O MUNDO CAPITALISTA: UM CASINO FINANCEIRO (Parte 12) – A ESPECULAÇÃO COM OS ALIMENTOS

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Conforme a crise capitalista mundial tem se aprofundado e a especulação financeira tem ido se esgotando em setores como o imobiliário, grandes volumes de capitais fictícios têm sido direcionados para a especulação nos mercados de alimentos por não conseguirem alocação nos setores produtivos ou não conseguirem extrair lucros da produção.

Os especuladores financeiros têm direcionado a comercialização de cada vez maiores volumes de alimentos para os mercados futuros de commodities onde os produtos são comercializados dezenas de vezes antes de chegar aos consumidores finais, fundamentalmente, através dos nefastos derivativos financeiros. Os derivativos têm se transformado no principal instrumento da especulação financeira, onde por meio de cestas de títulos financeiros, onde são misturados títulos podres em larga escala, os especuladores transacionam papéis em operações de apostas e contra-apostas, que lhes garantem altas taxas de lucros em cima de recursos públicos. Os grandes parasitas financeiros acabam sendo resgatados mediante recursos públicos em cima da política do TBTF (Muito Grande Para Falir). Através destes mecanismos, o punhado de especuladores que domina o mundo tem transformado a economia capitalista mundial num verdadeiro casino. Todo tipo de mazelas da humanidade, até aquelas que tinham sido erradicado (doenças e escravidão em larga escala, entre outras), estão voltando com intensidade devido à busca por garantir as taxas de lucro dos especuladores a qualquer custo.

O controle das matérias primas alimentícias pelos especuladores financeiros

As principais bolsas mercantis de futuro do mundo, tais como a de Nova Iorque, Chicago, Londres, Frankfurt e Paris, têm visto os índices dispararem nos últimos anos. O índice do FMI (Fundo Monetário Internacional) específico para medir o preço dos alimentos subiu, a partir dos 75 pontos básicos em 2002, três vezes. O índice das Nações Unidas, o FAOFOODI, aumentou mais de 160% a partir do ano 2000.

No último período, os preços das principais matérias primas alimentícias têm apresentado tendência à queda e alta volatilidade devido ao aprofundamento da crise capitalista mundial, ao relaxamento da regulamentação do setor e ao aumento das atividades especulativas que têm na sua base o direcionamento de ainda maiores recursos para esses mercados devido à queda acentuada da atividade industrial. No caso dos cereais, as quedas chegam a 10% e no caso de outros produtos até 20%.

Durante o colapso capitalista de 2008, a migração de enormes volumes de capitais do mercado imobiliário especulativo para o mercado de commodities provocou a disparada dos preços dos alimentos, uma crise alimentar em vários países e a disparada da inflação a nível mundial, mas, ao mesmo tempo, esteve na origem das revoluções nos países árabes.

A partir de meados da década passada, o banco imperialista norte-americano Goldman Sachs promoveu a abertura da especulação com alimentos quando criou uma série de ETFs (Exchange Traded Fund), ETPs (Exchange Traded Product), ETCs (Exchange Traded Commodities), CDFs, ETNs, e toda uma sopa de letrinhas que representam diversos papéis especulativos e formam a base dos derivativos financeiros, que têm sido vendidos em larga escala para asseguradoras, outros bancos e fundos de pensão e de investimentos.

O controle direto do mercado de alimentos na UE (União Europeia) pelas chamadas empresas financeiras, isto é pelos especuladores financeiros, atinge 40%, sendo que no início da década de 90 era de 10%, o que tem provocado a disparada da volatilidade. Enormes volumes de recursos são aplicados, em curtíssimos espaços de tempo, com o objetivo exclusivo de obter altas taxas de lucro, e têm como efeito colateral o crescente aumento das bolhas financeiras. O índice FAOFOODI aumentou 52% desde o mês de maio de 2007 enquanto o índice do Dow Jones, por exemplo, se mantém nos mesmos níveis.

Os transgênicos: na linha de frente da especulação financeira com os alimentos

Os altos preços dos alimentos são potencializados ainda mais pela especulação com as commodities (matérias primas) energéticas, principalmente o preço do petróleo, nos mercados futuros, e dos insumos agrícolas. Alguns alimentos são usados para a produção de outros – como, por exemplo, acontece com os cereais que são usados para alimentar o gado, os fertilizantes e agrotóxicos, e os combustíveis usados para o transporte.

