DAVOS TENTA SALVAR O CAPITALISMO – PARTE 2

A CHINA PODE LEVAR O MUNDO A UM NOVO COLAPSO?

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A China é responsável por 12,7% das exportações e 10,4% da importações mundiais, além de consumir mais da metade do mineral de ferro, níquel, carvão mineral e alumínio, e uma boa parte do cobre, do estanho, do zinco, do algodão e da soja.

Como é possível que a crise China tenha um impacto de grandes proporções sobre o mundo?

A exposição da primeira potência mundial, os Estados Unidos, à China é de apenas 0,7% em relação às exportações e de 0,8% em relação aos ativos dos bancos, sendo que somente em relação ao mercado imobiliário norte-americano a exposição era de 39% em 2007.

A crise no mercado acionário também seria irrelevante. Em torno a 80% dos investimentos nesse setor é realizado por pessoas físicas que, supostamente, acabariam realizando compras e vendas por impulso, o que teria levado à “amplificação” das transações e dos medos.

O crescimento chinês se fundamentou em gigantescos repasses de recursos públicos para empresas da construção civil e infraestrutura, estatais. Muitos dos projetos se tornaram casos emblemáticos, como o é o caso da cidade de Ordos, projetada para 1,5 milhões de habitantes e que, na realidade, está habitada por 10% dessa capacidade.

O que a crise das bolsas chinesas revelou, em primeiro lugar, é a crise da política do governo chinês que acabou levando ao crescimento de várias bolhas financeiras. Os ataques especulativos do exterior são inerentes ao sistema e têm como objetivo se apropriar de uma parte maior da riqueza, de avançar para se apropriar das empresas públicas.

As bolhas têm crescido. O endividamento dos governos locais têm provocado a disparada da exposição ao risco dos bancos locais, que dependem umbilicalmente dos bancos nacional estatais. Os bancos são responsáveis por mais da metade do Índice HSI da Bolsa de Hong Kong.

O grande problema da “locomotiva da economia mundial” é que se esgotou o componente principal dessa política, os baixos salários. A tentativa, controlada pelo governo, de desvalorizar o iuane, para facilitar as exportações de produtos industriais, foi um dos fatores relacionados com a crise das bolsas.

O XVIII Congresso do Partido Comunista Chinês, realizado no mês de outubro de 2013, estabeleceu as políticas gerais da “abertura da economia”, que implicava na aceleração das políticas neoliberais e a abertura aos monopólios.

O foco da economia chinesa tem mudado da produção industrial para o setor de serviços, principalmente o consumo e a especulação financeira. O problema é que essa política entrou em crise, da mesma maneira que aconteceu em escala mundial. A demanda caiu e o endividamento disparou. A inflação por enquanto está baixa, mas essa situação somente pode ser provisória.

O endividamento público chinês seria menor que 60% do PIB, mas as dívidas das empresas dispararam de 72% para mais de 120% do PIB nos últimos nove anos. E várias das grandes empresas somente funcionam por causa das ajudas públicas, apesar de serem improdutivas, como acontece principalmente nos setores da mineração e da siderurgia.

 

QUAL É O IMPACTO DA CRISE CHINESA SOBRE O MUNDO?

 

Por que o crescimento anual da China de 7% é um problema para a economia capitalista mundial? Os repasses para as empresas públicas são similares aos repasses feitos pelo BNDES?

A crise na China acelera a queda do consumo e os baixos preços do petróleo e das demais matérias primas.

As enormes reservas em dólares da China não são páreo para enfrentar a crise. Depois de terem crescido de US$ 142 bilhões, em 1997, para US$ 4 trilhões em 2014, caíram em mais de US$ 500 bilhões, no ano passado, e em quase US$ 300 bilhões neste ano. E mais ainda. Os US$ 3,3 trilhões restantes representam pouco mais de 25% da base monetária.

O aprofundamento da crise capitalista tem levado ao aumento do volume de títulos podres das empresas no mercado. Nos Estados Unidos, a significativa queda das taxas de lucros desse mercado trilionário, levou ao abandono do chamado QE (quantitative easing ou alívio quantitativo), a compra pelo valor cheio de títulos podres pelo governo. Por esse motivo, em primeiro lugar, as taxas de juros estão sendo aumentadas. Essa política tem levado à valorização do dólar, levando a reboque o iaune e colocando em alerta vermelho as exportações chinesas.

