DAVOS TENTA SALVAR O CAPITALISMO – PARTE 2

A CHINA PODE LEVAR O MUNDO A UM NOVO COLAPSO?

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A China é responsável por 12,7% das exportações e 10,4% da importações mundiais, além de consumir mais da metade do mineral de ferro, níquel, carvão mineral e alumínio, e uma boa parte do cobre, do estanho, do zinco, do algodão e da soja.

Como é possível que a crise China tenha um impacto de grandes proporções sobre o mundo?

A exposição da primeira potência mundial, os Estados Unidos, à China é de apenas 0,7% em relação às exportações e de 0,8% em relação aos ativos dos bancos, sendo que somente em relação ao mercado imobiliário norte-americano a exposição era de 39% em 2007.

A crise no mercado acionário também seria irrelevante. Em torno a 80% dos investimentos nesse setor é realizado por pessoas físicas que, supostamente, acabariam realizando compras e vendas por impulso, o que teria levado à “amplificação” das transações e dos medos.

O crescimento chinês se fundamentou em gigantescos repasses de recursos públicos para empresas da construção civil e infraestrutura, estatais. Muitos dos projetos se tornaram casos emblemáticos, como o é o caso da cidade de Ordos, projetada para 1,5 milhões de habitantes e que, na realidade, está habitada por 10% dessa capacidade.

O que a crise das bolsas chinesas revelou, em primeiro lugar, é a crise da política do governo chinês que acabou levando ao crescimento de várias bolhas financeiras. Os ataques especulativos do exterior são inerentes ao sistema e têm como objetivo se apropriar de uma parte maior da riqueza, de avançar para se apropriar das empresas públicas.

As bolhas têm crescido. O endividamento dos governos locais têm provocado a disparada da exposição ao risco dos bancos locais, que dependem umbilicalmente dos bancos nacional estatais. Os bancos são responsáveis por mais da metade do Índice HSI da Bolsa de Hong Kong.

O grande problema da “locomotiva da economia mundial” é que se esgotou o componente principal dessa política, os baixos salários. A tentativa, controlada pelo governo, de desvalorizar o iuane, para facilitar as exportações de produtos industriais, foi um dos fatores relacionados com a crise das bolsas.

O XVIII Congresso do Partido Comunista Chinês, realizado no mês de outubro de 2013, estabeleceu as políticas gerais da “abertura da economia”, que implicava na aceleração das políticas neoliberais e a abertura aos monopólios.

O foco da economia chinesa tem mudado da produção industrial para o setor de serviços, principalmente o consumo e a especulação financeira. O problema é que essa política entrou em crise, da mesma maneira que aconteceu em escala mundial. A demanda caiu e o endividamento disparou. A inflação por enquanto está baixa, mas essa situação somente pode ser provisória.

O endividamento público chinês seria menor que 60% do PIB, mas as dívidas das empresas dispararam de 72% para mais de 120% do PIB nos últimos nove anos. E várias das grandes empresas somente funcionam por causa das ajudas públicas, apesar de serem improdutivas, como acontece principalmente nos setores da mineração e da siderurgia.

 

QUAL É O IMPACTO DA CRISE CHINESA SOBRE O MUNDO?

 

Por que o crescimento anual da China de 7% é um problema para a economia capitalista mundial? Os repasses para as empresas públicas são similares aos repasses feitos pelo BNDES?

A crise na China acelera a queda do consumo e os baixos preços do petróleo e das demais matérias primas.

As enormes reservas em dólares da China não são páreo para enfrentar a crise. Depois de terem crescido de US$ 142 bilhões, em 1997, para US$ 4 trilhões em 2014, caíram em mais de US$ 500 bilhões, no ano passado, e em quase US$ 300 bilhões neste ano. E mais ainda. Os US$ 3,3 trilhões restantes representam pouco mais de 25% da base monetária.

O aprofundamento da crise capitalista tem levado ao aumento do volume de títulos podres das empresas no mercado. Nos Estados Unidos, a significativa queda das taxas de lucros desse mercado trilionário, levou ao abandono do chamado QE (quantitative easing ou alívio quantitativo), a compra pelo valor cheio de títulos podres pelo governo. Por esse motivo, em primeiro lugar, as taxas de juros estão sendo aumentadas. Essa política tem levado à valorização do dólar, levando a reboque o iaune e colocando em alerta vermelho as exportações chinesas.

A bolha creditícia formada a partir de 2009 começou a ser desinflada, no segundo semestre do ano passado, e requeria a desvalorização do iuane. Mas os mercados acionários não deveriam ser desestabilizados por causa das fugas de capitais e dos esforços para internacionalizar o iuane. Aplicar essas políticas no cenário da dependência do mercado internacional, que é controlado pelo imperialismo, é muito delicado e custoso, como efetivamente o foi, a partir do mês de agosto do ano passado, e com uma situação de alta volatilidade em dezembro.

A crise nas bolsas reflete os problemas na produção industrial e no consumo.

A China, assim como acontece com o capitalismo em escala mundial, não consegue colocar em pé uma política alternativa ao neoliberalismo. Por esse motivo, deverá avançar na aplicação de mais políticas neoliberais. A política da burguesia chinesa ligada às empresas públicas enfrenta a forte queda de recursos. A livre mobilidade dos trabalhadores, que hoje é restrita, o “hukou”, seria uma delas, mas é muito difícil de aplica-la, pois hoje as pessoas se registram nas prefeituras e recebem delas os serviços sociais. Uma migração em massa do campo para as cidades poderia leva-los ao colapso. Portanto, se tratam dos mesmos problemas que acontecem em escala mundial. Na Europa, esses problemas se expressam no aumento do nacionalismo. Na China, deverão se expressar, cada vez mais, no aumento das contradições entre as regiões e as províncias.

