PREVISÕES PARA 2016 – Parte 9

OS ESTADOS UNIDOS

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O ano de 2016, nos Estados Unidos, estará marcado pelas eleições presidenciais que acontecerão no mês de outubro. A Administração Obama encabeça a direita tradicional que tenta aparecer como alternativa aos setores de extrema direita que dominam o Partido Republicano.

No Partido Democrata, Hillary Clinton será a candidata eleita para disputar as eleições. Bernie Sanders cumprirá o papel coadjuvante da mesma maneira que o têm cumprido, nas eleições passadas, candidatos como o Reverendo Jesse Jackson. Após ter mobilizado ativistas dos movimentos sociais e sindicais, no segundo turno, Sanders apoiará o candidato dos monopólios, a Sra. Clinton.

No Partido Republicano, o mais provável vencedor das primárias será um dos candidatos da ala centro, o Senador Rubio, o governador de New Jersey Chris Christie, ou o senador negro Ben Carson. A ala direita, que tem se mantido à frente das pesquisas, encabeçada pelo bilionário Donald Trump, perderá fôlego a partir do segundo semestre. Outras candidaturas da extrema direita, como a da ex presidente da Hewlett Packard, Carly Fiorina, não conseguirão decolar. Da mesma maneira, a candidatura de Ted Bush, o ex governador do estado da Flórida, e irmão do ex presidente George Bush Jr, e filho do ex presidente George Bush, também não decolará. Bush aparece como um “esquerdista”, na comparação com os candidatos da ala extrema direita republicana, mas tem como componente negativo o peso das administrações do irmão e do pai.

O resultado das eleições dependerá do grau de aprofundamento da crise capitalista. De manter-se o ritmo atual, o mais provável é que Hillary Clinton seja a vencedora, embora que por escassa margem, mantendo o cenário das eleições presidenciais passadas, quando Obama venceu o candidato Republicano Mitt Romney que tinha levantado uma agenda abertamente direitista. As duas câmaras do Congresso deverão continuar sendo controladas pelo Partido Republicano, mas com um contrapeso maior dos democratas e republicanos da direita centrista, à la Obama. Conforme a crise capitalista acelerar, o regime político tenderá a endurecer. Dependendo do grau dessa aceleração, a vitória deverá pender para os candidatos republicanos, desde os candidatos centristas até os candidatos da extrema direita, como Donald Trump. Em qualquer cenário, a extrema direita tende a se fortalecer como bloco, absorvendo elementos da direita do Partido Republicano e a influenciar a agenda política para o próximo período.

Dos resultados das eleições presidenciais norte-americano dependerá, em grande medida, a evolução da situação política mundial e, especificamente, na América Latina. A ala direita do imperialismo tende a aplicar uma política mais dura, a se distanciar das políticas de Obama, rotuladas de “contrarrevolução democrática”, e a se alinhar com os aliados tradicionais, como a Arábia Saudita e os sionistas israelenses, se distanciando dos atuais aliados impulsionados por Obama para aplicar a política de estabilização do Oriente Médio, a Rússia, o Irã e a China.

 

OS ESTADOS UNIDOS E UM NOVO COLAPSO CAPITALISTA

 

Os Estados Unidos representam o principal pilar da especulação financeira mundial, que se transformou no principal componente da economia capitalista ultra parasitária atual. Os cinco maiores bancos norte-americanos se encontram hiper contaminados com derivativos financeiros e essa contaminação continuará aumentando em 2016.

A política de QE (quantitative easing ou alívio quantitativo), o destino de bilhões de recursos públicos para comprar títulos podres das empresas pelo valor cheio, não conseguirá ser colocada em pé novamente. Novos e enormes volumes de títulos dos monopólios entrarão na categoria de títulos lixo, na avaliação das agências de risco, conforme a crise capitalista continuar avançando. Os monopólios continuarão tentando manter os lucros, especulando com a compra e venda desses títulos podres que, cada vez mais, passarão a compor o grosso dos nefastos derivativos financeiros.

Os lucros dos monopólios continuarão a ser garantidos por gigantescos repasses de recursos públicos a taxas de juros muito baixas.

O endividamento público e privado continuará crescendo. O endividamento público deverá se aproximar, ou até superar, o recorde histórico dos US$ 20 trilhões.

As taxas de juros continuarão crescendo de forma paulatina, aumentando o poder de atração dos capitais especulativos que hoje se encontram nos países atrasados e mais endividados.

 

A REAÇÃO DA POPULAÇÃO CONTRA OS VAMPIROS CAPITALISTAS

 

O ano de 2015 esteve dominado pelos protestos populares nos Estados Unidos, coisa que não era vista desde o final de década de 1960 e início dos anos de 1970.

Os protestos contra a violência policial contra a população negra tem se estendido pela maior parte do país.

Em fevereiro, aconteceram protestos contra o assassinato de um imigrante de origem mexicano pela polícia. Na cidade de Madison, no estado de Wisconsin, milhares de sindicalistas protestaram contra os ataques promovidos contra a legislação trabalhista. Em Chicago, os protestos foram contra as péssimas condições de um presídio.

Em março, aconteceram novos protestos contra a violência policial na cidade de Los Angeles. Em abril, na cidade de Nova Iorque e em várias outras cidades, se repetiram os protestos contra a violência policial. Em Baltimore, os protestos da população negra tomaram a proporções de uma revolta, que acabou se estendendo para Fergunson (Missouri), Philadelfia, Seattle e Madison.

Novos fortes protestos contra a violência policial também aconteceram em junho, no Texas; em julho e em outubro, em Nova Iorque; em julho e em agosto, em Ferguson; em novembro, em Chicago.

Em abril, várias manifestações promovidas por trabalhadores de fast-foods, em Nova Iorque, Chicago, Los Angeles e Detroit, conseguiram aumentos salariais reais no McDonald’s e outras redes. No dia 20 de maio, novos protestos aconteceram na sede mundial do McDonald’s onde acontecia a reunião anual dos acionistas.

Em setembro, houve protestos em Chicago, inclusive com mais de duas semanas de greve de fome contra o fechamento de escolas públicas.

Em outubro, aconteceram protestos contra Obama, durante uma visita a Roseburg, Oregon, onde nove estudantes tinham sido mortos por um franco-atirador. Os protestos eram contra a tentativa de usar a tragédia para apertar as leis contra o porte de armas.