A bolha creditícia formada a partir de 2009 começou a ser desinflada, no segundo semestre do ano passado, e requeria a desvalorização do iuane. Mas os mercados acionários não deveriam ser desestabilizados por causa das fugas de capitais e dos esforços para internacionalizar o iuane. Aplicar essas políticas no cenário da dependência do mercado internacional, que é controlado pelo imperialismo, é muito delicado e custoso, como efetivamente o foi, a partir do mês de agosto do ano passado, e com uma situação de alta volatilidade em dezembro.

A crise nas bolsas reflete os problemas na produção industrial e no consumo.

A China, assim como acontece com o capitalismo em escala mundial, não consegue colocar em pé uma política alternativa ao neoliberalismo. Por esse motivo, deverá avançar na aplicação de mais políticas neoliberais. A política da burguesia chinesa ligada às empresas públicas enfrenta a forte queda de recursos. A livre mobilidade dos trabalhadores, que hoje é restrita, o “hukou”, seria uma delas, mas é muito difícil de aplica-la, pois hoje as pessoas se registram nas prefeituras e recebem delas os serviços sociais. Uma migração em massa do campo para as cidades poderia leva-los ao colapso. Portanto, se tratam dos mesmos problemas que acontecem em escala mundial. Na Europa, esses problemas se expressam no aumento do nacionalismo. Na China, deverão se expressar, cada vez mais, no aumento das contradições entre as regiões e as províncias.

Veja também

Parte 1 – UM NOVO COLAPSO ECONÔMICO PODE SER EVITADO?

http://alejandroacosta.net/2016/01/30/davos-tenta-salvar-o-capitalismo-parte-1/

 

Parte 3 – ITALIA – UM “PESO PESADO” EUROPEU DOENTE

http://alejandroacosta.net/2016/01/30/davos-tenta-salvar-o-capitalismo-parte-3/

 

 

 

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 8

O JAPÃO

 REUNIÃO ENTRE OS PRIMEIROS MINISTROS DA CHINA

A crise capitalista continuará avançando a passos largos no Japão. A dívida pública, que hoje representa mais de 240% do PIB, continuará aumentando por causa da paralisia da economia e a recessão industrial. O funcionamento dos monopólios japoneses continuará turbinado por enormes volumes de recursos públicos. Em 2015, a versão nipônica do Quantitative Easing (ou alívio quantitativo) destinou mais de US$ 700 bilhões, no equivalente em ienes, para a compra de títulos podres das empresas pelo valor cheio. Essa política ainda conseguirá ser mantida em 2016, mas, em 2017, deverá entrar em colapso da mesma maneira que aconteceu nos Estados Unidos.

O aprofundamento da crise capitalista aumentará o desgaste do governo direitista liderado pelo primeiro ministro Shinzo Abe. Os ataques contra as condições de vida da população continuarão inevitavelmente, principalmente com o aumento dos impostos sobre o consumo. O governo anunciou que o aumento dos impostos seriam adiados para 2017, mas a crise das contas públicas e, principalmente, a disparada da dívida pública por causa da paralisia industrial obrigará o governo a repassar o peso da crise para as massas. A migração de um número importante de plantas industrias para países da região, onde o custo da mão de obra é muito mais barato (Filipinas, Indonésia, Malásia), tem favorecido os lucros, mas a queda do consumo interno tem acentuado a crise de superprodução no Japão.

Como política de contenção, o governo de Abe tentará aumentar o investimento público, mas a disparada do endividamento deverá colocar essa política contra a parede em 2016. Se a política for mantida, empurrando a crise para a frente, ela ira estourar em 2017 ou 2018 como uma crise muito mais forte, que ainda será potencializada por um novo colapso capitalista mundial.

A TTP (Aliança Trans Pacífico) e os acordos com a China e a Coreia poderão ampliar o mercado regional para os monopólios japoneses, mas as contradições, principalmente com a China e os Estados Unidos, acelerarão no próximo período.

As alianças militares do Japão com alguns países da região, como as Filipinas, Taiwan, o Vietnam e a Índia, deverão continuar crescendo. Mas o governo Abe evitará o aumento das contradições com a China e a Coreia do Sul. O papel de “ajudante” do Pentágono no Mar do Sul da China será mantida, mas com cautela e, conforme a crise continuar aumentando, as contradições com os Estados Unidos, inevitavelmente, também aumentarão.

A política militarista deverá acelerar, principalmente, a partir da migração das forças de autodefesa para um exército e a produção de armas, recolocando o Japão como um competidor de primeira ordem no mercado mundial de armas. Em paralelo, o regime político deverá endurecer. A extrema direita deverá continuar se fortalecendo e empurrando o direitista PDL, que encabeça o governo, à direita.