De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), a produção de alimentos precisará aumentar em 70% até o ano de 2050 devido ao crescimento demográfico. Um dos principais componentes da resposta dos governos burgueses para “enfrentar a crise alimentar” tem sido o aumento da produção de transgênicos, que têm se transformado num dos pilares do aumento da especulação financeira.

Os transgênicos agravam a crise alimentar, da saúde pública e ambiental, e representam uma fonte de enormes lucros para os monopólios.

Os transgênicos foram liberados a partir dos Estados Unidos sem testes adequados e em cima de relatórios elaborados pelos próprios monopólios. Na década de 1990, a FDA (agência federal de alimentos e medicamentos) norte-americana passou a ser controlada diretamente pela Monsanto e os transgênicos foram, na prática desregulamentados.

Os efeitos para a saúde humana são muito graves, pois as modificações no DNA, além de terem efeitos imprevisíveis nos seres humanos, injetam genes, inclusive de animais, nas plantas que fazem com que as suas células continuem provocando a produção de venenos após a sua ingestão. O consumo de agrotóxicos aumenta, no médio prazo, conforme tem sido revelado por vários estudos científicos, a dependência dos agrotóxicos produzidos pelos fabricantes das sementes transgênicas o que intensifica a contaminação do solo e dos recursos hídricos.

Os transgênicos são um produto das políticas imperialistas de propriedade intelectual e de patentes impostas a partir do Consenso de Washington na década de 1990. Eles visam manter o controle de um punhado de especuladores sobre as sementes, os agrotóxicos, os fertilizantes e toda a cadeia produtiva alimentar. Os monopólios direcionam a produção para os mercados especulativos futuros com o objetivo de manter as altas taxas de lucro dos especuladores financeiros a qualquer custo, depredando os recursos ambientais e generalizando a exploração dos trabalhadores nos piores níveis da história da humanidade.

O CAPITALISMO HOJE = UM CASINO FINANCEIRO 

Parte 1 – OS DERIVATIVOS FINANCEIROS = A ROLETA RUSSA CAPITALISTA

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Parte 2 – 2008: A NOVA ESCALADA DA ESPECULAÇÃO

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Parte 3 – MUITO GRANDES PARA FALIREM?

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Parte 4 – TESOURO = CAIXA DOS MONOPÓLIOS

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Parte 5 – A ESPECULAÇÃO COM AS TAXAS DE JUROS

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Parte 6 – O “FARWEST” DAS “REGULAMENTAÇÕES”

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Parte 7 – ESPECULAÇÃO FINANCEIRA: O CORAÇÃO DA ECONOMIA CAPITALISTA PARASITÁRIA

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Parte 8 – HIPERINFLAÇÃO OU DEFLAÇÃO?

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Parte 9 – A INEVITÁVEL QUEDA DA TAXA DE LUCRO

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Parte 10 – APOSTAS, CONTRA-APOSTAS E “COLATERAIS”

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Parte 11 – O “SEGREDO” DOS LUCROS DOS DERIVATIVOS FINANCEIROS

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Parte 12 – A ESPECULAÇÃO COM OS ALIMENTOS

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O MUNDO CAPITALISTA: UM CASINO FINANCEIRO (Parte 11) – O “SEGREDO” DOS LUCROS DOS DERIVATIVOS FINANCEIROS

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As principais praças financeiras onde são emitidos os nefastos derivativos financeiros são Wall Street, em Nova Iorque, e a Citi de Londres. Por cada transação, os grandes bancos recebem um percentual que oscila em torno aos 2,5% da mesma. Isso explica os enormes volumes movimentados. Mas para o capitalismo parasitário os lucros nunca são suficientes.

A manipulação dos índices tem sido um dos métodos correntes para acelerar os lucros. Um dos vários escândalos que estourou no último período foi o da manipulação da taxa Líbor pelos principais bancos imperialistas. A Líbor é usada para indexar US$ 500 trilhões anuais em transações especulativas, principalmente, em cima de CDS (credit default swap), que são usados como uma espécie de seguro para as transações relacionadas com os títulos principais.