Em novembro, aconteceram fortes protestos contra o racismo na Universidade de Missouri que acabaram se transformando em protestos contra os baixos salários em mais de 200 cidades, que intersectaram com o Black Friday e protestos dos trabalhadores do Walmart que pediam um salário de US$ 15 por hora.

Conforme a crise capitalista continuar se aprofundando em 2016, novos protestos acontecerão nos Estados Unidos. Os mecanismos de controle implantados por meio da burocracia sindical nas principais categorias tendem a entrar em crise. Novos protestos “anti capitalistas”, como os que aconteceram há dois e três anos, estarão colocados à ordem do dia. O mesmo acontecerá em relação aos protestos contra a violência policial.

VEJA TAMBÉM:

PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/

PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO

http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-2/

PARTE 3 – A EUROPA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/

PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-4/

PARTE 5 – A RÚSSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/02/previsoes-para-2016-parte-5/

PARTE 6 – A CHINA

http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-6/

PARTE 7 – A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA

http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-7/

PARTE 8 – O JAPÃO

http://alejandroacosta.net/2016/01/11/previsoes-para-2016-parte-8/

O IMINENTE COLAPSO DO BRASIL E DA AMÉRICA LATINA

 

ESTADOS UNIDOS – AS ALTAS DOS JUROS EXPLOSIVAS

 

Juros EUA3

A Reserva Federal (banco central) norte-americana deverá aumentar os juros em dezembro ou, no máximo, em março, deixando para trás o longo período de taxas de juros a quase 0%.

Desde 2007, a Reserva Federal aumentou os títulos podres que possui de US$ 1 trilhão para mais de US$ 4,5 trilhões e apenas US$ 57 bilhões nos chamados ativos não podres (“equities”) que são títulos financeiros que poderão se tornar podres no próximo período. Para salvar os monopólios da bancarrota, o estado lhes repassou enormes volumes de recursos públicos. Por meio do chamado quantitative easing (ou alívio quantitativo) a Reserva Federal comprou trilhões em títulos altamente podres pelo valor cheio. De acordo com o relatório de uma comissão do Congresso dos Estados Unidos, somente entre 2007 e 2010 foram repassados US$ 16 trilhões. De lá para cá, os repasses têm sido gigantescos.

Um novo mercado de títulos podres cresceu a partir de 2008 movimentando volumes que chegaram a superar os US$ 7 trilhões, com taxas de lucros que bateram nos 15%. Conforme os mecanismos de contenção da crise de 2008 se enfraqueceram, a partir de 2012, as taxas de lucro caíram para os menos de 4% atuais, em grande medida impactadas pela política da Reserva Federal de comprar esses títulos em grandes volumes.

Para o próximo período, está colocado um colapso capitalista de proporções ainda maiores que o colapso de 2008. Enorme volumes de capitais fictícios deverão se tornar pó e entrar no mercado dos títulos podres. Esses são os fatores que estão por trás da pressão da alta dos juros, independentemente da cortina da fumaça criada pela imprensa burguesa. Não há recuperação da economia e muito menos a recuperação do emprego. O que há é o maior parasitismo da história mundial.

 

O IMPACTO DA ALTA DOS JUROS SOBRE O BRASIL

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Uma vez as taxas de juros aumentando nos Estados Unidos, o Brasil será impactado em cheio imediatamente, assim como acontecerá nos demais países latino-americanos. O capital procura o lucro, e a volatilidade se torna ainda maior quanto mais especulativo esses capitais sejam.

Com a alta dos juros, haverá um fluxo de capitais na direção dos Estados Unidos buscando o porto seguro da dívida pública. A perda do grau de investimento pelo Brasil, os problemas com os “fundos abutres” na Argentina, a crise do orçamento público na Venezuela fará com que os capitais pressionem por maiores taxas de lucro para emprestarem para esses governos pagarem as respectivas e ultra parasitarias dívida públicas.

As economias dos países latino-americanos se encontram sufocadas pelo parasitismo imposto pelos monopólios. Um dos principais mecanismos da espoliação é o pagamento da ultra parasitária e corrupta dívida pública, que hoje consome mais de 45% do orçamento público federal.

 

COLATERAIS, MERCADO DE RECOMPRAS E A ESPECULAÇÃO FINANCEIRA

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A política das taxas de juros se encontra submetida à especulação financeira, que hoje representa o grosso do capitalismo mundial por causa da escalada do parasitismo, principalmente a partir do esgotamento do chamado “neoliberalismo”.

A compra e venda de títulos financeiros, empacotados a partir de várias fontes especulativas, está na base dos nefastos derivativos financeiros que hoje movimentam em torno a 15 vezes o volume total da economia real mundial, que já é muito parasitária. Em cima desses derivativos financeiros se estabelecem apostas e contra apostas, sobre as quais são instrumentados seguros, fianças e outros mecanismos para garantir os lucros dos grandes capitalistas. Esses mecanismos transformaram o mundo numa espécie de casino, ou “Banco Imobiliário”, onde os especuladores sempre quebram, mas sempre ganham, pois vivem dos repasses de recursos públicos. Hoje nenhuma grande empresa dá lucro. Os lucros têm como origem as divisões financeiras em primeiro lugar.

Quando em 2008 quebrou a AIG, a maior asseguradora do mundo, era justamente esses tipos de operações de aposta e contra-apostas que ela assegurava. Todos os mecanismos que levaram ao colapso de 2008 se encontram hoje mais ativos do que nunca e os estados burgueses, por sua vez, se encontram muito mais endividados e enfraquecidos por causa dos trilhões que repassaram para resgatar os monopólios.

As fianças das operações especulativas, ou “colaterais”, contam com as recompras (“repos”) ou os colaterais de câmbio, como os títulos do Tesouro norte-americano, os títulos hipotecários (financiamento imobiliário), os títulos das dívidas das empresas e outros títulos financeiros de diversos tipos (“equities”).

Os grandes fornecedores de colaterais são os fundos hedge, as asseguradoras, os fundos de pensão, os bancos centrais e os fundos relacionados às reservas soberanas. A taxa de recompra desses títulos financeiros colaterais é um indicador da “saúde” do mercado e evolui em linha com a taxa dos fundos federais.