Veja também

Parte 1 – UM NOVO COLAPSO ECONÔMICO PODE SER EVITADO?

http://alejandroacosta.net/2016/01/30/davos-tenta-salvar-o-capitalismo-parte-1/

 

Parte 3 – ITALIA – UM “PESO PESADO” EUROPEU DOENTE

http://alejandroacosta.net/2016/01/30/davos-tenta-salvar-o-capitalismo-parte-3/

 

 

 

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DAVOS TENTA SALVAR O CAPITALISMO – PARTE 3

ITALIA – UM “PESO PESADO” EUROPEU DOENTE

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Recentemente, o governo da Itália, do primeiro ministro Matteo Renzi, e a Comissão Europeia anunciaram um acordo para “resgatar” os bancos italianos, após um ano de negociações. Esse acordo se tornou necessário após a queda dramática do valor acionário desses bancos por causa do aumento da inadimplência. Foi a volta à crise que tinha se aberto no final de 2011 e no começo de 2012 com a disparada dos juros dos títulos da dívida pública italiana. O Banco Central Europeu conseguiu controlar a situação, naquele período, por meio de enormes quantidades de recursos públicos repassados para os monopólios por meio de programas de QE (quantitative easing, ou alívio quantitativo). Em dezembro de 2012 e em fevereiro de 2013, foram nada menos que um trilhão de euros. As taxas de juros caíram de mais de 6% para os atuais pouco mais de 1%.

A principal questão que chama a atenção do acordo é que ele aconteceu logo após a entrada em vigor das novas regras da União Europeia, no início deste ano, com o objetivo de restringir os resgates das grandes empresas falidas.

A Itália representa a terceira maior economia da Zona do Euro, logo atrás da Alemanha e da França, com um tamanho 50% maior que o da Espanha. A dívida pública italiana é de 132% o PIB, ou 2,3 trilhões de euros. Desde os anos de 1990, o percentual tem se mantido acima dos 100%.

Os juros baixos, assim como os baixos preços do petróleo deram um certo fôlego ao governo de Renzi que subiu ao poder por meio de um acordo partidário. A realização de eleições gerais, previstas para acontecerem no mês de maio de 2018, são necessárias para fortalecer o regime político e impor novos ataques contra as massas. Impulsionado pela ascensão da direita fascista na Europa, a ala socialdemocrata da burguesia tem aumentado o discurso contra a União Europeia, mas, na realidade, a Itália representa, no plano nacional, contradições similares com as existentes na Europa.

 

COMO OS BANCOS ITALIANOS SERÃO SALVOS?

 

A burguesia imperialista impôs a conhecida política do Muito Grande Para Falir.

Como resultado do acordo, será criado um novo sistema pelo qual os bancos italianos serão ajudados pelo governo a colocar os títulos podres no mercado em parcelas, com o objetivo de minimizar a perda dos lucros. O governo poderá usar 44 bilhões de euros para garantir os títulos menos podres, que deverão ser vendidos a preços de mercado.

Ao mesmo tempo, será criado um banco de títulos podres que, a partir da garantia pelo governo dos títulos melhores, deveria favorecer às vendas dos mais podres por melhores preços. Ainda não está claro como o governo italiano manobrará para ajudar às empresas a colocarem no mercado os títulos podres. Mas a nova regulação da União Europeia, inevitavelmente, ficará debilitada, o que se transformará em mais um fator de desagregação do bloco.

Em julho de 2015, o Parlamento italiano aprovou uma medida da União Europeia sobre que, no caso de bancarrotas, em primeiro lugar, os detentores de ações e títulos, por valores superiores aos 100 milhões de euros, deverão arcar com os prejuízos. Em segundo lugar, seria criado um fundo de resgate a partir dos demais bancos privados. Estas regras aumentam o perigo de que ocorram retiradas em massa do dinheiro dos bancos. Isso, já aconteceu, neste ano, e os recursos foram direcionados aos bancos alemães. E o buraco, ainda, fica mais em baixo.

No mês de novembro do ano passado, o resgate de quatro bancos menores revelou que o mercado italiano tinha ficado muito contaminado pelos títulos podres vendidos por eles. A bancarrota levou os detentores desses títulos a tentar vende-los, o que provocou o sufocamento dos preços. Dentro do marco do acordo com a Comissão Europeia, o governo tenta manobrar com o objetivo de compensar as perdas com esses títulos, que somam algo em torno aos 71 bilhões de euros. Mas o verdadeiro buraco aparecerá no caso da quebra de um banco de grande porte, como o semi falido Banca Monte de Pasci.

 

Veja também

Parte 1 – UM NOVO COLAPSO ECONÔMICO PODE SER EVITADO?

http://alejandroacosta.net/2016/01/30/davos-tenta-salvar-o-capitalismo-parte-1/

Parte 2 – A CHINA PODE LEVAR O MUNDO A UM NOVO COLAPSO?

http://alejandroacosta.net/2016/01/30/davos-tenta-salvar-o-capitalismo-parte-2/

 

 

DAVOS TENTA SALVAR O CAPITALISMO – PARTE 1

UM NOVO COLAPSO ECONÔMICO PODE SER EVITADO?

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Todos os anos, os principais figurões da política e da especulação financeira mundial se reúnem em Davos, Suíça, com o objetivo de elucubrar em cima de fórmulas mágicas para dar um rosto mais humano ao capitalismo. Neste ano, o grosso do encontro girou em torno ao acelerado aprofundamento da crise capitalista mundial. Neste sentido, o ano de 2016 foi considerado como o “mais perigoso” desde 2008.

