FRACASSO DE JOAQUIM LEVY?

3A política econômica implantada no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, com o ministro da Fazenda Joaquim Levy, tem levado ao aprofundamento da recessão no Brasil. A produção industrial se encontra paralisada e contraindo; somente em junho a queda foi de 3,2% (dados oficiais) em relação ao ano passado, que se eleva para 6,3% considerando o primeiro semestre do ano. A produção de meios de produção, os bens de capital (máquinas, equipamentos e instalações) caiu 20%, após ter caído no ano passado 11,2%. Os bens de consumo duráveis caíram 14,6% e 10,1% respectivamente.

As pressões inflacionárias aumentam a carestia da vida. A balança comercial despencou por causa da queda dos preços das matérias primas (commodities) nos mercados especulativos internacionais. O desemprego aumenta, mesmo nas estatísticas ultra manipuladas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). O Brasil saiu no pelotão da frente dos países que avançam a passos largos em direção a um novo colapso mundial.

RECESSÃO E SUPERÁVIT PRIMÁRIO

A política do governo do PT é recessiva e tem como objetivo, em linhas gerais, salvar os lucros dos bancos. Mas o PT tem vínculos com setores da burguesia nacional que ainda continuam recebendo fartos financiamentos hiper subsidiados. Recentemente, foram direcionados R$ 15 bilhões para salvar os lucros das montadoras. É aqui onde se encontra a principal contradição com a direita que representa abertamente os interesses do imperialismo.

O imperialismo busca impor um ataque em escala ainda muito maior contra as massas e reduzir ainda mais os recursos repassados para os setores da burguesia nacional. Algo assim como o que está sendo feito na Grécia.

A política recessiva, como já foi feito no Brasil no início da década de 1980, quando Delfim Netto foi ministro da Fazenda, tem como objetivo paralisar a produção, com o objetivo de controlar a inflação, mesmo provocando o efeito colateral do aumento do desemprego. A redução dos salários tem como objetivo recuperar a taxa geral de lucros. Quando Armínio Fraga foi anunciado como o novo eventual ministro da Fazenda de Aécio Neves, numa das primeiras declarações, anunciou que o “principal problema” do Brasil eram, supostamente, os salários, que seriam muito altos e, portanto, deveriam ser reduzidos, pelo menos, pela metade.

O governo do PT, como típico governo nacionalista burguês, tem aumentado os ataques contra os trabalhadores, mesmo que não na escala que a burguesia imperialista gostaria. A política econômica do governo é simplesmente desastrosa em relação aos interesses dos trabalhadores, apesar de ainda não terem sido atacados da maneira que a direita gostaria.

A meta do superávit fiscal, prometida por Levy para 1,2% do PIB para este ano, deverá cair para 0,4% segundo o relator do Orçamento no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR). De acordo com o Ministério do Planejamento deverá cair para algo próximo de 0,8% do PIB. O superávit fiscal é a priorização dos recursos que são destinados ao pagamento dos juros da “nossa” ultra corrupta dívida pública. A palavra de ordem do imperialismo é tudo deve ser entregue aos bancos, a qualquer custo.

O REGIME POLÍTICO NA ENCRUXILHADA

O governo do PT foi colocado contra a parede no final do ano passado com a ameaça de rejeitar as contas públicas fortemente “contaminadas” com as ditas “pedaladas fiscais”.

Perante a ameaça de impeachment, a presidente Dilma trocou o ministro da Fazenda Guido Mantega por um homem ligado aos bancos, Joaquim Levy. Mas Levy não é Armínio Fraga, este um homem do mega especulador norte-americano George Soros. Levy é um membro da diretoria de um banco menor em escala mundial, o Bradesco.

Levy não conseguiu colocar em pé um “plano de austeridade” na escala que o imperialismo gostaria, inclusive por conta das amarrações do governo do PT com a base de massas, mesmo eleitoral, e setores da burguesia nacional. Os programas sociais, apesar de miseráveis, foram mantidos em linhas gerais. Os repasses de recursos públicos para os grandes capitalistas do setor produtivo não foram congelados. A Petrobras não foi entregue de maneira integral, como aconteceu recentemente com Pemex (Petróleo Mexicanos). E, principalmente, os salários não foram atacados na escala “necessária” para “manter a competitividade”.

Em outras palavras, o capitalismo tupiniquim brasileiro se defronta com uma espécie de Frankenstein. Um governo entreguista que, devido à sua base de massas, não consegue impor um plano que atenda os interesses da burguesia imperialista em crise. Ao mesmo tempo, a direita, apesar de toda a pressão dos setores dominantes do capital, não tem conseguido costurar as condições políticas para impor um governo mais duro. A direita tem enfrentado enormes dificuldades para apresentar uma fórmula que lhe permita voltar ao governo por meio dos mecanismos eleitorais, apesar de ultra corruptos e controlados pelo grande capital. As condições para impor um novo governo de força por meio de mecanismos extra parlamentares também enfrentam enormes dificuldades para serem colocados em pé, ao mesmo tempo que está em aberto a possibilidade de uma reação das massas. Os efeitos dessa reação abrem uma gigantesca crise no regime político de conjunto, conforme pode ser visto na Venezuela a partir do fracasso do golpe contra o governo de Hugo Chávez no início da década passada.

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