ATENTADOS EM PARIS – O FIM DA UNIÃO EUROPEIA?

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Após os recentes atentados que aconteceram em Paris, o governo da Polônia declarou que não aceitará mais imigrantes. As quotas estabelecidas pela União Europeia estão implodidas. A imposição da ala hegemônica, liderada pela chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, tende a se tornar pó. O próprio governo alemão, colocado contra as cordas pela extrema direita, alemã e europeia, empreendeu uma campanha, no Afeganistão e em outros países, na tentativa de convencer a população a não migrar para a Europa.

A medida do governo polonês deverá ser replicada por vários outros países. O Tratado de Schengen também faz parte da ofensiva direitista. O controle das fronteiras foi retomado pela França, a Áustria e a própria Alemanha.

As políticas aplicadas por Angela Merkel e François Hollande entraram num processo abertamente defensivo
 enquanto a extrema direita entrou num processo abertamente ofensivo
. Na França, a Frente Nacional já se tornou um dos principais partidos políticos do país. Na Alemanha, o AfD continua crescendo.

Por trás da crise política, se encontram os monopólios que tentam salvar os lucros a qualquer custo no contexto do aprofundamento da crise capitalista mundial e da expectativa de um novo colapso capitalista, de ainda maiores proporções que o de 2008, para o próximo período. Por esse motivo, a burguesia tenta colocar em pé uma política muito específica: maiores ataques contra os trabalhadores e uma maior agressividade militar no exterior.
 E quem pode melhor aplicar essa política? A socialdemocracia, a direta tradicional ou a extrema direita?

OS ATENTADOS DE PARIS E A UNIÃO EUROPEIA

Os atentados de Paris são extremamente suspeitos, tão suspeitos como os atentados, que aconteceram no início deste ano, contra a revista de extrema direita Charlie Hebdo ou os atentados do 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

A direita conseguiu criar um clima de terror que, evidentemente, favorecerá a aplicação da Lei Antiterrorista, os ataques contra o “estado de bem-estar social” e a agressividade militar no exterior. Essas três políticas estavam enfrentando grande resistência por parte da população francesa e europeia. A situação de histeria criada lembra, e muito, à histeria criada após os ataques contra as Torres Gêmeas e o Pentágono, de 2001.

Mas o “efeito colateral” o endurecimento do regime político será o inevitável colapso da União Europeia, o que deverá gerar um caos ainda maior.

A União Europeia representa um instrumento que tem como objetivo facilitar os lucros dos monopólios, principalmente do imperialismo alemão e francês, que dependem dos baixos salários da Europa Oriental e do mercado europeu
.

Os atentados de Paris, que, ao que tudo indica, têm a mão dos serviços de inteligência por trás, refletem a política desesperada da burguesia imperialista para salvar os lucros das grandes empresas. Trata-se da política do “salve-se quem puder”, exacerbada pela crise.

Com a União Europeia, a crise continua se acelerando e o Banco Central Europeu continua cada vez mais paralisado e estupefato.

Sem a União Europeia, os lucros também tendem a cair e ainda em maior escala no médio prazo. Em resumo, não há saída para a crise capitalista. A “saída” imediata passa pelo aumento dos ataques contra a população e as guerras em larga escala. A verdadeira saída passa pela derrubada do regime burguês pelos trabalhadores.

O sistema financeiro, que é, cada vez mais, ultra parasitário, deve ser estatizado e colocado sobre o controle da população imediatamente. O grosso do lucro de todas as grandes empresas tem como origem as divisões financeiras que atuam, fundamentalmente, na especulação financeira. Todos os monopólios também devem ser estatizados e colocados sobre o controle da população. Mas, obviamente, não se trata de manter o estado burguês, que constitui uma máquina para defender os interesses dos grandes capitalistas. Essa máquina precisa ser colocada abaixo. A tarefa histórica somente pode ser realizada pelos trabalhadores mobilizados, o que é impulsionado, de maneira automática, pela crise capitalista.

Para o próximo período, está colocada a retomada do movimento operário, que ficou paralisada, há 30 anos, principalmente nos países centrais, por causa da aplicação das políticas neoliberais que, em 2008, entraram em colapso. A mobilização da classe operária deverá colocar à ordem do dia a formação de partidos operários, revolucionários e de massas.

A SÍRIA E OS ATAQUES TERRORISTAS EM PARIS

Perante a ofensiva ala direita do imperialismo, que busca uma saída de força para a crise, a Administração Obama tem buscado acelerar a “saída democratizante” em aliança com os russos, o Irã, a China, e, indiretamente, com o Hizbollah, a poderosa milícia libanesa, e os curdos. Essa “saída” tem deixado de lado os aliados tradicionais dos Estados Unidos, em primeiro lugar, os sionistas israelenses, a Arábia Saudita, o Catar, e os Emirados Árabes Unidos. A “saída” reflete a crise gigantesca em que se encontra a dominação da principal potência em escala mundial, os Estados Unidos
.

A “saída” da ala direita do imperialismo pode ser vista nos vários debates do Partido Republicano e passa pelo envio de tropas à Síria, a guerra nuclear contra o Irã, a guerra contra a China e a Rússia. O “pequeno detalhe” será a aplicação prática dessa política
. Os Estados Unidos foram derrotados, em termos militares, no Iraque em 2007. Abandonaram o país após um acordo com o regime dos aiatolás iranianos. E nem sequer conseguiram derrotar o Talibã e estabilizar o Afeganistão, um país muito atrasado, semi tribal.

O tamanho da crise política, que é impulsionada pela crise econômica, pode ser medido pelo desespero da burguesia monopolista que busca impor uma política mais dura em escala mundial. Esse é o verdadeiro contexto dos atentados de Paris.

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