Recentemente, o maior broker (negociante) de IRSs (interest-rate swaps), o ICAP, com sede na Citi de Londres, passou a ser investigado pelo governo norte-americano por ter manipulado o ISDAfix (o índice usado mundialmente para calcular os IRS) junto com os 15 maiores bancos em escala mundial. O ISDAfix indexa US$ 379 trilhões em transações com apostas em transações com intercâmbio de moedas. Simplesmente atrasando a publicação do índice, mas revelando-o antecipadamente a um grupo de especuladores, possibilitou lucros gigantescos.

Falar de mercado livre (free Market), conforme é propagandeado pela imprensa imperialista está a um milhão de anos luz da realidade. O que existe é um controle obscenos dos principais recursos da sociedade pelo punhado de famílias de especuladores que domina o mundo. Toda a política mundial está orientada para manter o fluxo de recursos para esses parasitas. Nos Estados Unidos, os seis maiores bancos são proprietários de 60% do PIB.

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Parte 1 – OS DERIVATIVOS FINANCEIROS = A ROLETA RUSSA CAPITALISTA

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Parte 2 – 2008: A NOVA ESCALADA DA ESPECULAÇÃO

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Parte 3 – MUITO GRANDES PARA FALIREM?

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Parte 4 – TESOURO = CAIXA DOS MONOPÓLIOS

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Parte 5 – A ESPECULAÇÃO COM AS TAXAS DE JUROS

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Parte 6 – O “FARWEST” DAS “REGULAMENTAÇÕES”

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Parte 7 – ESPECULAÇÃO FINANCEIRA: O CORAÇÃO DA ECONOMIA CAPITALISTA PARASITÁRIA

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Parte 8 – HIPERINFLAÇÃO OU DEFLAÇÃO?

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Parte 9 – A INEVITÁVEL QUEDA DA TAXA DE LUCRO

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Parte 10 – APOSTAS, CONTRA-APOSTAS E “COLATERAIS”

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Parte 11 – O “SEGREDO” DOS LUCROS DOS DERIVATIVOS FINANCEIROS

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Parte 12 – A ESPECULAÇÃO COM OS ALIMENTOS

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O MUNDO CAPITALISTA: UM CASINO FINANCEIRO (Parte 10) – APOSTAS, CONTRA-APOSTAS E “COLATERAIS”

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A especulação financeira acontece não somente com dinheiro para especular com a compra e venda de títulos, mas também com montantes enormes para apostar em cima dessas transações. Tal é a essência do sistema financeiro ultra parasitário atual.

Os gigantescos volumes de recursos repassados pelos governos são próprios criados a partir do ar, sem lastro produtivo. O requerimento de colaterais supera os US$ 12 trilhões segundo o TBAC.

A criação de colaterais não tem condições de ser viabilizada pelos monopólios, pelo setor privado, devido à economia tem entrado em recessão e os investimentos privados terem sumido do mapa. Por esse motivo, a “saída” tem sido os obscenos programas de transferência de recursos públicos, como os denominados QEs (quantitative easing ou alívio quantitativo). Os QEs viabilizam os colaterais enquanto os empréstimos ilimitados a taxas próximas a 0% (os chamados ZIRP – zero interest rate program) viabilizam a geração praticamente ilimitada de derivativos financeiros. Ilimitada até o abismo, obviamente.

A esmagadora maioria das grandes empresas estão direcionadas para a especulação financeira, com o foco de favorecer os grandes acionistas – repasse de dividendos, recompra de ações e outras transações especulativas a curto prazo. Os títulos financeiros gerados são de baixa qualidade e, por isso, não podem ser usados como colaterais HQC (de alta qualidade). O “estelionato”, que é próprio do estágio atual do capitalismo, é que esses títulos semipodres são comprados pelos bancos centrais pelo valor cheio, que os adicionam à falida corrente denominada “fractional reserve repo”, que não passa do acúmulo de títulos podres, transformando colaterais depreciados em dinheiro vivo para as grandes empresas. Um excelente negócio para os monopólios imperialistas.