Em 2007, o mercado de títulos colaterais alcançou os US$ 10 trilhões. Hoje soma aproximadamente US$ 6 trilhões, mas somente a Reserva Federal acumula em torno a US$ 5 trilhões, além de que para o próximo período se espera o rebaixamento das qualificações dos títulos das grandes empresas e, portanto, a disparada desse mercado, os chamados “high yields”, ou títulos podres. Se a taxa de juros não for aumentada, a única maneira de salvar os lucros dos monopólios será manter os programas quantitative easing, o que aumentará os volumes de capital fictício detidos pelo banco central, elevando o chamado “alavancamento” e a necessidade de “imprimir” maiores volumes de dinheiro para repassa-lhes. Essa política somente pode conduzir à hiperinflação nas condições de paralisia industrial.

Os mecanismos que o governo tenta usar para evitar a disparada da inflação não passam de medidas monetaristas ultra limitadas. Uma dela passa pela expansão do programa de “recompras reversas”, que hoje já movimenta US$ 300 bilhões diários. Este programa tenta atrair dinheiro de fora dos grandes bancos, como os fundos, mas está longe de conseguir a redução do volume de capital fictício acumulado pela Reserva Federal. Outra política é o aumento das vendas de títulos públicos que são usados como colaterais. Quem compra esses títulos, além da Reserva Federal, são, principalmente a China, a Arábia Saudita, a Rússia e o Brasil. O problema é que a base da ditadura mundial do dólar está se enfraquecendo, o que aumenta a dificuldade para repassar a crise dos Estados Unidos para o mundo.

O sistema capitalista mundial se encontra num beco sem saída. A cada nova crise ganha uma nova ponte safena. E para o próximo período está colocado um colapso de ainda maiores proporções. Esta é a base que colocará em movimento a classe operária mundial, o agente social que tem como tarefa histórica derrubar o capitalismo, implantar a propriedade social sobre os meios de produção e acabar de vez com a exploração do homem pelo homem.

Juros EUA

 

ESTADOS UNIDOS – MAIS CRISE, MAIS DINHEIRO PARA A GUERRA

 

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No dia 2 de novembro de 2015, o presidente Barack Obama ratificou o aumento do orçamento do Pentágono em US$ 33 bilhões. Esse resultado veio do aumento da histeria no Mar do Sul da China e a escalada dos conflitos no Oriente Médio. A época dos cortes e das “vacas magras” dos quatro anos anteriores chegou ao fim, apesar do aprofundamento da crise capitalista. A disputa está sendo vencida pela ala direita do imperialismo contra a política do ex Secretário de Defesa, Robert Gates, que buscava reduzir os gastos em 20%, no período de cinco anos.

O Comitê dos Serviços Armados do Congresso, encabeçado pelo Partido Republicano, ainda pressionava porque o aumento fosse de US$ 38 bilhões. A suposta “disciplina fiscal” da direita e, particularmente, da extrema direita agrupada no Tea Party não passa de uma mera ficção.

O Secretário de Defesa, Bob Work, ainda pressiona por US$ 14 bilhões adicionais para “fechar o déficit”.

O orçamento militar norte-americano representa o mesmo valor que o de os dez países, que lhe seguem com os maiores gastos militares, em conjunto. E é superior em pelo menos US$ 100 bilhões que o orçamento da década de 1980, isso sem considerar as verbas secretas. O valor não contabiliza as despesas que estão espalhadas em outras pastas ou secretaria ou as ajudas aos países aliados. Somente Israel recebe US$ 3,5 bilhões anuais em armas norte-americanas.

Boa parte desse orçamento é direcionado diretamente para os cofres do complexo industrial militar. Uma parte dos recursos é perdida nas engrenagens da burocracia e nos bastidores, ou mesmo em programas como o da criação dos “próprios rebeldes” na Síria, a um custo de quase US$ 600 milhões e que colapsou após terem colocado em pé 50 milicianos que rapidamente se renderam a al-Nusra, a al-Qaeda na Síria.

As verbas do OCO (Overseas Contingency Operations), ou despesas para a guerra no exterior, não somente não sofreu cortes, mas foi aumentada em US$ 8 bilhões, para US$ 52 bilhões.

 

RECURSOS PÚBLICOS PARA O COMPLEXO INDUSTRIAL MILITAR SEM CRISE

 

O orçamento de “Defesa” (verbas alocadas em programas militares, na chamada segurança nacional, ou relacionadas com eles) oficial do governo dos Estados Unidos supera os US$ 630 bilhões. Mas, na realidade, considerando que o chamado orçamento de “defesa” encontra-se dividido entre vários departamentos ou ministérios, o valor ultrapassará os US$ 1,5 trilhões, o que corresponde a quase a metade do orçamento federal e a mais de 30% dos impostos federais arrecadados. O crescimento na década passada foi três vezes superior à taxa de crescimento da economia. Considerando ainda as verbas secretas, o valor pode ultrapassar os US$ 2 trilhões.

Para Assuntos Internacionais são destinados mais de US$ 50 bilhões, direcionados principalmente para fomentar a venda de material bélico. O Departamento de Energia (controle e logística das armas nucleares) consome mais de US$ o bilhões no desenvolvimento de armas nucleares, US$ 2,2 bilhões. O Programa de Satélites da NASA, mais de US$ 6 bilhões (quase 50% do orçamento total).

As cifras oficiais destinadas às Operações no Iraque e Afeganistão superam os US$ 140 bilhões. Os juros relacionados às dívidas contraídas em guerras anteriores representam mais de US$ 300 bilhões. O gasto com treinamento militar consumirá aproximadamente US$ 200 bilhões. Para o atendimento médico de 9,6 milhões de soldados na ativa, retirados e às suas famílias serão destinados algo em torno aos US$ 100 bilhões. Assuntos de Veteranos de Guerra (atendimento psicológico, serviços de funerais, créditos imobiliários e outros), US$ 70 bilhões. O Escritório de Emprego e Treinamento para Veteranos de Guerras do Ministério do Trabalho receberá US$ 300 milhões. Pensões para os Veteranos, serão destinados mais de US$ 50 bilhões.