Os principais problemas e pontas de lança da crise considerados foram a crise na China, em primeiro lugar, e na Itália a seguir. A crise dos refugiados na Europa tem impulsionado a extrema direita. A questão ambiental, sempre incluída nas discussões, neste ano, além do tradicional “engana trouxa”, teve, como pano de fundo, o impulso à especulação em cima dos crédito carbono.

A crise na China potencializa a crise mundial. Os países atrasados perderam uma boa parte do mercado de matérias primas por causa da crise chinesa que, por sua vez, é pressionada pela queda do consumo mundial. Os monopólios perderam uma parte das exportações de tecnologia de ponta à China. Mas o problema mais crítico é que, em 2015, o governo chinês torrou US$ 700 bilhões das reservas para manter a estabilidade da moeda local, o iuane, e das bolsas. No mesmo período, mais de US$ 500 bilhões em capitais especulativos fugiram da China. A produção de automóveis se manteve alta, com 25 milhões de veículos novos no ano passado. Mas a indústria pesada, a de máquinas, despencou, assim como o consumo de energia e o transporte. Os novos empregos estão sendo criados no setor de serviços. Os salários dispararam, por causa da carestia da vida, dos US$ 30, da década de1980, para US$ 400 nos principais centros, Xangai, Pequim e Guangdong.

Além da crise na China, ocupam os holofotes da política mundial os baixos preços das matérias primas, principalmente do petróleo. A crise no Oriente Médio levou à crise dos refugiados na Europa a partir dos Balcãs o que tem colocado em xeque o governo alemão liderado por Angela Merkel, um dos fatores principais da estabilidade europeia nos últimos dez anos.

A Reserva Federal norte-americana passou a adotar uma política diferente do Banco Central Europeu e do Banco do Japão. Além de ter acabado com o chamado QE (quantitative easing ou alívio quantitativo), as taxas de juros foram aumentadas pela primeira vez em muitos anos. A crise das bolsas na China se refletiu na queda das bolsas em todos os centros. Os monopólios não conseguem funcionar sem enormes volumes de recursos públicos e, pelo mesmo motivo, as bolsas somente conseguem funcionar siliconadas pelo QE e outros mecanismos de assalto obsceno aos cofres públicos.

Na Zona do Euro, a bola da vez das preocupações é a Itália. Os bancos italianos se encontram em situação falimentar e, devido ao tamanho da economia, o país pode levar a Europa e o mundo a um colapso de gigantescas proporções. O potencial imediato da inadimplência supera os US$ 200 bilhões e o banco Monte dei Paschi se encontra contra as cordas.

A receita de Davos é “mais do mesmo” falido neoliberalismo. Aumentar as privatizações e o arrocho contra a população, a aceleração das “reformas” (neoliberais) na China e reduzir os impostos sobre “os ricos”, principalmente sobre a especulação financeira na Europa.

Veja também

Parte 2 – A CHINA PODE LEVAR O MUNDO A UM NOVO COLAPSO?

http://alejandroacosta.net/2016/01/30/davos-tenta-salvar-o-capitalismo-parte-2/

Parte 3 – ITALIA – UM “PESO PESADO” EUROPEU DOENTE

http://alejandroacosta.net/2016/01/30/davos-tenta-salvar-o-capitalismo-parte-3/

 

 

PREVISÕES PARA 2016 – Parte 13

O NORTE DA ÁFRICA: O NOVO ORIENTE MÉDIO

 

 

p2 Libia

Em 2016, o Norte da África continuará numa forte desestabilização, principalmente a partir da Líbia.

A desestabilização deverá avançar sobre a Argélia, que, desde a década de 1960, tem sido um dos principais bastiões da estabilidade da região. Os baixos preços do petróleo levarão a cortes adicionais no orçamento público e ao aumento dos impostos, mas o governo evitará impacto de vulto nos subsídios para evitar a desestabilização social. Será aplicada uma nova reforma constitucional para facilitar a saída de cena do atual presidente. Os gastos em defesa e segurança não serão reduzidos e o governo buscará a aproximação entre os grupos que disputam o poder na vizinha Líbia com o objetivo de reduzir o impacto sobre a própria Argélia.

O desenvolvimento da crise na Líbia, também atingirá o Egito, a Tunísia, o Sahel (a região localizada ao sul do Deserto de Saara) e, em menor escala, o Marrocos.

A LÍBIA: A NOVA SOMÁLIA DO NORTE DA ÁFRICA

O novo governo de “unidade nacional” líbio, encabeçado pelo primeiro ministro escolhido pelas Nações Unidas, Mohamed Fayez al-Serraj, patrocinado pelos Estados Unidos, entre as facções rivais que têm como sedes principais as cidades de Trípoli e Tobruk, não conseguirá ser implantado, apesar do apoio da União Europeia, dos Estados Unidos e dos países vizinhos. As milícias não conseguirão ser desarmadas. A gestão centralizada dos recursos petrolíferos não conseguirá ser resolvida.

A receita proveniente do petróleo, no melhor dos casos, continuará nos mesmos níveis de 2015, pois um eventual aumento da produção apenas conseguirá compensar a queda dos preços e a contração do mercado. Os monopólios continuarão tendo Trípoli como o “sócio” preferencial, o que levará ao governo paralelo de Tobruk, que era o internacionalmente reconhecido, a buscar acordos com Trípoli, ao mesmo tempo que aumentarão as contradições.