Para manter esses mecanismos funcionando, além das emissões de moeda podre, em cujas operações os chamados primary dealers (compradores no atacado) abocanham grandes lucros, tem proliferado as operações “ilegais”, como as lavagens do dinheiro do tráfico de drogas e outros (tem acontecido inúmeros escândalos nos últimos anos), a manipulação de índices, os paraísos fiscais, a aterradora depredação ambiental (gás e petróleo a partir do xisto pela fratura hidráulica, exploração no Ártico etc) e a superexploração dos trabalhadores (queda acentuada da qualidade de vida em todos os países desenvolvidos, arrocho salarial, trabalho escravo etc).

Qual é o impacto do “déficit” de colaterais para o sistema financeiro?

Em 2008, a quantidade de dinheiro podre (shadow money) no sistema bancário norte-americano foi estimada em US$ 21 trilhões. Hoje em dia, a quantidade está estimada em US$ 30 trilhões, dos quais a metade não está suportada por colaterais. O déficit de mais de US$ 11 trilhões em colaterais levará à queima de um volume de capitais fictícios muito maior que o de 2008, simplesmente considerando uma situação similar. O buraco teria que ser coberto pelo estado. Mas como fazê-lo com os volumes de endividamento atuais?

A Reserva Federal, assim como os demais bancos centrais, não podem inundar o mercado com a velocidade “necessária” sob o risco de provocar a disparada da inflação. O coração do sistema capitalista se direciona aceleradamente a engripar, da mesma maneira que aconteceu no início da década de 1930, quando ainda existia o padrão ouro, mas em condições mil vezes mais explosivas.

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Parte 1 – OS DERIVATIVOS FINANCEIROS = A ROLETA RUSSA CAPITALISTA

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Parte 2 – 2008: A NOVA ESCALADA DA ESPECULAÇÃO

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Parte 4 – TESOURO = CAIXA DOS MONOPÓLIOS

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Parte 5 – A ESPECULAÇÃO COM AS TAXAS DE JUROS

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Parte 8 – HIPERINFLAÇÃO OU DEFLAÇÃO?

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Parte 9 – A INEVITÁVEL QUEDA DA TAXA DE LUCRO

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Parte 10 – APOSTAS, CONTRA-APOSTAS E “COLATERAIS”

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Parte 11 – O “SEGREDO” DOS LUCROS DOS DERIVATIVOS FINANCEIROS

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Parte 12 – A ESPECULAÇÃO COM OS ALIMENTOS

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O MUNDO CAPITALISTA: UM CASINO FINANCEIRO (Parte 9) – A INEVITÁVEL QUEDA DA TAXA DE LUCRO

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A especulação financeira representa o coração da economia capitalista ultra parasitária atual. A crise capitalista mundial de 1974 colocou uma lápide na obtenção de lucros a partir das atividades produtivas. A queda da taxa de lucro se acelerou. As leis analisadas por Karl Marx, no livro O Capital, passaram a atuar com intensidade máxima: a busca pelo lucro a qualquer custo, a super exploração dos trabalhadores, a tendência à queda das taxas de lucro, esta última apesar dos mecanismos ultra-depredadores para contê-la.

O chamado “neoliberalismo” teve como base a entrada no mercado de centenas de milhões de operários asiáticos, submetidos a condições de trabalho de semi-escravidão, e a entrega aos capitalistas das empresas públicas e do grosso dos recursos da sociedade. Desta maneira, a especulação financeira alcançou níveis nunca imaginados antes. Somente os nefastos derivativos financeiros somam 15 vezes o montante da economia mundial e converteram o mundo num verdadeiro casino de apostas e contra-apostas.

O neoliberalismo entrou em colapso definitivo com a bancarrota capitalista de 2008. Devido à impossibilidade de elaborar uma nova política, devido ao tremendo parasitismo, a economia continua funcionando basicamente em cima da especulação financeira, que acarreta operações de apostas e contra-apostas para garantir os lucros dos capitalistas. As próprias regras contábeis, a chamada SFAS-140, considera o “full book netting” (vínculos contábeis cheios), que significa que os riscos de uma empresa são descontados pela outra, numa operação parecida com o desconto do ICMS em operações interestaduais na contabilidade brasileira. Na realidade, se trata de uma operação suicida, kamikaze, que somente se sustenta em cima da premissa de que não acontecerá uma bancarrota em massa como a que começou em 2008. O problema colocado é que os mesmos mecanismos que levaram a esse colapso se encontram em pleno funcionamento agora, com intensidade muito maior, devido à paralisia da economia e ao gigantesco endividamento do estado burguês.

