PREVISÕES PARA 2016 – Parte 12

O INEVITÁVEL APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA NO BRASIL

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O ano de 2016 será ainda pior que o de 2015 para a economia brasileira. Todos os indicadores econômicos deverão piorar. Aqueles que não piorarem de maneira direta, serão um reflexo da piora geral da economia. Um eventual novo superávit da balança comercial não está descartado por causa de que a queda dos preços das matérias primas agropecuárias ainda acontecerá num ritmo mais lento que a os dos minerais e, principalmente, os da energia. O volume total das exportações tende a ser menor que em 2015 por causa da contração dos mercados consumidores, principalmente na China. Ao mesmo tempo, o fator que determinará um eventual superávit comercial será a queda das importações que refletirá a queda da produção industrial em todos os elos da cadeia produtiva, inclusive nos setores extrativistas.

O “agronegócio” continuará a ser um dos grandes beneficiados pelo governo em ainda maior escala já que a soja, o algodão, a cana de açúcar, o suco de laranja e a pecuária têm se tornado os principais componentes das exportações brasileiras.

A indústria continuará o processo de contração por causa da queda do consumo de produtos manufaturados, tanto no Brasil como nos principais mercados que tem como destino, em primeiro lugar a Argentina. Produtos relacionados com tecnologia de ponta, como automóveis e aviões, deverão continuar sofrendo forte retração. Produtos com baixo valor agregado, como o óleo de soja, ainda conseguirá manter o mercado, em boa medida.

A previsão oficial de contração da economia para 2016 já beira os -3%. Mas a contração industrial deverá ser muito maior.

O crescente endividamento do setor público obrigará o governo a emitir títulos públicos para enfrentar os vencimentos. O aumento das taxas de juros, nos Estados Unidos, provocará o aumento da fuga de capitais e as dificuldades para captar divisas, que será acentuada com a manutenção da perda do “grau de investimento” pelas agências qualificadoras de risco. A taxa Selic continuará aumentando e poderá passar dos atuais mais de 14% para um índice próximo aos 20%. Os juros aplicados para os consumidores finais irão às nuvens, o que provocará a contração do consumo e aumentará a recessão industrial e do comercio. Trata-se de uma política intencional, recessiva, que tem como objetivo controlar as tendências inflacionárias e direcionar o grosso dos recursos para a especulação financeira, seguindo a cartilha das pressões do imperialismo. A inadimplência, inevitavelmente, deverá crescer.

O Programa Minha Casa, Minha Vida deverá se paralisar, mas a bolha imobiliária não explodirá ainda. Os lucros das incorporadoras e empreiteiras serão mantidos com os mais de R$ 130 bilhões em recursos públicos que serão repassados para o setor. Mas a queda dos preços dos imóveis aumentará a paralisia e o desemprego no setor que emprega mais de quatro milhões de trabalhadores. A bolha imobiliária ficará por um fio e, inevitavelmente deverá estourar em um ou dois anos, impactando os lucros dos bancos. O grosso do rombo ficará com os bancos públicos e será coberto com o aumento da dívida pública. A emissão de maiores volumes de títulos públicos conduzirá ao aumento das pressões inflacionárias. Uma vez tendo atingido um certo limite, o governo será obrigado a recorrer a um ajuste em maior escala, contra a população, o que implicará na intervenção dos mecanismos controlados diretamente pelo imperialismo, como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.

O aumento das remessas pelos monopólios provocará um aumento maior do déficit nas contas correntes que poderá atingir cifras próximas aos R$ 100 bilhões. A pressão dos monopólios está direcionada ao aumento da espoliação das riquezas nacionais. No centro, está a privatização da Petrobras. O governo do PT acelerará a entrega de setores chaves da cadeia petrolífera, como o setor de serviços, a produção de petróleo e gás a partir do xisto e, provavelmente, um maior sucateamento do marco regulatório do Pré-Sal. O governo do PT anunciou recentemente um programa para o setor do petróleo que implicará na priorização do uso de peças e insumos de fabricação nacional, mas dificilmente sairá do papel. O LavaJato continuará cumprindo o seu papel a serviço do imperialismo, colocando o governo do PT ainda mais na defensiva.

Os salários continuarão no centro dos ataques do governo contra os trabalhadores, que continuará manipulando os índices estatísticos com o objetivo de salvar os lucros dos capitalistas.

 

CRISE ECONÔMICA E CRISE POLÍTICA = AJUSTE CONTRA A POPULAÇÃO

 

O Brasil saiu na linha de frente no aprofundamento da crise capitalista, sofrendo o impacto direto do aprofundamento da crise na China, na Argentina e nos principais mercados consumidores, a Europa e os Estados Unidos.

A crise atual representa apenas o aperitivo da escalada da crise que virá com um novo colapso capitalista mundial, do qual o Brasil representa um elo fraco.

Com o objetivo de garantir os lucros dos monopólios o imperialismo pressiona pela implementação de um ajuste, em grande escala, contra os trabalhadores. O governo de Dilma Rousseff tem aplicado parte do ajuste. O governo do PT conta com reconhecidos direitistas encabeçando vários ministérios. Agora, mesmo com o novo ministro da economia, o “desenvolvimentista” Nelson Barbosa, a prioridade será a aplicação da reforma da previdência e da reforma trabalhista contra os trabalhadores. Mas a direita atacará os “gastos excessivos” que Nelson Barbosa colocou contra o ex ministro Joaquim Levy. A direita atacará, principalmente, os gastos com o aumento do salário mínimo, que gerarão um gasto de R$ 3 bilhões além da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), a mudança do indexador da dívida dos estados e municípios com o governo Federal, que terá um impacto de R$ 3 bilhões, e o aumento do percentual do Finame pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), que aumentou o crédito subsidiado para os investimentos em capital e para o agronegócio, com um impacto no orçamento federal que poderá superar os R$ 10 bilhões.

Os monopólios querem avançar ainda mais na aplicação do ajuste, além do que o governo do PT consegue sem implodir o apoio da CUT e dos movimentos sociais, como o MST e a UNE. Mas o fortalecimento do golpismo, mesmo por meio de um golpe branco, num país de primeira ordem como o Brasil implica numa operação de alto risco. Por esse motivo, a Administração Obama tem apostado o grosso das fichas em saídas a la Maurício Macri, por meio de uma direita reciclada encabeçando frentes únicas com setores da esquerda burguesa e da burocracia sindical. Dependendo do enfraquecimento da resistência das massas, o avanço na direção do golpe branco poderá ser acelerada. A “cautela” da Administração Obama poderá sofrer uma mudança dependendo do grau de aprofundamento da crise capitalista e do resultado das eleições presidenciais que acontecerão nos Estados Unidos no final deste ano.

VEJA TAMBÉM:
PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL
http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/
PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO
http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-2/
PARTE 3 – A EUROPA
http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/
PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-4/
PARTE 5 – A RÚSSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/02/previsoes-para-2016-parte-5/
PARTE 6 – A CHINA
http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-6/
PARTE 7 – A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-7/
PARTE 8 – O JAPÃO
http://alejandroacosta.net/2016/01/11/previsoes-para-2016-parte-8/
PARTE 9 – OS ESTADOS UNIDOS
http://alejandroacosta.net/2016/01/13/previsoes-para-2016-parte-9/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (1)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-1/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (2)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-2/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (3)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-3/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (4)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-4/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (5)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-5/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (6)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-6/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 11 – O INEVITÁVEL APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL
http://alejandroacosta.net/2016/01/20/previsoes-para-2016-parte-11/

 

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