o novo governo da presidente Park que assumiu no início de 2013. O governo chinês agora busca ir além, resolvendo os conflitos territoriais com o objetivo de deslocar a Coreia do Sul da aliança anti-China liderada pelo imperialismo norte-americano.

REUNIÃO ENTRE OS PRIMEIROS MINISTROS DA CHINA2

JAPÃO: PRÓ ESTADOS UNIDOS, PRÓ CHINA OU PRÓ JAPÃO?

O governos do Japão e da China se comprometeram a retomar as visitas mútuas dos ministros das Relações Exteriores e os comerciais de alto nível no início do próximo ano. Ao mesmo tempo, serão definidos mecanismos de comunicação entre os exércitos de ambos países.

A escalada dos conflitos no Mar do Sul da China aconteceu há três anos, no contexto das últimas eleições nacionais, que foram pautadas pela extrema direita. Os últimos encontros que aconteceram entre Shinzo Abe e o presidente chinês, Xi Jinping, desde o mês de novembro do último ano, relaxaram as tensões.

Ao mesmo tempo, os crimes de guerra cometidos pelo Império Japonês na China representam outro dos aspectos graves das tensões, principalmente porque a extrema direita japonesa, com figurões como o Prefeito de Tóquio tem realizado atos abertamente provocativos.

O encontro bilateral entre Park e Abe aconteceu um dia após a reunião cume trilateral. O grande “abacaxi” existente entre a Coreia do Sul e o Japão é a recusa do governo direitista nipônico em reconhecer e apresentar desculpas oficiais, e indenizações por causa da escravização sexual de mulheres sul-coreanas durante a Segunda Guerra Mundial, além de outros crimes cometidos durante a ocupação da Península da Coreia pelo Império Japonês entre 1910 e 1945. O comercio entre os dois países tem caído desde 2011.

O Japão tem sido impulsionado pela Administração Obama para que assuma um papel de liderança militar na região, sob a tutela do imperialismo norte-americano. Trata-se de uma política de crise, por conta das crescentes dificuldades para enfrentar os altos custos, mas que está alinhada com a política impulsionada pela direita japonesa. O Artigo 9 da Constituição de 1947, que impedia a formação de um exército, já foi emendada. O problema colocado é que, conforme a crise continuar se aprofundando, o imperialismo japonês, que representa uma das duas maiores potências industriais, deverá acelerar os mecanismos para garantir os lucros dos próprios monopólios. Dentre eles, está o ingresso no disputado mercado de armas, no qual passaria a concorrer com os Estados Unidos, o aumento da espoliação dos países vizinhos e outros, o aumento da disputa da especulação financeira e a escalada de um regime de cunho fascista no país.

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COMO FICA A ALIANÇA TRANS PACÍFICO?

A Aliança Trans Pacífico (TPP, na sigla em inglês) representa um dos mecanismos que o imperialismo norte-americano está tentando colocar em pé com o objetivo de conter o expansionismo chinês e os novos organismos que correm por corra do controle do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial, que ele próprio controla.

Da TPP não faz parte a China, mas se o fazem a Coreia do Sul e o Japão.

Os acordos entre os três países mostram a crescente dificuldade para os Estados Unidos manterem a hegemonia imposta após a Segunda Guerra Mundial.

Da mesma maneira, está acontecendo com outros aliados próximos dos Estados Unidos. A Arábia Saudita se tornou o segundo maior fornecedor de petróleo da China, agora somente atrás da Rússia, e o comercio bilateral está sendo realizado em moedas locais, o que representa um verdadeiro veneno para os petrodólares, a base da inundação do mercado mundial com o dólar. A Inglaterra se tornou o primeiro país ocidental em aderir ao novo Banco de Infraestrutura Asiático. Já a Alemanha e a França fazem parte, como componentes fundamentais, do Novo Caminho da Seda chinês.

As tendências desagregadoras, centrípetas, têm aparecido, principalmente, no surgimento e fortalecimento das potências regionais e dos regimes nacionalistas burgueses. No próximo período, a tendência será ao enfraquecimento do imperialismo e à formação de blocos que deverão se contrapor ao imperialismo norte-americano. O aumento das contradições e das guerras será inevitável, e faz parte do acelerado processo de putrefacção do sistema capitalista.