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Parte 1 – OS DERIVATIVOS FINANCEIROS = A ROLETA RUSSA CAPITALISTA

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Parte 2 – 2008: A NOVA ESCALADA DA ESPECULAÇÃO

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Parte 4 – TESOURO = CAIXA DOS MONOPÓLIOS

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Parte 8 – HIPERINFLAÇÃO OU DEFLAÇÃO?

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Parte 12 – A ESPECULAÇÃO COM OS ALIMENTOS

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O MUNDO CAPITALISTA: UM CASINO FINANCEIRO (Parte 8) – HIPERINFLAÇÃO OU DEFLAÇÃO?

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A propaganda da imprensa burguesa gasta rios de tinta para tentar ocultar os gravíssimos problemas que corroem o sistema capitalista. A inflação e o desemprego atuam como um câncer que colocam em movimento as massas trabalhadoras. Por esse motivo, é justamente sobre essas duas questões que as manipulações estatísticas atuam com maior intensidade.

A farsa de que a economia estaria pressionada na direção da deflação está muito longe de acontecer nos países atrasados. Na América Latina, a inflação se acelera a passos largos em direção à hiperinflação. Na Venezuela, os números oficiais apontam para uma inflação de mais de 60% neste ano. Na Argentina, de 50%.

No Brasil, a inflação oficial já superou o teto da meta, de 6,5%, e em vários estados já supera os 9%. Na realidade, a inflação é pelo menos o dobro para os trabalhadores que recebem até três salários mínimos e que representam a maioria da população. A inflação sobre os preços controlados, que têm um peso de 40% sobre o índice total, foi de apenas 1% antes de remover parte dos subsídios. Essa mágica é conseguida com bilhões de recursos públicos repassados para manter os lucros dos grandes capitalistas sem aumentar os preços. O impacto tem sido a disparada da dívida pública, cujos números também são muito manipulados por meio de um arsenal de truques. O fato é que no próximo período, principalmente, o aumento dos ataques contra os trabalhadores é inevitável. O enfrentamento aberto entre a classe operária e a burguesia estará aberto. Os movimentos grevistas que aconteceram na década de 1980 e que colocaram no chão a ditadura militar serão retomados, e num patamar superior. Desta vez, a burocracia sindical ligada ao PT, que já apresenta sinais de profunda crise, deverá ser ultrapassada. Em cima desta base, se coloca a necessidade da construção de um partido de massas, operário e revolucionário.

“Deflação” nos países desenvolvidos?

A propaganda da imprensa burguesa nos países desenvolvidos tenta ocultar o aumento dos repasses de recursos públicos aos grandes capitalistas.

No Japão, no ano passado o governo comprou U$ 700 bilhões em títulos podres pelo valor de face. Nos Estados Unidos, estavam sendo destinados US$ 85 bilhões mensais às mesmas operações. Esses repasses foram eliminados devido a que as taxas de lucro do mercado de títulos podres, que movimenta mais de US$ 5 trilhões, tinha caído a pique, de 15% a menos de 4,5%. O mesmo aconteceu na Europa. Mas os repasses de recursos públicos continuam por meio de vários mecanismos. Um dos principais se dá por meio dos empréstimos, ilimitados, a baixíssimas taxas de juros. Esses volumes gigantescos de dinheiro são aplicados imediatamente na especulação financeira, que representa o coração da economia capitalista.

O grau de parasitismo do capitalismo é enorme. A dependência do estado é absoluta. E não teria como ser diferente. Somente a especulação com os chamados derivativos financeiros supera em cerca de 15 vezes o PIB mundial.

Por que o estado burguês é obrigado a repassar trilhões para os capitalistas?