Adicionalmente, existem verbas classificadas como secretas, cujo montante é desconhecido, tais como as relacionadas com a inteligência militar do programa NIP (Programa de Inteligência Nacional), que contempla as operações no Afeganistão e o Paquistão, Oriente Médio, cyber-segurança, contraterrorismo, espionagem de governos estrangeiros e grupos qualificados como terroristas. A CIA é uma grande provedora desses recursos secretos, provenientes, principalmente, do tráfego de drogas e outras operações ilícitas, tais como lavagem de dinheiro e prostituição.

 

VIVE LA GUERE AU TERROUR!!

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QUAL É O PAPEL DO MERCADO DE ARMAS?

Um dos mais importantes objetivos da intervenção da Rússia, das demais potências regionais e do imperialismo na Síria é a venda de armas.

O governo do Irã anunciou recentemente a compra de 100 aviões Sukhoi. A China comprará mais 20. Ambos compraram os sistemas anti-mísseis, o S300 e o S400 respectivamente.

A França, que também enfrenta o brutal aprofundamento da crise capitalista mundial (como todos os demais países), e que tem a Alemanha por trás, se apressou a criar um fato com o objetivo de entrar rapidamente no mercado. Uma das principais empresas fabricantes de aviões de guerra franceses, que tentou de entrar no mercado brasileiro com Lula, tem enfrentado crescente crise.

O mercado de armas é a bola da vez do momento devido ao aprofundamento da crise capitalista mundial. Devido ao estágio ultra parasitário do capitalismo, a paralisia industrial e ao crescente esgotamento da especulação financeira, umas das “saídas” para a crise é o mercado de armas. Esse mercado, como todo mercado, precisa ser “desenvolvido”, ou seja, é preciso de criar situações que gerem a necessidade das compras. Nada melhor que a escalada da ameaça terrorista e o “desenvolvimento” de guerras.

Mas o mercado de armas está ficando cada vez mais saturado, o que implica em que a escalada das guerras, por causa da disputa dos mercados, ficará, cada vez mais, colocada à ordem do dia.

A Turquia está desenvolvendo um sistema anti-mísseis próprio com a ajuda dos chineses.

Os sionistas israelenses, além das vendas de produtos de segurança, tentam vender o sistema anti-mísseis (semicaseiros), o Iron Dome, testado contra os mísseis do Hamas e da Jihad Islâmica principalmente.

Os Estados Unidos têm um mercado “cativo” por meio “ajudas”, pressões e os mecanismos que compõem a dominação imperialista em geral. Mas a concorrência está aumentando rapidamente. Há os russos, os europeus e as potências regionais. O Japão está começando a entrar no mercado e, embora que neste momento seja um aliado próximo dos Estados Unidos, a “necessidade faz o ladrão”. Os chineses também têm aumentado consideravelmente a participação neste mercado.

O grande comprador é a ultra obscurantista monarquia da Arábia Saudita. O feirão está ficando quente.

 

A CORRIDA ARMAMENTISTA NOS PAÍSES ATRASADOS

 

Nos últimos anos, Os principais compradores de armamentos têm sido os países atrasados.

O imperialismo usa vários mecanismos para impulsionar a venda de armas e manter o dinamismo do complexo industrial-militar. Os principais deles são o monopólio tecnológico, a chantagem diplomática, o incitamento de guerras e as agressões militares. Os Estados Unidos, além de possuírem o maior orçamento militar do mundo, detém o monopólio da tecnologia militar de ponta, seguidos pelos demais países imperialistas europeus, muito à frente dos países atrasados produtores de armas. Embora que, por causa da crise, os russos e os chineses, principalmente, tem conseguidos aumentar o mercado por meio de armamentos mais baratos.

O acirramento dos conflitos regionais e das políticas nacionalistas, provocados pelo enfraquecimento econômico, político e militar do imperialismo, principalmente, após as derrotas no Afeganistão e no Iraque, também têm sido, em parte, impulsionados pelas multinacionais imperialistas com o objetivo de desovar a produção devido ao aprofundamento da crise capitalista nos países centrais. Verdadeiras corridas armamentistas podem ser observadas na região Ásia Pacífico, envolvendo a China, Índia, Coreia do Sul e, agora, o Japão; no Oriente Médio, com Israel, Arábia Saudita, Qatar, os Emirados Árabes Unidos e o Irã; e, na América Latina, com a Venezuela, Colômbia, Brasil e Argentina.

O Departamento de Defesa norte-americano tem um departamento cuja função é promover a venda de armas. Muitos dos créditos e empréstimos internacionais, mascarados como ajuda para o desenvolvimento, assim como os subsídios para monopólios, são concedidos sob a condição de que sejam destinados à compra de armas. Segundo estimativas do próprio Departamento de Comércio, a metade das “luvas” (que, em verdade, é corrupção direta), nas transações comerciais no mercado mundial, está relacionada com a venda de material bélico. No Reino Unido, essas “luvas” possibilitavam descontos no pagamento de impostos até o ano 2001.

Nunca o mundo vivenciou um número tão alto de guerras como nos últimos trinta anos. De acordo com o Instituto Sipri, entre 1940 e 1996, os Estados Unidos gastaram pelo menos US$ 5,5 trilhões no programa de armas nucleares, além de US$ 320 bilhões em custos de armazenamentos e logística e US$ 20 bilhões no desmantelamento de armas obsoletas. Isto representou quase 30% do orçamento militar do período estimado em US$ 18,7 trilhões. O custo da Segunda Guerra Mundial foi de US$ 3,2 trilhões em dólares de 2007. O da Guerra do Vietnam US$ 670 bilhões, da Primeira Guerra Mundial US$ 364 bilhões, a Guerra de Coréia US$ 295 bilhões, a Guerra do Golfo US$ 94 bilhões, e as guerras do Iraque e Afeganistão têm consumido mais de US$ 3 trilhões, até o presente momento, e têm se transformado numa das principais causas da crise do imperialismo. O custo das guerras na África desde 1990 ultrapassa os US$ 350 bilhões, o equivalente a toda a ajuda destinada ao desenvolvimento do continente no mesmo período.