VEJA TAMBÉM:

PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/

PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-2/

PARTE 3 – A EUROPA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/

PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-4/

PARTE 5 – A RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/02/previsoes-para-2016-parte-5/

PARTE 6 – A CHINA

http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-6/

PARTE 7 – A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-7/

CRISE NAS BOLSAS DA CHINA, TEMPESTADE NO BRASIL

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No dia 4 de janeiro de 2016, a Bolsa de Xangai foi fechada após ter acontecido um “circuit breaker”, a queda nas negociações em quase 7%. Na Bolsa de Shenzhen, a queda foi de mais de 8%. O resultado do dia foi relativamente tranquilo. Uma leve queda das principais bolsas asiáticas após uma intervenção maciça do governo chinês. O Índice Composto de Xangai caiu apenas 0,3% e o de Shenzhen em 1,9%.

O Banco do Povo da China (banco central) injetou mais de US$ 20 bilhões em fundos. O governo aumentou a pressão sobre as “operações vendidas”, aquelas compras que são canceladas com o objetivo de pressionar, de maneira artificial, os preços de determinadas ações.

Os “observatórios” da especulação financeira falam que a situação teria voltado “à normalidade”, mas fica cada vez mais claro que a crise nas bolsas chinesas têm se repetido com maior frequência desde setembro de 2015. O iuane (Renminbi) acelerou a desvalorização o que obrigou o governo a atuar colocando à venda importantes volumes das reservas internacionais. Os “observatórios” relacionam a operação com a entrada do iuane na cesta do FMI (Fundo Monetário Internacional) e o relaxamento dos controles de cambio. Mas o buraco é muito mais profundo que apenas medidas meramente monetaristas.

 

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA CRISE DAS BOLSAS NA CHINA?

 

Na década de 1980, a China foi transformada na locomotiva mundial de produtos manufaturados de baixo custo, que estiveram na base da implementação das políticas neoliberais. Na década passada, com o esgotamento dessas políticas, a China passou a acelerar o papel de absorção de matérias primas dos países atrasados e de produtos de alta tecnologia dos países desenvolvidos. Com o colapso de 2008, as exportações despencaram e os chineses saíram com a política de aumentar o consumo interno. Mais de US$ 700 bilhões foram injetados, em 2009, no sistema financeiro, o que gerou as enormes bolhas que estão penduradas sobre as cabeças dos chineses.

O XVIII Congresso do Partido Comunista Chinês, que aconteceu no final de 2013, acelerou o processo de abertura da economia e do ritmo da implementação das políticas neoliberais, principalmente a partir de Xangai. A receita foi maior crédito público e maior especulação financeira; mais controle sobre as fontes de matérias primas no exterior e aceleração do comercio com a Europa por meio do Novo Caminho da Seda; aceleração da política defensiva contra a agressividade militar e econômica norte-americana.

A crise atual é muito mais que uma crise financeira. Trata-se de uma crise de superprodução. Especificamente, da crise aberta em 2008 e que longe de ter sido fechada continua aberta com a ameaça de um novo colapso de ainda maiores proporções que o de 2008. A burguesia mundial não conseguiu colocar uma política alternativa ao “neoliberalismo”, da mesma maneira que o tinha feito em relação ao “keynesianismo”, na década de 1980, dado o brutal parasitismo. Por esse motivo, as políticas de contenção da crise no sistema capitalista mundial passam pelo aumento do “neoliberalismo”, dos ataques contra as condições de vida dos trabalhadores.

 

CRISE NA CHINA, TEMPESTADE NO BRASIL

 

O Brasil tem se focado na produção e exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas. A desaceleração industrial tem deixado o país muito mais dependente dos produtos importados. A desvalorização do dólar possibilitou o único resultado econômico positivo de 2015, o superávit da balança comercial de US$ 20 bilhões. Em contrapartida, as contas correntes (a diferença entre tudo o que entra e sai do país) continuam sangrando por causa do aperto da espoliação pelos monopólios. A inflação oficial disparou para os dois dígitos. A dívida pública se transformou num câncer que direciona o grosso dos recursos públicos para os bancos. A indústria languidesce com o aprofundamento da crise na Argentina, o único cliente importante para a indústria automotriz.

Enquanto a economia brasileira lidera a corrida mundial em direção ao buraco, a burguesia tenta acelerar a aplicação do ajuste contra os trabalhadores, a redução das condições de vida e a entrega dos recursos nacionais para os estrangeiros, tanto por meio da ultra corrupta dívida pública, como por meio das expatriações realizadas pelos monopólios, a entrega da Petrobras, a manutenção da entrega da Vale, das Telecomunicações, do Nóbio.

