PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (2)

 

VENEZUELA ELEICOES7

A CRISE DO “BOLIVARIANISMO”

 

A Venezuela conseguirá pagar os US$ 16 bilhões da dívida pública que vencerão em 2016, mas os problemas econômicos, sociais e políticos se agravarão. O governo chavista, liderado pelo presidente Nicolás Maduro, continuará manobrando para evitar a implosão do chavismo, ao mesmo tempo que tenderá pontes de entendimento com a direita, tal como aconteceu no último pronunciamento de Maduro na Assembleia Nacional, dominada pela direita, com a nomeação de Aristóbulo como vice-presidente da República, com a nomeação de elementos vinculados diretamente à direita na última reforma ministerial e com a redução do poder do ex presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello.

A direita, unificada na MUD (Mesa da Unidade Democrática), liderada pelo Partido Justiça, de Hugo Capriles, continuará evitando o confronto direto com o chavismo devido ao temor das massas, dos movimentos sociais, que, em grande medida, estão armados, e da ala esquerda do chavismo. A tendência é ao acordo entre a direita e a ala direita do chavismo.

A queda dos preços do petróleo colocou em xeque o orçamento público e a viabilidade de conter a inflação galopante sem atacar em cheio à população por meio de um ajuste. Conforme a economia continuar saindo de controle e o desabastecimento não conseguir ser resolvido, o chavismo deverá rachar, com a ala esquerda se radicalizando. O movimento operário também deverá entrar em movimento, principalmente no setor petrolífero, impulsionado pela pressão dos movimentos sociais, conforme os ataques contra os direitos trabalhistas e à piora das condições de vida acelerarem.

A direita evitará chamar o referendo revocatório, priorizando o entendimento com o governo. Mas, se o plano emergencial por 60 dias, implementado pelo governo, fracassar, o que é o mais provável, o referendo poderá ser chamado. Se Maduro for derrotado e forem chamadas novas eleições, ainda no primeiro trimestre, a direita ficará com o “pepino na mão” de aplicar o plano de ajuste com um chavismo ainda relativamente forte. Uma alternativa mais “suave”, a la Obama, seria esperar as eleições para governadores que acontecerão neste ano e, dependendo dos resultados das eleições presidenciais nos Estados Unidos e do aprofundamento da crise, o estado de espera e do desgaste do chavismo poderia ser estendido até as eleições presidenciais de 2018. Até lá, a direita buscaria se fortalecer no interior do governo e principalmente controlar os mecanismos colocados em pé, em boa medida com o apoio dos assessores cubanos, como a GNB (Guarda Nacional Bolivariana), o Exército, que foi, em grande medida, expurgado de elementos golpistas, os Coletivos e as milícias.

Alguns programas por meio dos quais o chavismo estendia a influência sobre a região serão ainda mais reduzidos. Este é o caso da PetroCaribe e da Alba. A redução do petróleo subsidiado aumentará as dificuldades na Nicarágua e em Cuba. Este último poderá também perder um importante número de médicos e assessores que atuam no país. Por este motivo, tentará avançar, ainda mais de presa, nos acordos com os Estados Unidos e em projetos com os chineses e o Brasil, como o Porto Mariel.

O Equador seguirá na linha de frente da crise na América Latina por causa da queda dos preços do petróleo, que representa mais de 40% da economia. O partido do presidente Rafael Correa, Alianza País, continuará controlando o cenário político. Apesar de Correa não poder se candidatar para as eleições nacionais de 2017, ele continuará como o homem forte do país e indicará o sucessor, podendo retornar em 2021. A direita neoliberal, encabeçada pelo banqueiro Guillermo Lasso, terá dificuldades para manter a unidade e deverá ser derrotada em 2017, mas manterá o peso político por meio do controle das prefeituras das principais cidades, que aconteceu nas eleições municipais de 2014, e por meio do avanço na representação legislativa. A esquerda socialdemocrática e indigenista continuará como um componente intermediário enquanto a situação política tenderá a se polarizar entre Alianza País e a direita.

A Bolívia enfrentará a queda dos preços do estanho e do gás que deverão enfraquecer os mecanismos de controle que permitiram que o governo de Evo Morales controlasse a COB (Central Obrera Boliviana) e as organizações camponesas dissidentes, nos últimos três anos, após terem escapado do controle em 2009 como consequência do colapso capitalista de 2008. O governo sairá vitorioso no referendo para aprovar a eleição indeterminada aos órgãos executivos, a partir de 2019, que acontecerá neste ano. A direita não conseguirá se estruturar para promover uma ação coordenada, como as de 2008, que levaram a fortes movimentos separatistas em vários departamentos.

 

VEJA TAMBÉM:

PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/

PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-2/

PARTE 3 – A EUROPA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/

PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-4/

PARTE 5 – A RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/02/previsoes-para-2016-parte-5/

PARTE 6 – A CHINA

http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-6/

PARTE 7 – A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-7/

PARTE 8 – O JAPÃO

http://alejandroacosta.net/2016/01/11/previsoes-para-2016-parte-8/

PARTE 9 – OS ESTADOS UNIDOS

http://alejandroacosta.net/2016/01/13/previsoes-para-2016-parte-9/

PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (1)

http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-1/

Anúncios