A ação do Estado Islâmico aumentará na Líbia por causa do aumento da pressão na Síria e no Iraque, principalmente nas cidade de Sirte, Misrata e Nawfaliya. O governo líbio não conseguirá botar em pé um exército unificado capaz de enfrentar os guerrilheiros islâmicos, mas as milícias locais que serão afetadas pelo Estado Islâmico tendem a agrupar-se e a resistir. As contradições entre as milícias e os poderes locais impedirão a estabilidade política do país.

A potências imperialistas farão uma nova intervenção, mas que se limitará a ataques aéreos.

Os serviços de inteligência ocidentais calculam o número de militantes do Estado Islâmico na Líbia em aproximadamente 5.000. Esse número deverá crescer significativamente em 2016, com a entrada de militantes provenientes da Síria e do Iraque. A disputa estará centrada no controle dos portos por onde é escoada a produção de petróleo.

Da mesma maneira que acontece na Síria, o deslinde com os grupos ligados à al-Qaeda não será claro, principalmente com Ansar al-Sharia e o Conselho Mujahideen Shura, que atuam em Darnah, e o Conselho de Revolucionários da Shura, que atua em Bengazi.

O Estado Islâmico buscará direcionar as intervenções estrangeiras com o objetivo de danificar a infraestrutura petrolífera e do gás, o que, em certa medida, será conseguido.

A transferência da sede da Empresa Nacional de Petróleo de Trípoli para o Golfo de Sidra acontecerá, de maneira parcial, principalmente porque o controle da segurança militar dos terminais de exportação continuará sobre o controle de Trípoli.

A centralização de outras instituições fundamentais para o funcionamento centralizado do país, como do banco central, não será conseguida.

A desestabilização da Líbia gerará um alto poder de contágio sobre os países da região, principalmente a Argélia, a Tunísia e o Egito, e a Europa por causa do aumento do número de refugiados. O avanço do Estado Islâmico sobre a região oriental do país poderá impactar o fornecimento de petróleo da Itália e da Espanha.

Os ataques aéreos promovidos pelo imperialismo e as ações limitadas a serviços de inteligência não conseguirão deter o avanço do Estado Islâmico. A guerra civil irá escalar, apesar de que as contradições entre as potências regionais e imperialistas não aparecerão com a intensidade que aparecem no Oriente Médio.

O movimento de tropas será facilitado pelo terreno plano, mas os guerrilheiros islâmicos tenderão a se agrupar nas grandes cidades. Grandes ofensivas poderão provocar o deslocamento de militantes islâmicos aos países vizinhos.

AS GIGANTESCAS CONTRADIÇÕES INTERNAS NA LÍBIA

O imperialismo buscará agrupar as principais milícias e líderes tribais em torno ao novo governo que deverá receber ajuda financeira e militar. O governo do primeiro ministro Fayez Sarraj contará com um conselho presidencial composto por elementos indicados por esses líderes. O governo dependerá do apoio das milícias, mas essas milícias não conseguirão superar as contradições que datam de longa data. A disputa pelo controle dos recursos do petróleo se acirrará, pois é a partir deles que as milícias conseguem ser mantidas.

A centralização militar da Líbia não acontecerá. A tentativa de colocar o General Khalifa Hifter à frente do novo exército fracassará. Khalifa Hifter tem força no leste do país, onde tem se desempenhado como o comandante militar do governo de Tobruk, mas é repudiado no oeste.

Hifter encabeçou operações militares “anti-islâmicas” contra várias milícias importantes ligadas a Trípoli, como Aurora Líbia e Escudo da Líbia.

Os chamados “federalistas”, que buscam a formação de dois estados federados na Líbia se fortalecerão, mas esse projeto político não será colocado em prática devido ao fortalecimento do Estado Islâmico.

O controle da Guarda dos Terminais Petrolíferos, que tem como função proteger os terminais de exportação de petróleo, como As Sidra, Ras Lanuf, Marsa el Brega e Zueitina, continuará sendo establecida pelos federalistas e não superará as contradições com o governo de

, com quem teve vários e recentes conflitos militares. Essa Guarda continuará sendo uma espécie de estado dentro do estado e contará com o apoio do imperialismo europeu e norte-americano.

A entrega de novos recursos às milícias, pelo imperialismo, será limitado pelo perigo de que sejam usados para manter as guerras sectárias e fraticidas.

A cidade de Sirte continuará sendo controlada pelo Estado Islâmico, embora que terá dificuldades para estender o controle para as cidades menores vizinhas. As forças do leste, comandadas pelo General Hifter não contam com o raio de alcance necessário a partir de Tobruk ou Bengazi. Para isso, precisará contar com o apoio das tropas controladas por Trípoli, o que acontecerá, mas com limitações por causa da disputa do controle dos recursos do petróleo. O homem forte de Trípoli, Jadhran, desde o mês de agosto de 2013 apertou o controle das exportações, estabeleceu o próprio conselho em maio de 2014 e passou a exportar petróleo sobre o controle do novo governo de Trípoli.

Os ressentimentos e as contradições entre os grupos liderados pelos generais Hifter e Jadhran são enormes. Em setembro do ano passado, Jadhran encabeçou uma delegação que ia a Tobruk, na tentativa de chegar a, ou impor, alguns acordos em vistas às negociações impostas pelo imperialismo. A delegação foi atacada num dos pontos de controle militar, o general Jadhran conseguiu escapar apesar do general Hifter ter enviado tropas de elite para captura-lo. Em outubro, o governo de Tobruk passou a investigar a Guarda dos Terminais Petrolíferos.

Em janeiro, após a ofensiva do Estado Islâmico, as milícias ligadas a Trípoli lançaram uma contraofensiva e acusaram o governo de Tubruk de, inclusive numa aparição de Jadhran na televisão, de não ter apoiado a contraofensiva.