O grande “triunfo” do Brasil para enfrentar as “obrigações” impostas pelo imperialismo, a exportação de matérias primas, se encontra colocada em xeque por causa do aprofundamento da crise no principal país comprador, a China. A crise atual no Brasil é apenas o aperitivo da crise que virá no próximo período. Os sintomas de um novo colapso aparecem não somente na China, mas também na Alemanha, no Japão e nos Estados Unidos.

 

 

PREVISÕES PARA 2016 – Parte 7

A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA

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A China continuará aumentando o aperto sobre os países da ASEAN (Associação dos Países do Sudeste da Ásia), tanto em termos econômicos, como militares e políticos. Os países da região mais dependentes do imperialismo ficarão expostos pelo aumento das taxas de juros estabelecidos pela Reserva Federal norte-americana e, por esse motivo, mais frágeis. Na linha de frente estarão a Malásia, a Indonésia e as Filipinas para onde, nos últimos dois anos, tem migrado um importante número de plantas industriais janponesas. Em parte, o aprofundamento da crise poderá ser amortizado pelo aumento da produção dos monopólios, principalmente japoneses, ou mesmo pela ampliação da produção. Mas essa possibilidade enfrentará a queda das vendas, provocada pelo aprofundamento da crise capitalista, inclusive no Japão. Ao mesmo tempo, o aprofundamento da crise na China também aumentará a pressão sobre os países vizinhos. O governo chinês tentará desenvolver acordos com concessões especiais, seguindo o modelo estabelecido com a Coreia do Sul que, em 2016, deverá gerar um comercio bilateral superior aos US$ 300 bilhões.

O imperialismo norte-americano buscar conter a política da China por meio da Aliança Trans Pacífico que impõe condições ultradepredadora, contra os países membros, em benefício dos monopólios. Para manter ou aumentar os negócios, esses países serão obrigados a fazer concessões adicionais em relação à soberania.

O aprofundamento da crise capitalista levará a medidas “excepcionais”, “sui generis”, para salvar os lucros. O acordo de comércio trilateral entre a China, o Japão e a Coreia do Sul continuará avançando. Ao mesmo tempo, a crise, deverá provocar o aumento das contradições, conforme os mercados ficarem mais reduzidos. O impacto também será notório no interior da ASEAN e em toda a região Pacífico da Ásia.

A crise econômica continuará acelerando a crise política. No Japão, a extrema direita continuará pressionando o governo direitista de Shinzo Abe para avançar ainda mais à direita. Na Malásia, o governo de Najib razak, do UMNO, foi atingido em cheio por denúncias de corrupção que envolviam capitais especulativos do Catar, e deverá cair. Na Coreia do Sul, o governo da primeiro ministro Park Geun-hye continuará sendo pressionado pela extrema direita, conforme a crise aumentar, e pelo imperialismo norte-americano na tentativa de afasta-lo da política da China. A crise também deverá aumentar na Indonésia, no Taiwan e nas Filipinas.

As disputas territoriais no Mar do Sul da China continuarão exacerbadas, em primeiro lugar, pelos Estados Unidos com o objetivo de manter a justificativa do deslocamento da metade do orçamento do Pentágono para a região. A tentativa de incluir o Japão, a Austrália e a Coreia do Sul no patrulhamento do Mar do Sul da China avançará, mas com dificuldades, principalmente no caso da Coreia do Sul que evitará enfraquecer os gigantescos acordos comerciais com a China. O Japão aumentará o poderio naval devagar, em boa medida, sobre o controle dos Estados Unidos, mas, conforme a crise aumentar e os lucros dos monopólios japoneses forem colocados em xeque, as contradições com os Estados Unidos acelerarão rapidamente. As eleições ao Senado nipônico, que acontecerão na segunda metade deste ano, deverão fortalecer a ala direita do regime. Mas mesmo assim, o envolvimento nas patrulhas do Mar do Sul da China continuará limitada.

As relações entre a China e os Estados Unidos, apesar de tensas, continuarão mantendo os pontos de contato. A China participará do Rimpac, os enormes exercícios multinacionais liderados pelos Estados Unidos, e ainda deverá aumentar as concessões ao governo da Coreia do Sul para usa-lo como mecanismos de descompressão na região e de contenção à agressividade do imperialismo.

As relações da China com Taiwan tendem a piorar. Nas eleições que acontecerão neste mês, janeiro, o governo do Kuomintang, que é próximo ao governo chinês, deverá ser derrotado pela direita do Partido Democrático Progressista, próximo aos Estados Unidos e que busca a independência para Taiwan. Isso acontecerá apesar dos esforços, até desesperados, do governo chinês.