Devido ao esgotamento do capitalismo, e a tendência à queda das taxas de lucro, que tem na sua origem o chamado aumento da composição orgânica do capital (aumento do capital constante frente à mão de obra impulsionado pela concorrência, conforme foi explicado detalhadamente por Karl Marx no seu livro O Capital), a burguesia imperialista busca manter altas taxas de lucro através da especulação financeira, a venda de armas e as atividades ilícitas, tais como o tráfego de drogas e outros “crimes”, que, conforme tem sido revelado nos últimos anos, é controlado, principalmente, pelas agências de espionagem e os principais bancos.

O aumento dos gastos militares nos países atrasados, em cima a campanha do chamado “combate ao terror”, é uma política orquestrada pelo imperialismo que tem provocado o aumento considerável da miséria, a fome, assim como o reaparecimento de doenças que já tinham desaparecido; as Nações Unidas calculam que mais de 800 milhões de pessoas vivem com menos de US$ 1 dólar por dia. Os verdadeiros objetivos dessa política são a tentativa de repassar o custo da crise dos países centrais para os países atrasados, e, ao mesmo tempo, tentar conter o movimento de massas revolucionário que continua crescendo perante o aprofundamento da crise capitalista. Os altos preços do petróleo e dos alimentos, provocados principalmente pela especulação nos mercados futuros, andam em paralelo com o aumento da repressão contra as massas das cidades e do campo. A classe operária mundial está no centro do alvo do imperialismo em um período em que se aprofunda a luta aberta entre a burguesia e o proletariado mundial.

Os atentados terroristas do 11 de setembro de 2001, assim como os recentes atentados de Paris, têm como objetivo real servirem a essa política imperialista.

 

O COMPLEXO INDUSTRIAL MILITAR NORTE-AMERICANO

 

Nos Estados Unidos, o número de empresas fornecedoras do Departamento de Defesa passou de 22.000 em 1961 para aproximadamente 135.000. Considerando que o chamado orçamento de “defesa” se encontra dividido entre vários departamentos ou ministérios, o valor ultrapassa os U$ 1,5 trilhões, o que corresponde a quase 50% do orçamento federal e a 30% dos impostos federais arrecadados; teve uma taxa de crescimento anual de aproximadamente 9% desde o ano 2000, o que representa mais de três vezes a taxa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Considerando ainda as verbas secretas, o valor pode ultrapassar os U$ 2 trilhões, apesar dos números oficiais falarem em US$ 700 bilhões, o que já seria um número gigantesco.

Os monopólios do setor armamentista estão estreitamente ligados aos grandes bancos imperialistas e a outras monopólios “civis” que obtêm grandes contratos vinculados aos orçamentos militares. Calcula-se que o chamado complexo militar industrial dos Estados Unidos seja responsável por mais de 50% da economia do país. A maioria das vagas de trabalho abertas nos últimos anos foram no setor militar. O exército dos Estados Unidos possui aproximadamente 1,5 milhões de soldados, além de milhões de contratistas (mercenários terceirizados).

Nos Estados Unidos, a indústria armamentista encontra-se dominada pela Lockheed Martin, a Northrop Grumman, a Boeing, a Raytheon, a United Technologies, a Aerojet, a Rocketdyne, a Honeywell, a MiltonCAT e a GE. Estas empresas empregam mais de um milhão e meio de trabalhadores e monopolizam os principais contratos. O contrato assinado pelo governo com a Lockheed Martin, em outubro de 2001, o F-35 Joint Strike Fighter, representou um orçamento estimado de U$ 9 bilhões para o desenvolvimento, e o compromisso de compra pelo governo de 2.443 unidades dessas aeronaves, o que, considerando um custo de U$156 milhões por unidade, representa quase U$ 400 bilhões. Outros contratos, como os programas de Defesa contra Mísseis Balísticos (Aegis, THAAD, PAC-3) e o Submarino Classe Virgínia ultrapassam, respectivamente, os U$ 5 bilhões em custos de desenvolvimento. Cada submarino custará em torno de U$ 2 bilhões, e o governo passou a comprar dois por ano a partir de 2012. A Northrop Grumman é o maior construtor naval do mundo, e também fabrica caça-bombardeiros e sistemas eletrônicos.

Na Europa, o setor militar é dominado pela EADS, BAE Systems, Thales, Dassault,Saab e a Finmeccanica. A aliança do imperialismo inglês com o imperialismo norte-americano se fortaleceu com a adoção da BAE Systems como uma das principais fornecedoras de material bélico para o governo dos Estados Unidos, a aliança na indústria petrolífera, com a BP-Amoco, e a rejeição do governo inglês de integrar a zona do euro.

A dependência da economia norte-americana da produção de armas tem aumentado consideravelmente desde os anos 30. Fortemente enfraquecida devido à depressão que se seguiu à crise que estourou em 1929, o sistema capitalista passou a se manter, e até a passar por um período de relativa “bonança” entre 1948 e 1967, mediante mecanismos artificiais. O principal deles foi o aumento exponencial dos investimentos estatais na produção de armas, o que levou à estruturação do chamado complexo industrial militar. Nos países imperialistas europeus, o processo de militarização da economia e da sociedade apresenta uma evolução similar.

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UMA NOVA ONDA DA “GUERRA CONTRA O TERROR”?

O QUE MOSTROU A REUNIÃO DOS G20

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Na recente reunião, dos G20, que aconteceu na Turquia, os 20 países mais desenvolvidos do planeta, o fundamental das discussões esteve orientadas a como combater os terroristas, ou, dito em outras palavras, a como aplicar uma nova onda da chamada “Guerra ao Terror”. Em cima desta política, está sendo estabelecida uma frente única entre todas as alas da burguesia em escala mundial, apesar do grau de comprometimento dos vários setores. A última vez que se viu algo semelhante foi quando foram colocados em pé as políticas neoliberais nas décadas de 1980 e 1990.

Sobre a política contra o terror, o eixo Obama, Merkel, Hollande tenta fortalecer a aliança com Putin, chineses e iranianos no Oriente Médio, ampliando a participação direta. Desta maneira, um dos objetivos fundamentais passa por se apropriar de parte das bandeiras da extrema direita, colocando-as efetivamente em prática. O problema é que a aplicação dessas políticas é como uma bola de neve, como o demonstraram as fracassadas invasões do Iraque e do Afeganistão. Mas quais seriam as alternativas?