Já na etapa final das negociações, o general Hifter avançou sobre a cidade de Ajdabiya, que tem uma grande importância em relação ao controle do petróleo. A família de Jadhran é uma das mais poderosas da cidade, que acabou sendo semi demolida pela aviação chefiada por Hifter. Um irmão do general Jadhran é um dos dirigentes do Conselho do Revolucionário da Shura de Ajdabiya, que manteria ligações com o Estado Islâmico.

Ambos grupos, os ligados a Hifter e a Jadhran, deverão manter alguma cooperação para se favorecer de algum apoio do imperialismo e evitar sanções e ataques. Mas a aproximação entre esses grupos dificilmente avançará. O grupo concentrado em Tobruk terá dificuldades para controlar os terminais de petróleo. As exportações continuarão sobre o controle da família Jadhran/ Trípoli enquanto mantiverem o controle das milícias.
VEJA TAMBÉM:
PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL
http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/
PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO
http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-2/
PARTE 3 – A EUROPA
http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/
PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-4/
PARTE 5 – A RÚSSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/02/previsoes-para-2016-parte-5/
PARTE 6 – A CHINA
http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-6/
PARTE 7 – A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-7/
PARTE 8 – O JAPÃO
http://alejandroacosta.net/2016/01/11/previsoes-para-2016-parte-8/
PARTE 9 – OS ESTADOS UNIDOS
http://alejandroacosta.net/2016/01/13/previsoes-para-2016-parte-9/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (1)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-1/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (2)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-2/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (3)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-3/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (4)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-4/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (5)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-5/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (6)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-6/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 11 – O INEVITÁVEL APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL
http://alejandroacosta.net/2016/01/20/previsoes-para-2016-parte-11/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 12 – O INEVITÁVEL APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA NO BRASIL
http://alejandroacosta.net/2016/01/20/previsoes-para-2016-parte-12/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 13 – O NORTE DA ÁFRICA: O NOVO ORIENTE MÉDIO

 

PREVISÕES PARA 2016 – Parte 12

O INEVITÁVEL APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA NO BRASIL

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O ano de 2016 será ainda pior que o de 2015 para a economia brasileira. Todos os indicadores econômicos deverão piorar. Aqueles que não piorarem de maneira direta, serão um reflexo da piora geral da economia. Um eventual novo superávit da balança comercial não está descartado por causa de que a queda dos preços das matérias primas agropecuárias ainda acontecerá num ritmo mais lento que a os dos minerais e, principalmente, os da energia. O volume total das exportações tende a ser menor que em 2015 por causa da contração dos mercados consumidores, principalmente na China. Ao mesmo tempo, o fator que determinará um eventual superávit comercial será a queda das importações que refletirá a queda da produção industrial em todos os elos da cadeia produtiva, inclusive nos setores extrativistas.

O “agronegócio” continuará a ser um dos grandes beneficiados pelo governo em ainda maior escala já que a soja, o algodão, a cana de açúcar, o suco de laranja e a pecuária têm se tornado os principais componentes das exportações brasileiras.

A indústria continuará o processo de contração por causa da queda do consumo de produtos manufaturados, tanto no Brasil como nos principais mercados que tem como destino, em primeiro lugar a Argentina. Produtos relacionados com tecnologia de ponta, como automóveis e aviões, deverão continuar sofrendo forte retração. Produtos com baixo valor agregado, como o óleo de soja, ainda conseguirá manter o mercado, em boa medida.

A previsão oficial de contração da economia para 2016 já beira os -3%. Mas a contração industrial deverá ser muito maior.

O crescente endividamento do setor público obrigará o governo a emitir títulos públicos para enfrentar os vencimentos. O aumento das taxas de juros, nos Estados Unidos, provocará o aumento da fuga de capitais e as dificuldades para captar divisas, que será acentuada com a manutenção da perda do “grau de investimento” pelas agências qualificadoras de risco. A taxa Selic continuará aumentando e poderá passar dos atuais mais de 14% para um índice próximo aos 20%. Os juros aplicados para os consumidores finais irão às nuvens, o que provocará a contração do consumo e aumentará a recessão industrial e do comercio. Trata-se de uma política intencional, recessiva, que tem como objetivo controlar as tendências inflacionárias e direcionar o grosso dos recursos para a especulação financeira, seguindo a cartilha das pressões do imperialismo. A inadimplência, inevitavelmente, deverá crescer.

O Programa Minha Casa, Minha Vida deverá se paralisar, mas a bolha imobiliária não explodirá ainda. Os lucros das incorporadoras e empreiteiras serão mantidos com os mais de R$ 130 bilhões em recursos públicos que serão repassados para o setor. Mas a queda dos preços dos imóveis aumentará a paralisia e o desemprego no setor que emprega mais de quatro milhões de trabalhadores. A bolha imobiliária ficará por um fio e, inevitavelmente deverá estourar em um ou dois anos, impactando os lucros dos bancos. O grosso do rombo ficará com os bancos públicos e será coberto com o aumento da dívida pública. A emissão de maiores volumes de títulos públicos conduzirá ao aumento das pressões inflacionárias. Uma vez tendo atingido um certo limite, o governo será obrigado a recorrer a um ajuste em maior escala, contra a população, o que implicará na intervenção dos mecanismos controlados diretamente pelo imperialismo, como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.