Em maio, acontecerão eleições nas Filipinas. Da mesma maneira que aconteceu em relação a Taiwan, o governo chinês tentará influência-las desescalando as tensões no Mar do Sul da China. Na Malásia, também deverão acontecer eleições para substituir o primeiro ministro Najib Razak do Partido Organização Nacional Malaia Unida e Barisan. Najib, encurralado, tentará fazer acordos com a minoria chinesa que mantém proximidade com a China.

Em abril, acontecerão as eleições parlamentares na Coreia do Sul. O governo de Park tentará manter e melhorar as relações com a China com parte da política direcionada para a carestia da vida e o desemprego que têm dado lugar a protestos.

As relações com a Coreia do Norte continuarão tensas, em grande medida por causa das provocações do imperialismo norte-americano que se vale de provocações com o objetivo de pressionar o Congresso para manter o gigantesco orçamento militar na região. O novo Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte deverá consolidar a política defensiva contra as agressões, o que implicará no aumento dos testes nucleares.

Na Birmânia, os militares tentarão manter os privilégios no governo que assumirá neste ano após terem sido derrotados nas eleições do final do ano passado pelo partido pró-imperialista da Liga Nacional pela Democracia.

VEJA TAMBÉM:

PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/

PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-2/

PARTE 3 – A EUROPA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/

PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-4/

PARTE 5 – A RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/02/previsoes-para-2016-parte-5/

PARTE 6 – A CHINA

http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-6/

PREVISÕES PARA 2016 – Parte 6

A CHINA

REUNIÃO ENTRE OS PRIMEIROS MINISTROS DA CHINA

Em 2016, o aprofundamento da crise capitalista continuará avançando na China, no Japão e na região Pacífico da Ásia.

O governo chinês continuará avançando na abertura da economia por meio de políticas “neoliberais”. Os investimentos nas obras de infraestrutura e na indústria diminuirão. O endividamento dos governos locais aumentará e o governo central será obrigado a aumentar os repasses de recursos. A inflação aumentará pressionando os preços e os salários. Sobre esta base, as exportações de produtos baratos continuarão a ser despriorizadas pelas políticas públicas.

O movimento grevista crescerá, mas somente no setor privado. As políticas repressivas colocadas em pé para “blindar” as empresas públicas ainda conseguirão conter o movimento operário no setor.

As reformas do mercado financeiro aplicadas em Xangai, a principal cidade do país, continuarão avançando, assim como a liberalização da taxa de câmbio do iuane. Mas, conforme a especulação financeira avança, a Bolsa de Xangai ficará submetida a novos “solavancos”, como os que a atingiram em cheio no ano passado.

Alguns setores estratégicos da economia, até agora controlados pelas empresas públicas, como o setor de refino do petróleo, deverá ser aberto às empresas estrangeiras.

A capacidade de absorção de matérias primas continuará reduzida. Às cidades fantasmas e à dificuldade para financiar as obras de infraestrutura e para escoar os imóveis novos, se somará o crescente esgotamento da especulação financeira em cima das matérias primas. Até o ano passado, grande parte das fianças para os empréstimos eram realizadas por meio de matérias primas, que eram simplesmente estocadas durante longos períodos, ou por meio de títulos financeiros, como os ETFs, das bolsas futuro de mercadorias, com o objetivo de aplica-los na especulação financeira. Agora, o aumento da recessão industrial colocará um freio sobre este tipo de operações.

Os países atrasados, exportadores de matérias primas, continuarão experimentando déficits fiscais por conta da piora da balança comercial, em grande medida, impactados pela queda dos preços das matérias primas.

As grandes empresas chinesas deverão aumentar o endividamento, o que aumentará o risco da implosão financeira. As “saídas” para a crise continuarão sendo as políticas “neoliberais”, a abertura aos capitais especulativos, a internacionalização do iuane, o aumento do crédito interno. O desenvolvimento do Novo Caminho da Seda chinês facilitará o acesso às matérias primas, a facilidade do suprimento à Europa e a abertura de novas rotas de comercio. Mas o problema central continuará sendo o fato da crise atual ser uma crise de superprodução. Os governos locais continuarão super endividados, dependentes da especulação imobiliária e financeira. O governo central implementará uma reforma fiscal que estará calcada em medidas neoliberais.

O Presidente Xi Jinping avançará na consolidação do próprio grupo dentro dos aparatos da burocracia, fundamentalmente, por meio da campanha contra a corrupção visando o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês que acontecerá em 2017.