Um recente relatório da TBAC (Treasury Borrowing Advisory Committee ou Comitê de Coordenação dos Empréstimos do Tesouro) dos Estados Unidos mostrou que a demanda total por HQCs (High Quality Collaterals ou colaterais de alta qualidade) supera os US$ 11 trilhões, em condições de estresse, nos Estados Unidos. Em condições de “normalidade” a demanda seria de “apenas” US$ 5,7 trilhões.

Os números mostram a falsidade do chamado acordo Basileia III, que teria como objetivo reduzir a exposição ao risco do sistema financeiro. Uma das medidas principais seria aumentar o volume de ativos próprios de 3% (nível de 2007) para 11%. A imprensa imperialista tem propagandeado um cenário otimista onde os bancos teriam ultrapassado esse patamar e que o valor adicional teria ficado entre US$ 1 trilhão e US$ 2 trilhões, muito longe dos números apresentados pelo TBAC. O Basileia III não passa de uma mentira deslavada para ocultar uma realidade catastrófica.

Os chamados “ativos” são papéis, títulos financeiros, que teriam notas melhores das agências qualificadoras de riscos. Para chegar nesses percentuais os títulos do governo norte-americano recebem uma qualificação de risco de 0%. Os títulos dos demais bancos recebem uma qualificação de risco de 20%. Ou seja, a própria contabilidade é tão podre que, no caso da bancarrota de uma peça do sistema, ele todo vem abaixo. Uma nova bancarrota em cascata, como a detonada a partir da bancarrota do Lehman Brothers em 2008, mas em proporções muito maiores está colocada para o próximo período.

Os trilhões repassados para os grandes capitalistas (que hoje se identificam com especuladores financeiros), por meio dos chamados programas QE (quantitative easing ou alívio quantitativo) tem um calcanhar de Aquiles gigantesco e imediato. Para esses recursos serem aplicados na especulação financeira se fazem necessários enormes volumes de recursos destinados a funcionarem como colaterais (espécie de fiança), que hoje estão dimensionados, pelo TBAC, em US$ 11,2 trilhões nos Estados Unidos. Isso quer dizer que conforme o capital fictício aumentar, mais capital fictício será necessário, numa adição parecida com a de um dependente de crack que antes tenha sido usuário de cocaína.

O CAPITALISMO HOJE = UM CASINO FINANCEIRO 

Parte 1 – OS DERIVATIVOS FINANCEIROS = A ROLETA RUSSA CAPITALISTA

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Parte 2 – 2008: A NOVA ESCALADA DA ESPECULAÇÃO

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Parte 3 – MUITO GRANDES PARA FALIREM?

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Parte 4 – TESOURO = CAIXA DOS MONOPÓLIOS

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Parte 5 – A ESPECULAÇÃO COM AS TAXAS DE JUROS

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Parte 6 – O “FARWEST” DAS “REGULAMENTAÇÕES”

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Parte 7 – ESPECULAÇÃO FINANCEIRA: O CORAÇÃO DA ECONOMIA CAPITALISTA PARASITÁRIA

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Parte 8 – HIPERINFLAÇÃO OU DEFLAÇÃO?

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Parte 9 – A INEVITÁVEL QUEDA DA TAXA DE LUCRO

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Parte 10 – APOSTAS, CONTRA-APOSTAS E “COLATERAIS”

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Parte 11 – O “SEGREDO” DOS LUCROS DOS DERIVATIVOS FINANCEIROS

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Parte 12 – A ESPECULAÇÃO COM OS ALIMENTOS

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O MUNDO CAPITALISTA: UM CASINO FINANCEIRO (Parte 7) – ESPECULAÇÃO FINANCEIRA: O CORAÇÃO DA ECONOMIA CAPITALISTA PARASITÁRIA

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O foco da economia capitalista, hoje em dia completamente parasitária, foi transferido da produção para a distribuição da mais-valia, obtida mediante mecanismos de exploração dos trabalhadores cada vez mais acentuados, pelos especuladores no mercado financeiro que têm transformado o mundo num verdadeiro “casino”. No contexto atual da crise capitalista mundial, os grandes bancos continuam obtendo lucros grandes lucros em cima das transações com derivativos.