Os monopólios, na tentativa de salvar os lucros a qualquer custo, tentam colocar em pé uma política de força. O problema é qual ala do regime poderá coloca-la em prática. O candidato natural seria a extrema direita, mas coloca-la à frente do regime pode gerar uma desestabilização gigantesca e abrir caminho para o desenvolvimento das tendências revolucionárias. Por enquanto, a burguesia manobras com a “direita tradicional”, com Obama, Merkel, Hollande e Cameron. Há um “leve” deslocamento à direita com Rubio e seus amigos do Partido Republicano, nos Estados Unidos. Mas esse “leve” deslocamento é apenas uma aparência, pois, por trás do Senador Rubio está a extrema direita que se agrupa no Tea Party. Na Alemanha, aparecem em cena os nazistas reciclados do AfD. Na França, onde a crise é muito maior, a burguesia foi mais longe. A Frente Nacional, de Le Penn, já se tornou um dos principais partidos políticos do país e ameaça ir ao segundo turno nas eleições nacionais que acontecerão no próximo ano.

A política golpista foi desescalada na América Latina. As tensões foram reduzidas na Ucrânia e no Mar do Sul da China, na tentativa de estabilizar o Oriente Médio. Mas aparece no horizonte uma nova escalada agressiva que inevitavelmente deverá conduzir o mundo capitalista à enorme desestabilização.

 

MARXISMO OU PACIFISMO BURGUÊS?

 

O grosso da esquerda mundial publicou sendos comunicados contra o terrorismo e a brutalidade do Estado Islâmico, a reboque da campanha do imperialismo. Em cima dessa posição política oportunista e abertamente pró-imperialista, nós deveríamos disputar com a direita o repúdio para posições democráticas. Na realidade, falar que é por causa dos terroristas que a repressão acontece ou aumentará é mais cínica apologia da direita imperialista. Implica em justificar a Guerra do Iraque e do Afeganistão, os golpes de estado, os ataques contra os palestinos e os povos árabes em geral.

O governo francês já armou todo o circo para aplicar com força total a Lei Anti-terrorista que se encontrava entravada por causa da enorme resistência popular. Da mesma maneira, a burguesia imperialista conseguiu abrir passagem para aventuras militares em larga escala, principalmente no Oriente Médio, e para ataques contra os restos do chamado “estado de bem-estar social”.

Os revolucionários marxistas, proletários, devem denunciar as manobras da burguesia que tenta colocar em pé uma política de extrema direita, contra as massas, com o objetivo de salvar os lucros dos monopólios. A “Guerra contra o terror” não passa de uma política do imperialismo.

 

A ESSÊNCIA DA “GUERRA CONTRA O TERROR”

 

A chamada Lei Patriótica (US Patriotic Act) foi promulgada no dia 26 de outubro de 2001, nos Estados Unidos, pelo então presidente George W. Bush JR. Os direitos civis e as liberdades individuais foram colocados no foco dos ataques usando como desculpa o combate ao terrorismo. Uma grande campanha foi orquestrada por meio da imprensa capitalista, incentivando o medo de novos atentados, para justificar a suspensão de direitos e garantias constitucionais e a autorização dos crimes e de todo tipo de abusos por parte do Estado.

Foi institucionalizada a política oficial de caça às bruxas com a perseguição em massa aos muçulmanos e a qualquer opositor do regime, além da legalização da tortura, das execuções sumárias etc. Foi a volta intensificada do macarthismo, que, após a Segunda Guerra Mundial, condenou um grande número de intelectuais sob a acusação de atividades denominadas antiamericanas. Tornaram-se práticas comuns, e livres de ordens judiciais, o rastreamento dos serviços de Internet e das comunicações telefônicas. As bibliotecas e livrarias foram obrigadas a informar sobre os livros procurados por determinados cidadãos. Foi permitida a detenção de “suspeitos” por períodos prolongados. A histeria atingiu um grau tão alto que o governo Bush aprovou em 2004 o projeto de lei conhecido como Tips (Sistema de Prevenção e Informação sobre Terrorismo), que foi rejeitado pelo Congresso, que institucionalizava mecanismos para que um grande número de profissionais, tais como eletricistas e carteiros, entre outros, colaborassem como informantes da polícia.

No orçamento federal, todas as despesas foram congeladas por cinco anos, “com exceção as relacionadas com segurança”. As agências de espionagem ganharam sensíveis acréscimos nos orçamentos. O programa Homeland Security (Segurança Doméstica), que foca o controle de fronteiras, contraterrorismo e cyber-segurança, passou a controlar um orçamento de US$ 47 bilhões. A CIA (Agência Central de Inteligência) e algumas outras agências de espionagem um orçamento de mais de US$ 53,5 bilhões. O Departamento de Justiça destinou mais de US$ 23 bilhões para o FBI (polícia federal dos EUA), à DEA (departamento anti-narcóticos), o Sistema Prisional (que é terceirizado, e hoje conta com mais quase três milhões de presos), o BATR (Controle de Álcool, Tabaco, Explosivos e Armas de Fogo), a Divisão de Segurança Nacional e outras organizações policiais. Somente o programa de contraterrorismo do FBI recebeu US$ 3 bilhões, um terço do total do orçamento desse organismo. Estes números não consideram as verbas secretas cujo montante é desconhecido, tais como as relacionadas com a inteligência militar do programa NIP (Programa de Inteligência Nacional), que contempla as operações no Afeganistão e o Paquistão, cyber-segurança, contraterrorismo, espionagem de governos estrangeiros e grupos qualificados como terroristas. A CIA é a grande provedora desses recursos secretos, provenientes, principalmente, do tráfego de drogas e outras operações ilícitas, tais como lavagem de dinheiro e prostituição, conforme tem sido publicado na imprensa burguesa nos últimos anos.

Este é o modelo das leis antiterroristas que foram impostas pelo imperialismo norte-americano em escala mundial. Essas leis foram aprovadas, recentemente, de maneira um tanto tardia, na França e no Brasil.

ESTADOS UNIDOS – POTÊNCIA OU UMA REPÚBLICA DAS BANANAS?

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Desde a década de 1970, a pujança da economia norte-americana se esgotou. Na década de 1980, a inflação ultrapassou os 20% anuais (com muito menos manipulações estatísticas que hoje) e o desemprego disparou. Importantes setores industrias foram transferidos para o México e, posteriormente, para a Ásia.