As reformas militares em curso reduzirão o número de soldados em 300 mil que, junto com as medidas modernizantes, terão como objetivo conter a pressão do imperialismo e aumentar o potencial da China no mercado de armas.

O aperto do imperialismo norte-americano contra a China continuará, apesar de desescalado pela política da Administração Obama de concentrar os esforços no Oriente Médio. A China continuará a ampliar a nova política militar que pressupõe a possibilidade de atacar antes de ser atacada.

 

VEJA TAMBÉM:
PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL
http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/
PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO
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PARTE 3 – A EUROPA
http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/
PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA
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PARTE 5 – A RÚSSIA
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Rússia-Índia: PRÓ-IMPERIALISMO OU NACIONALISMO?

 

India Russia

QUAL É O SIGNIFICADO DOS RECENTES ACORDOS RÚSSIA-ÍNDIA? QUAL É O CARÁTER DO GOVERNO DO DIREITISTA NARENDRA MODI?

 

Recentemente, o primeiro ministro da Índia, Narendra Modi, esteve em Moscou para participar da 16a. reunião bilateral anual entre ambos países. Essas reuniões começaram a acontecer a partir de 1997, após o colapso da antiga União Soviética. Foram assinados vários acordos estratégicos nas áreas de energia, comercio e militar.

A Rússia aumentará as exportações de petróleo e gás à Índia, que representa o terceiro maior consumidor em escala mundial.

As relações comerciais entre vários gigantes russos do setor da energia e a Índia datam de anos e têm evoluído com maior velocidade que com a China. Esse é o caso da Rosneft que avança para comprar 49% da indiana Essar com o objetivo de entrar no lucrativo negócio do refino de combustíveis. Em políticas similares têm avançado a Lukoil, a Sistema e a Gazprom.

No setor militar, a Rússia continua sendo o principal fornecedor, apesar da ampliação dos últimos anos. O avião militar T-50 e o míssil de curto alcance BrahMos são desenvolvimentos conjuntos. Em andamento, se encontra a aquisição de quase 150 T-50, que será equipado com os BrahMos. Também estão em negociação a compra de dois submarinos diesel-elétricos, 48 helicópteros, com a produção dos Kamov 226T, três fragatas, a expansão de peças para o avião Sukhoi 30MKI e o sistema anti-mísseis S-400 que, neste momento, somente é operado pela China e a própria Rússia. A versão seguinte, os S-500, blindou o espaço aéreo russo contra a ameaça nuclear da OTAN.

 

“IT IS JUST BUSINESS” = “E SÓ NEGÓCIOS”

 

Narendra Modi foi eleito no mês de maio de 2014 pelo direitista Partido Bharatiya Janata. O grande derrotado foi o Partido do Congresso, dos Nehru e dos Gandhi. A primeira visão desse governo é que tentaria aumentar a proximidade com os Estados Unidos e com o Japão, distanciando-o da Rússia, a China e a OCX (Organização de Cooperação de Xangai). Mas a política é prática. A crise capitalista tem avançado com força sobre a Índia que tenta adotar medidas de contenção. A burguesia indiana tem buscado vários mecanismos para salvar os lucros e manter os privilégios.

Os acordos com os russos facilita a política da Índia de aumentar a participação no lucrativo negócio das vendas de armas. Em 2012, tinha disso assinado um acordo para o fornecimento do submarinho classe Akula. Agora, entraram nas discussões os submarinos Kashalot e o Iribis que ainda se encontra em desenvolvimento. O objetivo dos indianos é remodelar esses submarinos e inclui-los não somente no arsenal doméstico, mas também no show room do armamento a ser exportado. O plano de defesa da Índia para 2016 inclui o aumento da produção nacional de 30% para 40%.

Mas as amarrações militares e políticas da Índia com a Rússia não são “tão exclusivas” como as relações entre a Rússia e a Índia. A Índia ainda mantem como política o chamado “não alinhamento” que, na prática é uma dança das cadeiras entre as várias potências regionais e imperialistas. Modi mantém essa política. Enquanto conversava com o presidente russo, Vladimir Putin, o governo indiano fazia um pedido de 100 drones aos Estados Unidos, fortalecia os acordos no setor naval com o Japão e o próprio Modi, numa política difícil de ser prevista, visita o eterno inimigo, o Paquistão, num esforço pela distensão regional.

 

 

 

ELEIÇÕES NA BIRMÂNIA – QUEM FOI O VERDADEIRO VENCEDOR?

Birmania

No dia 8 de novembro, aconteceram as primeiras eleições “livres” nos últimos 28 anos. Participaram 91 partidos políticos que concorreram a 498 vagas no parlamento. Os dois partidos políticos principais foram o Liga Nacional Pela Democracia, o LNPD, ligado Aung San Suu Kyi, filha do líder da independência derrubado por um golpe militar em 1962, e o Partido da União Solidária e o Desenvolvimento, o PUSD.