O aumento das remessas pelos monopólios provocará um aumento maior do déficit nas contas correntes que poderá atingir cifras próximas aos R$ 100 bilhões. A pressão dos monopólios está direcionada ao aumento da espoliação das riquezas nacionais. No centro, está a privatização da Petrobras. O governo do PT acelerará a entrega de setores chaves da cadeia petrolífera, como o setor de serviços, a produção de petróleo e gás a partir do xisto e, provavelmente, um maior sucateamento do marco regulatório do Pré-Sal. O governo do PT anunciou recentemente um programa para o setor do petróleo que implicará na priorização do uso de peças e insumos de fabricação nacional, mas dificilmente sairá do papel. O LavaJato continuará cumprindo o seu papel a serviço do imperialismo, colocando o governo do PT ainda mais na defensiva.

Os salários continuarão no centro dos ataques do governo contra os trabalhadores, que continuará manipulando os índices estatísticos com o objetivo de salvar os lucros dos capitalistas.

 

CRISE ECONÔMICA E CRISE POLÍTICA = AJUSTE CONTRA A POPULAÇÃO

 

O Brasil saiu na linha de frente no aprofundamento da crise capitalista, sofrendo o impacto direto do aprofundamento da crise na China, na Argentina e nos principais mercados consumidores, a Europa e os Estados Unidos.

A crise atual representa apenas o aperitivo da escalada da crise que virá com um novo colapso capitalista mundial, do qual o Brasil representa um elo fraco.

Com o objetivo de garantir os lucros dos monopólios o imperialismo pressiona pela implementação de um ajuste, em grande escala, contra os trabalhadores. O governo de Dilma Rousseff tem aplicado parte do ajuste. O governo do PT conta com reconhecidos direitistas encabeçando vários ministérios. Agora, mesmo com o novo ministro da economia, o “desenvolvimentista” Nelson Barbosa, a prioridade será a aplicação da reforma da previdência e da reforma trabalhista contra os trabalhadores. Mas a direita atacará os “gastos excessivos” que Nelson Barbosa colocou contra o ex ministro Joaquim Levy. A direita atacará, principalmente, os gastos com o aumento do salário mínimo, que gerarão um gasto de R$ 3 bilhões além da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), a mudança do indexador da dívida dos estados e municípios com o governo Federal, que terá um impacto de R$ 3 bilhões, e o aumento do percentual do Finame pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), que aumentou o crédito subsidiado para os investimentos em capital e para o agronegócio, com um impacto no orçamento federal que poderá superar os R$ 10 bilhões.

Os monopólios querem avançar ainda mais na aplicação do ajuste, além do que o governo do PT consegue sem implodir o apoio da CUT e dos movimentos sociais, como o MST e a UNE. Mas o fortalecimento do golpismo, mesmo por meio de um golpe branco, num país de primeira ordem como o Brasil implica numa operação de alto risco. Por esse motivo, a Administração Obama tem apostado o grosso das fichas em saídas a la Maurício Macri, por meio de uma direita reciclada encabeçando frentes únicas com setores da esquerda burguesa e da burocracia sindical. Dependendo do enfraquecimento da resistência das massas, o avanço na direção do golpe branco poderá ser acelerada. A “cautela” da Administração Obama poderá sofrer uma mudança dependendo do grau de aprofundamento da crise capitalista e do resultado das eleições presidenciais que acontecerão nos Estados Unidos no final deste ano.

VEJA TAMBÉM:
PARTE 1 – 2015: O ANO DA ACELERAÇÃO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL
http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-1/
PARTE 2 – O ORIENTE MÉDIO
http://alejandroacosta.net/2015/12/31/previsoes-para-2016-parte-2/
PARTE 3 – A EUROPA
http://alejandroacosta.net/2016/01/01/previsoes-para-2016-parte-3/
PARTE 4 – A PERIFERIA DA RÚSSIA
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PARTE 5 – A RÚSSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/02/previsoes-para-2016-parte-5/
PARTE 6 – A CHINA
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PARTE 7 – A CHINA E A REGIÃO PACÍFICO DA ÁSIA
http://alejandroacosta.net/2016/01/04/previsoes-para-2016-parte-7/
PARTE 8 – O JAPÃO
http://alejandroacosta.net/2016/01/11/previsoes-para-2016-parte-8/
PARTE 9 – OS ESTADOS UNIDOS
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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (1)
http://alejandroacosta.net/2016/01/18/previsoes-para-2016-parte-10-a-america-latina-1/
PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (2)
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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (3)
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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 11 – O INEVITÁVEL APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL
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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 11

O INEVITÁVEL APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA MUNDIAL

1

Em 2016, a crise capitalista mundial continuará, inevitavelmente, acelerando. Como componentes, continuará avançando a recessão industrial, o endividamento generalizado, o desemprego, a carestia da vida, as pressões inflacionárias, os obscenos repasses de recursos públicos para manter os lucros das grandes empresas.

A “locomotiva mundial”, a China, continuará enfrentando dificuldades para estabilizar a economia, mas, neste ano, conseguirá controlar as gigantescas bolhas geradas a partir dos mecanismos colocados em pé a partir de 2009. A instabilidade das bolsas continuará aparecendo na linha de frente da crise. Mas “o buraco fica mais em baixo”. O consumo de matérias primas continuará se reduzindo, impactando em cheio os países que dependem dessas exportações, dentre eles o Brasil.

As principais potências industriais, a Alemanha e o Japão, continuarão enfrentando a recessão do setor industrial e o crescente endividamento público e privado. A tentativa de aplicar políticas falidas, como o QE (quantitative easing), somente pode conduzir esses países a um novo colapso. Esse programa, que consiste na compra de títulos podres pelo valor de face, em cima de trilhões em recursos públicos, foi abandonado nos Estados Unidos por causa do enorme volume de títulos que têm entrado no mercado dos “high yields”, ou títulos lixo. A enorme queda da taxa de lucros, por causa da política de compras indiscriminadas por meio da Reserva Federal, aumentou as pressões para a redução dessas compras. Essa política conseguirá ser sustentada na Zona do Euro e no Japão neste ano, mas enfrentará sérias dificuldades a partir de 2017.