A movimentação do capital financeiro especulativo das bolsas de valores para os mercados de commodities (matérias primas), principalmente o do petróleo, em busca de maiores taxas de rentabilidade, tem como prática comprar nos mercados futuros para vender o mais rapidamente possível a preços mais altos. Esse mecanismo representa um fator determinante nos níveis atuais dos preços apesar da desaceleração da economia a nível mundial. A grande maioria das transações com commodities é feita nos mercados futuros, ao invés de no mercado spot, à vista, e por esse motivo, um mesmo produto acaba sendo comercializado dezenas de vezes antes de ser efetivamente vendido. Os especuladores seguram os contratos, que alcançam volumes enormes, para esperar pelo aumento do preço, aumentando desta maneira a distância entre os contratos e o mercado real.

As medidas paliativas que os capitalistas e os seus governos tomam para estabilizar a crise dos “mercados globais”, somente podem conduzir a uma crise ainda mais profunda: diminuição dos ritmos de crescimento industriais e dos investimentos produtivos (o capital tem a tendência a migrar na procura dos maiores lucros), redução dos salários, crescimento do desemprego, aumento da pobreza. A economia capitalista mundial entrou em recessão. A aceleração do mercado de derivativos, e da especulação financeira em geral, levou ao crescimento das bolhas financeiras.

O mercado industrial apresenta taxas de rentabilidade cada vez mais baixas devido ao aumento da composição orgânica do capital, fenômeno que Karl Marx explicou de maneira detalhada na sua obra prima O Capital. Hoje o PIB mundial é de aproximadamente US$70 trilhões, enquanto o volume das transações financeiras supera os US$ 1 mil trilhões, o que dá uma ideia da impressionante massa de dinheiro fictício, ou seja, que não apenas não corresponde à produção real, mas nem mesmo ao movimento geral da economia já fortemente contaminada pela especulação financeira.

O mercado financeiro é muito rentável para os grandes especuladores, mas as leis do capitalismo não podem ser ignoradas. Os investimentos financeiros não poderão continuar crescendo infinitamente enquanto a produção real cresce a taxas baixas e a recessão, que está em marcha neste momento, poderá levar todo o arcabouço extremamente artificial ao ponto de uma ruptura explosiva. Independentemente do curso imediato da crise, que tende a ser catastrófico, a economia capitalista inevitavelmente produz novas bolhas, ao mesmo tempo que insufla as anteriores, que conduziram a crises cada vez mais profundas do sistema capitalista de conjunto.

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Parte 1 – OS DERIVATIVOS FINANCEIROS = A ROLETA RUSSA CAPITALISTA

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Parte 3 – MUITO GRANDES PARA FALIREM?

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Parte 4 – TESOURO = CAIXA DOS MONOPÓLIOS

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Parte 5 – A ESPECULAÇÃO COM AS TAXAS DE JUROS

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Parte 6 – O “FARWEST” DAS “REGULAMENTAÇÕES”

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Parte 7 – ESPECULAÇÃO FINANCEIRA: O CORAÇÃO DA ECONOMIA CAPITALISTA PARASITÁRIA

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Parte 8 – HIPERINFLAÇÃO OU DEFLAÇÃO?

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Parte 9 – A INEVITÁVEL QUEDA DA TAXA DE LUCRO

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Parte 10 – APOSTAS, CONTRA-APOSTAS E “COLATERAIS”

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Parte 11 – O “SEGREDO” DOS LUCROS DOS DERIVATIVOS FINANCEIROS

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O MUNDO CAPITALISTA: UM CASINO FINANCEIRO (Parte 6) – O “FARWEST” DAS “REGULAMENTAÇÕES”

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Os derivativos financeiros potencializam a especulação a níveis estratosféricos mediante a negociação de contratos derivados dos “contratos futuros”. Por meio da criação de novos fundos (cestas de contratos futuros) de investimentos, estruturados a partir de vários contratos futuros provenientes de fontes muito diferentes, ou mesmo incluindo outros fundos, com intrincadas operações de seguros e qualificação de riscos, e que, frequentemente, podem até perder o rastro dos contratos futuros originais. Adicionalmente, títulos provenientes do setor “produtivo” (principalmente commodities), incluem hipotecas, operações creditícias, títulos cambiais, e, principalmente, seguros (swaps) sofisticados para todas essas operações. Eles representam um dos principais instrumentos do verdadeiro “casino” em que a especulação financeira, o coração do capitalismo parasitário, têm transformado o mundo.