O LNPD obteve 179 das 216 vagas em disputa na câmara baixa e 77 das 83 vagas em disputa na câmara alta.

Mas de acordo com a constituição vigente, aprovada em 2008 pelo ditador Than Shwe, reserva um quarto das vagas no Parlamento à cúpula das forças armadas. Para mudar essa constituição são necessários 75% do votos dos parlamentares.

As eleições de 2012 puseram um fim na ditadura militar, mas foi empossado um antigo figurão da própria junta militar. Aung San Suu Kyi foi eleita deputada junto com mais 42 deputados que ganharam 43 das 44 vagas em disputa. Os militares convocaram eleições, em 1990, por causa dos protestos de massas contra a ditadura militar que aconteceram em 1988. O LNPD venceu com 80% dos votos, mas os resultados não foram reconhecidos e uma nova junta militar foi colocada à cabeça do governo. O LNPD boicotou as eleições de 2010.

O modelo que os militares birmanos estão tentando aplicar é o modelo de transição de 1998 que foi a saída da sangrenta ditadura na Indonésia, que durou 30 anos. O objetivo é controlar os movimentos separatistas e garantir um papel central aos militares no novo governo. Boa parte da economia e da burocracia estatal é controlada pelos militares.

A Birmânia é habitada por mais de 100 minorias étnicas e muitas delas tiveram dificuldades para votar. O número de partidos ligados às minorias étnicas que concorreram à eleições superou os 60. O povo de Rohingya, do estado ocidental de Rakhine, nem sequer tem direito à cidadania, apesar de quem, em 2010, o partido da ditadura militar, o PUSD, lhes permitiu votar para viabilizar a derrota eleitoral dos nacionalista no estado de Rakhine.

Rakhine possui somente o 3,5% da população, mas controle a estretégica Baia de Bengala, a partir de onde é exportado gás para a China. A frente nacional, unificada no Partido Nacional Arakan, obteve 78 vagas no parlamento e a liderança do parlamento estadual.

BIRMÂNIA: NO CENTRO DAS DISPUTAS REGIONAIS

A Birmânia tinha sido um país com forte influência da China. A partir do colapso capitalista de 2008, o imperialismo tem buscado fontes alternativas de trabalhadores com salários baixos. O salário chinês passou de US$ 30, no início da década de 1980, para mais de US$ 400 nas três principais regiões do país, Pequim, Xangai e Huangdo.

Na Birmânia, o salário de um operário é de aproximadamente US$ 50 mensais. O país possui grande quantidade de recursos naturais.

Em 2011, o imperialismo levantou as sanções em troca da liberalização da economia. O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial entraram com importantes empréstimos. Os capitais estrangeiros acharam uma nova Meca.

As concessões do imperialismo foram fartas, a começar por oito anos de isenções de impostos, mas a ditadura militar em bancarrota foi muito generosa, pois a sua própria pele estava em jogo devido ao aprofundamento da crise capitalista no País, ao avanço das massas e à falta de recursos, que se reflete numa infraestrutura em frangalhos. O governo militar começou uma ampla reforma financeira, que começou com a liberalização cambial da moeda local, o Kt e negociações com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Várias leis foram alterada para promover o “agronegócio” e a exploração depredadora dos recursos minerais.

A construção de dois dutos na Birmânia tem uma importância crucial para a economia chinesa, pois transportarão óleo e gás, evitando o Estreito de Malacca, localizado entre a Malásia e a Indonésia, que facilmente poderia ser fechado numa crise.

Um porto está sendo construído na cidade de Kyaukpyu, na provincial ocidental de Arakan, perto da fronteira com Bangladesh, como ponto de partida para escoar o gás do gigantesco campo de Shwe com destino à província chinesa de Yunnan. Até aqui se trata da comercialização de grandes volumes de um produto que teria como outro potencial cliente a Índia, cuja economia tem sido afetada em cheio pelo aprofundamento da crise capitalista.

O segundo duto transporta petróleo do Oriente Médio, principalmente do Irã, da Arábia Saudita e do Catar.

CRISE CAPITALISTA E ABERTURA

O aprofundamento da crise capitalista na Birmânia, obrigou a ditadura militar a privatizar várias empresas estatais, numa economia altamente nacionalizada. Como efeito colateral, aumentou o fluxo de divisas, que provocou a supervalorização da moeda local, a proliferação do mercado negro e a diminuição das importações. Segundo as Nações Unidas, mais de 26% da população vive por debaixo do nível oficial de pobreza.