O último relatório do ULBS (US Bureau of Labor Statistics ou Escritório do Censo dos Estados Unidos), publicado em setembro, revelou a continuidade da piora das condições de vida da população. A média de queda dos ingressos teria sido de 5% desde 1999, sem considerar a inflação. Mas para o 20% mais pobre, a queda teria sido de 17,1%. Os 20% seguintes perderam 10,8% desde o ano 2000; os 20% intermediários 6,9% desde 2007. Os segundos 20% mais ricos teriam perdido 2,8% dos ingressos e o 20% mais rico apenas 1,7%. O 1% mais rico teria perdido apenas 0,1% dos ingressos e da riqueza.

O ataque em cheio contra os salários e o chamado “estado de bem estar social” escalou com as políticas neoliberais que foram impostas a partir dos Estados Unidos e da Grã Bretanha em meados da década de 1980.

Um relatório do dia 3 de abril de 2015 do ULBS dizia que mais de 93 milhões de trabalhadores não faziam mais parte da força de trabalho, um recorde histórico. Se esses trabalhadores fossem considerados, o atual número de 5,2% de desemprego dispararia para mais de 20%.

De acordo com o último relatório da Administração de Seguridade Social (Social Security), uma espécie de INSS, em 2014, 38% dos trabalhadores ganharam menos de US$ 20 mil, 51% menos de US$ 30 mil, 63% menos de US$ 40 mil e 72% menos de US$ 50 mil. A linha oficial de pobreza começa nos Estados Unidos nos US$ 27 mil.

Todos os setores da economia se encontram em crise. A produção de armas e o sistema financeiro continuam com lucros obscenos, mas os aumentos anuais têm visto consideráveis quedas. A produção de gás e petróleo a partir do xisto, que transformou o país em exportador pela primeira vez em décadas, está entrando em colapso por causa dos preços no mercado mundial.

PLENO EMPREGO NOS ESTADOS UNIDOS

Mais de 50 milhões de norte-americanos dependem dos programas sociais do governo, tais como os bônus de alimentação e o seguro desemprego. Os participantes dos programas de alimentação do governo passaram de 26 milhões em 2007 e 40 milhões em 2010, para 50 milhões, ou 17% da população. Enquanto o governo, pressionado pelo ascenso da direita, prepara cortes dos fundos destinados aos programas sociais, segundo o Departamento de Agricultura mais de 20 milhões de pessoas adicionais precisariam da ajuda.

De acordo com o último censo, mais de 48 milhões de pessoas, ou 15% da população, vivem em situação de pobreza. Destas, 15,5 milhões seriam crianças, um aumento de 28% em relação ao ano 2000 e de 10% em relação a 2008. As cidades com as maiores taxas de pobreza seriam: Detroit (36,4%), Cleveland (35%), Buffalo (28,8%), Milwaukee (27,8%), St. Louis (26,7%), Miami (26,5%), Menphis (26,2%), Cincinatti (25,7%), Philadelphia (25%).

A metodologia do censo usa os mesmos critérios estabelecidos em 1956, e deixa de lado componentes, que têm se tornado críticos a partir da administração Ronald Reagan, na década de 1980, tais como os gastos com assistência médica, educação, transporte, cuidado com as crianças, e outros, devido à privatização generalizada dos serviços públicos. Segundo análise da Academia Nacional de Ciências, considerando alguns desses fatores, o número de pessoas pobres seria de 52.765.000, ou 17,3% da população, e o número de crianças pobres seria de 24%, ou 18,8 milhões.

De acordo com os resultados de um estudo feito pela Universidade de Columbia, publicado no jornal American Journal of Public Health, e que contempla o período de 1983 a 2007, mais de um milhão de mortes anuais podem ser atribuídas a causas relacionadas com o aumento da pobreza e as diferenças sociais, que têm se acentuado a partir de 2000.

A partir da promulgação do chamado Patriotic Act, no início da década passada, a população carcerária passou de 500.000 pessoas em 1980 para aproximadamente três milhões, em primeiro lugar, por causa de ter se tornado uma fonte de lucrativos lucros por causa da privatização. Adicionalmente, existem quase 10 milhões de pessoas indiciadas nos EUA.

A MAIOR CONCENTRAÇÃO DE RENDA DA HISTÓRIA

Nos últimos oito anos, a renda dos trabalhadores caiu mais de 20%, enquanto o custo de vida, nos últimos 25 anos, tem aumentado mais de 80%. A produtividade do trabalho aumentou 80% entre 1975 e 2010.

O endividamento tem se generalizado. Aos repasses frenéticos de recursos públicos para os grandes capitalistas se somam as dívidas das pessoas físicas atingem que se aproximam dos US$ 20 trilhões.

O valor médio das propriedades imobiliárias caiu 28%, desde 2008. Devido à ampla extensão que as hipotecas e os refinanciamentos tiveram, 20% das residências tem hoje valor zero ou negativo.

Mais de 35 milhões de pessoas não possuem acesso à saúde e 60% das falências de pessoas físicas têm como causa as contas médicas; 75% dessas bancarrotas são de pessoas que possuíam planos de saúde.

Enquanto 62 milhões de pessoas possuem ingressos iguais a zero, um punhado de grandes capitalistas, segundo um estudo da empresa de consultoria Deloitte, possuíam, há dois anos, US$ 46 trilhões, dos quais aproximadamente US$ 6,3 trilhões seriam recursos não declarados em paraísos fiscais. O estudo apontou que, em 2020, esses valores deveriam aumentar para US$ 87,1 trilhões, além de US$ 100 trilhões não declarados.

De acordo com o The New York Times (artigo “Nossa República das Bananas”, de novembro de 2010), entre 1980 e 2005, 1% da população se apropriou mais de 80% da riqueza, ajudado pelos fortes cortes de impostos promovidos pelos governos republicanos e mantidos pelos governos democratas. Com a acentuação dessa tendência a partir de 2005, os EUA tem uma distribuição da riqueza similar com a Nicarágua, a Venezuela e a Guiana.

Os salários dos diretores das grandes empresas aumentaram enormemente a partir da década de 1990. Somente em 2010, o aumento médio foi de 28%. Em 1980, o presidente de uma “multinacional” ganhava, em média, 48 vezes a mais que um trabalhador médio; em 2001, 531 vezes.