Nos Estados Unidos, a queda dos lucros dos monopólios se acentuará por causa da queda dos preços do petróleo e as dificuldades para manter a produção ultra depredadora de hidrocarbonetos a partir do xisto. Os bancos enfrentarão dificuldades enormes para manterem os lucros. A especulação financeira continuará absorvendo o grosso dos recursos públicos que, em grande medida, serão gerados a partir da a venda de títulos do Tesouro que continuarão sendo comprados pelos grandes exportadores de mercadorias aos Estados Unidos.

O enfraquecimento dos “petrodólares” continuará em 2016, com a abertura do índice russo de petróleo em São Petersburgo e do índice chinês em Xangai, concorrentes com o WTI, que é controlado pelos grandes bancos norte-americanos. Desta maneira, um dos principais mecanismos da ditadura do dólar em escala mundial se enfraquecerá e as chamadas “reservas soberanas” tenderão, nos próximos anos, a tornar-se pó.

 

A ESPECULAÇÃO FINANCEIRA EM XEQUE

 

A “bolha mãe” continuará crescendo de maneira vertiginosa. Esse termo foi acunhado por Nouriel Roubini, o economista que, em 2006, previu o colapso capitalista de 2008 em detalhes e que agora prevê um novo colapso para o próximo período ainda mais desastroso que o de 2008. O termo qualifica a emissão de dinheiro podre, sem lastro produtivo, com o objetivo de repassa-lo aos grandes bancos. O endividamento público tende a aumentar, de maneira obscena, enquanto a economia real continuará se contraindo.

A obtenção de lucros a partir do “banco imobiliário” em que foi convertido o mundo ainda terá fôlego neste ano. Mas os lucros continuarão em queda, o que se refletirá na continuidade da perda do valor acionário de todos os grandes bancos, na falha nos testes de estresse e nos crescentes déficits para cobrirem as fianças nas operações de apostas e contra apostas relacionadas com a especulação financeira.

Em 2008, bastou a quebra da maior seguradora do mundo, a norte-americana AIG, para que o sistema financeiro mundial desabasse. Mesmo com os lucros em queda, provavelmente, a economia capitalista ainda manterá um certo fôlego em 2016. Mas, entre 2017 e 2018, deverá acontecer um novo colapso capitalista de gigantescas proporções, muito pior que o de 2008. O fator detonador poderá vir da impossibilidade dos bancos centrais controlarem a queda em bolsas de valores mais importantes, como a de Xangai, a de Singapura, a de Londres os as bolsas norte-americanas. Mas a implosão também poderá ser produzida pela bancarrota de bancos de grande porte que deixem para trás uma dívida tão grande que, mesmo se tratando de uma empresa TBTF (Muito Grande Para Falir, na sigla em inglês), coloque uma pressão tão grande na sociedade e no mundo capitalista que o estado burguês não consiga salva-la. Todos os grandes bancos e os monopólios se encontram nesta situação, que deverá se acentuar ainda mais em 2016.

Todos os títulos financeiros, contemplando todos os chamados “instrumentos financeiros” tendem a transformar-se em apenas o que realmente são, papeis podres, fruto do capital fictício que domina o sistema capitalista por causa das crescentes dificuldades para encontrar um lugar ao sol na economia produtiva.

 

A CRISE DO DÓLAR

 

O dólar foi imposto como moeda mundial, como lastro das demais moedas, em 1944, a partir dos Acordos de Bretton Woods. A pressão da Guerra do Vietnam, levou ao calote de 1971, por meio do qual a Administração Richard Nixon passou a impedir a troca de dólares por ouro físico.

Com a colapso capitalista de 2008, as tendências centrípetas, contrárias ao controle do imperialismo, dispararam.

Para este ano, está colocado o fortalecimento dos órgãos que não são controlados diretamente pelas potências imperialistas, como o BIA (Banco de Infraestrutura Asiático), o Banco do Mercosul, a OCX (Organização de Cooperação de Xangai) e outros. A Rússia e a China anunciaram a criação de mecanismos de cotização do petróleo próprios, por fora dos mecanismos do WTI, que são controlados diretamente pelos grandes bancos.

O comercio em moedas locais deverá continuar crescendo. Na Ásia, os acordos comerciais entre a China, o Japão e a Coreia do Sul deverão promover os intercâmbios comerciais nas moedas locais. Da mesma maneira, deverá acontecer nas trocas entre a Índia e a China, entre a Rússia e a China, entre a Rússia e a Índia, e entre a Rússia e o Japão. A própria Arábia Saudita, que é o pilar principal dos petrodólares, será obrigada a diversificar os mercados para enfrentar o crescente, e gigantesco, déficit público, o que implicará na ampliação do comercio em moedas locais.

O estoque de dólares podres, sem lastro produtivo alcançou dimensões apocalíticas. O endividamento público norte-americano deverá superar os US$ 20 trilhões. Considerando os demais componentes do endividamento, a dívida total geral dos Estados Unidos ficará próxima aos US$ 100 trilhões. O dólar continuará perdendo o valor, o que se acentuará com o aumento das taxas de juros. As reservas soberanas em dólares continuarão perdendo o valor. Este será só o prelúdio da hiper inflação, em direção à qual caminha o sistema capitalista mundial.