Neste contexto, aumentou o descontentamento popular e o fortalecimento de vários grupos guerrilheiros que atuavam nas regiões do norte, sendo um dos principais o ELK (Exército para a Liberação de Kachin). Em agosto de 2007, tinha acontecido a chamada “Revolução Saffron” que levou às ruas centenas de milhares de pessoas e deixou um saldo de dezenas de mortos, após o governo militar, o Conselho para o Desenvolvimento e a Paz do Estado, ter retirado o subsídio aos combustíveis o que provocou uma disparada geral dos preços.

Após a visita de Hillary Clinton ao país, no final de 2011, o governo birmano começou uma reforma financeira e implementou um novo sistema de câmbio da moeda local, o Kt, com o dólar baseado em paridade diária a ser determinada pela variação das transações que serão realizadas por 17 bancos. Tratava-se de uma das exigências do imperialismo para levantar as sanções contra o País. Por meio do FMI (Fundo Monetário Internacional), a Birmânia foi colocada sobre o controle direto do capital especulativo internacional.

A Birmânia é rica em recursos naturais, principalmente petróleo, gás e terras raras, que estão no olho dos monopólios.

A construção do complexo industrial de Dawei, que deverá transformar-se no principal do sudeste asiático, terá como principal objetivo conter a crescente escalada do aumento dos salários nos países da região, principalmente a China e o Vietnam, que estão pressionando o aumento dos produtos manufaturados de baixo valor agregado e aumentando as pressões inflacionárias a nível mundial.

Em cima da promessa de novos recursos, provenientes dos acordos com o imperialismo, o governo conseguiu assinar acordos de cessar fogo com vários grupos guerrilheiros como o de Karen, o ELNK (Exército de Libertação Nacional de Karen), após 62 anos de guerra civil, e outros grupos regionais como o EES (Exército do Estado de Shan), o EUW (Exército Unido do Estado de Wa) e o EEC (Exército do Estado de Chin).

ABERTURA CONTRA AS MINORIAS

Foram assinados acordos de cessar fogo com os oito maiores grupos guerrilheiros ligados às principais minorias étnicas. O PUSD tem explorado os sentimentos nacionalistas contra as minorias e contra a islamização da sociedade, que ameaçaria a maioria budista birmana. Várias leis contra as minorias islâmicas foram aprovadas.

As minorias étnicas (Kachin, Rakhine, Shan, Karen, Mon, Kareni) compõem mais de 40% da população, de um total de 50 milhões. Para elas, as reformas têm se traduzido em deslocamentos forçados, aumento da militarização e do número de mortos e refugiados, apesar dessas regiões serem muito ricas em recursos naturais, como ouro, gás, petróleo, jade, urânio, carvão, zinco, cobre, mineral de teca, pedras preciosas, potencial hidroelétrico e, por cima de tudo, mão de obra semi-escrava. Nelas, estão sendo construídas as principais ZEE (Zonas Econômicas Especiais).

Apesar de terem sido concluídas negociações de paz com alguns grupos guerrilheiros, os dois mais importantes, a União Nacional de Kayin, no leste do País, e a Organização para a Independência de Kachin, no norte, continuaram a resistência armada, pois o governo não atendeu às reivindicações e, simplesmente, tem forçado a aceitar o aumento do saque dos recursos minerais e do escoamento comercial.

Durante uma recente aparição pública na televisão, o presidente Thein Sein disse que “167 pessoas foram mortas em dois períodos de aumento da violência em Rakhine, em junho e em outubro deste ano, além de 223 pessoas terem ficado feridas. Algo em torno a 1.101 construções foram destruídas e 111 mil pessoas ficaram sem casas”.

No estado ocidental de Rakhine, há mais de 100 mil refugiados vivendo em acampamentos, além de centenas de pessoas estarem desaparecidas.

Na divisão de Tanintharyi, perto da fronteira com a Tailândia, se calcula que em torno de 100 mil pessoas deverão ser deslocadas devido à construção da ZEE de Dawai, capital da divisão, e acentuada pela disparada da especulação imobiliária.

O custo da construção do complexo industrial de Dawei, que deverá transformar-se no principal do sudeste asiático, está estimado em US$ 50 bilhões. O objetivo é aproveitar os fartos recursos minerais disponíveis e a mão de obra semi-escrava na tentativa de conter o crescente aumento dos salários na China, em primeiro lugar, que estão pressionando os preços dos produtos manufaturados de baixo valor agregado e a inflação em escala mundial.

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