De acordo com dados da agência governamental IRS (Serviço de Ingressos Internos), em 2009, apenas 0,076% da população teve ingressos acima de US$ 1 milhão, e somente 74 pessoas tiveram ingressos acima de US$ 50 milhões por ano, com uma média de US$ 91,2 milhões em 2008 e US$ 518,8 milhões em 2010. As 400 pessoas mais ricas do país têm a mesma riqueza que a metade da população (154 milhões de pessoas), e pagam 18% de impostos, contra 30% em 1995. Os 1% mais ricos detém mais riqueza que 90% da população.

Os impostos que as “multinacionais” pagavam, em 1955, representavam 27,3% (4,3% do PIB) dos ingressos federais, e apenas 8,9% (1,3% do PIB) em 2010.

Os cinco maiores monopólios petrolíferos, que tiveram US$ 70 bilhões de lucro no ano passado, recebem mais de US$ 10 bilhões de isenções fiscais por ano.

Mas os casos mais escandalosos pertencem ao setor financeiro. O ex presidente do Goldman Sachs, Hank Paulson, tornou-se Secretário do Tesouro do governo Bush, e foi o responsável pela diminuição dos impostos para os ricos e a liberação dos megapacotes, que representaram trilhões de dólares de repasse aos bancos que quebraram em 2007-2008, entre outros. Em 2009, os repasses, promovidos principalmente por meio das isenções fiscais, somaram US$ 145 bilhões e, em 2010, US$ 149 bilhões. Os principais executivos do Goldman Sachs receberam bônus e compensações acima de US$ 60 milhões em 2010. O presidente do Citigroup, Vikram Pandit, US$ 200 milhões. O presidente do JP Morgan Chase recebeu US$ 90 milhões.

No setor da saúde, o ex presidente da Cigna, H. Edward Hanway, recebeu um pacote de aposentadoria de US$ 110,9 bilhões, e David Cordani, o seu sucessor, ganhou US$ 136,3 milhões em 2010. O presidente da Aetna, Ron Williams, ganhou US$ 72 milhões em 2010.

Não por acaso, o megaespeculador Warren Buffett declarou ao jornal The New York Times em 26 de novembro de 2006: “É verdade que há uma guerra de classes, mas é a minha classe, a classe dos ricos, que está fazendo essa guerra, e nós estamos ganhando”.

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ESTADOS UNIDOS – COMO SALVAR OS MONOPÓLIOS DA CRISE?

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A Reserva Federal (banco central dos Estados Unidos) publicou o novo plano para salvar os bancos da crise, o TLAC, “total loss absorbing capacity” (capacidade de absorção das perdas totais).

Entre as “maravilhosas” (para os especuladores financeiros) novas regras está a ainda maior redução dos “ativos” e capitais próprios. Passaram para um 18% do total do ativos de alto risco (“risk weighted assets”) que ainda poderão ser vendidos quando um banco enfrentar problemas sérios.

Segundo a presidente da Reserva Federal, Janet Yellen, “a proposta, combinada com o nosso trabalho geral melhorará a capacidade de resolução de problemas do sistema bancário, reduzindo substancialmente o risco para os contribuintes e a ameaça para a estabilidade financeira perante a bancarrota dessas empresas.”

A movimentação nos Estados Unidos faz parte de uma política mundial do imperialismo acordada no dia 25 de setembro, no Comitê de Estabilidade Financeira, um grupo regulatório dos chamados G20, chefiado pelo Banco da Inglaterra, o banco central da Grã Bretanha.

A “proposta” beneficia os oito maiores bancos, denominados não somente TBTF (ou Muito Grande Para Falirem na sigla em inglês), mas também GSIB (“globally systematically important banks” ou bancos sistematicamente importantes para o sistema global), o JPMorgan Chase, o Citigroup, o Bank of America, o Goldman Sachs, o Morgan Stanley, o Bank of New York Mellon, o State Street e o Wells Fargo. Imediatamente, os seis maiores bancos sofrerão perdas por US$ 120 bilhões, apesar dos obscenos repasses de recursos públicos que acontecem em cima política do TBTF. Tal o grau absurdo de parasitismo. Mas, de acordo com a Reserva Federal não há motivo para alarmes. Bastariam apenas alguns truques contábeis, como, por exemplo, movendo dívidas das subsidiárias para as empresas mães ou ainda fazendo malabarismo com os títulos próximos a “madurar”, estendendo o prazo das dívidas. De qualquer maneira, todos os truques continuaram, como é inevitável a serem sustentando com gigantescos volumes de recursos públicos.

UM NOVO COLAPSO CAPITALISTA APARECE NO HORIZONTE

O sistema capitalista mundial não conseguiu se recuperar do colapso de 2008 e muito menos conseguiu colocar em pé uma nova política alternativa ao chamado “neoliberalismo”.

A especulação financeira disparou a partir do início da década passada. O então presidente da Reserva Federal, Allan Greenspan, colocou em pé a desregulamentação da economia em setores que o sistema financeiro exigia e as privatizações em larga escala. A especulação financeira disparou e enormes bolhas se agigantaram. Somente os derivativos financeiros passaram a movimentar várias vezes os valores da economia mundial, mais ou menos, real. “Mais ou menos” porque na contabilidade da economia produtiva entram componentes altamente especulativos.

Todos os fatores que levaram ao colapso de 2008 continuam em pé. E com muita mais intensidade. Os estados se ultra endividaram com o objetivo de salvar os monopólios da bancarrota e hoje se encontram muito mais enfraquecidos para salva-los novamente da crise.

Não há espaço para políticas de “crescimento” dado o extremo grau do parasitismo capitalista. A última tentativa mais ou menos séria neste sentido foi promovida pelo governo francês de François Hollande e fracassou estrepitosamente.

O capitalismo está esgotado como sistema social. O aprofundamento da crise colocará em movimento as massas trabalhadores. O papel histórico da classe operária é justamente a expropriação do punhado de famílias que dominam o mundo. Essa tarefa estará colocada, no próximo período, nos países desenvolvidos, onde a geração de riqueza, a partir da liberação das forças produtivas, terá condições de superar o capitalismo como sistema de conjunto.