 

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PREVISÕES PARA 2016 – Parte 10 – A AMÉRICA LATINA (6)

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A CRISE DO MERCOSUL

 

O aprofundamento da crise dos dois principais países do bloco, o Brasil e a Argentina, aumentará as rachaduras que têm se acentuado com a eleição de Maurício Macri na Argentina.

A América Latina foi atingida em cheio pelo aprofundamento da crise capitalista mundial. O imperialismo norte-americano impõe o aumento da espoliação dos recursos da região na tentativa de salvar os lucros dos monopólios. Os déficits públicos aumentaram de maneira acelerada. Os ataques contra os trabalhadores têm crescido e desgastado todos os governos. Esta é a base principal das derrotas eleitorais do kirchnerismo na Argentina.

O nacionalismo burguês tem buscado acordos com o imperialismo na tentativa de conter a crise. E o imperialismo tem tentado impulsionar a saída neoliberal. Mas se trata de um “neoliberalismo” de crise que nem sequer conseguiu colocar em pé a frente única que foi típica dos anos de 1990. A burguesia está dividida.

Manter os programas sociais nos níveis atuais é inviável por causa da queda dos recursos para sustenta-los. A aplicação das políticas neoliberais deve ser dosada por causa do período da aceleração do descontentamento social. Da mesma maneira, o Mercosul se encontra entre a espada e a parede. Como bloco tenta aumentar os acordos comerciais internos, mas, por causa da crise, precisa amplia-los para as demais potências. O problema é que os novos acordos abrem flancos e implicarão na entrega de setores estratégicos. Mas para onde correr? As alternativas são cada vez menores?

A tendência é ao aumento das tendências corrosivas no Mercosul a partir dos acordos com a União Europeia, os Estados Unidos e a Aliança Trans Pacífico. Mas essa tendência só poderá avançar de maneira contraditória, por meio de crises políticas e pelo surgimento de novos setores nacionalistas a partir do rompimento dos blocos atuais.

Na Argentina, as políticas neoliberais aplicadas pelo governo Macri tendem a entrar em crise rapidamente e a colocar o governo contra a parede conforme a crise continuar se aprofundando e deteriorando as condições de vida dos trabalhadores.

À já concedida isenção de impostos ao “agronegócio” e à entrega das reservas petrolíferas de Vaca Muerta aos monopólios norte-americanos, se somará o repasse de recursos para os fundos abutres, credores da dívida pública. O problema é que para viabilizar esses recursos o governo será obrigado a aumentar os ataques contra as massas.

A redução do gasto público será traduzido na redução dos gastos sociais e dos investimentos públicos.

O peso argentino continuará sendo desvalorizado, o que impulsionará a inflação a partir das importações. Por esse motivo, várias taxações aos produtos importados não poderão ser removidas.

Macri conseguirá manter, neste ano, o apoio da ala direita do kirchnerismo, principalmente dos governadores, e de outros setores do peronismo, como o liderado pelo ex candidato presidencial Sergio Massa, além de parte da burocracia sindical, como o ligado à central liderada por Moyano. Mas conforme a crise continuar avançando, principalmente, por causa da pressão internacional, a base de apoio ao governo deverá rachar.

Neste ano, a crise deverá criar o fermento para que se repita um novo Argentinazo no próximo ano.

Macri tentará avançar no sentido da aproximação com os Estados Unidos e a União Europeia em muito maior velocidade que os demais países do Mercosul. Mas devido à profundidade da crise e aos acordos já estabelecidos, a virada acontecerá de maneira gradual.

No Brasil, a nova equipe econômica, encabeçada por Barbosa, manterá a essência das políticas anteriores, do banqueiro Joaquim Levy. Essas políticas anti-povo, que buscam manter os lucros das grandes empresas, mantendo a estabilidade social, passam também pela maior aproximação com os Estados Unidos e a União Europeia. Mas o governo Dilma manterá a política geral em relação ao Mercosul que continua como destino importante das exportações brasileiras, mesmo apesar da crise na Argentina. A existência do Mercosul facilita os acordos de conjunto com outros blocos e instrumentos locais, como a União Euroasiática, a OCX (Organização de Cooperação de Xangai) e os bancos regionais.

A recessão industrial, o aumento do desemprego e da inflação acelerarão a política do “salve-se quem puder”. O Mercosul deverá se enfraquecer neste ano, mas ainda não morrerá.

No Uruguai, a crise continuará acelerando, com o crescente aumento da carestia de vida. O governo da ala direita da Frente Ampla, encabeçada pelo Dr. Tabaré Vázquez, tentará acelerar a aproximação com os Estados Unidos e a Europa. Sem conseguir romper com o Mercosul, procurará avançar em todos os sentidos possíveis, inclusive aderindo à nova política norte-americana da Aliança Trans Atlântica.

O certo sucesso da economia promovido em cima da depredação do país por meio do cultivo de soja transgênica e de eucaliptos, para alimentar as duas mega plantas industriais de celulose, continuará no centro da política econômica.

Todos os representantes do Mercosul concordaram na necessidade de avançar as relações com a China e a Rússia. Ao mesmo tempo, todos concordaram sobre a necessidade de ampliar os acordos comerciais com o maior número de países ou blocos.

A pressão da ala direita do bloco passa pela aproximação com a União Europeia, os Estados Unidos e a Aliança Trans Pacífico. Desta aliança participam o Chile, a Colômbia, o México e o Peru, enquanto a Costa Rica e o Panamá solicitaram a adesão. A Argentina e o Uruguai encabeçam a pressão nesse sentido, mas os demais integrantes do Mercosul passaram a flexibilizar as posições.

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