A CFTC (Comissão que controla a Negociação de Commodities nos Mercados Futuros) isentou da regulamentação os fundos hedge (que na maioria funcionam em cima de derivativos complexos) controlados pelas 19 maiores instituições financeiras desde 1991, coincidindo com o fortalecimento do chamado “neoliberalismo”. Essas isenções foram estabelecidas em segredo até 2008, quando saíram à luz com a quebra dos grandes bancos de investimento. Na prática, os bancos isentos como bona-fide hedger (aplicadores em fundos hedge de boa fé!) impactaram fortemente os preços das commodities (matérias primas) sem nem sequer atuarem como produtores ou consumidores.

Em dezembro de 2010, o jornal norte-americano The New York Times publicou um artigo sobre a recém criada ICE Trust, empresa da ICE (Intercontinental Exchange) localizada em Nova Iorque, que passou a ser um membro da Reserva Federal e a atuar com foco no mercado créditos do tipo swap default security (um tipo de CDS), que são seguros que permitem a proteção dos especuladores que atuam em mercados financeiros futuros. “Estruturada a partir de gigantes como o JP Morgan Chase, o Goldman Sachs e o Morgan Stanley, os banqueiros formam um comitê poderoso que ajuda a controlar o mercado de derivativos, uma das mais rentáveis – e controversas – áreas de investimentos financeiros”, “O mercado como funciona hoje ‘aumenta em altos custos para todos os norte-americanos’ disse Gary Gensler, presidente da CFTC, que regula a maioria dos derivativos.”

No dia 21 de janeiro de 2010, o presidente Barack Obama aprovou, com grande estardalhaço e cobertura da imprensa capitalista, a chamada Regra Volcker para controlar “os investimentos especulativos dos bancos que não beneficiem os seus clientes”. A Regra proibia os investimentos em fundos hedge ou de private equity (investimentos não negociados publicamente em bolsas de valores), e limitava o volume de títulos de dívidas (liabilities) que os maiores bancos podiam possuir, fatores que, segundo a visão apresentada, teriam desempenhado um importante papel na crise financeira de 2007-2010. Em 5 de novembro de 2010, o FSOC (Conselho de Supervisão dos Serviços Financeiros) submeteu a Regra a avaliação pública em relação a como ela devia ser implementada. Os bancos Goldman Sachs, o Bank of America, e o JP Morgan Chase expressaram críticas alegando que os controles poderiam afetar a competitividade dos bancos norte-americanos no mercado mundial, e iniciaram esforços para que as agências reguladoras responsáveis pela sua implementação tivessem os seus orçamentos reduzidos. Logo em seguida, o novo responsável pelo HFSC (Comité de Serviços Financeiros), Deputado Spencer Bachus, declarou que estava promovendo esforços para limitar o impacto da Regra. O resultado final foi que a Regra Volcker não foi incluída na legislação, motivo pelo qual as agências reguladoras somente podem recomendar as suas normas, mas não impô-las.

Outras tentativas fracassadas para a regulamentação da especulação foram: a Lei 4173 da Câmara dos Deputados, de 11 de dezembro de 2009, com a chamada “Reforma de Wall Street e Proteção ao Consumidor de 2009”, e o Projeto de Lei do Senado 3217, de 15 de abril de 2010, “Restaurando a Estabilidade Financeira Americana”. Em 21 de julho de 2010, a Lei Dodd-Frank implementou a “Reforma de Wall Street e Proteção ao Consumidor”, mas bastante diminuída e sem propor quaisquer reforma importante ao sistema.

No dia 19 de fevereiro de 2011, foram cortados US$56 milhões do orçamento da CFTC, afrouxando ainda mais os quase inexistentes controles regulatórios. Segundo o Deputado Barney Frank, responsável pelo Comité de Serviços Financeiros, a Comissão “perderá a habilidade de restringir a especulação”.

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Parte 11 – O “SEGREDO” DOS LUCROS DOS DERIVATIVOS FINANCEIROS

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